{"id":23800,"date":"2010-11-30T06:11:33","date_gmt":"2010-11-30T09:11:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=23800"},"modified":"2010-11-30T06:11:33","modified_gmt":"2010-11-30T09:11:33","slug":"miro-teixeira-o-morro-do-alemao-e-a-pec-300","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/11\/30\/miro-teixeira-o-morro-do-alemao-e-a-pec-300\/","title":{"rendered":"Miro Teixeira, o Morro do Alem\u00e3o e a PEC 300"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cAgora, todos os especialistas repetem que o sucesso de uma opera\u00e7\u00e3o policial desse porte implica a exist\u00eancia de um bom material humano\u201d, observa Miro<\/em><\/p>\n<div id=\"img\">\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"10\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" title=\"Clique no nome do colunista para ver outros artigos\" src=\"http:\/\/www.congressoemfoco.com.br\/upload\/congresso\/rudolfo_colunista.jpg\" alt=\"Clique no nome do colunista para ver outros artigos\" align=\"left\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><a href=\"http:\/\/www.congressoemfoco.com.br\/noticia.asp?cod_canal=14&amp;cod_publicacao=30606\">Rudolfo Lago*<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>Segundo deputado federal mais antigo (perde apenas para o l\u00edder do PMDB na C\u00e2mara, Henrique Eduardo Alves, do Rio Grande do Norte), ex-rep\u00f3rter do jornal o Dia, aos 65 anos, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) j\u00e1 viu muita coisa no longo embate da sua cidade com o crime organizado. A\u00e7\u00f5es parecidas no passado \u2013 at\u00e9 na mesma regi\u00e3o da Vila Cruzeiro, na Zona Norte do Rio \u2013 j\u00e1 aconteceram. Provocaram um impacto inicial, mas, depois, os criminosos voltaram a se reorganizar e a vida no Rio prosseguiu ent\u00e3o, violenta como sempre. \u00c9 esse o risco que n\u00e3o se pode correr\u00a0 agora. Para que a ocupa\u00e7\u00e3o do Morro do Alem\u00e3o seja mesmo um sucesso, entende Miro, ela tem de ser entendida como uma batalha, e n\u00e3o como o final da guerra.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o que se iniciou no fim de semana teve at\u00e9 agora sucesso total. Miro estima que nunca houve opera\u00e7\u00e3o policial no pa\u00eds que tenha apreendido quantidade nem pr\u00f3xima de drogas e de armamentos como aconteceu no Complexo do Alem\u00e3o. E praticamente sem que a popula\u00e7\u00e3o civil da regi\u00e3o tenha sido atingida. Mas a ocupa\u00e7\u00e3o do morro e o desbaratamento das quadrilhas s\u00e3o apenas o passo inicial.<\/p>\n<p>\u201cDepois da invas\u00e3o policial, como disse o prefeito do Rio, Eduardo Paes, tem de acontecer uma invas\u00e3o de servi\u00e7os sociais\u201d, observa Miro. Os moradores do complexo do Alem\u00e3o e de todas as outras regi\u00f5es de popula\u00e7\u00e3o menos favorecida do Rio precisam de a\u00e7\u00f5es que os afastem da atra\u00e7\u00e3o do crime. As ruas t\u00eam de ser pavimentadas, os acessos facilitados, para que o morro do Alem\u00e3o, por exemplo, deixe de ser a sucess\u00e3o de becos e ruelas que facilitam as a\u00e7\u00f5es e criam os esconderijos para os bandidos. \u00c9 preciso melhorar as condi\u00e7\u00f5es de saneamento. Construir creches e escolas. Oferecer bons cursos t\u00e9cnicos nos col\u00e9gios de segundo grau. \u201cAs favelas precisam, enfim, ser tratadas como bairros, que s\u00e3o. T\u00eam que ser incorporadas \u00e0 cidade. A grande maioria que vive ali n\u00e3o \u00e9 composta por bandidos que t\u00eam de ser enfrentados, mas por cidad\u00e3os, que t\u00eam de ser respeitados\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>O fato novo observado por Miro nas a\u00e7\u00f5es ocorridas nos \u00faltimos dias \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de total esgotamento na rela\u00e7\u00e3o das comunidades do morro com os bandidos que h\u00e1 anos dominaram esses locais. Se j\u00e1 houve um tempo em que esses bandidos supriam a seu modo a aus\u00eancia de Estado nessas comunidades, o que se percebeu \u00e9 que esse tempo n\u00e3o existe mais. \u201cA hist\u00f3ria do bandido her\u00f3i hoje \u00e9 Hollywood puro\u201d, diz Miro. \u201cHoje, a submiss\u00e3o das comunidades do morro ao crime se d\u00e1 unicamente pelo terror, pelo medo\u201d, conclui.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nPor essa raz\u00e3o \u00e9 que essa popula\u00e7\u00e3o, ao sentir-se segura para isso, colaborou com a pol\u00edcia e manifestou seu contentamento com faixas e bandeiras brancas pedindo paz. \u201cA sociedade comemora de maneira discreta porque teme retalia\u00e7\u00e3o, mas demonstra claramente sua satisfa\u00e7\u00e3o\u201d, avalia o deputado. \u201cPena que nem todos os policiais entenderam isso e alguns maltrataram, humilharam e at\u00e9 roubaram os moradores\u201d, comenta Miro.<\/p>\n<p>E a\u00ed emenda a avalia\u00e7\u00e3o que faz com a defesa que vem fazendo da aprova\u00e7\u00e3o das PECs 300, que cria o piso nacional dos policiais, e 308, que cria a Pol\u00edcia Penitenci\u00e1ria. \u201cAgora, todos os especialistas repetem que o sucesso de uma opera\u00e7\u00e3o policial desse porte implica a exist\u00eancia de um bom material humano\u201d, observa. \u201cN\u00e3o \u00e9 por outra raz\u00e3o que defendemos a PEC 300\u201d, conclui. A despeito, diz ele, de a discuss\u00e3o sobre a PEC ter surgido de uma reivindica\u00e7\u00e3o corporativa e a despeito da despesa or\u00e7ament\u00e1ria que ela provoca. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o de prioridades. \u00c9 demais querer gastar na promo\u00e7\u00e3o da paz?\u201d, pergunta.<\/p>\n<p>\u201cA ado\u00e7\u00e3o de um piso melhor para os policiais \u00e9 necess\u00e1ria porque, do contr\u00e1rio, vive-se uma situa\u00e7\u00e3o injusta\u201d, diz Miro. \u201c\u00c9 injusto, por exemplo, que um policial que ganha apenas R$ 1 mil arrisque-se dessa forma e n\u00e3o tenha condi\u00e7\u00f5es de ter, por exemplo, seu pr\u00f3prio colete \u00e0 prova de balas e o seu pr\u00f3prio armamento. \u00c9 justo pedir a um policial que invada assim o covil dos bandidos e depois saia pelas ruas com sua fam\u00edlia completamente vulner\u00e1vel?\u201d, pergunta Miro. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma discuss\u00e3o de interesse corporativo, \u00e9 uma discuss\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica\u201d, completa.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia cometidas pelos bandidos antes da rea\u00e7\u00e3o dos policiais foram ordenadas por criminosos que est\u00e3o detidos em penitenci\u00e1rias de seguran\u00e7a m\u00e1xima. Esse fato, considera Miro, refor\u00e7a a necessidade da PEC 308. \u201cPrecisamos de uma pol\u00edcia penitenci\u00e1ria bem treinada e bem paga que evite que tais coisas aconte\u00e7am\u201d, defende Miro. \u201cAcho que o exemplo do que aconteceu no Rio torna as coisas mais claras. Agora, essas duas PECs v\u00e3o\u201d, aposta ele.<\/p>\n<p><em>*\u00c9 o editor-executivo do <strong>Congresso em Foco<\/strong>. Formado em Jornalismo pela Universidade de Bras\u00edlia em 1986, Rudolfo Lago atua como jornalista especializado em pol\u00edtica desde 1987. Com passagens pelos principais jornais e revistas do pa\u00eds, foi editor de Pol\u00edtica do jornal <\/em>Correio Braziliense<em>, editor-assistente da revista <\/em>Veja<em> e editor especial da revista <\/em>Isto\u00c9<em>, entre outras fun\u00e7\u00f5es. Vencedor de quatro pr\u00eamios de jornalismo, incluindo o Pr\u00eamio Esso, em 2000, com equipe do <\/em>Correio Braziliense<em>, pela s\u00e9rie de reportagens que resultaram na cassa\u00e7\u00e3o do senador Luiz Estev\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Congresso em Foco<\/p>\n<p>Outros textos do colunista <a href=\"http:\/\/www.congressoemfoco.com.br\/noticia.asp?cod_canal=14&amp;cod_publicacao=30606\">Rudolfo Lago*<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAgora, todos os especialistas repetem que o sucesso de uma opera\u00e7\u00e3o policial desse porte implica a exist\u00eancia de um bom material humano\u201d, observa Miro Rudolfo Lago* Segundo deputado federal mais antigo (perde apenas para o l\u00edder do PMDB na C\u00e2mara, Henrique Eduardo Alves, do Rio Grande do Norte), ex-rep\u00f3rter do jornal o Dia, aos 65 anos, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) j\u00e1 viu muita coisa no longo embate da sua cidade com o crime organizado. A\u00e7\u00f5es parecidas no passado \u2013 at\u00e9 na mesma regi\u00e3o da Vila Cruzeiro, na Zona Norte do Rio \u2013 j\u00e1 aconteceram. 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