{"id":22452,"date":"2010-11-06T08:47:17","date_gmt":"2010-11-06T11:47:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=22452"},"modified":"2010-11-06T08:47:19","modified_gmt":"2010-11-06T11:47:19","slug":"brasileiro-viaja-mais-e-abre-mercado-para-quem-fala-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/11\/06\/brasileiro-viaja-mais-e-abre-mercado-para-quem-fala-portugues\/","title":{"rendered":"Brasileiro viaja mais e abre mercado para quem fala portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>O gasto dos brasileiros no exterior bateu recorde em setembro, segundo os dados mais recentes do Banco Central (BC). Segundo a institui\u00e7\u00e3o, foram gastos pelos brasileiros em viagens internacionais US$ 1,5 bilh\u00e3o em setembro. Com o real atingindo os maiores patamares desde 2008 ante o d\u00f3lar, os turistas brasileiros ganham espa\u00e7o entre os que mais consomem em viagens para fora do Pa\u00eds. Com isso, fomentam tamb\u00e9m um fen\u00f4meno nos pa\u00edses que mais visitam: a demanda por trabalhadores no com\u00e9rcio que falam portugu\u00eas.<\/p>\n<p>\u00a0Em Paris, foi-se o tempo em que os comerciantes faziam de tudo para atrair a aten\u00e7\u00e3o dos turistas americanos e \u00e1rabes. O setor de turismo da luxuosa capital francesa est\u00e1 tendo de se adaptar ao aumento inesperado dos turistas brasileiros na Europa. Em apenas um ano, a visita dos &#8220;brazucas&#8221; subiu 10%, obrigando os franceses a providenciar um atendimento mais personalizado a essa nova clientela.<\/p>\n<p>\u00a0<!--more-->A atitude mais imediata para fazer face \u00e0 demanda foi a de contratar funcion\u00e1rios que falam o portugu\u00eas, a fim de facilitar a estadia e as compras dos brasileiros. Em uma terra onde qualquer franc\u00eas torce o nariz se tem de falar em ingl\u00eas, a solu\u00e7\u00e3o caiu como uma luva para os brasileiros, que n\u00e3o s\u00e3o dos mais adeptos da l\u00edngua de Moli\u00e8re.<\/p>\n<p>\u00a0&#8220;Faz toda a diferen\u00e7a poder falar a pr\u00f3pria l\u00edngua. A gente se sente mais seguro ao perceber que o vendedor est\u00e1 entendendo exatamente o que a gente quer dizer. Tudo fica mais f\u00e1cil&#8221;, disse o dentista paulista Tiago Mariutti, enquanto circulava com o esposa pela Benlux, perfumaria em frente ao Museu do Louvre que est\u00e1 se tornando conhecida por ter pelo menos seis funcion\u00e1rios prontos para atender o cliente em portugu\u00eas. No ver\u00e3o europeu, o n\u00famero de funcion\u00e1rios contratados temporariamente pela loja para atender o aumento da demanda de brasileiros passa de 10.<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0&#8220;O que aconteceu neste ano de 2010 foi inacredit\u00e1vel. Nunca vi tanto cliente brasileiro antes&#8221;, atestou Caroline Pierquet, com a autoridade de quem trabalha h\u00e1 32 anos no estabelecimento e verificou nas vendas o aumento de 35% da presen\u00e7a de compatriotas. &#8220;Eles n\u00e3o apenas est\u00e3o mais numerosos, como gastam muito mais do que h\u00e1 cinco anos. Para os brasileiros, ficou barato vir passar boas f\u00e9rias em Paris.&#8221;<\/p>\n<p>Caroline tem raz\u00e3o: conforme um relat\u00f3rio da Global Refund, especialista em com\u00e9rcio internacional, o volume de dinheiro gasto pelos brasileiros na Fran\u00e7a aumentou 5,1% de 2008 a 2010, chegando \u00e0 soma de 37,8 milh\u00f5es de euros (R$ 8,78 milh\u00f5es). O mesmo relat\u00f3rio aponta que os brasileiros hoje s\u00e3o a quinta nacionalidade que mais visita a Fran\u00e7a &#8211; h\u00e1 10 anos, eles sequer ocupavam uma posi\u00e7\u00e3o entre 10 primeiros. Fen\u00f4meno semelhante acontece tamb\u00e9m com outros pa\u00edses emergentes, como a China e \u00cdndia, que jamais mandaram tantos turistas para o exterior como agora.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a nos par\u00e2metros foi sentida pelo setor hoteleiro: em um dos estabelecimentos mais luxuosos da cidade, o hotel George V, a presen\u00e7a de brasileiros subiu em 50% em cinco anos &#8211; 20% apenas no \u00faltimo ano. Resultado: de 2009 para c\u00e1, o n\u00famero de funcion\u00e1rios que falam portugu\u00eas passou de oito para 14. &#8220;Estamos apostando nesta clientela e acreditamos que ela ser\u00e1 ainda 10% maior nos pr\u00f3ximos anos&#8221;, disse Caroline Mennetrier, diretora de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas do hotel. &#8220;Os brasileiros j\u00e1 ocupam a oitava posi\u00e7\u00e3o entre os nossos clientes estrangeiros e \u00e9 um mercado com um forte potencial.&#8221;<\/p>\n<p>Pela primeira vez na cidade, o ginecologista brasileiro S\u00e9rgio Vieira disse que n\u00e3o teve problemas para se comunicar nos estabelecimentos franceses &#8211; mas reconheceu que n\u00e3o h\u00e1 nada como receber o atendimento de um funcion\u00e1rios \u00e0 la brasileira. &#8220;Eles s\u00e3o bem mais atenciosos. N\u00e3o achei os franceses t\u00e3o grosseiros, como dizem, mas nada se compara com o atendimento dos brasileiros&#8221;, afirmou, acrescentando que a facilidade da l\u00edngua \u00e9 fundamental quando se procura um produto espec\u00edfico, como foi o caso dele em busca de um \u00f3culos de sol.<\/p>\n<p>J\u00e1 no ramo dos transportes, jamais a empresa de loca\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos de luxo Duga teve um faturamento t\u00e3o volumoso quanto neste ano. Fundada por dois brasileiros h\u00e1 cerca de 13 anos, a empresa constata que o bom momento econ\u00f4mico do Pa\u00eds est\u00e1 levando as pessoas a experimentar viagens que sonhavam fazer h\u00e1 muitos anos. &#8220;Temos muitos clientes habituais, que v\u00eam todos os anos. N\u00e3o apenas eles decidiram voltar a Paris no mesmo ano como o que n\u00famero de novos clientes aumentou de uma maneira espetacular&#8221;, explica Rodrigo Perozzo, diretor t\u00e9cnico da Duga. Perozzo ainda conta que, neste ano, foi procurado por &#8220;diversos&#8221; hot\u00e9is querendo contratar os seus servi\u00e7os para melhor atender os brasileiros. &#8220;Essa explos\u00e3o da clientela \u00e9 f\u00e1cil de explicar: d\u00f3lar baixo, o euro caindo e viagens podendo ser pagas em at\u00e9 10 vezes, s\u00f3 n\u00e3o vem quem n\u00e3o quer&#8221;, disse o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Brasileiros ajudam combalida economia americana<\/strong><br \/>\nEm Nova York, chama aten\u00e7\u00e3o o t\u00edtulo no site especializado em propaganda gratuita <em>Craigslist<\/em>: Precisa-se de Atendente que fale Portugu\u00eas e Ingl\u00eas. Uma &#8220;grande loja de departamentos&#8221; localizada em Midtown West precisa de atendentes que falem portugu\u00eas para lidar com o p\u00fablico. Sal\u00e1rio: de US$ 9 a US$ 11 por hora. Uma r\u00e1pida caminhada pelo SoHo, a meca das compras em Manhattan, onde est\u00e3o localizadas as lojas da japonesa Uniqlo, Banana Republic, Victoria&#8217;s Secrets, H&amp;M e Guess, constata-se que uma das l\u00ednguas mais ouvidas j\u00e1 \u00e9 o portugu\u00eas.<\/p>\n<p>De acordo com a prefeitura de Nova York, em 2009 (dados mais recentes divulgados) 338 mil brasileiros visitaram a cidade, catapultando o pa\u00eds para o 11\u00ba mercado de turistas estrangeiros na cidade e o maior da Am\u00e9rica Latina, \u00e0 frente do M\u00e9xico. Para se ter uma ideia do aumento de turistas brasileiros na cidade, em 2006 eram apenas 151 mil, um aumento de 123% em tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>A.Moreno, 29 anos, que prefere n\u00e3o ser identificado pelo primeiro nome, \u00e9 o queridinho das brasileiras desde que foi contratado pela Bloomingdale&#8217;s do SoHo, em setembro. Um de seus principais atributos? Fala portugu\u00eas. Moreno, que faz faculdade de Moda e Estilismo, \u00e9 cabo-verdeano. &#8220;Mas a maioria das clientes \u00e9 brasileira, muitas de S\u00e3o Paulo e do Nordeste&#8221;, conta, com um sotaque t\u00edpico das ilhas colonizadas por Portugal. Moreno fica baseado no quarto andar, onde est\u00e3o as cole\u00e7\u00f5es femininas de Donna Karan, uma das favoritas das brasileiras. &#8220;Em pouco mais de dois meses j\u00e1 percebi que o perfil das brasileiras \u00e9 o da compradora exigente, que quer algo mais pr\u00e1tico, para usar no trabalho, que se adapte \u00e0 realidade mais tropical do Pa\u00eds, com temperaturas m\u00e9dias mais altas do que as de Nova York. Em menor escala, temos as socialites, que chegam com as amigas e est\u00e3o mais preocupadas com exclusividade, querem algo que n\u00e3o ser\u00e1 muito usado no Brasil&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Marilla Maia, 45 anos, trabalha como vitrinista na Ariella, a poucos passos da Bloomingdale&#8217;s, na West Broadway, e conta que com o d\u00f3lar barato o aumento de brasileiros comprando em Nova York j\u00e1 \u00e9 motivo de alegria no com\u00e9rcio da cidade, sofrendo com dois anos de recess\u00e3o e a retra\u00e7\u00e3o do consumo interno. &#8220;Mais uma brasileira trabalha aqui e a nova loja da Guess, na Broadway, deveria contratar urgentemente uma funcion\u00e1ria que fale portugu\u00eas, porque todas as brasileiras que baixam por aqui querem comprar bolsas l\u00e1. Hoje mesmo conheci um brasileiro que foi contratado por uma joalheria em Midtown. E uma outra conhecida, tamb\u00e9m brasileira, especializada no mercado imobili\u00e1rio, conta que o aumento de brasileiros alugando apartamento por temporadas na cidade tamb\u00e9m \u00e9 recorde&#8221;, contou. <em><strong>Terra<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O gasto dos brasileiros no exterior bateu recorde em setembro, segundo os dados mais recentes do Banco Central (BC). Segundo a institui\u00e7\u00e3o, foram gastos pelos brasileiros em viagens internacionais US$ 1,5 bilh\u00e3o em setembro. Com o real atingindo os maiores patamares desde 2008 ante o d\u00f3lar, os turistas brasileiros ganham espa\u00e7o entre os que mais consomem em viagens para fora do Pa\u00eds. Com isso, fomentam tamb\u00e9m um fen\u00f4meno nos pa\u00edses que mais visitam: a demanda por trabalhadores no com\u00e9rcio que falam portugu\u00eas. \u00a0Em Paris, foi-se o tempo em que os comerciantes faziam de tudo para atrair a aten\u00e7\u00e3o dos turistas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-22452","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":451,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22452","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22452"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22452\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22454,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22452\/revisions\/22454"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}