{"id":18254,"date":"2010-08-31T07:17:15","date_gmt":"2010-08-31T10:17:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=18254"},"modified":"2010-08-31T07:17:15","modified_gmt":"2010-08-31T10:17:15","slug":"dilma-rousseff-e-entrevistada-pelo-jornal-da-globo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/08\/31\/dilma-rousseff-e-entrevistada-pelo-jornal-da-globo\/","title":{"rendered":"Dilma Rousseff \u00e9 entrevistada pelo Jornal da Globo"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Do G1, em S\u00e3o Paulo<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A candidata do PT \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Dilma Rousseff, foi\u00a0 entrevistada na edi\u00e7\u00e3o desta segunda-feira (30) do Jornal da Globo pelos apresentadores William Waack e Christiane Pelajo. O candidato Jos\u00e9 Serra (PSDB) ser\u00e1 o entrevistado da edi\u00e7\u00e3o de ter\u00e7a (31) e a candidata Marina Silva (PV) estar\u00e1 na de quarta (1\u00ba). A ordem das entrevistas foi definida em sorteio. A entrevista tem dura\u00e7\u00e3o de 20 minutos e foi dividida em dois blocos. Veja abaixo a \u00edntegra de cada bloco, em v\u00eddeo, e leia a transcri\u00e7\u00e3o das perguntas e respostas:<\/p>\n<div id=\"materia-letra\">\n<div>\n<hr \/>\n<div id=\"1328191\"><script type=\"text\/javascript\"><\/script><\/div>\n<p><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"480\" height=\"392\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"quality\" value=\"high\" \/><param name=\"FlashVars\" value=\"midiaId=1328191&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/video.globo.com\/Portal\/videos\/cda\/player\/player.swf\" \/><param name=\"flashvars\" value=\"midiaId=1328191&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"480\" height=\"392\" src=\"http:\/\/video.globo.com\/Portal\/videos\/cda\/player\/player.swf\" flashvars=\"midiaId=1328191&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392\" quality=\"high\"><\/embed><\/object><strong>William Waack:<\/strong> Boa noite. Bem-vinda ao Jornal da Globo. Candidata, o seu tempo come\u00e7a a contar a partir de agora. Eu vou formular a primeira pergunta. A senhora passou &#8211; at\u00e9 talvez por n\u00e3o ter disputado nenhuma elei\u00e7\u00e3o at\u00e9 agora &#8211; por uma grande transforma\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Cabelo, roupa, o jeito de falar&#8230; Foi dif\u00edcil? <strong>Dilma Rousseff:<\/strong> Boa noite, William. Boa noite, Christiane. \u00c9, eu acho que esse \u00e9 um processo diferente de ser ministra-chefe da Casa Civil. \u00c9, eu sempre digo que, como ministra-chefe da Casa Civil, a gente trabalha muito e tem muito pouco tempo pra voc\u00ea se relacionar com a popula\u00e7\u00e3o porque \u00e9 um trabalho de bastidor, de construir, de estruturar um governo, de levar ele \u00e0 frente. Ent\u00e3o h\u00e1 uma exig\u00eancia muito grande. <!--more-->Quando eu passei a ser candidata, eu acho que &#8211; vou te falar assim com sinceridade -, acho que \u00e9 melhor, mais f\u00e1cil porque implica em voc\u00ea ter contato com as pessoas, conseguir conversar com elas, fazer propostas. E \u00e9 importante tamb\u00e9m voc\u00ea cuidar da forma como voc\u00ea aparece em p\u00fablico. Porque voc\u00ea vai, na verdade, aparecer pros 190 milh\u00f5es de brasileiros, de uma forma ou de outra, ou atrav\u00e9s da TV aberta ou atrav\u00e9s do r\u00e1dio, tamb\u00e9m, que voc\u00ea vai conversar. E, principalmente, eu acho que no contato pessoal. As pessoas gostam que a gente se cuide pra se aparecer pra elas. Ent\u00e3o eu acho que isso foi bom pra mim. E eu acho que \u00e9 bom tamb\u00e9m pras pessoas que me assistem, me veem. <strong>Christiane Pelajo:<\/strong> Candidata, a gente tem visto muitos petistas envolvidos em esc\u00e2ndalos na campanha da senhora. Jos\u00e9 Dirceu, por exemplo. Qual \u00e9 o papel que ele ter\u00e1 num poss\u00edvel governo da senhora? <strong>Dilma Rousseff:<\/strong> Olha, sabe, Christiane, eu n\u00e3o tenho discutido o futuro governo. Por uma quest\u00e3o, eu acho, que de respeito \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Pra voc\u00ea come\u00e7ar a discutir um governo, eu teria de estar eleita. Eu acho que a quest\u00e3o que se coloca quando voc\u00ea est\u00e1 em campanha eleitoral \u00e9 respeitar uma das quest\u00f5es mais importantes na democracia que \u00e9 o voto do povo dia 3 de outubro. Se eu colocar a carro\u00e7a na frente dos bois, em vez de eu discutir os programas do governo, em vez de eu dizer o que eu quero pras pessoas me escolherem como presidenta do Brasil, eu vou ficar discutindo uma coisa que n\u00e3o aconteceu? Por que, c\u00e1 entre n\u00f3s, pesquisa n\u00e3o ganha elei\u00e7\u00e3o&#8230; <strong>Christiane Pelajo:<\/strong> Mas a senhora&#8230; <strong>Dilma Rousseff: <\/strong>O que ganha elei\u00e7\u00e3o \u00e9 voto na urna&#8230; <strong>Christiane Pelajo:<\/strong> Mas a senhora&#8230; <strong>Dilma Rousseff: <\/strong>Dia 3 de outubro. <strong>Christiane Pelajo:<\/strong> Mas a senhora n\u00e3o v\u00ea problemas em trazer de volta \u00e0 pol\u00edtica uma pessoa que teve direitos pol\u00edticos cassados? <strong>Dilma Rousseff: <\/strong>Eu vou te insistir com isso. Eu n\u00e3o vou discutir nem o Z\u00e9 Dirceu, n\u00e3o vou discutir quem quer que seja. Outro dia colocaram que o Henrique Meirelles, outro dia colocaram que era o Guido Mantega, outro dia colocaram que era o Palocci. Eu, em princ\u00edpio, n\u00e3o discuto nenhum nome pro meu governo&#8230; <strong>William Waack:<\/strong> A senhora vai deixar&#8230; <strong>Dilma Rousseff: <\/strong>\u00c9 uma quest\u00e3o assim de princ\u00edpio. Por qu\u00ea? Porque eu tenho sido acusada tamb\u00e9m de estar querendo ganhar a elei\u00e7\u00e3o antes da hora e que eu quero sentar na cadeira antes. Eu queria dizer, gente, que quem sentou na cadeira antes foi o ex-presidente da Rep\u00fablica e que&#8230; acho, inclusive, por dois motivos eu n\u00e3o sento em cadeira antes. Primeiro porque eu respeito o voto popular. E em segundo lugar porque eu acho que d\u00e1 azar sentar na cadeira e ficou vis\u00edvel que deu azar. <strong>William Waack: <\/strong>Essa \u00e9 uma dose de supersti\u00e7\u00e3o. Uma novidade. <strong>Dilma Rousseff:<\/strong> Como todo brasileiro e brasileira deste pa\u00eds. <strong>William Waack: <\/strong>Agora, a senhora se recusar a discutir cargos e distribui\u00e7\u00e3o de cargos, a senhora vai deixar um monte de gente decepcionada. Seus aliados est\u00e3o discutindo abertamente quem vai ficar com o qu\u00ea. N\u00e3o seria a hora de a senhora participar? <strong>Dilma Rousseff:<\/strong> Sabe, \u00e9 comigo que sou, se eleita, a parte interessada ningu\u00e9m fez isso at\u00e9 hoje. Todo mundo respeitou o fato de que em processo eleitoral a gente tem de levar em conta o interesse da popula\u00e7\u00e3o no fato de que ela tem de esclarecer. Segundo, tem de respeitar o dia do voto. \u00c9 que nem futebol: todo mundo pode ficar fazendo progn\u00f3stico, mas, se um jogador de futebol sair dizendo que ele vai ganhar de 2 a 0, de 1 a 0, sem ter a bola na rede, \u00e9 uma baita pretens\u00e3o. Eu considero que seria pretens\u00e3o da minha parte discutir qualquer consequ\u00eancia do processo eleitoral de 3 de outubro sem estar o \u00faltimo voto na urna \u00e0s cinco horas da tarde. <strong>William Waack: <\/strong>J\u00e1 que a senhora usou o futebol, todo mundo escala o time antes do jogo. <strong>Dilma Rousseff: <\/strong>\u00c9. Todo mundo escala o time antes do jogo, mas a\u00ed \u00e9 futebol e eu t\u00f4 fazendo elei\u00e7\u00e3o. <strong>Christiane Pelajo: <\/strong>Candidata, a Receita Federal negou inten\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na quebra de sigilo no vazamento de dados de tucanos na semana passada. Integrantes do seu partido j\u00e1 foram envolvidos em montagem de dossi\u00eas contra opositores. Como \u00e9 que a senhora pode dar garantias pra gente, pra popula\u00e7\u00e3o que isso n\u00e3o v\u00e1 acontecer num eventual governo da senhora? <strong>Dilma Rousseff:<\/strong> Olha, eu tenho muito tempo de vida p\u00fablica, Christiane. E jamais compactuei com nenhuma uni\u00e3o mal feita. Tenho insistido que a acusa\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o a mim e \u00e0 minha campanha \u00e9 absolutamente sem fundamento. Inclusive, entrei com seis medidas jur\u00eddicas contra o candidato, meu opositor &#8211; n\u00e3o eu, mas o meu partido -, e tamb\u00e9m pedi provid\u00eancias \u00e0 Pol\u00edtica.. \u00e9, \u00e0 Pol\u00edcia Federal pra investigar esse fato. Eu considero que \u00e9 absolutamente injustific\u00e1vel que uma pessoa acuse outra sem apresentar provas. N\u00f3s temos pedido sistematicamente que apresente provas. Ali\u00e1s, se essa situa\u00e7\u00e3o for colocada dessa forma, eu queria dizer uma coisa: o partido do candidato meu advers\u00e1rio tem uma trajet\u00f3ria de vazamentos e grampos absolutamente expressiva. Por exemplo, vazamento das d\u00edvidas dos deputados federais com o Banco do Brasil nas v\u00e9speras da vota\u00e7\u00e3o da emenda da reelei\u00e7\u00e3o. Os grampos que existiram no BNDES e tamb\u00e9m os grampos feitos juntos ao pr\u00f3prio gabinete, o secret\u00e1rio da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Eu jamais usei esses epis\u00f3dios pra tornar o meu advers\u00e1rio suspeito de qualquer coisa porque eu n\u00e3o acho correto. Agora, eu tamb\u00e9m n\u00e3o concordo e que sem provas me acusem ou acusem a minha campanha. Eu tenho uma trajet\u00f3ria pol\u00edtica. Na minha trajet\u00f3ria pol\u00edtica, eu tive sempre absoluta respeito pela legalidade e pelo uso do dinheiro p\u00fablico. Ent\u00e3o n\u00e3o vejo nenhuma justificativa para as acusa\u00e7\u00f5es a n\u00e3o ser interesse eleitoral. <strong>William Waack: <\/strong>Candidata, a senhora tem uma longa hist\u00f3ria pol\u00edtica. A senhora foi torturada durante a ditadura militar. Como \u00e9 que a senhora se sentiu quando ouviu o presidente Lula comparar presos de consci\u00eancia em Cuba a bandidos em S\u00e3o Paulo? <strong>Dilma Rousseff:<\/strong> Olha, William, eu acho que a trajet\u00f3ria pol\u00edtica e de vida do presidente Lula n\u00e3o pode permitir que a gente acredite que o presidente Lula foi uma pessoa que n\u00e3o lutou a vida inteira pelos direitos humanos. Eu, da minha parte, tenho consci\u00eancia disso e tenho presenciado isso. Acho de forma, muito discreta inclusive, o Brasil \u00e9 respons\u00e1vel pela soltura dos presos pol\u00edticos. Eu n\u00e3o digo que ele \u00e9 respons\u00e1vel, que seria tamb\u00e9m muita pretens\u00e3o minha, mas eu acredito que o presidente Lula, o Itamaraty e todas as tratativas feitas de forma discreta &#8211; como deve ser feito, at\u00e9 porque, se voc\u00ea n\u00e3o fizer de forma discreta, voc\u00ea n\u00e3o consegue muitas vezes o seu objetivo &#8211; respons\u00e1vel pela soltura dos presos pol\u00edticos em Cuba. Agora, eu da minha parte, tenho uma convic\u00e7\u00e3o, William. Sabe qual \u00e9? A minha vida pessoal, ela teve um momento muito duro. Eu vivi a minha juventude durante a ditadura e lutei contra ela do primeiro ao \u00faltimo dia. Tenho absoluta solidariedade com presos pol\u00edticos. Sou contra crimes de opini\u00e3o, crimes pol\u00edticos ou crimes por pensar, por querer ou por opor e vou defender isso a minha vida inteira. <strong>William Waack: <\/strong>Ou seja, a senhora jamais faria essa compara\u00e7\u00e3o? <strong>Dilma Rousseff:<\/strong> N\u00e3o, eu n\u00e3o acho correto transformar o presidente e falar que o presidente tomou uma atitude errada nesse epis\u00f3dio. O presidente, eu vou repetir, foi respons\u00e1vel, um dos, pelas tratativas de soltura dos presos pol\u00edticos cubanos. <strong>Christiane Pelajo: <\/strong>Candidata, \u00e9 not\u00f3rio que as Farc, as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia, est\u00e3o relacionadas ao tr\u00e1fico de drogas e tamb\u00e9m ao crime organizado aqui no Brasil. Por que a senhora hesita em chamar as Farc de narcoguerrilha? <strong>Dilma Rousseff:<\/strong> Eu jamais hesitei em chamar, falar que as Farc tem rela\u00e7\u00f5es com o tr\u00e1fico. \u00c9 p\u00fablico e not\u00f3rio. <strong>Christiane Pelajo: <\/strong>Ent\u00e3o a senhora est\u00e1 declarando aqui que as Farc s\u00e3o uma narcoguerrilha? <strong>Dilma Rousseff:<\/strong> N\u00e3o estou declarando, n\u00e3o. O governo do presidente Lula acha as Farc ligadas ao crime, ao crime organizado e ao crime do tr\u00e1fico de drogas. Nunca escondemos esse fato. Ali\u00e1s essa hist\u00f3ria das nossas rela\u00e7\u00f5es com as Farc foi muito bem respondida pelo pr\u00f3prio presidente, ex-ministro da Defesa da Col\u00f4mbia, que disse o seguinte: em v\u00e1rias oportunidades, ele, ministro da Defesa, que combateu inequivocamente as Farc na Col\u00f4mbia, conversou com elas, teve di\u00e1logo, porque tem momentos que sem ele ter o di\u00e1logo ele n\u00e3o consegue acabar e negociar a paz. Ent\u00e3o, no Brasil, a gente tem de perder essa &#8211; eu acho assim &#8211; essa vis\u00e3o um tanto quanto conspiradora que muitas vezes se coloca. Se n\u00e3o se conversar, voc\u00ea n\u00e3o consegue inclusive a paz. E eu acho que ele foi muito feliz na resposta que ele deu pra uma revista nesse domingo &#8211; n\u00e9?, foi domingo que saiu &#8211; em que ele diz: eu e outros pol\u00edticos colombianos conversamos tamb\u00e9m. \u00a0 <strong>2\u00ba bloco <\/strong><\/p>\n<div id=\"1328190\"><script type=\"text\/javascript\"><\/script><\/div>\n<p><strong>William Waack:<\/strong> Estamos de volta para a segunda parte da entrevista com a candidata do PT \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Dilma Rousseff. Candidata, o seu tempo volta a contar a partir de agora, mais dez minutos. A senhora fez parte de um governo que tem sido criticado frequentemente por ter colocado na m\u00e1quina administrativa muitos militantes do seu partido. Essa pol\u00edtica prossegue?<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>Olha, eu sempre digo uma coisa, viu, William. Eu acho que um governo \u00e9 composto de pol\u00edticos que tenham compet\u00eancia t\u00e9cnica. Vai prosseguir sempre&#8230; eu vou prosseguir nesse crit\u00e9rio. Vou escolher pol\u00edticos com compet\u00eancia t\u00e9cnica. Ali\u00e1s, eu sempre conto uma hist\u00f3ria: acho que os t\u00e9cnicos s\u00e3o muito importantes, mas t\u00e9cnicos que n\u00e3o t\u00eam compromisso com o desenvolvimento do seu pa\u00eds, que n\u00e3o t\u00eam compromisso com a distribui\u00e7\u00e3o de renda do seu pa\u00eds, que n\u00e3o t\u00eam compromisso com a inclus\u00e3o social do seu pa\u00eds, levam o pa\u00eds a situa\u00e7\u00f5es muito prec\u00e1rias. Eu, por ato do of\u00edcio meu como ministra de Minas e Energia, me relacionei com v\u00e1rios ministros da Am\u00e9rica Latina. E, uma vez, estava em uma reuni\u00e3o, era v\u00e9spera de Natal, e come\u00e7ou aquela conversa meio social, meio de final de reuni\u00e3o. &#8220;Onde voc\u00ea vai passar as f\u00e9rias?&#8221;. N\u00f3s todos&#8230; Eu disse: &#8220;Na minha casa&#8221;. Onde voc\u00ea mora? &#8220;Em Porto Alegre&#8221;. Cada um, eram v\u00e1rios ministros. Um deles, que importa, disse: &#8220;Ah, eu vou tamb\u00e9m passar em casa&#8221;. E a\u00ed eu estava em d\u00favida se ele morava numa de duas cidades daquele pa\u00eds e disse uma delas. Ele falou: &#8220;N\u00e3o&#8221;. Eu disse a outra, ele falou: &#8220;N\u00e3o&#8221;. Ent\u00e3o onde \u00e9? Ele disse para mim: &#8220;Eu moro em Miami&#8221;. A fam\u00edlia dele morava em Miami, os filhos dele moravam em Miami, os netos dele moravam em Miami. Eu n\u00e3o acredito que algu\u00e9m que n\u00e3o crie a sua fam\u00edlia no Brasil, que n\u00e3o tenha interesse na educa\u00e7\u00e3o dos seus filhos de qualidade no Brasil, que n\u00e3o sinta no cora\u00e7\u00e3o amor pelo seu pa\u00eds a ponto de morar nele, de aguentar as consequ\u00eancias, todas as consequ\u00eancias da vida que voc\u00ea, que um governo vai produzir l\u00e1, seja uma pessoa confi\u00e1vel. Ent\u00e3o eu sempre vou escolher pol\u00edticos com compet\u00eancia t\u00e9cnica. E a\u00ed todos os do meu partido que foram pol\u00edticos com compet\u00eancia t\u00e9cnica para cargos espec\u00edficos ocupar\u00e3o esses cargos. E isso n\u00e3o vale s\u00f3 para o PT, isso vale para todos que ocuparem cargos no meu governo.<\/p>\n<p><strong>William Waack: <\/strong>Qualquer o partido?<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff:<\/strong> Qualquer partido.<\/p>\n<p><strong>Christiane Pelajo: <\/strong>Candidata, o Brasil&#8230;<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>Ali\u00e1s, sempre disseram que eu era um pouco exigente, n\u00e3o sei se voc\u00ea lembra. Sempre disseram: &#8220;Olha, ela \u00e9 um pouco exigente no que se refere \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o para cargos&#8221;.<\/p>\n<p><strong>William Waack: <\/strong>Ou quis dizer: &#8220;N\u00e3o importa a carteirinha?&#8221;<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>Olha, eu acho que a carteirinha, j\u00e1 expliquei, importa sim, se a carteirinha for isso que eu disse: o compromisso com o seu pa\u00eds. Pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 sempre uma coisa ruim. Pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 sempre uma coisa suja. A pol\u00edtica pode ser respons\u00e1vel por transformar, como o presidente Lula fez nesses \u00faltimos oito anos, um pa\u00eds que vivia na desigualdade, na estagna\u00e7\u00e3o e vivia tamb\u00e9m no desemprego, num pa\u00eds que est\u00e1 crescendo, que emprega 14 milh\u00f5es quando o mundo est\u00e1 desempregando 30 milh\u00f5es e em um pa\u00eds&#8230;<\/p>\n<p><strong>Christiane Pelajo: <\/strong>Candidata&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>Que tem uma, de fato hoje, um resultado social muito impressionante.<\/p>\n<p><strong>Christiane Pelajo:<\/strong> Candidata, vamos mudar um pouco de assunto. O Brasil investe muito pouco em rela\u00e7\u00e3o ao PIB e os investimentos dependem basicamente de Petrobr\u00e1s e setor privado. Por que o governo Lula n\u00e3o conseguiu investir?<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>Eu n\u00e3o concordo com a afirma\u00e7\u00e3o. Acho que houve um esfor\u00e7o extraordin\u00e1rio do governo Lula para investimento. E isso ficou, isso \u00e9 vis\u00edvel hoje nos n\u00fameros. N\u00f3s aumentamos bastante o investimento p\u00fablico &#8211; \u00f3bvio que a Petrobr\u00e1s aumentou o seu investimento, que a Eletrobr\u00e1s aumentou investimento. Agora, os investimentos privados, por exemplo, na \u00e1rea de infraestrutura foram demandados por leil\u00f5es do governo&#8230;<\/p>\n<p><strong>Christiane Pelajo: <\/strong>J\u00e1 que a senhora est\u00e1 falando de n\u00fameros, eu gostaria de dar alguns n\u00fameros aqui. Quarenta por cento da riqueza nacional do pa\u00eds v\u00e3o para o governo e o governo s\u00f3 \u00e9 respons\u00e1vel por dois por cento dos investimentos do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff:<\/strong> Veja bem. \u00c9 o tipo do dado que ele n\u00e3o tem precis\u00e3o econ\u00f4mica, ele n\u00e3o tem precis\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria. Porque \u00e9 o seguinte: o governo, ele, infraestrutura, n\u00f3s passamos mais de 25 anos sem investir. Hoje n\u00f3s estamos fazendo as seguintes obras: interliga\u00e7\u00e3o da bacia do S\u00e3o Francisco, seis bilh\u00f5es de reais. Para levar o qu\u00ea? Para levar \u00e1gua para 12 milh\u00f5es de pessoas no semi-\u00e1rido nordestino. Acabamos com a hist\u00f3ria do racionamento de oito meses que aconteceu no Brasil. Hoje, voc\u00eas n\u00e3o veem mais algu\u00e9m dizendo que o Brasil corre risco de racionamento, porque n\u00e3o tem risco de racionamento. Voc\u00ea v\u00ea Jirau e Santo Ant\u00f4nio. Vou te dar outro exemplo&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Christiane Pelajo:<\/strong> A senhora est\u00e1 satisfeita ent\u00e3o com os investimentos no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>N\u00e3o. Eu n\u00e3o. Eu sou uma pessoa que jamais vou ficar satisfeita. Quando eu falo que o Brasil voltou a investir, eu t\u00f4 dizendo o seguinte: n\u00f3s estamos em uma longa trajet\u00f3ria. Vamos precisar investir muito mais. Por exemplo, em casa pr\u00f3pria para as pessoas, voltamos a investir, saneamento. Saneamento, hoje, eu estava dando um exemplo aqui em S\u00e3o Paulo, que n\u00f3s botamos em saneamento aqui em S\u00e3o Paulo 8,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>William Waack: <\/strong>Candidata, parece haver um consenso, a senhora \u00e9 economista, e parece haver um consenso entre os economistas. Primeiro: porque a nossa taxa de investimento \u00e9 muito baixa em rela\u00e7\u00e3o ao PIB&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff:<\/strong> Eu concordo&#8230;<\/p>\n<p><strong>William Waack: <\/strong>A senhora faz parte desse consenso.<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>Concordo&#8230;<\/p>\n<p><strong>William Waack: <\/strong>H\u00e1 um outro consenso ainda&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>Chegamos a 19, n\u00e9, William&#8230;<\/p>\n<p><strong>William Waack:<\/strong> \u00c9, onde estamos mais ou menos&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff:<\/strong> N\u00e3o, n\u00f3s quer\u00edamos ter chegado a 21&#8230;<\/p>\n<p><strong>William Waack: <\/strong>A 24, 25&#8230;<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>N\u00e3o, a 21. N\u00f3s \u00edamos chegar a 21, em 2009&#8230; houve a crise e n\u00f3s ca\u00edmos outra vez.<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p><strong>William Waack:<\/strong> Eu quero chamar a aten\u00e7\u00e3o da senhora para outro consenso&#8230;<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff:<\/strong> N\u00f3s vamos retomar este ano.<\/p>\n<p><strong>William Waack:<\/strong> Eu quero saber se a senhora faz parte desse consenso tamb\u00e9m, j\u00e1 que o primeiro a senhora admite que os investimento s\u00e3o mais baixos do que poderiam ser. Como \u00e9 que o Brasil vai continuar crescendo, e n\u00e3o vamos crescer a mesma coisa que crescemos no primeiro semestre, o Ministro da Fazenda estava comentando isso agora, um pouco antes, \u00e0 noite. Como \u00e9 que n\u00f3s vamos conseguir manter o mesmo ritmo sem fazer um severo ajuste fiscal. A senhora j\u00e1 est\u00e1 pensando nisso?<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>Eu acho, eu sou, hoje, contra que se fa\u00e7a ajuste fiscal agora no Brasil.<\/p>\n<p><strong>William Waack: <\/strong>Por causa de elei\u00e7\u00e3o? Ou porque a senhora n\u00e3o quer dizer ainda agora?<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>N\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o. O Brasil teve de fazer ajuste fiscal porque precisou fazer. O que \u00e9 ajuste fiscal? Ajuste fiscal \u00e9 regime de caixa. Caracteriza-se pelo fato que na despesa voc\u00ea sai cortando: aumento de sal\u00e1rio m\u00ednimo, aumento de sal\u00e1rio. Voc\u00ea sai cortando qualquer despesa pass\u00edvel de corte. Ou seja, aquelas que n\u00e3o est\u00e3o vinculadas. Investimento, saneamento, nem pensar. Ela caracteriza primeiro por isso. Como \u00e9 regime de caixa, tem um lado da receita que todo mundo esquece. Sabe o que voc\u00ea faz? Voc\u00ea aumenta imposto.<\/p>\n<p><strong>William Waack:<\/strong> N\u00e3o tem jeito.<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>Aumenta o imposto. Al\u00e9m de aumentar imposto, sentam no caixa. Ent\u00e3o vamos supor que voc\u00ea seja um empres\u00e1rio. E a\u00ed voc\u00ea tem um cr\u00e9dito tribut\u00e1rio, um cr\u00e9dito devido a voc\u00ea. O Fisco te deve e vai ter de pagar. Sabe o que \u00e9 o regime de caixa? Te devolvem em 48 meses. Em vez de devolver automaticamente te devolvem em 48 meses. O Brasil n\u00e3o precisa passar por isso mais. Sabe por qu\u00ea? Primeiro: a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 sob controle visivelmente. N\u00f3s estamos com US$ 260 bilh\u00f5es de reserva. E a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida l\u00edquida sobre PIB est\u00e1 caindo inquestionavelmente, est\u00e1 em 41 por cento. N\u00f3s inclusive tivemos que ter um aumentozinho em 2009, mas foi a \u00fanica vez. Fizemos super\u00e1vit todos os anos. Ent\u00e3o, o pessoal que est\u00e1 defendendo ajuste fiscal est\u00e1 errado. O que n\u00f3s temos de defender \u00e9 outra coisa. O Brasil tem de crescer e tem de controlar os seus gastos, n\u00e3o pode sair crescendo e gastando dinheiro a rold\u00e3o. Um governo que n\u00e3o controle direito os seus gastos, que n\u00e3o pegue o seu dinheiro e olhe se ele est\u00e1 devidamente aplicado n\u00e3o \u00e9 o governo que eu defendo. Agora, defender ajuste fiscal como foi praticado no Brasil \u00e9 um crime hoje.<\/p>\n<p><strong>Christiane Pelajo: <\/strong>Candidata&#8230;<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>Hoje n\u00f3s estamos na fase do investimento, do planejamento, do controle e da fiscaliza\u00e7\u00e3o do gasto p\u00fablico, mas n\u00e3o estamos na fase do ajuste fiscal.<\/p>\n<p><strong>William Waack: <\/strong>Contas externas&#8230; elas est\u00e3o piorando. Como \u00e9 que a senhora pretende inverter esse quadro?<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff:<\/strong> Olha, n\u00f3s est\u00e1vamos falando h\u00e1 pouco na taxa de investimento. Eu sou a favor da taxa de investimento ser cada vez maior. Como o Brasil come\u00e7ou um processo de investimento virtuoso, n\u00f3s estamos tendo um desequil\u00edbrio devido a uma discrep\u00e2ncia entre n\u00f3s e o resto do mundo. Enquanto as exporta\u00e7\u00f5es nossas n\u00e3o t\u00eam mercado porque os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia, a OCDE toda est\u00e1 com um problema s\u00e9rio de crise ainda&#8230;<\/p>\n<p><strong>William Waack: <\/strong>N\u00f3s temos mais 15 segundos, candidata.<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>T\u00e1. N\u00f3s hoje somos mais importadores de bens de capital e bens intermedi\u00e1rios que elevam a taxa de investimento. Eu acredito que o Brasil est\u00e1 convergindo para taxas de juros internacionais, porque eu acredito&#8230;.<br \/>\n<strong><br \/>\nChristiane Pelajo: <\/strong>Candidata, o nosso tempo encerrou&#8230;<\/p>\n<p><strong>Dilma Rousseff: <\/strong>Que n\u00f3s vamos reduzir a d\u00edvida. E a\u00ed o Brasil cresce.<\/p>\n<p><strong>Christiane Pelajo:<\/strong> Candidata, muito obrigada pela presen\u00e7a da senhora aqui com a gente no Jornal da Globo.<\/p>\n<p><strong>William Waack: <\/strong>Obrigado.<\/p>\n<p><strong>Christiane Pelajo: <\/strong>Amanh\u00e3 a gente volta com mais um candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Jos\u00e9 Serra, do PSDB.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do G1, em S\u00e3o Paulo A candidata do PT \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Dilma Rousseff, foi\u00a0 entrevistada na edi\u00e7\u00e3o desta segunda-feira (30) do Jornal da Globo pelos apresentadores William Waack e Christiane Pelajo. O candidato Jos\u00e9 Serra (PSDB) ser\u00e1 o entrevistado da edi\u00e7\u00e3o de ter\u00e7a (31) e a candidata Marina Silva (PV) estar\u00e1 na de quarta (1\u00ba). A ordem das entrevistas foi definida em sorteio. A entrevista tem dura\u00e7\u00e3o de 20 minutos e foi dividida em dois blocos. Veja abaixo a \u00edntegra de cada bloco, em v\u00eddeo, e leia a transcri\u00e7\u00e3o das perguntas e respostas: William Waack: Boa noite. 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