{"id":23091,"date":"2010-11-18T18:34:43","date_gmt":"2010-11-18T21:34:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=23091"},"modified":"2010-11-18T18:34:43","modified_gmt":"2010-11-18T21:34:43","slug":"importacoes-continuam-crescendo-acima-das-exportacoes-aponta-fiesp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/11\/18\/importacoes-continuam-crescendo-acima-das-exportacoes-aponta-fiesp\/","title":{"rendered":"Importa\u00e7\u00f5es continuam crescendo acima das exporta\u00e7\u00f5es, aponta Fiesp"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Ag\u00eancia Brasil<br \/>\n<\/em><\/strong><br \/>\nS\u00e3o Paulo &#8211; O consumo interno de produtos importados continua crescendo em um ritmo acima das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. Segundo c\u00e1lculos da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp), entre agosto e setembro deste ano, os importados atenderam a 22,7% do consumo interno, frente aos 20,7% calculados no segundo trimestre deste ano. Este \u00e9 o maior valor registrado desde 2003, quando a entidade come\u00e7ou a calcular o coeficiente de importa\u00e7\u00e3o trimestral, mas analistas da federa\u00e7\u00e3o acreditam que desde a d\u00e9cada de 1990 os importados n\u00e3o obt\u00e9m uma participa\u00e7\u00e3o t\u00e3o expressiva.<!--more--><\/p>\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es brasileiras no per\u00edodo tamb\u00e9m aumentaram, atingindo um resultado (19,2%) pr\u00f3ximo aos registrados nos dois \u00faltimos trimestres de 2008 (antes da \u00faltima crise econ\u00f4mica mundial, no fim de 2008), em torno de 20%. Apesar disso, a diferen\u00e7a entre a participa\u00e7\u00e3o dos produtos importados e as exporta\u00e7\u00f5es se ampliou.<\/p>\n<p>Desde o terceiro trimestre de 2009, quando o coeficiente de importa\u00e7\u00f5es e o de exporta\u00e7\u00f5es calculado pela Fiesp eram praticamente os mesmos (respectivamente 18,1% e 18,2%), o consumo de produtos estrangeiros aumentou 4,6 pontos percentuais. J\u00e1 as exporta\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s diminu\u00edrem nos \u00faltimos tr\u00eas meses de 2009 e praticamente estagnarem durante o primeiro semestre de 2010, fecharam o \u00faltimo per\u00edodo com uma alta de apenas 1 ponto percentual. Ou seja, entre julho de 2009 e o fim de setembro deste ano, a participa\u00e7\u00e3o dos importados cresceu mais de quatro vezes acima das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>Segundo o diretor titular do Departamento de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Com\u00e9rcio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, a tend\u00eancia \u00e9 de que o volume de importados continue aumentando enquanto a atual taxa de c\u00e2mbio for mantida e o real permanecer valorizado frente ao d\u00f3lar. Esta situa\u00e7\u00e3o cambial, segundo o economista, tamb\u00e9m faz com que os empres\u00e1rios brasileiros prefiram importar bens e produtos do que fabric\u00e1-los aqui, causando um desequil\u00edbrio nas contas internas e levando ao fechamento de postos de trabalho devido \u00e0 falta de investimento na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o podemos aceitar que o pa\u00eds assista passivamente ao decl\u00ednio das nossas exporta\u00e7\u00f5es de produtos manufaturados&#8221;, disse Giannetti, para quem o d\u00f3lar a R$ 2 seria um bom valor de equil\u00edbrio. Ele tamb\u00e9m destacou que, hoje, a lista de produtos exportados pelo Brasil se constitui basicamente de <em>commodities<\/em>, bens prim\u00e1rios como min\u00e9rios e gr\u00e3os de baixo valor agregado.<\/p>\n<p>No terceiro trimestre de 2010, os setores exportadores com melhor desempenho foram os de alimentos e bebidas e de autom\u00f3veis, caminh\u00f5es e \u00f4nibus. J\u00e1 o aumento das importa\u00e7\u00f5es, muito mais generalizado, foi motivado principalmente pelo setor de m\u00e1quinas e equipamentos industriais e comerciais, mas tamb\u00e9m no de produtos qu\u00edmicos, refino de petr\u00f3leo e autom\u00f3veis, caminh\u00f5es e \u00f4nibus.<\/p>\n<p>Para demonstrar o fen\u00f4meno a que classifica como a &#8220;primariza\u00e7\u00e3o da pauta exportadora&#8221;, o economista aponta para o fato de que, dos dez produtos brasileiros mais vendidos no exterior entre janeiro e setembro deste ano, apenas um (autom\u00f3veis de passageiros) \u00e9 manufaturado, ao passo que, no mesmo per\u00edodo de 2006, a mesma lista continha quatro manufaturados contra seis produtos prim\u00e1rios. Al\u00e9m do mais, Giannetti tamb\u00e9m critica a concentra\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es em poucos produtos prim\u00e1rios, j\u00e1 que, atualmente, apenas 4 itens (min\u00e9rio de ferro; \u00f3leo bruto de petr\u00f3leo; soja e a\u00e7\u00facar de cana) respondem por um ter\u00e7o das vendas internacionais. Em 2006 era preciso somar todos os 10 itens mais vendidos para chegar a um ter\u00e7o das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>Para Giannetti, os resultados divulgados hoje (18), em S\u00e3o Paulo (SP), atestam o que a Fiesp vem alertando h\u00e1 tempos: est\u00e1 em curso um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o e o governo, segundo ele, vem adotando medidas in\u00f3cuas, com base no argumento de que a balan\u00e7a comercial \u00e9 avit\u00e1ria, o que, de acordo com o economista, s\u00f3 tem sido poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o das <em>commodities<\/em>, sobretudo para a China. Al\u00e9m disso, Giannetti tamb\u00e9m afirma que, com a queda das exporta\u00e7\u00f5es, a produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira tem crescido gra\u00e7as ao aumento da renda nacional e do cr\u00e9dito, fatores que, segundo ele, n\u00e3o ir\u00e1 se sustentar.<\/p>\n<p>&#8220;Podemos estar batendo \u00e0s portas de uma recess\u00e3o j\u00e1 em 2012&#8221;, diz o economista. &#8220;Temos que tomar uma vacina tr\u00edplice, mexendo no c\u00e2mbio, devolvendo todos os cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios nas m\u00e3os de exportadores e desonerando os investimentos em log\u00edstica, al\u00e9m de melhorar a gest\u00e3o da pol\u00edtica de com\u00e9rcio exterior&#8221;, afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia Brasil S\u00e3o Paulo &#8211; O consumo interno de produtos importados continua crescendo em um ritmo acima das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. 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