{"id":21530,"date":"2010-10-23T09:28:55","date_gmt":"2010-10-23T12:28:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=21530"},"modified":"2010-10-23T09:28:55","modified_gmt":"2010-10-23T12:28:55","slug":"entenda-toda-a-historia-da-quebra-de-sigilo-dos-tucanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/10\/23\/entenda-toda-a-historia-da-quebra-de-sigilo-dos-tucanos\/","title":{"rendered":"Entenda toda a hist\u00f3ria da quebra de sigilo dos tucanos"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o parece haver santos na hist\u00f3ria da viola\u00e7\u00e3o de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB e a seu candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Jos\u00e9 Serra. Na reportagem abaixo, o <strong>Congreso em Foco<\/strong> relata em detalhes o que disseram o jornalista Amaury Ribeiro Jr. e o despachante Dirceu Rodrigues Garcia nos depoimentos que prestaram \u00e0 Pol\u00edcia Federal. Os relatos contam a hist\u00f3ria de uma trama que come\u00e7a no PSDB, na disputa interna pela candidatura \u00e0 Presid\u00eancia entre Serra e o ent\u00e3o governador de Minas Gerais, A\u00e9cio Neves. Mas que termina na campanha de Dilma Rousseff, candidata do PT \u00e0 Presid\u00eancia, e numa disputa interna pelo controle da estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o da campanha. <!--more--><\/p>\n<p>Os depoimentos, cuja \u00edntegra foram obtidas pelo jornal <em>O Estado de S.Paulo<\/em>, mostram por que, desde que a hist\u00f3ria estourou, PSDB e PT empurram um para o outro a responsabilidade pelo esc\u00e2ndalo. De acordo com o que relata principalmente Amaury, acreditando-se em seu depoimento, h\u00e1 elementos que desgastam ambos os partidos.<\/p>\n<p>Os depoimentos tamb\u00e9m corrigem algumas informa\u00e7\u00f5es publicadas nos \u00faltimos dias pela imprensa. N\u00e3o \u00e9 verdade que Amaury tenha confessado em seu depoimento ter pago para obter a viola\u00e7\u00e3o do sigilo fiscal de Ver\u00f4nica Serra, filha do Jos\u00e9 Serra, e de Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB, entre outros tucanos. Amaury n\u00e3o faz qualquer confiss\u00e3o nesse sentido. Quem o acusa\u00a0disso \u00e9 o despachante Dirceu. Ele afirma que\u00a0Amaury o procurou\u00a0para ajud\u00e1-lo a obter\u00a0tais informa\u00e7\u00f5es. Em troca, Dirceu teria recebido R$ 12 mil, para dividir com Ademir Estevam Cabral, que o ajudou a conseguir as c\u00f3pias das declara\u00e7\u00f5es de imposto de renda. Mais tarde, cerca de um m\u00eas e meio antes do primeiro depoimento que deu \u00e0 Pol\u00edcia Federal, no in\u00edcio de outubro, Dirceu conta que foi novamente procurado por Amaury. Naquele momento, a hist\u00f3ria da quebra de sigilo j\u00e1 estava nos jornais. Amaury teria, ent\u00e3o, depositado mais R$ 5 mil em sua conta, supostamente em troca de seu sil\u00eancio. Na verdade, Amaury nega em seu depoimento que tenha usado Dirceu como despachante para obter informa\u00e7\u00f5es confidenciais da Receita Federal.<\/p>\n<p><strong>Privatiza\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>O depoimento de Amaury \u00e9 o \u00faltimo dos tr\u00eas prestados, no dia 15 de outubro. \u00c9, por\u00e9m, o mais detalhado e, por isso, \u00e9 importante come\u00e7ar por ele. Amaury conta que, desde o final do governo Fernando Henrique Cardoso, investigava irregularidades ocorridas no processo de privatiza\u00e7\u00e3o das empresas estatais. Ele afirma ter documentos que mostram que Ricardo S\u00e9rgio de Oliveira, ex-diretor da \u00e1rea internacional do Banco do Brasil, seria o &#8220;operador principal&#8221; na &#8220;forma\u00e7\u00e3o dos cons\u00f3rciso que participaram das privatiza\u00e7\u00f5es das teles, cobran\u00e7a de propina e criador do <em>modus operandi<\/em> utilizado para internar valores escusos nas Ilhas Virgens Brit\u00e2nicas no Brasil&#8221;. Amaury compromete-se, no depoimento, a entregar \u00e0 PF todo o material que apurou sobre isso.<\/p>\n<p>Em 2001, Amaury diz n\u00e3o ter conseguido publicar o material que apurou no jornal em trabalhava, <em>O Globo<\/em>. Ele vai, ent\u00e3o, para o <em>Jornal do Brasil<\/em>, e ali consegue publicar uma primeira reportagem sobre o assunto. Em 2003, ele diz obter novos documentos enviados pela promotoria de Nova Iorque para a CPI do Banestado e \u00e0 Pol\u00edcia Federal, que indicariam que &#8220;Ricardo S\u00e9rgio movimentava milh\u00f5es de d\u00f3lares no exterior, inclusive em para\u00edsos fiscais&#8221;. Tais informa\u00e7\u00f5es foram publicadas pela revista <em>Isto\u00c9,<\/em> na qual Amaury ent\u00e3o trabalhava. Por conta da reportagem, Amaury foi processado judicialmente por Ricardo S\u00e9rgio. \u00c9 nessa \u00e9poca que o jornalista pensa, ent\u00e3o, em escrever um livro sobre o tema.<\/p>\n<p>Depois disso, por\u00e9m, Amaury passa um bom tempo sem voltar a investigar\u00a0o assunto. Em 2007, ele vai trabalhar no jornal <em>Correio Braziliense<\/em> em Bras\u00edlia. Depois de sar baleado durante uma apura\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica na periferia da cidade, Amaury \u00e9 transferido para Belo Horizonte, para outro jornal dos Di\u00e1rios Associados, o <em>Estado de Minas<\/em>. Aqui come\u00e7a o segundo cap\u00edtulo da sua hist\u00f3ria<\/p>\n<p><strong>Dossi\u00ea contra A\u00e9cio<\/strong><\/p>\n<p>Amaury conta em seu depoimento ter tomado conhecimento, em dezembro de 2007, de que um &#8220;grupo clandestino de intelig\u00eancia&#8221; estaria investigando o ent\u00e3o governador de Minas, A\u00e9cio Neves. Acontecia, ent\u00e3o, a disputa interna entre Serra e A\u00e9cio para escolher qual dos dois seria o\u00a0candidato pelo PSDB \u00e0 Presid\u00eancia da Re\u00fablica. Amaury diz que resolveu, ent\u00e3o, investigar quem eram os integrantes do tal grupo e qual era a sua motiva\u00e7\u00e3o. Diz ter descoberto que o grupo trabalhava para Jos\u00e9 Serra, sob o comando do deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), ex-delegado da Pol\u00edcia Federal. Segundo ele, faziam parte do grupo tamb\u00e9m o ex-agente do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI) Luiz Fernandes Barcelos, o delegado federal Pedro Birvane e outros agentes, um do SNI de que n\u00e3o recorda o nome e outro da PF de nome Darlan. Amaury acha que a quest\u00e3o poderia ser um gancho para retomar as investiga\u00e7\u00f5es sobre o processo de privatiza\u00e7\u00e3o, &#8220;focando tamb\u00e9m pessoas ligadas a Jos\u00e9 Serra&#8221;.<\/p>\n<p>Nessa apura\u00e7\u00e3o, Amaury diz que passou a obter documentos em cart\u00f3rio, juntas comerciais, \u00f3rg\u00e3os de Justi\u00e7a no Brasil e nos EUA. Ele diz, nesse processo, ter obtido documentos que apontavam para a exist\u00eancia de empresas &#8211;<em> off shores<\/em> &#8211; sediadas em para\u00edsos ficais, em nome da filha de Jos\u00e9 Serra, Ver\u00f4nica Allende Serra, e de seu esposo Alexandre Bourgeois. E acrescenta que tais empresas operavam em um mesmo escrit\u00f3rio operado por Ricardo S\u00e9rgio nas Ilhas Virgens. Para o declarante, teria ficado evidente que tais empresas &#8220;foram utilizadas para interna\u00e7\u00e3o de valores em territ\u00f3rio p\u00e1trio&#8221;. Para realizar suas investiga\u00e7\u00f5es, Amaury afirma ter feito v\u00e1rias viagens nos anos de 2008 e 2009, principalmente para S\u00e3o Paulo. As despesas de viagem, diz ele, &#8220;foram custeadas pelo \u00f3rg\u00e3o de imprensa no qual trabalhava&#8221;. \u00c9 nessa ocasi\u00e3o que ela afirma ter contratado &#8220;um despachante&#8221;, cujo nome n\u00e3o recorda, para obter tais documentos &#8220;legais&#8221;, e n\u00e3o informa\u00e7\u00f5es da Receita Federal. Passemos ao terceiro cap\u00edtulo do depoimento.<\/p>\n<p><strong>Fogo amigo<\/strong><\/p>\n<p>No dia 16 de outubro de 2009, Amaury deixa o <em>Estado de Minas<\/em>, segundo ele, por conta dos graves problemas de sa\u00fade enfrentados por seu pai, que faleceu em 13 de novembro do mesmo ano. Para cuidar de neg\u00f3cios da fam\u00edlia, em Campo Grande (MS) e no interior de Minas Gerais, Amaury desliga-se do jornal. Antes de sair, ele deixa uma c\u00f3pia de tudo o que apurou com o <em>Estado de Minas<\/em> e outra arquivada em seu <em>notebook<\/em>, para que servisse de base para a publica\u00e7\u00e3o do livro que planejava.<\/p>\n<p>Por volta de abril de 2010, Amaury recebeu uma liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica de &#8220;seu amigo&#8221; Luiz Lanzetta. A empresa de Lanzetta, a Lanza Comunica\u00e7\u00f5es, tinha sido\u00a0 contratada para cuidar da estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o da pr\u00e9-campanha da candidatura Dilma Rousseff. A raz\u00e3o do telefonema era um pedido de ajuda. Lanzetta relatou a Amaury que acontecia uma coisa estranha na &#8220;casa do Lago Sul&#8221;, apelido dado ao <em>bunker<\/em> da campanha de Dilma, montado numa\u00a0resid\u00eancia\u00a0do Lago Sul, bairro nobre de Bras\u00edlia. Segundo Lanzetta, informa\u00e7\u00f5es confidenciais que circulavam na casa do Lago Sul &#8220;eram sistematicamente difundidas pela imprensa&#8221;. Lanzetta pedia a ajuda de Amaury para indicar uma pessoa ou empresa habilitada a detectar os respons\u00e1veis pelos vazamentos de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Amaury indicou, ent\u00e3o, um ex-agente da comunidade de informa\u00e7\u00f5es, de nome Idalberto Matias Ara\u00fajo, vulgo Dad\u00e1. A negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o prosperou porque Dad\u00e1 n\u00e3o possu\u00eda empresa que pudesse emitir nota fiscal. Dad\u00e1 indicou, ent\u00e3o, um outro nome, o delegado aposentado da Pol\u00edcia Federal On\u00e9zimo Gra\u00e7a. On\u00e9zimo, de acordo com o depoimento, seria um policial que &#8220;havia rompido com Marcelo Itagiba&#8221;.<\/p>\n<p>Foi, ent\u00e3o, marcada uma reuni\u00e3o para acertar a contrata\u00e7\u00e3o no restaurante Fritz, em Bras\u00edlia. Antes da reuni\u00e3o, na casa do Lago Sul, Luiz Lanzetta relata a Amaury que tivera uma &#8220;s\u00e9ria discuss\u00e3o&#8221; com Gustavo Garreta, um dos propriet\u00e1rios da empresa de comunica\u00e7\u00e3o Marka, que exigia participar dos trabalhos de comunica\u00e7\u00e3o j\u00e1 desenvolvidos pela Lanza na pr\u00e9-campanha de Dilma. Lanzetta contou que Garreta era ligado ao deputado estadual Rui Falc\u00e3o, do PT de S\u00e3o Paulo. Por isso, Lanzetta passou a suspeitar que o vazamento deveria vir de gente ligada \u00e0 pr\u00f3pria campanha &#8211; o chamado &#8220;fogo amigo&#8221;, e n\u00e3o a Marcelo Itagiba. Na reuni\u00e3o, Lanzetta repetiu, &#8220;muito nervoso&#8221;, que os &#8220;vazamentos poderiam ser coisa do Garreta&#8221;.<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o, On\u00e9zimo apresentou a proposta de montar um grupo com dez pessoas, a fim de investigar e controlar todos que l\u00e1 trabalhavam. E or\u00e7ou o quanto tal trabalho custaria: R$ 180 mil por m\u00eas. O curioso \u00e9 que, segundo o relato de Amaury, no momento em que On\u00e9zimo apresentou o valor de seu servi\u00e7o, Lanzetta j\u00e1 n\u00e3o participa mais da reuni\u00e3o. L\u00e1 ficara outra pessoa, de nome Benedito de Oliveira, o Ben\u00ea. E os dois dizem a On\u00e9zimo que o valor pedido era alto, principalmente depois da suspeita de que o problema era interno. Amaury comenta que seria &#8220;perigoso&#8221; um grupo estranho entrar na casa do Lago Sul para investigar se os problemas poderiam estar relacionados a diverg\u00eancias no comando da campanha.<\/p>\n<p>Duas semanas depois, houve outra reuni\u00e3o na confeitaria Pralin\u00e9, em Bras\u00edlia, novamente sem a presen\u00e7a de Lanzetta. Amaury sugere que On\u00e9zimo investigue apenas o grupo de Marcelo Itagiba, por um valor menor. O ex-delegado recusa a proposta.<\/p>\n<p>Na mesma ocasi\u00e3o, Amaury afirma ter descartado um convite feito por Lanzetta para ingressar na equipe da pr\u00e9-campanha de Dilma. De volta a Campo Grande e ao interior de Minas para cuidar dos neg\u00f3cios da fam\u00edlia, Amaury recebe tr\u00eas semanas depois um telefonema de Lanzetta. E come\u00e7a o quarto cap\u00edtulo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Novo grupo de aloprados<\/strong><\/p>\n<p>No telefonema, Lanzetta reclama que On\u00e9zimo e Dad\u00e1 seriam &#8220;espi\u00f5es&#8221;. E que teriam dito \u00e0 revista <em>Veja<\/em> que Amaury, Ben\u00ea e Lanzetta estavam preparando um dossi\u00ea para prejudicar Serra. Amaury procurou Dad\u00e1, que disse que ele \u00e9 que teria sido procurado pela <em>Veja<\/em>. Contou, ainda, que o rep\u00f3rter da revista \u00e9 que teria dito a ele que pessoas ligadas \u00e0 pr\u00f3pria campanha de Dilma teriam denunciado o surgimento de um &#8220;novo grupo de aloprados&#8221; na campanha petista.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nAmaury afirma, ent\u00e3o, que procurou o diretor da sucursal da revista em Bras\u00edlia, Policarpo J\u00fanior. Segundo o depoimento do jornalista, Policarpo disse a ele que um dirigente do PT havia lhe dito que existia um novo grupo de aloprados, que Amaury fazia parte dele e que teria recebido um dossi\u00ea sobre as privatiza\u00e7\u00f5es ocorridas no Brasil. Amaury surpreendeu-se quando Policarpo fez uma descri\u00e7\u00e3o do tal dossi\u00ea: eram, segundo o depoimento, as mesmas informa\u00e7\u00f5es que estavam em seu notebook.<\/p>\n<p>Amaury afirma acreditar que o material foi copiado de seu computador, num per\u00edodo em que ele ficou hospedado em um <em>flat <\/em>no Hotel Meli\u00e1 Bras\u00edlia. O <em>flat<\/em> era de propriedade de algu\u00e9m de nome Jorge, segundo Amaury o respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o dos gastos da casa do Lago Sul e da campanha de Dilma. Amaury afirma ter certeza de que o material foi copiado por Rui Falc\u00e3o. Segundo\u00a0ele, Falc\u00e3o j\u00e1 tinha se hospedado tamb\u00e9m no <em>flat <\/em>e tinha a chave do apartamento. Amaury conta tamb\u00e9m que tal certeza foi refor\u00e7ada pelo relato de um rep\u00f3rter da revista <em>Isto\u00c9<\/em>, que lhe disse que Rui Falc\u00e3o procurara antes a revista, que n\u00e3o se interessou em publicar as informa\u00e7\u00f5es que ele repassava.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nSegundo Amaury, depois que a revista <em>Veja <\/em>publicou as informa\u00e7\u00f5es sobre o &#8220;novo grupo de aloprados&#8221;, Lanzetta deixou a campanha de Dilma. Em seu lugar, foi contratada a empresa Pepper, de uma pessoa chamada Daniele, ligada ao marqueteiro Jo\u00e3o Santana. A empresa Marka, de Garreta, diz o jornalista, assumiu a campanha de Dilma em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Despachante de quebra de sigilo<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 Dirceu Rodrigues Garcia quem conta, em dois depoimentos \u00e0 Pol\u00edcia Federal, que Amaury Ribeiro Jr. o procurou para obter dados sigilosos das declara\u00e7\u00f5es de imposto de renda dos tucanos. No primeiro depoimento \u00e0 Pol\u00edcia Federal, Dirceu conta que conheceu Amaury na porta da Junta Comercial de S\u00e3o Paulo. Num primeiro momento, Amaury pediu documentos da pr\u00f3pria Junta, &#8220;fichas de breve relato&#8221;. Como o servi\u00e7o deu certo, Amaury entrou em contato com Dirceu por telefone. E, ent\u00e3o, o pedido foi mais grave. Amaury teria, ent\u00e3o passado, uma lista de CPFs e CNPJs para que\u00a0ele buscasse, ent\u00e3o, na Receita, informa\u00e7\u00f5es fiscais sobre aquelas pessoas e empresas.<\/p>\n<p>Dirceu afirma que n\u00e3o tinha acesso \u00e0 Receita Federal. Por isso, terceirizou o servi\u00e7o para Ademir Estevam Cabral. Ademir diz que pode conseguir tais dados. Cobra R$ 700 por cada c\u00f3pia. O material \u00e9 entregue a Amaury no dia 8 de outubro de 2009, no Bar On\u00e7a, na avenida Ipiranga, centro de S\u00e3o Paulo. No segundo depoimento \u00e0 PF, Dirceu diz que esse pacote de dados fiscais sigilosos foi entregue a Amaury em troca de R$ 12 mil, pagos em dinheiro.<\/p>\n<p>A viola\u00e7\u00e3o do sigilo dos tucanos ganha as p\u00e1ginas das revistas e jornais. Dirceu conta, ent\u00e3o, que cerca de um m\u00eas e meio antes de prestar o primeiro depoimento \u00e0 PF, ele \u00e9 procurado por telefone por Amaury. O jornalista lhe pergunta &#8220;se estava tudo bem e se ele estava precisando de alguma coisa&#8221;. Dirceu responde que &#8220;estava no aperto&#8221;. Depois dessa conversa, segundo Dirceu, Amaury deposita R$ 5 mil em sua conta, em dois dep\u00f3sitos de R$ 2,5 mil.<\/p>\n<p><strong>Leia a \u00edntegra dos depoimentos, obtidos pelo Estado de S. Paulo:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/especiais\/2010\/10\/documento_amaury.pdf\">\u00cdntegra do depoimento de Amaury Ribeiro Jr. <\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/especiais\/2010\/10\/declara_dirceu.pdf\">\u00cdntegra do primeiro depoimento de Dirceu <\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/especiais\/2010\/10\/declara_dirceu2.pdf\">\u00cdntegra do segundo depoimento de Dirceu\u00a0<\/a>\u00a0<\/p>\n<p>Do Congresso em Foco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o parece haver santos na hist\u00f3ria da viola\u00e7\u00e3o de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB e a seu candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Jos\u00e9 Serra. Na reportagem abaixo, o Congreso em Foco relata em detalhes o que disseram o jornalista Amaury Ribeiro Jr. e o despachante Dirceu Rodrigues Garcia nos depoimentos que prestaram \u00e0 Pol\u00edcia Federal. Os relatos contam a hist\u00f3ria de uma trama que come\u00e7a no PSDB, na disputa interna pela candidatura \u00e0 Presid\u00eancia entre Serra e o ent\u00e3o governador de Minas Gerais, A\u00e9cio Neves. 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