{"id":17742,"date":"2010-08-23T08:04:11","date_gmt":"2010-08-23T11:04:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=17742"},"modified":"2010-08-23T08:04:11","modified_gmt":"2010-08-23T11:04:11","slug":"serra-despenca-e-o-culpado-e-o-programa-de-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/08\/23\/serra-despenca-e-o-culpado-e-o-programa-de-tv\/","title":{"rendered":"Serra despenca, e o culpado \u00e9 o programa de TV"},"content":{"rendered":"<p>No in\u00edcio da tarde da quarta-feira (18), no teatro TUCA, em S\u00e3o Paulo, logo depois do final do debate UOL\/Folha de S\u00e3o Paulo com os candidatos \u00e0 Presid\u00eancia, o presidente do PSDB, senador S\u00e9rgio Guerra (PE), esquivava-se com um sorriso educado de perguntas sobre dois temas. O primeiro: por que ele, vestido com uma jaqueta de couro preta e uma camisa esportiva rosa, era o \u00fanico pol\u00edtico ali que n\u00e3o estava de palet\u00f3 e gravata? O que tinha achado do programa eleitoral de Serra, iniciado um dia antes, com refer\u00eancias ao presidente Lula e o candidato chamado de \u201cZ\u00e9\u201d, em frente a uma favela de mentira, desenhada virtualmente?<!--more--><\/p>\n<p>\u00c0 primeira pergunta, ele explicava que tinha ido para S\u00e3o Paulo participar de reuni\u00f5es com a c\u00fapula da campanha de Serra que foram se estendendo al\u00e9m do previsto. Resultado: n\u00e3o tinha mais camisas sociais limpas. Para a segunda, a esquivada era total: \u201cN\u00e3o vi o programa. Ficou ruim essa favela, \u00e9? Vamos ter que ver\u201d.<\/p>\n<p>O que S\u00e9rgio Guerra evitava dizer \u00e9 que mesmo ali, rec\u00e9m iniciado o hor\u00e1rio eleitoral, j\u00e1 come\u00e7avam as primeiras avalia\u00e7\u00f5es que apontavam para a desconfian\u00e7a de que a campanha do candidato do PSDB tinha errado feio na concep\u00e7\u00e3o dos programas de TV. O mau desempenho de Serra esticava as reuni\u00f5es de c\u00fapula, que mantinham S\u00e9rgio Guerra, mesmo sem roupas limpas, em S\u00e3o Paulo. E as cr\u00edticas s\u00f3 cresceram nos bastidores ao longo da semana. E\u00a0 come\u00e7aram a se explicitar, ainda que de forma t\u00edmida, depois de divulgada no s\u00e1bado (21) a \u00faltima rodada da pesquisa Datafolha, que mostra a candidata do PT, Dilma Rousseff, 17 pontos na frente. Se as elei\u00e7\u00f5es fossem hoje, segundo o Datafolha, Dilma detonaria Serra ainda no primeiro turno.<\/p>\n<p>A favela virtual do programa parece ser o s\u00edmbolo m\u00e1ximo do artificialismo do programa de Serra. Afinal, o que \u00e9 o candidato que se apresenta? O que ele deseja? Por que se apresenta como \u201cZ\u00e9\u201d se a vida inteira foi Serra? Se \u00e9 de oposi\u00e7\u00e3o, por que usa parte de seu programa para mostrar pontos de contato com o presidente Lula? Por que evita tanto atacar o atual governo?<\/p>\n<p>Por enquanto, a maioria dos envolvidos na campanha de Serra evita fazer explicitamente cr\u00edticas ao programa de TV. Mas pol\u00edticos ouvidos pelo <strong>Congresso em Foco<\/strong> ponderam que ele deveria ser mais agressivo. Em um momento anterior da campanha, quando Serra liderava as pesquisas, havia um contingente grande do eleitorado que ainda n\u00e3o conhecia Dilma e que, portanto, n\u00e3o a associava com o presidente que tem mais de 80% de popularidade. Naquela \u00e9poca, era correto Serra n\u00e3o polemizar com Lula: ganhava pelo desconhecimento que se tinha de Dilma, ganhava por ser um nome mais conhecido e ganhava n\u00e3o se desgastando com um presidente popular. Mas agora, Dilma \u00e9 cada vez mais conhecida pelo eleitorado como \u201ca mulher do Lula\u201d. \u201cSe o eleitor sabe que ela \u00e9 a mulher do Lula, ent\u00e3o n\u00f3s temos que nos apresentar muito claramente como sendo uma candidatura que se op\u00f5e ao atual governo. Do contr\u00e1rio, n\u00e3o vamos fazer sentido na cabe\u00e7a do eleitorado\u201d, avalia um deputado do DEM.<\/p>\n<p>Para esse pol\u00edtico, o marketing de Serra organizou-se para uma situa\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o da vantagem de Serra, um quadro que era verdadeiro h\u00e1 cerca de quatro meses. Mas Dilma ultrapassou o candidato do PSDB numa velocidade inesperada, e vem consolidando uma vantagem grande numa rapidez que os articuladores da campanha tucana tamb\u00e9m n\u00e3o previam. Havia um par\u00e2metro nos quais os tucanos e os demistas acreditavam fortemente: mesmo o pr\u00f3prio Lula, na disputa com Geraldo Alckmin em 2006, n\u00e3o conseguira ganhar no primeiro turno. N\u00e3o parecia poss\u00edvel que ele tivesse agora uma capacidade de transfer\u00eancia de votos maior do que a pr\u00f3pria vota\u00e7\u00e3o que obtivera. E Serra, acreditavam, era um candidato mais forte que Alckmin.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que a popularidade de Lula n\u00e3o parou de subir. E, avaliam alguns na campanha do PSDB, n\u00e3o houve agilidade para se compreender que essa situa\u00e7\u00e3o exigia uma postura mais agressiva. Serra, considera esse grupo da campanha, precisa ir para o tudo ou nada.<\/p>\n<p><strong>Franco-atirador<\/strong><\/p>\n<p>Como n\u00e3o disputa cargo nenhum, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, virou uma esp\u00e9cie de franco-atirador, que diz claramente o que outros pensam nos bastidores. Os coment\u00e1rios que tem postado em seu blog nos \u00faltimos dias t\u00eam apoio especialmente no DEM, mas tamb\u00e9m em parte do PSDB e do PPS, outros partidos da alian\u00e7a de Serra. No s\u00e1bado (21), ap\u00f3s a pesquisa do Datafolha, ele comentava: \u201cA luz vermelha pisca sem parar no n\u00facleo de marquetagem de Serra, no entanto, o notici\u00e1rio \u00e9 que vai manter a mesma estrat\u00e9gia at\u00e9 a Semana da P\u00e1tria. Esse pessoal \u00e9 mesmo uma p\u00e9rola\u201d.<\/p>\n<p>Em seguida, Jefferson acrescentava-se: \u201cRevive-se o drama da candidatura de Alckmin em 2006: enquanto tantos clamavam por mudan\u00e7as na TV, dia ap\u00f3s dia, no final nada veio. E, no desespero, o tucano enfim partiu para cima de Lula em um debate na TV, deixando-nos perplexos mas esperan\u00e7osos. N\u00e3o funcionou. O eleitor n\u00e3o aprovou: perdeu-se o timing\u201d.<\/p>\n<p>Evitar campanhas mais agressivas \u00e9 uma caracter\u00edstica do marqueteiro Luiz Gonz\u00e1lez, respons\u00e1vel tanto pela campanha de Alckmin em 2006 quanto da de Serra agora. Os que o criticam acham \u00e9 que a sua ideia de fazer programas mais d\u00f3ceis, apostando no alto astral, pode funcionar com candidatos que est\u00e3o em vantagem (e, acrescentam, com candidatos que est\u00e3o em vantagem qualquer coisa costuma funcionar). Se o candidato precisa, por\u00e9m, reverter situa\u00e7\u00f5es de desvantagem, ele precisa aparecer como contraponto de forma mais contundente. E \u00e9 isso o que estaria faltando, avalia Jefferson e os que criticam Gonz\u00e1lez, nos atuais programas.<\/p>\n<p>De um total de 270 pessoas que trabalham na estrutura de comunica\u00e7\u00e3o da campanha de Serra, nada menos que 140 est\u00e3o na equipe de televis\u00e3o. Sinal do valor que se d\u00e1 para essa ferramenta como alavanca da campanha. A estrutura respons\u00e1vel pela propaganda eleitoral responde por um ter\u00e7o do or\u00e7amento previsto pela campanha tucana. Por isso \u00e9 que, agora, quando tudo d\u00e1 errado, atribui-se tanto os erros a essa mesma propaganda.<\/p>\n<p>O primeiro erro apontado est\u00e1 em chamar Serra, que \u00e9 assim conhecido desde que era presidente da UNE na d\u00e9cada de 60, de \u201cZ\u00e9\u201d. A ideia era tirar de Serra sua cara de professor e aproxim\u00e1-lo do povo, refor\u00e7ando sua origem humilde, de filho de comerciante de frutas e legumes no mercado de S\u00e3o Paulo. Ocorre que ningu\u00e9m chama Serra de \u201cZ\u00e9\u201d. Cham\u00e1-lo assim agora, criticam, \u00e9 t\u00e3o artificial quanto a favela que apareceu no programa. Por que uma favela de mentira? Serra n\u00e3o tem coragem de gravar o programa numa de verdade? Ainda que seja verdadeiro que Serra e Lula estiveram do mesmo lado em v\u00e1rios momentos, refor\u00e7ar essa fato agora, dizem os cr\u00edticos do programa, n\u00e3o faz sentido se Serra \u00e9 o candidato da oposi\u00e7\u00e3o. Os eleitores j\u00e1 sabem quem \u00e9 a candidata do presidente.<\/p>\n<p>As cr\u00edticas ao programa come\u00e7am a sair dos bastidores. No domingo, o senador Arthur Virg\u00edlio, candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o no Amazonas, tamb\u00e9m criticou a estrutura centralizada do programa de Serra, pouco perme\u00e1vel a sugest\u00f5es e cr\u00edticas.<\/p>\n<p>Por enquanto, como comentou e criticou Roberto Jefferson em seu blog, a inten\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis \u00e9 manter o mesmo tom para os programas de Serra, apesar das reclama\u00e7\u00f5es, at\u00e9 o feriado de 7 de setembro. Mas, no s\u00e1bado (21) \u00e0 noite, j\u00e1 houve um primeiro esbo\u00e7o de postura mais agressiva. Num ap\u00eandice, ao final do programa, algo que nem parecia fazer parte do programa de Serra, foi ao ar uma cr\u00edtica mais dura a Dilma. Um locutor dizia que o Brasil perfeito que aparecia nos programas da candidata do PT n\u00e3o correspondia \u00e0 realidade. Que aquela n\u00e3o era a verdadeira situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade ou da educa\u00e7\u00e3o brasileiras. E dirigia-se ao eleitor dizendo que ele sabia disso. Na campanha, os que esperam mais agressividade torcem para que seja s\u00f3 o come\u00e7o. Mas, como comenta Jefferson, rezam para que j\u00e1 n\u00e3o seja tarde demais.<\/p>\n<p><em>Do Congresso em Foco<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio da tarde da quarta-feira (18), no teatro TUCA, em S\u00e3o Paulo, logo depois do final do debate UOL\/Folha de S\u00e3o Paulo com os candidatos \u00e0 Presid\u00eancia, o presidente do PSDB, senador S\u00e9rgio Guerra (PE), esquivava-se com um sorriso educado de perguntas sobre dois temas. O primeiro: por que ele, vestido com uma jaqueta de couro preta e uma camisa esportiva rosa, era o \u00fanico pol\u00edtico ali que n\u00e3o estava de palet\u00f3 e gravata? O que tinha achado do programa eleitoral de Serra, iniciado um dia antes, com refer\u00eancias ao presidente Lula e o candidato chamado de \u201cZ\u00e9\u201d, em&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-17742","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":510,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17742"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17742\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17743,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17742\/revisions\/17743"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}