{"id":23118,"date":"2010-11-19T07:18:31","date_gmt":"2010-11-19T10:18:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=23118"},"modified":"2010-11-19T07:18:31","modified_gmt":"2010-11-19T10:18:31","slug":"mortalidade-entre-criancas-pobres-urbanas-chega-ao-dobro-das-criancas-ricas-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/11\/19\/mortalidade-entre-criancas-pobres-urbanas-chega-ao-dobro-das-criancas-ricas-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Mortalidade entre crian\u00e7as pobres urbanas chega ao dobro das crian\u00e7as ricas, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>Pobreza \u00e9 mascarada em meio a altos \u00edndices de urbaniza\u00e7\u00e3o Crian\u00e7as das \u00e1reas urbanas mais pobres t\u00eam o dobro de probabilidade de morrer antes de completar cinco anos, comparadas \u00e0s crian\u00e7as que vivem nas \u00e1reas ricas das cidades, segundo estudo divulgado nesta semana pelo UN-Habitat (bra\u00e7o da ONU para habita\u00e7\u00e3o) e a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>O estudo, chamado &#8220;Cidades escondidas&#8221;, tem como objetivo evidenciar as disparidades de condi\u00e7\u00f5es de vida dentro dos centros urbanos. Essas disparidades geralmente s\u00e3o mascaradas pelos altos \u00edndices de desenvolvimento m\u00e9dio das cidades, superior \u00e0s \u00e1reas rurais.<\/p>\n<p>&#8220;Olhando para al\u00e9m dos efervescentes centros de consumo e edif\u00edcios, as cidades do mundo hoje cont\u00eam cidades escondidas, onde pessoas sofrem desproporcionalmente com m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. Nenhuma cidade est\u00e1 imune a esse problema&#8221;, escreveu no estudo Margaret Chan, diretora-geral da OMS.<\/p>\n<p>O Brasil foi representado no estudo &#8211; feito com dados gerais de 43 pa\u00edses e an\u00e1lises espec\u00edficas em 17 cidades &#8211; por Guarulhos, munic\u00edpio de 1,17 milh\u00e3o de habitantes na Grande S\u00e3o Paulo que foi escolhido porque j\u00e1 promovia a\u00e7\u00f5es em parceria com a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>No munic\u00edpio paulista \u00e9 poss\u00edvel observar disparidades sociais entre regi\u00f5es internas: enquanto no distrito de Bonsucesso a taxa de mortalidade de crian\u00e7as com menos de cinco anos \u00e9 de 33,3 (a cada mil nascimentos vivos), o mesmo \u00edndice cai para 9,56 no distrito guarulhense de Ponte Grande.<\/p>\n<p>No Brasil, a taxa geral de mortalidade antes dos cinco anos \u00e9 de 20 a cada mil nascimentos.<\/p>\n<p>Nas Am\u00e9ricas, essa taxa em \u00e1reas urbanas ricas fica ao redor de 30 e dobra para ao redor de 60 nas \u00e1reas urbanas mais pobres. Na \u00c1frica, pode chegar ao redor de 140 nas \u00e1reas urbanas empobrecidas.<!--more--><\/p>\n<p>Correla\u00e7\u00f5es de pobreza Cerca de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o urbana mundial vive em favelas, com acesso limitado a cuidados de sa\u00fade e sanit\u00e1rios, diz o estudo. A consequ\u00eancia \u00e9 que essas pessoas &#8220;t\u00eam mais doen\u00e7as e morrem mais cedo do que outros segmentos da popula\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a an\u00e1lise em Guarulhos observou que \u00e1reas com maior \u00edndice de analfabetismo registram tamb\u00e9m mais casos de gravidez na adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Vale uma ressalva a essas correla\u00e7\u00f5es, que nem sempre seguem caminhos \u00f3bvios: cruzando os dados do estudo, observa-se que as \u00e1reas com menor \u00edndice de esgoto e \u00e1gua tratada n\u00e3o necessariamente t\u00eam as maiores taxas de mortalidade, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 uma an\u00e1lise puramente de causa de efeito&#8221;, explica \u00e0 BBC Brasil o t\u00e9cnico da OMS Amit Prasad. &#8220;O objetivo \u00e9 descobrir que \u00e1reas est\u00e3o socialmente vulner\u00e1veis para fazer pol\u00edticas de interven\u00e7\u00e3o.&#8221; No caso brasileiro, tratando-se de um pa\u00eds em transi\u00e7\u00e3o para o mundo desenvolvido, Prasad diz que problemas como mortalidade infantil e aus\u00eancia de servi\u00e7os sanit\u00e1rios b\u00e1sicos est\u00e3o, em geral, &#8220;mais bem atendidos&#8221;.<\/p>\n<p>As preocupa\u00e7\u00f5es crescentes s\u00e3o com a viol\u00eancia urbana e com as doen\u00e7as cr\u00f4nicas e &#8220;n\u00e3o comunic\u00e1veis&#8221; (n\u00e3o contagiosas), como c\u00e2ncer, diabetes e males do sistema circulat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A pesquisa da ONU diz que, \u00e0 medida que um pa\u00eds cresce, &#8220;o peso dessas doen\u00e7as tende a mudar dos setores mais ricos para os mais pobres da sociedade. As raz\u00f5es para esse fen\u00f4meno s\u00e3o discut\u00edveis, mas acredita-se que estejam relacionadas a dietas menos saud\u00e1veis, sedentarismo, obesidade e tabagismo&#8221;.<\/p>\n<p>Pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es Al\u00e9m de pedir pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas, o estudo cita a\u00e7\u00f5es bem-sucedidas no combate \u00e0 mortalidade em \u00e1reas urbanas pobres, como a ado\u00e7\u00e3o de agentes comunit\u00e1rias da sa\u00fade em favelas do Paquist\u00e3o e o maior acesso aos servi\u00e7os sanit\u00e1rios entre a popula\u00e7\u00e3o do leste africano.<\/p>\n<p>Outra medida citada \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o de leis que obriguem o uso de capacetes, num momento em que as motocicletas se proliferam em centros urbanos em desenvolvimento. Calcula-se que seu uso reduza em 42% o risco de morte no caso de acidente.<\/p>\n<p>E o esfor\u00e7o comunit\u00e1rio pela redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no Jardim gela, zona sul de S\u00e3o Paulo, foi colocado em destaque no estudo da ONU como um exemplo de sucesso.<\/p>\n<p>Momentos de crescimento econ\u00f4mico como o vivido atualmente pelo Brasil n\u00e3o necessariamente se traduzem em melhorias para essas popula\u00e7\u00f5es &#8220;esquecidas&#8221;, explica Prasad.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas direcionadas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis&#8221;, diz ele. Um exemplo disso, agrega o especialista, \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o pobre de Bangladesh tem em geral uma vida melhor do que a popula\u00e7\u00e3o pobre da \u00cdndia, que \u00e9 um pa\u00eds mais rico por\u00e9m com pol\u00edticas direcionadas menos eficazes. <em><strong>Da Folha<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pobreza \u00e9 mascarada em meio a altos \u00edndices de urbaniza\u00e7\u00e3o Crian\u00e7as das \u00e1reas urbanas mais pobres t\u00eam o dobro de probabilidade de morrer antes de completar cinco anos, comparadas \u00e0s crian\u00e7as que vivem nas \u00e1reas ricas das cidades, segundo estudo divulgado nesta semana pelo UN-Habitat (bra\u00e7o da ONU para habita\u00e7\u00e3o) e a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). O estudo, chamado &#8220;Cidades escondidas&#8221;, tem como objetivo evidenciar as disparidades de condi\u00e7\u00f5es de vida dentro dos centros urbanos. 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