{"id":1946,"date":"2010-03-08T10:57:08","date_gmt":"2010-03-08T13:57:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=1946"},"modified":"2010-03-08T10:57:08","modified_gmt":"2010-03-08T13:57:08","slug":"renan-contrata-%e2%80%9cfantasma%e2%80%9d-exonerada-por-sarney","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/03\/08\/renan-contrata-%e2%80%9cfantasma%e2%80%9d-exonerada-por-sarney\/","title":{"rendered":"Renan contrata \u201cfantasma\u201d exonerada por Sarney"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" title=\"renan\" src=\"http:\/\/www.congressoemfoco.com.br\/upload\/congresso\/renan_josecruz_abr.jpg\" alt=\"\" width=\"191\" height=\"162\" \/>Um fantasma ronda os protagonistas das duas maiores crises do Senado neste come\u00e7o de s\u00e9culo. O l\u00edder do PMDB, Renan Calheiros (AL), recontratou uma servidora exonerada ano passado pelo presidente da Casa, Jos\u00e9 Sarney (PMDB-AP), acusada de receber dos cofres p\u00fablicos sem trabalhar. V\u00e2nia Lins Uch\u00f4a Lopes est\u00e1 lotada no gabinete de Renan desde setembro, tr\u00eas meses ap\u00f3s ter sido dispensada por Sarney da presid\u00eancia.<\/p>\n<p>A assessora \u00e9 casada com Ildefonso Tito Uch\u00f4a, primo de Renan e apontado como laranja do senador em emissoras de r\u00e1dio em Alagoas. V\u00e2nia \u00e9 s\u00f3cia do marido em uma ag\u00eancia de ve\u00edculos investigada pela Pol\u00edcia Federal por ter emprestado ao senador R$ 178 mil n\u00e3o declarados \u00e0 Receita. Os dois casos resultaram na abertura de processos de cassa\u00e7\u00e3o de Renan no Conselho de \u00c9tica do Senado. Em meio a uma enxurrada de den\u00fancias, o senador escapou duas vezes da cassa\u00e7\u00e3o em plen\u00e1rio, mas foi obrigado a renunciar \u00e0 presid\u00eancia da Casa em 2007.<!--more--><\/p>\n<p>Contratada desde abril de 2005, V\u00e2nia foi exonerada por Sarney no dia 29 de junho de 2009, dois dias ap\u00f3s o jornal <em>Folha de S. Paulo<\/em> revelar que o nome dela figurava na rela\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios do gabinete da presid\u00eancia do Senado. No auge da crise dos atos secretos, que quase lhe custou o mandato, Sarney negou conhecer a assessora, atribuiu sua contrata\u00e7\u00e3o ao ex-presidente Renan e a exonerou imediatamente do cargo. Na presid\u00eancia, ela exercia uma fun\u00e7\u00e3o comissionada (FC08) que lhe garantia um dos sal\u00e1rios mais altos da Casa, de R$ 10 mil, mesmo valor pago, por exemplo, aos chefes de gabinete.<\/p>\n<p>Mas o desemprego de V\u00e2nia durou pouco. Precisamente 80 dias. O boletim administrativo de 22 de setembro trouxe a nomea\u00e7\u00e3o da servidora para o cargo comissionado de assessor t\u00e9cnico, SF02, no gabinete de Renan. O sal\u00e1rio l\u00edquido \u00e9 de R$ 5.732,22. Com o aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o, chega a R$ 6.370,22.<\/p>\n<p>O ato, assinado pelo diretor-geral da Casa, Haroldo Tajra, foi revogado por ele mesmo no dia 6 de novembro. Novamente, V\u00e2nia n\u00e3o ficou desempregada. No mesmo dia, o Ato 4109\/2009 garantiu a recontrata\u00e7\u00e3o da assessora para a mesma fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a quinta vez que a servidora \u00e9 contratada para trabalhar no gabinete de Renan desde abril de 1996. O nome dela est\u00e1 na lista dos assessores do senador no Portal da Transpar\u00eancia, do Senado. Ao todo, 66 servidores est\u00e3o subordinados a ele na Casa: os 32 lotados em seus gabinetes em Bras\u00edlia e Macei\u00f3, e outros 34 na lideran\u00e7a do PMDB.<\/p>\n<p>O <strong>Congresso em Foco<\/strong> procurou duas vezes por V\u00e2nia Uch\u00f4a no gabinete de apoio de Renan em Macei\u00f3 na \u00faltima sexta-feira (5). Antes de responder, a secret\u00e1ria que atendeu ao telefone perguntou, primeiro, o sobrenome da assessora. Em seguida, afirmou: \u201cEla trabalha aqui. Ela vem todos os dias\u201d. Na \u00faltima sexta, por\u00e9m, n\u00e3o estava. A reportagem ligou ent\u00e3o para a casa de V\u00e2nia, mas recebeu a informa\u00e7\u00e3o de que ela estava viajando.<\/p>\n<p>A assessoria do presidente do Senado, Jos\u00e9 Sarney, afirmou que a responsabilidade pela nova contrata\u00e7\u00e3o de V\u00e2nia n\u00e3o \u00e9 sua, mas de Renan, e que n\u00e3o iria se manifestar mais sobre o assunto. Procurada para esclarecer os motivos da exonera\u00e7\u00e3o e da recontrata\u00e7\u00e3o da servidora, a assessoria de imprensa de Renan Calheiros disse que n\u00e3o conseguiu fazer contato com o senador, passou um n\u00famero de celular do pr\u00f3prio Renan, mas ele n\u00e3o atendeu \u00e0 liga\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Empr\u00e9stimo<\/strong><\/p>\n<p>Em 2007, um empr\u00e9stimo de R$ 178 mil feito pela empresa de V\u00e2nia e Tito, a Costa Dourada, foi usado como justificativa por Renan para explicar como conseguia sobreviver com o sal\u00e1rio de senador enquanto pagava uma pens\u00e3o de R$ 8 mil para a jornalista M\u00f4nica Veloso, com quem tem uma filha. O empr\u00e9stimo, no entanto, n\u00e3o foi declarado pela Receita, conforme apontou a Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p>Em depoimento ao Conselho de \u00c9tica, na \u00e9poca, Renan afirmou que n\u00e3o declarou a transa\u00e7\u00e3o para evitar a exposi\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es pessoais. As explica\u00e7\u00f5es n\u00e3o convenceram a maioria do Conselho, que recomendou a cassa\u00e7\u00e3o do senador. Ele era acusado de usar dinheiro de um lobista da empreiteira Mendes J\u00fanior para pagar pens\u00e3o \u00e0 jornalista. O parecer, no entanto, acabou derrubado pelo plen\u00e1rio no dia 19 de setembro de 2007: 40 votos pela absolvi\u00e7\u00e3o, 35 pela cassa\u00e7\u00e3o e seis absten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>V\u00e2nia Lins Uch\u00f4a Lopes n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica personagem do gabinete de Renan a ter despontado durante a crise que quase lhe levou \u00e0 cassa\u00e7\u00e3o em 2007. O outro \u00e9 Carlos Ricardo Santa Ritta, apontado na \u00e9poca, junto com o marido de V\u00e2nia \u2013 Tito Uch\u00f4a \u2013, como laranja do senador na compra de ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o em Alagoas. Renan e os assessores sempre negaram ter cometido qualquer irregularidade.<\/p>\n<p>Reportagem de Alexandre Oltramari, publicada pela revista <em>Veja<\/em> em 4 de agosto de 2007, acusava Renan de usar \u201claranjas\u201d para comprar duas emissoras de r\u00e1dio e um jornal em Alagoas, avaliados em R$ 2,5 milh\u00f5es, em sociedade com o usineiro e ex-deputado Jo\u00e3o Lyra (PTB-AL).<\/p>\n<p>Lyra contou \u00e0 revista que o senador havia desembolsado R$ 1,3 milh\u00e3o para se associar a ele no ramo da radiodifus\u00e3o. \u201cEle me disse que n\u00e3o tinha como aparecer publicamente \u00e0 frente do neg\u00f3cio, mas n\u00e3o explicou as raz\u00f5es. Por isso, pediu para colocarmos tudo em nome de laranjas. Eu topei\u201d, disse o ex-deputado \u00e0 <em>Veja<\/em>.<\/p>\n<p>Segundo relatou a revista, como a Constitui\u00e7\u00e3o pro\u00edbe que parlamentares sejam propriet\u00e1rios de concession\u00e1rias de r\u00e1dio, o senador teria colocado Santa Ritta, seu assessor e ex-tesoureiro de campanha, como cotista principal da emissora JR Radiodifus\u00e3o. O outro s\u00f3cio escolhido, de acordo com Lyra e a revista, era Tito Uch\u00f4a.<\/p>\n<p>Santa Ritta, relatou <em>Veja<\/em>, funcionou como guardi\u00e3o da outorga da r\u00e1dio. De acordo com a revista, oficializada a concess\u00e3o, o ex-tesoureiro repassou sua cota para Renan Calheiros Filho, prefeito de Muciri (AL), que se tornou s\u00f3cio de Tito Uch\u00f4a. Na \u00e9poca, o primo do senador recebia um sal\u00e1rio de R$ 1.390 da Delegacia Regional do Trabalho em Alagoas, sempre segundo a revista.<\/p>\n<p>Durante a crise que paralisou o Senado, Renan chegou a anunciar a exonera\u00e7\u00e3o de Santa Ritta. Em outubro de 2008, o ex-assessor foi recontratado pelo gabinete do peemedebista.<\/p>\n<p>A den\u00fancia levou Renan a responder a novo processo de cassa\u00e7\u00e3o. Novamente, o Plen\u00e1rio rejeitou a recomenda\u00e7\u00e3o do Conselho de \u00c9tica e o absolveu. Em 4 de dezembro de 2007, s\u00f3 29 senadores votaram pela perda do mandato. Outros 48 votaram a favor do senador alagoano e tr\u00eas se abstiveram.<\/p>\n<p>Como revelou o <strong>Congresso em Foco<\/strong> em maio do ano passado, Renan cedeu 26 passagens da cota do Senado para quatro personagens envolvidos nas den\u00fancias que resultaram em sua queda da presid\u00eancia da Casa em 2007.\u00a0Entre eles, o marido de V\u00e2nia, Tito Uch\u00f4a, e Carlos Santa Ritta.<\/p>\n<p><strong>Congresso em Foco<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um fantasma ronda os protagonistas das duas maiores crises do Senado neste come\u00e7o de s\u00e9culo. O l\u00edder do PMDB, Renan Calheiros (AL), recontratou uma servidora exonerada ano passado pelo presidente da Casa, Jos\u00e9 Sarney (PMDB-AP), acusada de receber dos cofres p\u00fablicos sem trabalhar. V\u00e2nia Lins Uch\u00f4a Lopes est\u00e1 lotada no gabinete de Renan desde setembro, tr\u00eas meses ap\u00f3s ter sido dispensada por Sarney da presid\u00eancia. A assessora \u00e9 casada com Ildefonso Tito Uch\u00f4a, primo de Renan e apontado como laranja do senador em emissoras de r\u00e1dio em Alagoas. 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