{"id":15452,"date":"2010-07-13T17:17:30","date_gmt":"2010-07-13T20:17:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=15452"},"modified":"2010-07-13T17:17:30","modified_gmt":"2010-07-13T20:17:30","slug":"poco-de-75-mil-metros-amplia-fronteira-do-pre-sal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/07\/13\/poco-de-75-mil-metros-amplia-fronteira-do-pre-sal\/","title":{"rendered":"Po\u00e7o de 7,5 mil metros amplia fronteira do pr\u00e9-sal"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia das empresas de ir cada vez mais fundo na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo pode levar o governo a ampliar o mapa do pr\u00e9-sal. Em perfura\u00e7\u00e3o recorde no Pa\u00eds, a Repsol est\u00e1 explorando um po\u00e7o com objetivo de atingir 7,5 mil metros de profundidade, numa \u00e1rea que ainda n\u00e3o \u00e9 considerada pr\u00e9-sal pela Uni\u00e3o, mas sim pela empresa espanhola e por especialistas do setor. Paralelamente, Shell, Anadarko e Petrobras fazem descobertas sob a camada de sal longe de Tupi, localizado na chamada picanha azul, na Bacia de Santos \u2013 onde todos os blocos j\u00e1 explorados apresentaram ind\u00edcios de hidrocarbonetos.<\/p>\n<p>\u00a0A Repsol aposta na exist\u00eancia de petr\u00f3leo abaixo de uma camada de sal que, segundo uma fonte do setor, pode superar 3 mil metros de espessura no bloco ES-T-737, localizado entre as bacias de Campos e Esp\u00edrito Santo. Detalhe: em Tupi e na maioria das \u00e1reas j\u00e1 conhecidas do pr\u00e9-sal, a camada de sal possui em m\u00e9dia dois mil metros. Antes de alcan\u00e7ar a espessa camada, a sonda Stena Drill Max, que est\u00e1 perfurando o bloco do Esp\u00edrito Santo, percorreu uma l\u00e2mina d\u00e1gua de 2.160 metros e atravessou um trecho de quase dois quil\u00f4metros de sedimentos e rochas marinhas na camada do p\u00f3s-sal.<\/p>\n<p>A Repsol come\u00e7ou a perfurar o bloco em fevereiro, mas, com problemas mec\u00e2nicos (natural para tamanha profundidade), teve de interromper a atividade e reinici\u00e1-la em outro po\u00e7o. O objetivo deve ser atingido at\u00e9 agosto. O ES-T-737 fica entre as bacias de Campos e Esp\u00edrito Santo, a cerca de 87 quil\u00f4metros ao nordeste de Jubarte, campo com reservas abaixo da camada de sal localizado ao Sul do Esp\u00edrito Santo, pr\u00f3ximo ao limite do que atualmente \u00e9 considerado pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Combust\u00edveis Renov\u00e1veis do Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME), Marco Ant\u00f4nio Martins Almeida, admitiu ao <strong>iG<\/strong> que um resultado positivo da Repsol no bloco ES-M-737 pode fazer o governo mudar o mapa do pr\u00e9-sal. O pol\u00edgono do pr\u00e9-sal &#8211; a \u00e1rea sob concess\u00e3o considerada at\u00e9 ent\u00e3o como tal &#8211; vai do Norte de Santa Catarina ao Sul do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Se ocorrerem, as mudan\u00e7as no mapa do pr\u00e9-sal n\u00e3o v\u00e3o interferir no direito de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o das \u00e1reas j\u00e1 licitadas, como o bloco da Repsol, mas podem ser consideradas pelo governo na hora de definir os futuros leil\u00f5es de petr\u00f3leo. O projeto de lei que prev\u00ea o regime de partilha n\u00e3o mapeia os blocos que ser\u00e3o regidos pelo novo modelo. O governo vai escolher \u00e1reas de elevado potencial no pr\u00e9-sal e consideradas estrat\u00e9gicas para os leil\u00f5es de partilha, pelo qual a Petrobras ser\u00e1 operadora \u00fanica e as empresas privadas poder\u00e3o entrar como s\u00f3cias, v\u00e3o concentrar as melhores \u00e1reas do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.ig.com\/fw\/3x\/16\/0w\/3x160woqo8i95ormxtx7t8vam.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div>\n<div><cite>Foto: Arte iG<\/cite><\/div>\n<div>\n<p>Resultado positivo da Repsol no bloco ES-M-737 pode fazer o governo mudar o mapa do pr\u00e9-sal<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more-->O bloco da Repsol est\u00e1 pr\u00f3ximo a uma \u00e1rea onde a Petrobras j\u00e1 descobriu petr\u00f3leo, o que alimenta as chances de a companhia ser bem-sucedida na empreitada de perfurar um po\u00e7o de 7,5 mil metros. A descoberta da Petrobras naquela regi\u00e3o, no bloco ES-M-590, foi comunicada \u00e0 Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP) em abril do ano passado. A profundidade do po\u00e7o chegou a 6.375 mil metros no bloco, que tamb\u00e9m tem &#8220;jeito de pr\u00e9-sal&#8221;, conforme define um especialista.<\/p>\n<p><strong>Bahia, Sergipe e Amaz\u00f4nia <\/strong><\/p>\n<p>Ainda mais longe dos limites do pol\u00edgono do pr\u00e9-sal, a Petrobras tamb\u00e9m estaria tentando encontrar petr\u00f3leo abaixo do sal na Bahia e no Sergipe. Procuradas, por\u00e9m, Repsol e Petrobras n\u00e3o confirmam as informa\u00e7\u00f5es. Na bacia do Jequitinhonha, a estatal perfurou o BM-J-3.<\/p>\n<p>Em Sergipe, a forma\u00e7\u00e3o sedimentar do campo produtor de Carm\u00f3polis leva ge\u00f3logos \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00e1reas adjacentes tamb\u00e9m podem guardar reservat\u00f3rios de petr\u00f3leo abaixo do sal, tal como a \u00e1rea que j\u00e1 produz. A Petrobras, segundo dados ANP, est\u00e1 perfurando o bloco SEAL-100, naquela bacia, com objetivo de alcan\u00e7ar uma profundidade de 3.462 mil metros. A espessura da camada de sal varia de regi\u00e3o para regi\u00e3o. Se em Tupi possui 2 mil metros e no bloco da Repsol pode passar de 3 mil, em Jubarte (ES) n\u00e3o chega a 800 metros.<\/p>\n<p>Ao lan\u00e7ar sua pr\u00f3pria empresa, no fim do ano passado, o ge\u00f3logo M\u00e1rcio Mello, um dos maiores especialistas em pr\u00e9-sal, apontou a exist\u00eancia de pr\u00e9-sal na Bacia de Solim\u00f5es, na Amaz\u00f4nia. A HRT Oil and Gas explora blocos na regi\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<h5>Leia tamb\u00e9m:<\/h5>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/empresas\/disputa+pelas+sondas+do+presal+provoca+guerra+entre+empresas\/n1237675213941.html\" target=\"_self\">Disputa por sondas provoca guerra entre empresas<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/poderonline\/2010\/07\/06\/e-o-pre-sal-na-camara-deve-ir-para-pos-eleicao\/\" target=\"_self\">O pr\u00e9-sal na C\u00e2mara deve ir para p\u00f3s-elei\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/eleicoes\/no+ceara+serra+nega+critica+a+divisao+de+royalties\/n1237710232335.html\" target=\"_self\">Serra nega cr\u00edtica \u00e0 divis\u00e3o de royalties<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O pol\u00edgono do pr\u00e9-sal foi desenhado com base em estudos geol\u00f3gicos, descobertas e s\u00edsmicas (uma esp\u00e9cie de ultrasonografia do subsolo) que mostram maior probalidade de exist\u00eancia de \u00f3leo sob a camada pr\u00e9-sal nesta regi\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras espalhadas pelo Pa\u00eds. Para especialistas ouvidos pelo <strong>iG<\/strong>, um detalhe esquecido pode explicar a ocorr\u00eancia de sal fora do tra\u00e7ado: a idade das rochas. &#8220;De Santa Catarina at\u00e9 a bacia de Sergipe e Alagoas, o tempo de deposi\u00e7\u00e3o sedimentar \u00e9 o mesmo, da ordem de 125 milh\u00f5es de anos&#8221;, conta um executivo do setor.<\/p>\n<p>Outro executivo, que j\u00e1 foi diretor da ANP, lembra que as novas tecnologias experimentadas pela ind\u00fastria petrol\u00edfera nesta d\u00e9cada, al\u00e9m dos elevados pre\u00e7os do petr\u00f3leo, estimularam as empresas a perfurar cada vez mais fundo &#8211; e consequentemente encontrar petr\u00f3leo em novas regi\u00f5es. S\u00edsmicas em terceira dimens\u00e3o, materiais mais resistentes, brocas maiores nas sondas fazem a diferen\u00e7a das atividades explorat\u00f3rias.<\/p>\n<p><strong>43 em 71 perfura\u00e7\u00f5es miram profundidade de 4 mil metros<\/strong><\/p>\n<p>A mudan\u00e7a \u00e9 radical: at\u00e9 o come\u00e7o da d\u00e9cada de 90, a Petrobras, ent\u00e3o monopolista do setor, mal atingia profundidade de 500 metros em atividades explorat\u00f3rias. Em julho deste ano, 43 perfura\u00e7\u00f5es de po\u00e7os comunicados \u00e0 ANP &#8211; num universo de 71 registros em po\u00e7os mar\u00edtimos &#8211; buscam objetivos superiores a 4 mil metros de extens\u00e3o. Muitas destas perfura\u00e7\u00f5es miram o pr\u00e9-sal, mas nem todas.<\/p>\n<p>A OGX, empresa de petr\u00f3leo de Eike Batista, perfura o C-M-620, entre as bacias de Campos e Santos, com previs\u00e3o de alcan\u00e7ar 4.125 metros. O bloco se localiza em regi\u00e3o que pode abrigar \u00f3leo abaixo do sal. A empresa est\u00e1 perfurando outros blocos com objetivos que tamb\u00e9m podem ar pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>A americana Devon, que est\u00e1 tentando vender seus ativos para a BP (segundo fontes ouvidas pelo <strong>iG<\/strong>, o processo foi postergado por causa do vazamento no Golfo do M\u00e9xico; a Devon nega), comunicou \u00e0 reguladora previs\u00e3o de atingir 5.399 metros no BM-C-8, no campo de Polvo, na Bacia de Campos. Mas a empresa explica que o tamanho do po\u00e7o n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com pr\u00e9-sal, mas sim com a maneira de perfurar a regi\u00e3o. Em vez de po\u00e7os verticais, s\u00e3o realizado po\u00e7os horizontais, para aumentar a produtividade do campo. Adotada por outras empresas, a pr\u00e1tica engrossa a lista de po\u00e7os aparentemente profundos. N\u00e3o \u00e9 o caso da companhia americana Anadarko, que explora o BM-C-101 a profundidades da ordem de 5 mil a 6 mil metros e j\u00e1 realizou ali, ao norte da bacia de Campos, algumas descobertas no pr\u00e9-sal que resultaram no chamado projeto Wahoo.\u00a0<\/p>\n<div><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.ig.com\/fw\/ar\/vk\/c8\/arvkc8vvzw961xzv8ud0im2ho.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div><cite>Foto: Getty Images<\/cite><\/div>\n<div>\n<p>Shell encontrou ind\u00edcios de petr\u00f3leo no pr\u00e9-sal<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Na mesma regi\u00e3o, a Shell tamb\u00e9m comunicou \u00e0 reguladora a <a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/empresas\/industria\/shell+encontra+indicios+de+petroleo+no+presal+de+campos\/n1237687101640.html\">descoberta de \u00f3leo no pr\u00e9-sal<\/a>, em bloco que originou parte do Parque das Conchas, onde a empresa j\u00e1 produz \u00f3leo, mas acima da camada de sal.<\/p>\n<p>O po\u00e7o continua em avalia\u00e7\u00e3o para estimar volumes. Localizado em frente ao litoral capixaba, e est\u00e1 entre o complexo petrol\u00edfero Parque das Conchas, onde a Petrobras j\u00e1 produz petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal (no campo de Jubarte), e as descobertas do projeto Wahoo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na Bacia de Campos, bem longe de Tupi, a Petrobras vem realizando sucessivas descobertas de petr\u00f3leo sob os maiores campos produtores de petr\u00f3leo do Pa\u00eds. E todas no pr\u00e9-sal. A empresa comunicou nos \u00faltimos meses descobertas deste tipo nos campos de Marlim Leste, Caratinga, Albacora Leste e Barracuda. Trata-se de uma bacia abaixo de outra bacia, como j\u00e1 informaram algumas vezes executivos da estatal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro A estrat\u00e9gia das empresas de ir cada vez mais fundo na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo pode levar o governo a ampliar o mapa do pr\u00e9-sal. Em perfura\u00e7\u00e3o recorde no Pa\u00eds, a Repsol est\u00e1 explorando um po\u00e7o com objetivo de atingir 7,5 mil metros de profundidade, numa \u00e1rea que ainda n\u00e3o \u00e9 considerada pr\u00e9-sal pela Uni\u00e3o, mas sim pela empresa espanhola e por especialistas do setor. Paralelamente, Shell, Anadarko e Petrobras fazem descobertas sob a camada de sal longe de Tupi, localizado na chamada picanha azul, na Bacia de Santos \u2013 onde todos os blocos j\u00e1&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[468],"class_list":["post-15452","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-pre-sal"],"acf":[],"views":780,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15452","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15452"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15452\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15453,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15452\/revisions\/15453"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}