{"id":20794,"date":"2010-10-12T08:23:11","date_gmt":"2010-10-12T11:23:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=20794"},"modified":"2010-10-12T08:23:11","modified_gmt":"2010-10-12T11:23:11","slug":"incendios-criminosos-consumiram-metade-de-dez-parques-em-2-meses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/10\/12\/incendios-criminosos-consumiram-metade-de-dez-parques-em-2-meses\/","title":{"rendered":"Inc\u00eandios criminosos consumiram metade de dez parques em 2 meses"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Luciana Ribeiro<\/strong> Do G1, em S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n<div id=\"materia-letra\">\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Araras azuis voltam a plan\u00edcie devastada pelo fogo\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2010\/10\/06\/araras_icmbio300.jpg\" alt=\"Araras azuis voltam a plan\u00edcie devastada pelo fogo\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/div>\n<div><strong>Araras azuis voltam a plan\u00edcie devastada pelo fogo<br \/>\n(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/ICMBio)<\/strong><\/div>\n<p>Quase a metade da \u00e1rea de dez unidades de conserva\u00e7\u00e3o federais foi castigada por queimadas de agosto a setembro deste ano. Um levantamento do <strong>G1<\/strong> revela que dos quase 3 milh\u00f5es de hectares ocupados pelos dez parques (2.941,824 ha), mais de 1,3 milh\u00e3o (1.373.542 ha) foi atingido, o equivalente a 46% da \u00e1rea. E todos os representantes das reservas nacionais ouvidos afirmam que as causas dos inc\u00eandios s\u00e3o intencionais.<\/p>\n<p>Os dez parques s\u00e3o uma amostra do preju\u00edzo causado pelos inc\u00eandios ao bioma brasileiro, sobretudo ao cerrado. A quantifica\u00e7\u00e3o oficial da \u00e1rea queimada \u00e9 um processo demorado e, \u00e0s vezes, subjetivo, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) \u2013 autarquia vinculada ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. Segundo o coordenador geral de prote\u00e7\u00e3o ambiental do ICMBio, Paulo Carneiro, a estimativa total ainda vai demorar algumas semanas. \u201cEstamos nesse processo, mas n\u00e3o estamos conseguindo acompanhar o ritmo dos inc\u00eandios\u201d, afirma.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nAlgumas unidades das regi\u00f5es Centro-Oeste e Sudeste, que registraram a maioria das ocorr\u00eancias da temporada, s\u00f3 conseguiram extinguir o fogo depois que mais de 60% da \u00e1rea havia sido queimada. O caso mais grave foi do Parque Nacional das Emas, em Goi\u00e1s, que \u00e9 Patrim\u00f4nio Mundial da Natureza e contabiliza 93% da \u00e1rea consumida pelo fogo. Outra fonte de preocupa\u00e7\u00e3o para os ambientalistas foi o Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais, onde h\u00e1 esp\u00e9cies de animais em risco de extin\u00e7\u00e3o e os danos chegaram a 72% da unidade.<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Parque das Emas criou bebedouros para animais\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2010\/10\/06\/veados_pqemas.jpg\" alt=\"Parque das Emas criou bebedouros para animais\" width=\"300\" height=\"225\" \/><strong>Parque das Emas criou bebedouros para animais<br \/>\n(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Parque das Emas)<\/strong><\/div>\n<p>O chefe do parque, Darlan Alc\u00e2ntara de P\u00e1dua, ressalta que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel quantificar as perdas da fauna e flora. \u201cA perturba\u00e7\u00e3o do ecossistema \u00e9 imediata, mas o impacto \u00e9 mais complexo e aparece l\u00e1 na frente. Uma boa parte do que se morre no inc\u00eandio \u00e9 transformado em cinzas, um exemplo s\u00e3o os ninhos de p\u00e1ssaros. E muitos bichos que escapam do inc\u00eandio morrem depois, por ferimentos, stress ou fome\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Outra unidade severamente afetada foi a \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Meandros do Rio Araguaia, na divisa de Goi\u00e1s com Mato Grosso e Tocantins, que estima preju\u00edzos em 71% da regi\u00e3o. O chefe do parque, Jos\u00e9 Vanderlei Cambuim, relata que a ocorr\u00eancia de v\u00e1rios focos simult\u00e2neos deixou animais encurralados. \u201cOs brigadistas encontraram um bando de 40 queixadas mortos. Vimos capivaras mortas e at\u00e9 uma paca, que \u00e9 um animal bem esperto e \u00e1gil\u201d, disse.<\/p>\n<p>Nos demais parques, animais de maior porte conseguiram escapar para regi\u00f5es que n\u00e3o queimaram, onde havia \u00e1gua ou mata fechada. R\u00e9pteis e anf\u00edbios, por\u00e9m, foram bastante afetados.<\/p>\n<div id=\"1719\"><embed width=\"620\" height=\"520\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/s\/\/2010\/10\/06\/620x520_queimadasv2.swf\" name=\"Queimadas\"><\/embed><\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Cuidado especial<\/strong><br \/>\nEspecialistas est\u00e3o ansiosos por sinais de vida e adapta\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies sob risco de extin\u00e7\u00e3o. Os animais mais citados foram as on\u00e7as, lobo-guar\u00e1, tamandu\u00e1s e especialmente o pato-mergulh\u00e3o, do qual se tem not\u00edcia de apenas 250 indiv\u00edduos em todo o pa\u00eds. Na Chapada dos Veadeiros, em Goi\u00e1s, o pato-mergulh\u00e3o costuma ser avistado em \u00e1reas de canyon. Segundo o chefe do parque, Leonard Schumm, \u201cele n\u00e3o deve ter sido afetado, porque sai voando, mas o ambiente em que ele mora ficou impactado\u201d.<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Lobo-guar\u00e1 \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o para os parques\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2010\/10\/06\/loboguara_pqemas.jpg\" alt=\"Lobo-guar\u00e1 \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o para os parques\" width=\"300\" height=\"225\" \/><strong>Lobo-guar\u00e1 est\u00e1 na lista de esp\u00e9cies em extin\u00e7\u00e3o<br \/>\n(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Parque das Emas)<\/strong><\/div>\n<p>O cen\u00e1rio se repete na Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica Serra Geral do Tocantins. A analista ambiental Lara C\u00f4rtes conta que os \u00fanicos oito p\u00e1ssaros da unidade ocorrem em uma \u00e1rea de conflito com a comunidade local, que queima a vegeta\u00e7\u00e3o para for\u00e7ar a rebrota do pasto para o gado. \u201cO pato-mergulh\u00e3o fica num trecho espec\u00edfico do rio onde estamos tentando fazer um acordo com os residentes, para usarem o fogo controlado, pelo menos\u201d, explica C\u00f4rtes.<\/p>\n<p><strong>Cultura do fogo<\/strong><br \/>\nO h\u00e1bito de usar queimadas para renovar pastos, limpar terrenos e dar fim ao lixo \u00e9 antigo no Brasil e um desafio consider\u00e1vel para autoridades e ambientalistas. O monitoramento dos focos de inc\u00eandio via sat\u00e9lite j\u00e1 permite algumas conclus\u00f5es. Segundo o Coordenador da Gest\u00e3o do Fogo da Defesa Civil do Mato Grosso, major M\u00e1rcio Paulo da Silva, \u201ca noite \u00e9 o hor\u00e1rio mais prop\u00edcio para pessoas atearem fogo. A cultura do uso do fogo no nosso estado \u00e9 muito arraigada, n\u00e3o s\u00f3 na popula\u00e7\u00e3o rural como na urbana, que usa o fogo na limpeza dos quintais. As pessoas apostam na impunidade e na extens\u00e3o territorial\u201d, conclui.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Queimadas s\u00e3o amea\u00e7a constante aos parques nacionais.\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2010\/10\/07\/serrageralto_300.jpg\" alt=\"Queimadas s\u00e3o amea\u00e7a constante aos parques nacionais.\" width=\"300\" height=\"225\" \/><strong>Queimadas s\u00e3o amea\u00e7a constante aos parques<br \/>\n(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Parque Serra Geral do TO)<\/strong><\/div>\n<p>Paulo Carneiro, do ICMBio, destaca que, este ano, houve condi\u00e7\u00f5es at\u00edpicas de baixa umidade do ar que propiciaram a propaga\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios, mas aponta a pecu\u00e1ria como um desafio hist\u00f3rico para os parques nacionais. \u201cAs queimadas t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o muito grande com a renova\u00e7\u00e3o de pastagem. Pecuaristas p\u00f5em fogo numa \u00e1rea para que venha a brota e perde o controle, levando preju\u00edzo at\u00e9 pra ele mesmo. Nas nossas unidades de conserva\u00e7\u00e3o do cerrado, essa pr\u00e1tica est\u00e1 muito associada ao gado\u201d, sentencia.<\/p>\n<p>O Parque Nacional do Itatiaia, no Rio de Janeiro, conseguiu um feito raro para os administradores das unidades nacionais, prendeu em flagrante dois incendi\u00e1rios no fim de agosto. Gustavo Tomzhinski, respons\u00e1vel pelo n\u00facleo de combate a inc\u00eandio do parque, conta que dois agricultores foram vistos pelo helic\u00f3ptero empenhado no combate de outro foco. Para ele, as pris\u00f5es e multas de R$ 84 mil para cada infrator \u201ct\u00eam um efeito simb\u00f3lico muito grande paras pessoas estarem conscientes que realmente \u00e9 crime\u201d, disse.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luciana Ribeiro Do G1, em S\u00e3o Paulo Araras azuis voltam a plan\u00edcie devastada pelo fogo (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/ICMBio) Quase a metade da \u00e1rea de dez unidades de conserva\u00e7\u00e3o federais foi castigada por queimadas de agosto a setembro deste ano. Um levantamento do G1 revela que dos quase 3 milh\u00f5es de hectares ocupados pelos dez parques (2.941,824 ha), mais de 1,3 milh\u00e3o (1.373.542 ha) foi atingido, o equivalente a 46% da \u00e1rea. E todos os representantes das reservas nacionais ouvidos afirmam que as causas dos inc\u00eandios s\u00e3o intencionais. 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