{"id":17759,"date":"2010-08-23T10:44:29","date_gmt":"2010-08-23T13:44:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=17759"},"modified":"2010-08-23T10:44:29","modified_gmt":"2010-08-23T13:44:29","slug":"conheca-a-realidade-por-tras-dos-numeros-que-avaliam-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/08\/23\/conheca-a-realidade-por-tras-dos-numeros-que-avaliam-a-educacao\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a a realidade por tr\u00e1s dos n\u00fameros que avaliam a educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>IG<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Falta espa\u00e7o na casa de quatro c\u00f4modos pequenos onde Wellington Borges da Silva, de 11 anos, vive com os pais e mais dois irm\u00e3os. Os livros did\u00e1ticos que recebe da escola ficam empilhados em um cantinho, junto com o \u00fanico caderno, ao lado do guarda-roupas, no quarto que divide com os irm\u00e3os.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.ig.com\/fw\/da\/mq\/1w\/damq1wmsau1lly8l8isfyh4em.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div><a title=\"Wellington Borges da Silva, de 11 anos, estuda na cozinha, em p\u00e9, em Apuarema, na Bahia\" rel=\"lightbox-foto\" href=\"http:\/\/i0.ig.com\/fw\/ev\/ga\/g5\/evgag5vhbx24klpnhdba1q9c0.jpg\"><\/a><\/p>\n<div><cite>Foto: Robson Mendes<\/cite><\/div>\n<div>\n<p>Wellington Borges da Silva, de 11 anos, estuda na cozinha, em p\u00e9, em Apuarema, na Bahia<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Wellington faz as tarefas da escola em p\u00e9, na mesa da cozinha, onde n\u00e3o h\u00e1 cadeiras. A fam\u00edlia n\u00e3o possui livros de literatura, nem l\u00e1pis de cor ou giz de cera. Ele carrega o l\u00e1pis, a caneta e a borracha no bolso. N\u00e3o tem mochila ou estojo.<\/p>\n<p>O pai de Wellington tenta, mas n\u00e3o pode ajudar muito o menino porque s\u00f3 estudou at\u00e9 a 5\u00aa s\u00e9rie do ensino fundamental. Avisa todos os dias aos filhos que s\u00f3 o estudo pode mudar a dura vida da fam\u00edlia, que ainda sonha com a casa pr\u00f3pria.<!--more--><\/p>\n<p>A realidade de Wellington, que mora em\u00a0Apuarema, no interior da Bahia, se assemelha \u00e0 de centenas de crian\u00e7as da cidade (e do Pa\u00eds). N\u00e3o aparece nos n\u00fameros que medem a qualidade da educa\u00e7\u00e3o nacional e suas complica\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram suficientes para faz\u00ea-lo desistir de estudar. Pelo menos, por enquanto.<\/p>\n<p>Em busca de conhecer os fatos que as estat\u00edsticas dificilmente conseguem medir e de respostas que justifiquem o sucesso e o fracasso de escolas e munic\u00edpios no processo educacional, o iG percorreu, no in\u00edcio do m\u00eas, mais de 1.000 quil\u00f4metros pela Bahia, o Estado que amarga algumas das notas mais baixas do Brasil no \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Ideb). Conversou com professores, diretores, gestores, pais e alunos de quatro munic\u00edpios. Em um deles, fez a visita acompanhado da pedagoga M\u00f4nica Samia, que coordenou duas pesquisas do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) sobre o Ideb desde 2007. As descobertas desta viagem ser\u00e3o publicadas, de hoje at\u00e9 sexta-feira, em s\u00e9rie de reportagens que desvenda a realidade por tr\u00e1s dos n\u00fameros da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O Ideb<\/strong><\/p>\n<p>Em 2007, o MEC criou a avalia\u00e7\u00e3o com a pretens\u00e3o de medir a qualidade da educa\u00e7\u00e3o brasileira a partir de notas em provas de portugu\u00eas e matem\u00e1tica \u2013 a Prova Brasil \u2013 e da quantidade de alunos aprovados em cada s\u00e9rie.<\/p>\n<div><a title=\"Entre os piores desempenhos do ensino brasileiro, munic\u00edpio de Dario Pereira tem nota mais alta: 2,2\" rel=\"lightbox-foto\" href=\"http:\/\/i0.ig.com\/fw\/aq\/mn\/4c\/aqmn4cnbkwueb3o2mp11y1l6n.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.ig.com\/fw\/dt\/zi\/jl\/dtzijls4uxn2rqfcfwyzuumkt.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<div><cite>Foto: Robson Mendes<\/cite><\/div>\n<div>\n<p>Entre os piores desempenhos do ensino brasileiro, munic\u00edpio de Dario Pereira tem nota mais alta: 2,2<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A partir dos resultados, criou metas para cada escola, rede, munic\u00edpio, Estado e para o Pa\u00eds. Cada institui\u00e7\u00e3o ou rede tem uma nota a ser atingida, elaborada de acordo com os pr\u00f3prios desafios. Em 2022, o objetivo \u00e9 que as escolas das s\u00e9ries iniciais do ensino fundamental (1\u00aa a 4\u00aa) cheguem \u00e0 nota 6, patamar equivalente ao desempenho de pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>Com base nas metas individuais, o MEC formulou pol\u00edticas para ajudar as redes a atingirem notas melhores. Aos poucos, o impacto do Ideb provoca mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Entre as 11 cidades com as cinco piores notas nas s\u00e9ries iniciais da rede p\u00fablica (h\u00e1 alguns empates), seis s\u00e3o baianas. Apuarema, a cidade de Wellington, aparece na lista divulgada pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o em julho com a pior nota do Brasil, de 0,5, em uma escala de 0 a 10.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, est\u00e3o os munic\u00edpios de Pedro Alexandre (2,0), Manoel Vitorino e Nilo Pe\u00e7anha (2,1), e, por fim, D\u00e1rio Meira e Pil\u00e3o Arcado (2,2), todos com notas bem abaixo da m\u00e9dia nacional para a etapa, que ficou em 4,6 pontos, e insuficientes para atingir as pr\u00f3prias metas (<a href=\"http:\/\/i0.ig.com\/educacao\/ideb\/Idebmunicipios4serie.xls\">veja lista completa<\/a>).<\/p>\n<p>Nas s\u00e9ries finais (5\u00aa a 8\u00aa), o cen\u00e1rio se repete: 13 munic\u00edpios re\u00fanem as piores notas, todas com menos de dois pontos no \u00edndice \u2013 a m\u00e9dia nacional foi 4,00. Deles, cinco est\u00e3o na Bahia. Itapitanga, Itatim e Jussari ficaram com 1,8. Aramari e Ibirataia, 1,9. (<a href=\"http:\/\/i0.ig.com\/educacao\/ideb\/Idebmunicipios8serie.xls\">a lista completa<\/a>)<\/p>\n<p><strong>A viagem<\/strong><\/p>\n<div><a title=\"Pedagoga M\u00f4nica Samia acompanhou iG em Jussari. Na foto, ouve a professora Nair Barreto\" rel=\"lightbox-foto\" href=\"http:\/\/i0.ig.com\/fw\/bq\/xk\/2y\/bqxk2y50q9niwkq4j05xwzx4m.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.ig.com\/fw\/cz\/2u\/gu\/cz2uguxz0vopj0vnb0k2cjcg1.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<div><cite>Foto: Robson Mendes<\/cite><\/div>\n<div>\n<p>Pedagoga M\u00f4nica Samia acompanhou iG em Jussari. Na foto, ouve a professora Nair Barreto<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A reportagem do iG visitou alguns destes munic\u00edpios que carregam o peso de serem taxados como os \u201cpiores do Pa\u00eds\u201d na 4\u00aa s\u00e9rie. Al\u00e9m de Apuarema, a equipe tamb\u00e9m foi a D\u00e1rio Meira. Entre os \u201cpiores\u201d, \u00e9 um dos que tem a nota mais alta. Os conceitos dos dois munic\u00edpios parecem distantes (0,5 e 2,2), mas a realidade n\u00e3o \u00e9. Ambos t\u00eam dificuldades em comum.<\/p>\n<p>Com a pedagoga M\u00f4nica, que mora em Salvador h\u00e1 mais de 15 anos e acompanha de perto as mudan\u00e7as que o Ideb provoca nas cidades, visitou as escolas p\u00fablicas de Jussari, um dos munic\u00edpios com nota mais baixa nas s\u00e9ries finais. A educadora ajudou a identificar o que impede a melhoria do ensino e quais estrat\u00e9gias podem garantir a aprendizagem dos alunos.<\/p>\n<p><strong>Os desafios<\/strong><\/p>\n<p>A s\u00e9rie de reportagens que ser\u00e1 publicada pelo iG vai mostrar que a escola sozinha n\u00e3o conseguir\u00e1 transpor os obst\u00e1culos ao direito de aprender, que \u00e9 de todos os estudantes brasileiros. H\u00e1 problemas que extrapolam as paredes das salas de aula e interferem diretamente neste processo.<\/p>\n<p>Faltam empregos, oportunidades e infra-estrutura adequada nestes munic\u00edpios. Muitas fam\u00edlias se sustentam com o Bolsa Fam\u00edlia, aposentadoria de algum parente ou s\u00e3o funcion\u00e1rios da prefeitura. As disputas pol\u00edticas ainda chegam \u00e0s escolas e prejudicam os alunos.<\/p>\n<p>A falta de espa\u00e7o f\u00edsico faz com que a maioria das escolas n\u00e3o tenha biblioteca, quadras de esporte e laborat\u00f3rios. Os professores, cujos sal\u00e1rios s\u00e3o baixos, n\u00e3o t\u00eam programas de forma\u00e7\u00e3o continuada estruturados. Eles pr\u00f3prios carregam defici\u00eancias de forma\u00e7\u00e3o de quando eram pequenos estudantes.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que h\u00e1 quem j\u00e1 promova reviravoltas. A s\u00e9rie vai mostrar como Boa Vista do Tupim, tamb\u00e9m na Bahia, saltou do Ideb 2,2 em 2005 para 5,8 em 2009. H\u00e1 problemas semelhantes aos dos outros munic\u00edpios por l\u00e1, mas uma premissa b\u00e1sica se tornou prioridade: o direito de aprender.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IG Falta espa\u00e7o na casa de quatro c\u00f4modos pequenos onde Wellington Borges da Silva, de 11 anos, vive com os pais e mais dois irm\u00e3os. Os livros did\u00e1ticos que recebe da escola ficam empilhados em um cantinho, junto com o \u00fanico caderno, ao lado do guarda-roupas, no quarto que divide com os irm\u00e3os. Foto: Robson Mendes Wellington Borges da Silva, de 11 anos, estuda na cozinha, em p\u00e9, em Apuarema, na Bahia Wellington faz as tarefas da escola em p\u00e9, na mesa da cozinha, onde n\u00e3o h\u00e1 cadeiras. 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