{"id":1962,"date":"2010-03-08T11:34:35","date_gmt":"2010-03-08T14:34:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=1962"},"modified":"2010-03-08T11:34:35","modified_gmt":"2010-03-08T14:34:35","slug":"homens-experimentam-ser-minoria-em-universidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/03\/08\/homens-experimentam-ser-minoria-em-universidades\/","title":{"rendered":"Homens experimentam ser minoria em universidades"},"content":{"rendered":"<p>A universidade \u00e9 hoje um ambiente feminino. Mulheres estudam mais tempo do que os homens e s\u00e3o maioria no ensino superior \u2013 elas ocupam cerca de 380 mil vagas a mais que eles nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o, segundo dados do IBGE. Entre os brasileiros com 12 anos ou mais de estudo, as mulheres s\u00e3o 56%. Apesar do excedente em favor delas, os casos de cursos em que a divis\u00e3o de alunos por g\u00eanero \u00e9 fortemente desequilibrada acontece para os dois lados \u2013 mesmo com uma despropor\u00e7\u00e3o feminina positiva, h\u00e1 hordas de determinados engenheiros que s\u00e3o pontilhadas de apenas uma ou outra aluna, como as tr\u00eas entre 47 na lista de admitidos para Mecatr\u00f4nica na USP de S\u00e3o Carlos. Mas com todo o barulho que fazem as mulheres que h\u00e1 anos avan\u00e7am em profiss\u00f5es e cursos considerados masculinos, pouco se ouve dos rapazes que vivem a situa\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria.<!--more--><\/p>\n<p>Um apanhado da lista de aprovados na primeira fase do maior vestibular do pa\u00eds, a FUVEST, mostra que, apesar de existirem carreiras com desequil\u00edbrio de g\u00eanero para os dois extremos, o curso em que isso \u00e9 mais pronunciado \u00e9 de maioria feminina: quatro homens para 56 mulheres no primeiro ano de Obstetr\u00edcia, carreira que na pr\u00e1tica forma parteiras. \u201cEles n\u00e3o t\u00eam muita dificuldade, porque hoje em dia h\u00e1 muita abertura nesses assuntos que s\u00e3o conduzidos pela quest\u00e3o de g\u00eanero\u201d, acredita a Prof\u00aa Dr\u00aa L\u00facia Cristina Florentino Pereira da Silva, coordenadora do curso. \u201cE a popula\u00e7\u00e3o feminina aceita bem os profissionais, porque j\u00e1 existem os m\u00e9dicos e enfermeiros obstetras. E a gente trabalha muito a postura\u201d.<\/p>\n<p>Descontando-se as caracter\u00edsticas particulares deste curso, ele est\u00e1 longe de ser o \u00fanico reduto feminino no ensino superior. Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia e Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas s\u00e3o alguns dos exemplos de carreiras em que os homens se v\u00eaem em muita minoria, muitas vezes ouvindo piadinhas e sendo questionados por suas escolhas. Exatamente como j\u00e1 aconteceu com elas.<\/p>\n<p>O fisioterapeuta especializado em esportes Lu\u00eds Felipe Minechelli formou-se h\u00e1 dois anos pela Unicid em uma turma em que os homens eram pouco mais de 10% do total. \u201cComo eu sempre pratiquei esportes, j\u00e1 sabia como era um trabalho de um fisioterapeuta. Ent\u00e3o n\u00e3o fui com a cabe\u00e7a de que \u00e9 uma profiss\u00e3o de mulher\u201d, explica. \u201cN\u00e3o sofri tanto dentro do pr\u00f3prio curso, mas fora eu tive um pouquinho de problemas\u201d, revela, dizendo que ouviu muitas vezes perguntarem se \u201ceram todos homossexuais\u201d no curso. Como sempre foi atleta e praticante de lutas, Lu\u00eds diz que ouviu gracinhas mesmo dentro de sua fam\u00edlia. \u201cJ\u00e1 me perguntaram muito se eu ia ser massagista\u201d, revela.<\/p>\n<p>Aryel Murasaki, estudante do terceiro ano de Terapia Ocupacional da USP, relata uma experi\u00eancia mais tranq\u00fcila. Ele s\u00f3 descobriu que tinha escolhido uma carreira predominantemente feminina quando viu que era o \u00fanico homem na lista de aprovados. \u201cNa verdade, a maioria das pessoas nem sabe o que \u00e9, muito menos que \u00e9 uma carreira feminina. Ent\u00e3o quando eu dizia que ia prestar, as pessoas falavam \u201cahhhh\u201d, fingindo saber do que se tratava\u201d, diverte-se Aryel. \u201cMeu maior problema era esse\u201d. Quando viu que seria a \u00fanica exce\u00e7\u00e3o de uma classe totalmente feminina, no entanto, ficou apreensivo. \u201cN\u00e3o sabia se ia ficar \u00e0 vontade, como ia ser minha rela\u00e7\u00e3o com as meninas. Fiquei apreensivo exatamente por n\u00e3o saber o que me esperava\u201d. Na segunda lista de chamada, no entanto, entrou um segundo aluno e os dois logo fizeram amizade. Mas n\u00e3o uma panelinha. Aryel diz que, passado o susto inicial, sua integra\u00e7\u00e3o no curso n\u00e3o teve percal\u00e7os. \u201cElas falam bastante\u201d, brinca, \u201cmas n\u00e3o sei se tem tanta diferen\u00e7a. Sempre tive muitas amigas tamb\u00e9m, ent\u00e3o j\u00e1 estava bem acostumado\u201d.<\/p>\n<p>O terapeuta tamb\u00e9m n\u00e3o v\u00ea com preocupa\u00e7\u00e3o a inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. \u201cJ\u00e1 me falaram que homens na Terapia Ocupacional se d\u00e3o bem, exatamente porque tem menos. A\u00ed os pacientes homens acabam criando um v\u00ednculo maior, ficam mais \u00e0 vontade\u201d. O fisioterapeuta Lu\u00eds, no entanto, diz que mesmo trabalhando na \u00e1rea esportiva, j\u00e1 perdeu pacientes por ser homem. \u201c\u00c0s vezes a mulher n\u00e3o se sente \u00e0 vontade\u201d, explica.<\/p>\n<p>H\u00e1 ocasi\u00f5es, no entanto, em que as diferen\u00e7as se manifestam em situa\u00e7\u00f5es bem mais prosaicas do que a apreens\u00e3o da minoria e os obst\u00e1culos profissionais. No campe\u00e3o curso de Obstetr\u00edcia da USP, por exemplo, acontece um fen\u00f4meno curioso: diferentemente de m\u00e9dicos e enfermeiros-obstetras, o profissional formado nesta carreira tem uma denomina\u00e7\u00e3o feminina, obstetriz. \u201cO que temos feito \u00e9 diferenciar pelo artigo, nos referindo a \u201co obstetriz\u201d\u201d, explica a coordenadora do curso. \u201cHoje temos tomado cuidado com isso, para garantir a igualdade dos rapazes\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00daltimo Segundo<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A universidade \u00e9 hoje um ambiente feminino. Mulheres estudam mais tempo do que os homens e s\u00e3o maioria no ensino superior \u2013 elas ocupam cerca de 380 mil vagas a mais que eles nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o, segundo dados do IBGE. Entre os brasileiros com 12 anos ou mais de estudo, as mulheres s\u00e3o 56%. Apesar do excedente em favor delas, os casos de cursos em que a divis\u00e3o de alunos por g\u00eanero \u00e9 fortemente desequilibrada acontece para os dois lados \u2013 mesmo com uma despropor\u00e7\u00e3o feminina positiva, h\u00e1 hordas de determinados engenheiros que s\u00e3o pontilhadas de apenas uma ou&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[900,302],"class_list":["post-1962","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-mulheres","tag-universidades"],"acf":[],"views":938,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1962","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1962"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1962\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1964,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1962\/revisions\/1964"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1962"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1962"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1962"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}