{"id":22632,"date":"2010-11-11T06:44:52","date_gmt":"2010-11-11T09:44:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=22632"},"modified":"2010-11-11T06:44:52","modified_gmt":"2010-11-11T09:44:52","slug":"mesmo-com-dois-presidentes-brasil-chega-enfraquecido-ao-g20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/11\/11\/mesmo-com-dois-presidentes-brasil-chega-enfraquecido-ao-g20\/","title":{"rendered":"Mesmo com dois &#8216;presidentes&#8217;, Brasil chega enfraquecido ao G20"},"content":{"rendered":"<div id=\"SearchKey_Text1\">\n<p>Com Dilma Rousseff ao lado de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva durante a reuni\u00e3o do G20 (o grupo das 20 maiores economias do planeta), que acontece nestas quinta e sexta-feira em Seul, na Coreia do Sul, o Brasil ter\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de enviar dois l\u00edderes a um encontro multilateral de c\u00fapula.<\/p>\n<p>Mas mesmo com a participa\u00e7\u00e3o dobrada, com a presidente eleita e o presidente em fim de mandato, o Brasil chega \u00e0 reuni\u00e3o de Seul com a posi\u00e7\u00e3o no grupo enfraquecida, de acordo com analistas ouvidos pela BBC Brasil.<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es para isso, segundo eles, \u00e9 a aus\u00eancia de Lula na \u00faltima reuni\u00e3o de c\u00fapula do grupo, em Toronto, em junho, e a do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, \u00e0 reuni\u00e3o ministerial preparat\u00f3ria para a c\u00fapula, realizada no m\u00eas passado em Gyeongju, na Coreia do Sul.<\/p>\n<p>Para John Kirton, professor de ci\u00eancia pol\u00edtica da Universidade de Toronto e diretor do G8 Research Group e do G20 Research Group, que acompanham a atividade dos dois grupos, as aus\u00eancias nas duas reuni\u00f5es &#8220;foram lidas por muitos como um boicote do Brasil ao G20&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A aus\u00eancia de Lula foi a primeira de um l\u00edder do G20 a uma c\u00fapula. Se eles n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1 para colocar a posi\u00e7\u00e3o brasileira, isso enfraquece a posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Funcion\u00e1rios de baixo escal\u00e3o n\u00e3o t\u00eam a mesma for\u00e7a&#8221;, afirmou ele \u00e0 <em>BBC Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>Lula justificou sua aus\u00eancia \u00e0 reuni\u00e3o de c\u00fapula de Toronto alegando que tinha que permanecer no Brasil para acompanhar o aux\u00edlio \u00e0s v\u00edtimas das enchentes que castigavam o Nordeste do pa\u00eds na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Mantega e Meirelles disseram que n\u00e3o podiam comparecer \u00e0 reuni\u00e3o ministerial de Gyeongju, no m\u00eas passado, por causa da reta final da elei\u00e7\u00e3o presidencial e do acompanhamento das medidas tomadas para elevar a taxa\u00e7\u00e3o dos investimentos estrangeiros no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Lula n\u00e3o era apenas um l\u00edder qualquer do G20, era a estrela do show. Sua aus\u00eancia foi bastante sentida em Toronto, e a desculpa que ele deu foi pouco convincente, assim como foram pouco convincentes as desculpas de Mantega e Meirelles para n\u00e3o irem \u00e0 reuni\u00e3o ministerial&#8221;, afirmou.<!--more--><\/p>\n<p><strong>&#8216;Cultuadores do G20&#8221;<\/strong><br \/>\nEm entrevista \u00e0 <em>BBC Brasil<\/em>, Mantega negou que o Brasil estivesse boicotando o G20 ou insatisfeito com as discuss\u00f5es no grupo.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o houve nenhuma inten\u00e7\u00e3o de boicote, muito pelo contr\u00e1rio. N\u00f3s somos os principais cultuadores do G20, desde o primeiro momento defendemos o grupo. Quando o G20 ainda n\u00e3o tinha reuni\u00f5es de l\u00edderes, eu como presidente do G20 propus transform\u00e1-lo num grupo de l\u00edderes&#8221;, afirmou Mantega.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 problemas internos do Brasil que tinham prioridade naquele momento (das reuni\u00f5es), mas n\u00e3o deixamos de estar presentes de uma forma ou de outra na discuss\u00e3o, trazendo nossas posi\u00e7\u00f5es nos encontros&#8221;, disse. Segundo o ministro, o Brasil continuou participando das discuss\u00f5es da mesma forma, mesmo com as aus\u00eancias. &#8220;Na reuni\u00e3o de Toronto, eu estive l\u00e1 representando o presidente Lula e sentei \u00e0 mesa com os l\u00edderes, para colocar nossa posi\u00e7\u00e3o da mesma maneira&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo ele, antes da reuni\u00e3o ministerial do m\u00eas passado, ele enviou uma carta aos demais ministros das Finan\u00e7as explicitando a posi\u00e7\u00e3o do Brasil, que foi representado pelo secret\u00e1rio de Assuntos Internacionais do Minist\u00e9rio da Fazenda, Marcos Galv\u00e3o, e pelo diretor da \u00c1rea Internacional do BC, Luiz Pereira.<\/p>\n<p>Mantega afirmou que ficou em contato permanente com Galv\u00e3o durante a reuni\u00e3o. &#8220;Ele influiu nas discuss\u00f5es e nas posi\u00e7\u00f5es que foram tomadas&#8221;, afirmou Mantega. &#8220;Est\u00e1vamos presentes tamb\u00e9m pela m\u00eddia internacional. Continuei me manifestando, colocando a posi\u00e7\u00e3o do Brasil&#8221;, disse.<\/p>\n<p><strong>Sem protagonismo<\/strong><br \/>\nO economista Ignacio Angeloni, editor do <em>G20 Monitor<\/em>, publica\u00e7\u00e3o do instituto de pesquisas belga Bruegel, tamb\u00e9m diz que a posi\u00e7\u00e3o do Brasil na c\u00fapula de Seul est\u00e1 enfraquecida e que o pa\u00eds n\u00e3o deve ser protagonista nas discuss\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao principal tema da agenda, a chamada &#8220;guerra cambial&#8221;, apesar de Mantega ter sido a primeira figura internacional de peso a usar o termo.<\/p>\n<p>Para Angeloni, o Brasil n\u00e3o est\u00e1 entre os mais afetados pelas desvaloriza\u00e7\u00f5es de moedas promovidas por alguns pa\u00edses para beneficiar suas exporta\u00e7\u00f5es. Os Estados Unidos acusam a China de manter sua moeda, o yuan, artificialmente desvalorizada. O yuan tem o c\u00e2mbio praticamente fixo, atrelado ao d\u00f3lar.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos, por\u00e9m, passaram a ser o alvo dos ataques ap\u00f3s o an\u00fancio do Fed (o Banco Central americano) de injetar US$ 600 bilh\u00f5es na economia local, o que pode aumentar o fluxo de divisas para os pa\u00edses em desenvolvimento, levando \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o de suas moedas.<\/p>\n<p>Para Angeloni, por\u00e9m, apesar do poss\u00edvel aumento do fluxo de investimentos no Brasil com a decis\u00e3o do Fed, a valoriza\u00e7\u00e3o do real acontece principalmente por outros motivos, como as taxas de juros altas no pa\u00eds, que servem de atra\u00e7\u00e3o para o capital estrangeiro.<\/p>\n<p>&#8220;Espero que o Brasil participe da discuss\u00e3o, mas n\u00e3o vejo o pa\u00eds como protagonista&#8221;, disse.<\/p>\n<p><strong>Proposta brasileira<\/strong><br \/>\nOs analistas tamb\u00e9m consideram que a proposta brasileira para a cria\u00e7\u00e3o de um \u00edndice do FMI para identificar manipula\u00e7\u00f5es cambiais e determinar eventuais puni\u00e7\u00f5es aos pa\u00edses tem pouqu\u00edssimas chances de ser aprovada durante a c\u00fapula do G20.<\/p>\n<p>&#8220;Sempre apreciei a habilidade do ministro Mantega, italiano como eu, para conseguir costurar acordos. Mas n\u00e3o vejo muita possibilidade da aprova\u00e7\u00e3o da proposta brasileira&#8221;, afirmou Angeloni. &#8220;O FMI tem tentado h\u00e1 muito tempo colocar em pr\u00e1tica mecanismos de controle, mas sem sucesso&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Para John Kirton, a aprova\u00e7\u00e3o da proposta brasileira significaria colocar o FMI na condi\u00e7\u00e3o de xerife, &#8220;apontando o dedo para os pa\u00edses, com a China na primeira linha de ataque como manipuladora do c\u00e2mbio&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Isso tamb\u00e9m obrigaria que o Congresso dos Estados Unidos e o Tesouro americano tivessem que identificar a China como manipuladora do c\u00e2mbio e tomar medidas retaliat\u00f3rias, o que eles t\u00eam evitado fazer at\u00e9 agora&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Para ele, a proposta aprovada na reuni\u00e3o ministerial de Gyeongju, que deve ser referendada pelos l\u00edderes nesta semana, indicando faixas apropriadas para super\u00e1vits e d\u00e9ficits comerciais com processos de discuss\u00e3o caso essas faixas sejam superadas por algum pa\u00eds, \u00e9 mais sensata e menos pol\u00eamica.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma posi\u00e7\u00e3o muito diferente de dizer: &#8216;Voc\u00ea \u00e9 culpado, vou puni-lo'&#8221;, afirmou. Para John Kirton, que rejeita a express\u00e3o &#8220;guerra cambial&#8221;, &#8220;a contribui\u00e7\u00e3o brasileira foi apenas uma express\u00e3o chamativa e apocal\u00edptica, que pegou nas manchetes da m\u00eddia, apesar de n\u00e3o descrever a realidade existente ou a que vai emergir (da reuni\u00e3o)&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Fim de governo<\/strong><br \/>\nOutra quest\u00e3o que preocupa os analistas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o do Brasil na c\u00fapula \u00e9 o fim do mandato do presidente Lula. Apesar de a elei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff ter sido vista como uma prov\u00e1vel continuidade das linhas adotadas por Lula, eles dizem que ainda h\u00e1 d\u00favidas sobre poss\u00edveis mudan\u00e7as na pol\u00edtica econ\u00f4mica brasileira com o novo governo, que toma posse em janeiro.<\/p>\n<p>&#8220;Eu diria que o Brasil est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o enfraquecida com Lula de sa\u00edda e a necessidade do novo governo de se afirmar&#8221;, afirmou Alan Alexandroff, co-diretor do G20 Research Group, da Universidade de Toronto.<\/p>\n<p>Dilma, que participa da reuni\u00e3o de c\u00fapula como convidada, deve acompanhar a agenda de Lula durante o encontro, mas n\u00e3o dever\u00e1 ter uma participa\u00e7\u00e3o ativa durante a reuni\u00e3o, reservada apenas aos chefes de Estado ou de Governo em exerc\u00edcio. Da BBC Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com Dilma Rousseff ao lado de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva durante a reuni\u00e3o do G20 (o grupo das 20 maiores economias do planeta), que acontece nestas quinta e sexta-feira em Seul, na Coreia do Sul, o Brasil ter\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de enviar dois l\u00edderes a um encontro multilateral de c\u00fapula. Mas mesmo com a participa\u00e7\u00e3o dobrada, com a presidente eleita e o presidente em fim de mandato, o Brasil chega \u00e0 reuni\u00e3o de Seul com a posi\u00e7\u00e3o no grupo enfraquecida, de acordo com analistas ouvidos pela BBC Brasil. 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