{"id":23568,"date":"2010-11-26T07:02:49","date_gmt":"2010-11-26T10:02:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=23568"},"modified":"2010-11-26T07:02:49","modified_gmt":"2010-11-26T10:02:49","slug":"pre-sal-pode-ameacar-biodiversidade-marinha-do-brasil-diz-greenpeace","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/11\/26\/pre-sal-pode-ameacar-biodiversidade-marinha-do-brasil-diz-greenpeace\/","title":{"rendered":"Pr\u00e9-sal pode amea\u00e7ar biodiversidade marinha do Brasil, diz Greenpeace"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Karina Ninni &#8211; estadao.com.br<\/strong><\/em><\/p>\n<div>\n<p>O Greenpeace Brasil lan\u00e7ou nesta quinta-feira um relat\u00f3rio sobre biodiversidade marinha e explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo offshore (no oceano). &#8220;Mar, petr\u00f3leo e biodiversidade&#8221; tra\u00e7a um raio X da costa brasileira e contrap\u00f5e os setores de Meio Ambiente e Energia, fazendo a rela\u00e7\u00e3o entre \u00e1reas priorit\u00e1rias para a cria\u00e7\u00e3o de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o Marinhas e \u00e1reas onde a prospec\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo j\u00e1 acontecem.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel no site da entidade, o documento mostra que na regi\u00e3o Sudeste &#8211; onde se encontra o pr\u00e9 sal &#8211; 21% das \u00e1reas consideradas priorit\u00e1rias para a implanta\u00e7\u00e3o de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o Marinhas j\u00e1 t\u00eam campos de explora\u00e7\u00e3o em atividade ou blocos de explora\u00e7\u00e3o em fase de prospec\u00e7\u00e3o. A regi\u00e3o \u00e9 seguida de perto pelo Nordeste, com 17,8% de \u00e1reas priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o j\u00e1 concedidas para petrol\u00edferas.Ironicamente, s\u00e3o as duas maiores \u00e1reas de ocorr\u00eancia de corais na costa brasileira: 91% dos recifes de corais do Pa\u00eds est\u00e3o na regi\u00e3o Nordeste e o restante est\u00e1 no Sudeste.<\/p>\n<p><!--more-->&#8220;Os recifes de corais aglutinam a vida marinha, provendo abrigo e alimentos para diversas esp\u00e9cies. O impacto nessas estruturas pode ter reflexos em toda biodiversidade da nossa costa&#8221;, explica Leandra Gon\u00e7alves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace. Segundo ela, a rentabilidade do setro energ\u00e9tico \u00e9 um grande problema para a biodiversidade marinha.<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;O setor energ\u00e9tico \u00e9 rent\u00e1vel. Por isso, \u00e1reas priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o de aves e esp\u00e9cies marinhas j\u00e1 est\u00e3o concedidas para explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. E a tend\u00eancia \u00e9 o crescimento dessa fatia de \u00e1reas concedidas para explora\u00e7\u00e3o no mar&#8221;, salienta Leandra Gon\u00e7alves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace, explicando que o relat\u00f3rio foi concebido sobre dados secund\u00e1rios do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA) e do Minist\u00e9rio das Minas e Energia (MME).<\/p>\n<p>O economista e consultor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, confirma. &#8220;Hoje, no mundo, 20% do petr\u00f3leo \u00e9 retirado do mar. Mas esse n\u00famero deve crescer nos pr\u00f3ximos anos&#8221;, afirma, lembrando que, no Brasil, 95% do petr\u00f3leo extra\u00eddo \u00e9 explorado offshore. O Pa\u00eds produz, hoje, 2 milh\u00f5es de barris por dia.<br \/>\nPara ele, a atividade tem riscos e um bom planejamento deve ser o in\u00edcio de toda iniciativa de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no mar &#8211; principalmente no caso do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>&#8220;Temos a seguinte situa\u00e7\u00e3o: a tecnologia hoje \u00e9 muito incipiente para dar conta de casos como o vazamento do Golfo do M\u00e9xico. O pr\u00e9-sal \u00e9 um projeto de risco porque nunca ningu\u00e9m foi t\u00e3o fundo e nem t\u00e3o longe da costa para buscar petr\u00f3leo. Se h\u00e1 um acidente, \u00e9 capaz de acontecer igual ou pior do que o que ocorreu no Golfo, com meses de vazamento&#8221;, diz Pires.<br \/>\nEle diz que h\u00e1 duas &#8220;maldi\u00e7\u00f5es&#8221; que podem ser esperadas como consequ\u00eancia do investimento maci\u00e7o de dinheiro na explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>&#8220;A primeira \u00e9 que produzir petr\u00f3leo demais pode sujar a matriz energ\u00e9tica brasileira, uma das mais limpas do mundo. Porque o Pa\u00eds todo vai come\u00e7ar a consumir muito mais combust\u00edveis f\u00f3sseis. A segunda \u00e9 que, se o governo for com muita sede ao pote, pode provocar um acidente de grandes propor\u00e7\u00f5es e colocar em risco n\u00e3o s\u00f3 a biodiversidade marinha, mas a vida dos que dependem dos recursos do mar.&#8221;<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio do Greenpeace, os autores afirmam que as emiss\u00f5es resultantes da explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal v\u00e3o compensar o CO2 n\u00e3o emitido pela redu\u00e7\u00e3o do desmatamento, mantendo o Brasil como um dos maiores poluidores do mundo. No pior cen\u00e1rio, l\u00ea-se no documento, as emiss\u00f5es nacionais \u2013 de 2,192 bilh\u00f5es de toneladas por ano (de acordo com o segundo invent\u00e1rio nacional de emiss\u00e3o de gases do efeito estufa de 2005) seriam praticamente dobradas, posicionando o pa\u00eds entre os tr\u00eas maiores emissores de CO2 do mundo.<\/p>\n<p><strong>Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o no mar<\/strong><\/p>\n<p>O Greenpeace &#8211; assim como outras oscips brasileiras e internacionais &#8211; defende que a melhor pol\u00edtica para evitar impactos negativos da explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera para a biodiversidade da costa brasileira \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o Marinhas.<br \/>\n&#8220;\u00c9 um absrudo que uma costa como a nossa n\u00e3o tenha um ordenamento marinho planejado. Enquanto isso n\u00e3o acontece, dependemos da for\u00e7a de vontade da sociedade civil em tentar evitar o pior. Como em 2005, quando foram ofertados blocos de explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera nos arredores do Arquip\u00e9lago dos Abrolhos, que \u00e9 simplesmente o maior recife de corais do Atl\u00e2ntico Sul. Isso s\u00f3 n\u00e3o se concretizou porque n\u00f3s nos mobilizamos&#8221;, lembra Leandra, do Greenpeace.<\/p>\n<p>O compromisso internacional adotado pelo Brasil para conter a perda de biodiversidade marinha at\u00e9 2010 era o de conservar, no m\u00ednimo, 10% da \u00e1rea de ecossistemas marinhos por meio de unidades de conserva\u00e7\u00e3o (UCs). Mas, de acordo com o MMA, apenas 1,5% da zona costeira e marinha brasileira est\u00e1 protegida. No mundo todo, s\u00f3 1,17% das \u00e1reas marinhas mundiais s\u00e3o preservadas \u2013 aproximadamente 4,2 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados de oceano, de acordo com o relat\u00f3rio Global Ocean Protection, lan\u00e7ado no m\u00eas passado na COP da Biodiversidade, em Nagoya.<\/p>\n<p>O Greenpeace defende a exist\u00eancia de 30% de \u00e1reas marinhas protegidas no litoral brasileiro e prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de uma rede mundial de \u00e1reas marinhas protegidas, que cubra 40% dos oceanos. Segundo Leandra, entre as \u00e1reas brasileiras priorit\u00e1rias para a cria\u00e7\u00e3o de UCs est\u00e3o a Reserva de Fauna da Ba\u00eda da Babitinga, em S\u00e3o Francisco do Sul (SC), a \u00c1rea Marinha Protegida do Arquip\u00e9lago de Trindade e Martim Vaz (ES) e o Ref\u00fagio da Vida Silvestre do Peixe-Boi (PI\/CE).<\/p>\n<p><strong>Explorar com intelig\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Para Adriano Pires, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o &#8220;furar&#8221; o mar para explorar petr\u00f3leo. Mas isso deve ser feito com planejamento e intelig\u00eancia, deixando de fora \u00e1reas ricas em biodiversidade.<\/p>\n<p>&#8220;A popula\u00e7\u00e3o mundial est\u00e1 crescendo e precisamos, ainda, do petr\u00f3leo. Mas isso n\u00e3o quer dizer investir todas as fichas em combust\u00edvel f\u00f3ssil. O governo anunciou um investimento de 1 trillh\u00e3o de reais em energia at\u00e9 2019. Destes, mais de 620 bilh\u00f5es v\u00e3o para explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera e 66 milh\u00f5es s\u00e3o destinados a energias limpas alternativas, ou seja, excluindo-se as hidrel\u00e9tricas. \u00c9 pouco&#8221;, compara. &#8220;Al\u00e9m do mais, \u00e9 preciso fazer exig\u00eancias mais pesadas para a concess\u00e3o des licen\u00e7as ambientais, e \u00e9 preciso afastar as plataformas petrol\u00edferas de \u00e1reas muito ricas em biodiversidade. Isso \u00e9 bom senso&#8221;.<\/p>\n<p>Para Leandra, nesse contexto, investir pesadamente em redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es \u00e9 jogar dinheiro fora. &#8220;\u00c9 preciso realmente investir mais em energias limpas. \u00c9 o tal salto tecnol\u00f3gico. N\u00e3o sa\u00edmos da idade da pedra para a idade do metal porque acabaram as pedras. Simplesmente porque se descobriu algo mais eficiente e interessante&#8221;, compara.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Ninni &#8211; estadao.com.br O Greenpeace Brasil lan\u00e7ou nesta quinta-feira um relat\u00f3rio sobre biodiversidade marinha e explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo offshore (no oceano). &#8220;Mar, petr\u00f3leo e biodiversidade&#8221; tra\u00e7a um raio X da costa brasileira e contrap\u00f5e os setores de Meio Ambiente e Energia, fazendo a rela\u00e7\u00e3o entre \u00e1reas priorit\u00e1rias para a cria\u00e7\u00e3o de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o Marinhas e \u00e1reas onde a prospec\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo j\u00e1 acontecem. 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