{"id":241,"date":"2009-12-21T08:58:56","date_gmt":"2009-12-21T11:58:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=241"},"modified":"2009-12-21T08:58:56","modified_gmt":"2009-12-21T11:58:56","slug":"o-colecionador-de-lagrimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2009\/12\/21\/o-colecionador-de-lagrimas\/","title":{"rendered":"O colecionador de l\u00e1grimas"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Wal Cordeiro<\/strong><\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" title=\"crian\u00e7a chorando\" src=\"http:\/\/www.yardflex.com\/archives\/crying.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"225\" \/>Ver uma crian\u00e7a chorando, tem-se a id\u00e9ia de que ela est\u00e1 assustada; sentindo dor, ou, precisa de algo muito importante, segundo a sua \u00f3ptica, para acalent\u00e1-la. O choro, estridente, de uma crian\u00e7a confronta qualquer cora\u00e7\u00e3o envernizado e o leva ao fundo do po\u00e7o existencial.<\/p>\n<p>Observar as l\u00e1grimas, que rolam pelo rosto, de uma m\u00e3e aflita, d\u00e1 para perceber que o seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 inquieto e o sofrimento que a atormenta \u00e9 maior do que a sua consterna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sentir a express\u00e3o nos olhos de um pai que n\u00e3o resiste \u00e0 comisera\u00e7\u00e3o do choro e desaba em tenras l\u00e1grimas. \u00c9 ter a certeza de que algo muito grave aconteceu com o velho amigo, seu \u00fanico filho.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Presenciar as l\u00e1grimas pontiagudas na face do idoso que n\u00e3o tem for\u00e7as para gritar, e sucumbido pela tristeza agonizante que o remete para o passado de abandono e dor. \u00c9 est\u00e1 convicto de que o desgosto \u00e9 maior do que \u00e0 \u00faltima esperan\u00e7a de ver os filhos que o abdicaram numa casa de repouso h\u00e1 incont\u00e1veis anos.<\/p>\n<p>Assistir a cena, cinzenta, do tio que leva o \u00fanico sobrinho nos bra\u00e7os, gritando e chorando, em meio aos escombros de uma velha constru\u00e7\u00e3o iraquiana, destru\u00edda pelos \u00faltimos bombardeios a\u00e9reos de uma guerra que n\u00e3o tem dono. \u00c9 concluir que a guerra n\u00e3o tem gente e sim her\u00f3is que se lan\u00e7am para salvar os poucos e indefesos m\u00e1rtires que n\u00e3o pediram para lutar, mas foram sorteados para morrer.<\/p>\n<p>Olhar para a esquel\u00e9tica sudanesa, ao lado do cad\u00e1ver ressequido do seu \u00fanico filho que acaba de fenecer, que vive no meio do lixo e disp\u00f5e apenas de uma l\u00e1grima e a metade apodrecida de uma laranja, por causa da batalha para a sobreviv\u00eancia que gera a fome e sede, que a acompanha por toda a sua vida. \u00c9 detectar que a hist\u00f3ria n\u00e3o vale nada e os valores foram apodrentados pelos detentores do ilus\u00f3rio poder.<\/p>\n<p>Acompanhar, pelas vielas mal cheirosas e escuras, a imagem da seringa reutilizada que penetra na dilatada veia de um dependente que chora pela \u00faltima overdose de um alucin\u00f3geno. \u00c9 reconhecer que n\u00e3o temos poder para mudar ningu\u00e9m e a l\u00e1grima social vai continuar rolando pela consci\u00eancia sinistra de homens e mulheres que s\u00f3 pensam em si.<\/p>\n<p>Se encontrar com a entristecida e indesej\u00e1vel vi\u00fava, chorando e lamentando, que acabara de enterrar seu insepar\u00e1vel marido, v\u00edtima de uma bala perdida nas margens de uma favela carioca. \u00c9 a prova de que o choro n\u00e3o tem fim e a l\u00e1grima da morte \u00e9 maior do que a l\u00e1grima da vida que provoca moment\u00e2nea alegria na hora da vit\u00f3ria e depois desaparece.<\/p>\n<p>Se deparar com o semblante funesto do inconsol\u00e1vel e febril rapazote, que estivera desolado no momento ap\u00f3s o tr\u00e1gico acidente provocado por ele mesmo, devido ao excesso de velocidade e \u00e1lcool. \u00c9 entender que o limite de cada um \u00e9 a sua dor e o par\u00e2metro para a vida \u00e9 a morte. O espelho do sofrimento \u00e9 o rosto ensopado pelas l\u00e1grimas noturnas de algu\u00e9m que n\u00e3o tem for\u00e7as para lutar e perdeu o sentido, e a esperan\u00e7a de poder conquistar o inconquist\u00e1vel, de alcan\u00e7ar o inalcan\u00e7\u00e1vel, de obter o insaci\u00e1vel.<\/p>\n<p>E a outra face da l\u00e1grima? Por que l\u00e1grima est\u00e1 ligada a dor? E a l\u00e1grima de alegria que acende a realiza\u00e7\u00e3o e a satisfa\u00e7\u00e3o? Qual a gota mais preciosa? Por que chorar? Qual o sentido da l\u00e1grima? Para aonde ela vai?<\/p>\n<p>Ao observarmos, com a lupa da introspec\u00e7\u00e3o, as palavras divinas, contidas no manual dos manuais, sobre o verdadeiro sentido e destino final das l\u00e1grimas, entendemos que o maior tesouro na vida de algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o que se conquista e sim o que as l\u00e1grimas podem produzir na alma de cada um. N\u00e3o \u00e9 ter e achar que pode, e sim a falta de poder que nos leva a buscar a resposta certa para a l\u00e1grima inesperada. O ref\u00fagio em Deus, a esperan\u00e7a em Jesus e o consolo atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo. Ali\u00e1s, Esp\u00edrito Santo \u00e9 o maior especialista em l\u00e1grimas. Ele pr\u00f3prio elaborou as subst\u00e2ncias e a mistura com o s\u00f3dio que comp\u00f5em a sua ess\u00eancia. \u00a0<\/p>\n<p>As l\u00e1grimas, universal, misturadas com sangue, derramadas por Jesus na Cruz do Calv\u00e1rio, foram enxugadas pelo Esp\u00edrito Santo e o len\u00e7o que Ele usou foi guardado por toda a eternidade na gaveta do alt\u00edssimo, mesmo antes do mundo existir. A l\u00e1grima \u00e9 j\u00f3ia delicad\u00edssima que ningu\u00e9m pode exterminar. A l\u00e1grima jamais ser\u00e1 um elemento execrado, nunca ser\u00e1 abolida da terra. Sempre existir\u00e1. A l\u00e1grima \u00e9 o catedr\u00e1tico de matem\u00e1tica que poucos almejam ter e muitos ir\u00e3o experiment\u00e1-la e extrair in\u00fameras li\u00e7\u00f5es, somas e resultados a m\u00e9dio e longo prazo de suas estadas no planeta terra.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito santo \u00e9 o mentor da l\u00e1grima e a trindade alt\u00edssima foi a primeira pessoa a experimentar o sabor acrimonioso dela. A primeira l\u00e1grima a rolar pelo rosto de algu\u00e9m, ou, a primeira pessoa a receber em seu semblante o ardor quente e desconfortante de uma l\u00e1grima hostil, foi Deus. Foi o criador da l\u00e1grima e do universo que inaugurou o escorrer da gota dela em sua face padecida, quando no jardim do \u00c9den o homem formado para caminhar com Deus, para ter comunh\u00e3o com Ele, resolveu andar sozinho. Decidiu ser independente. Gritou para todos ouvirem que n\u00e3o precisava mais de Deus. Abriu a porta para que o pecado entrasse no cora\u00e7\u00e3o de todos.<\/p>\n<p>A l\u00e1grima foi inesperada, a dor foi indesejada e a separa\u00e7\u00e3o foi comprovada. A l\u00e1grima passou a existir em todas e quaisquer conjunturas da vida. Tornou-se amiga amb\u00edgua dos seres que se chamam humanos. \u00a0<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito Santo criou a l\u00e1grima, Deus a inaugurou e o homem a recebeu para nunca mais deix\u00e1-la. A l\u00e1grima chegou e com ela os seus ensinamentos.<\/p>\n<p>Desde os prim\u00f3rdios da ra\u00e7a humana, Ele, o Esp\u00edrito Santo resolveu confeccionar uma colossal caixa de cristal para armazenar e colecionar todas as l\u00e1grimas derramadas, no desenrolar da hist\u00f3ria, pela a cria\u00e7\u00e3o de Deus, o homem.<\/p>\n<p>L\u00e1grimas de alegria, l\u00e1grimas de amargura, l\u00e1grimas de aconchego, l\u00e1grimas de satisfa\u00e7\u00e3o, l\u00e1grimas de esperan\u00e7a, l\u00e1grimas de devaneios, l\u00e1grimas de vida, l\u00e1grimas de morte, l\u00e1grimas de coragem, l\u00e1grimas de desesperan\u00e7a, l\u00e1grimas de f\u00e9, l\u00e1grimas de receio, l\u00e1grimas de dor, l\u00e1grimas de emo\u00e7\u00e3o, l\u00e1grimas de infantes, l\u00e1grimas de adultos, l\u00e1grimas de todos.<\/p>\n<p>O colecionador de l\u00e1grimas, o Esp\u00edrito Santo, decidiu guard\u00e1-las secretamente, para que a cada momento inesperado na terra, vivido pelos produtores de choro, homens e mulheres sejam consolados e, acima de tudo, de cada l\u00e1grima derramada possam extrair li\u00e7\u00f5es positivas para a vida e sejam conduzidos \u00e0 verdadeira adora\u00e7\u00e3o a Deus, adora\u00e7\u00e3o sem fronteiras!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Wal Cordeiro Ver uma crian\u00e7a chorando, tem-se a id\u00e9ia de que ela est\u00e1 assustada; sentindo dor, ou, precisa de algo muito importante, segundo a sua \u00f3ptica, para acalent\u00e1-la. O choro, estridente, de uma crian\u00e7a confronta qualquer cora\u00e7\u00e3o envernizado e o leva ao fundo do po\u00e7o existencial. Observar as l\u00e1grimas, que rolam pelo rosto, de uma m\u00e3e aflita, d\u00e1 para perceber que o seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 inquieto e o sofrimento que a atormenta \u00e9 maior do que a sua consterna\u00e7\u00e3o. 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