{"id":15298,"date":"2010-07-12T07:32:03","date_gmt":"2010-07-12T10:32:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=15298"},"modified":"2010-07-12T07:32:03","modified_gmt":"2010-07-12T10:32:03","slug":"pesquisador-norte-americano-desenvolve-projeto-inedito-que-reune-documentos-com-textos-e-narrativas-de-escravos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/07\/12\/pesquisador-norte-americano-desenvolve-projeto-inedito-que-reune-documentos-com-textos-e-narrativas-de-escravos-brasileiros\/","title":{"rendered":"Pesquisador norte-americano desenvolve projeto in\u00e9dito que re\u00fane documentos com textos e narrativas de escravos brasileiros"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>Ele conhece como poucos a obra de Guimar\u00e3es Rosa, inclusive desbravou as Gerais percorrendo todo o caminho do Grande Sert\u00e3o Veredas. Encenou pe\u00e7as cl\u00e1ssicas da dramaturgia brasileira, como Morte e vida severina, O pagador de promessas e Eles n\u00e3o usam black-tie e chegou a trabalhar ao lado de um dos papas das artes c\u00eanicas, Augusto Boal. Al\u00e9m disso, alfabetizou trabalhadores rurais no interior da Bahia, utilizando o m\u00e9todo do mestre Paulo Freire e se prepara agora para concluir um trabalho in\u00e9dito sobre os primeiros autores negros do pa\u00eds. \u00c9 um trabalho interessante e se torna ainda mais peculiar por um detalhe: o protagonista de todos esses feitos \u00e9 um norte-americano que vive no estado de Iowa, no Centro-Oeste dos Estados Unidos. Entretanto, \u00e9 um apaixonado pelo Brasil. Robert Krueger, 67 anos, esteve recentemente em Bras\u00edlia e recebeu o Correio para falar dessa pesquisa sobre narrativas e textos de escravos brasileiros.<!--more--><br \/>\nTodo o trabalho come\u00e7ou h\u00e1 28 anos quando Robert, que \u00e9 um brasilianista (estrangeiro especialista em Brasil) e professor de portugu\u00eas e espanhol em universidades norte-americanas, resolveu desenvolver uma colet\u00e2nea com a mulher, Alida Bakuzis, tamb\u00e9m uma especialista em l\u00edngua hisp\u00e2nica e lusa, reunindo narrativas e textos de escravos brasileiros. Entre os destaques est\u00e3o documentos sobre uma santa negra e um outro datado de 1558 abordando a castidade de uma \u00edndia tamb\u00e9m escravizada.<br \/>\nEle lembra que j\u00e1 foram publicados escritos nesse sentido no Brasil, mas textos dispersos encontrados por historiadores e pesquisadores. \u201cUm historiador aqui, outro ali conseguiram alguma coisa nesse sentido e, na maioria das vezes, publicaram s\u00f3 fragmentos. N\u00f3s temos a \u00fanica colet\u00e2nea desse assunto e ainda temos a inten\u00e7\u00e3o de fazer uma antologia bil\u00edngue. Alguns documentos antigos foram realmente escritos pelos escravos, uma raridade, j\u00e1 que a maioria era analfabeta, outros s\u00e3o testamentos ou at\u00e9 testemunhos orais, inclusive, depoimentos colhidos, muitas vezes, sob tortura\u201d, revela.<br \/>\n<strong><br \/>\nRacismo<\/strong><br \/>\nA colet\u00e2nea vai se chamar Milh\u00f5es de vozes, umas p\u00e1ginas preciosas: As narrativas e textos dos escravos brasileiros e deve ser lan\u00e7ada ainda este ano. Robert conta que sempre lutou contra o racismo nos Estados Unidos, e que s\u00f3 no seu pa\u00eds existem cerca de 6 mil narrativas escravas. Dessa forma, sentia falta desse tipo de literatura no Brasil, at\u00e9 porque foi uma das na\u00e7\u00f5es que mais escravizaram no mundo. \u201cO Brasil teve escravos africanos como nenhum outro pa\u00eds. Percorremos arquivos p\u00fablicos de v\u00e1rios lugares, como em Lisboa (na Torre do Tombo), no Porto, em \u00c9vora, nos Estados Unidos, na Inglaterra e em v\u00e1rias cidades do Brasil, conseguimos documentos rar\u00edssimos. A gente transcreve e interpreta o documento porque, muitas vezes, alguns est\u00e3o at\u00e9 ileg\u00edveis\u201d, comenta o pesquisador.<br \/>\nAo todo, Robert e Alida conseguiram reunir aproximadamente 370 documentos, uma quantidade considerada pequena em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 de textos escravistas publicados nos Estados Unidos. Para o brasilianista, esse n\u00famero abaixo do esperado se deve a dois motivos: ao fato de a aboli\u00e7\u00e3o no Brasil ter sido tardia e devido ao catolicismo, que era a religi\u00e3o predominante entre os negros por aqui, n\u00e3o exigir que seus fi\u00e9is fossem alfabetizados.<em> <strong>\u201cNos EUA, o movimento abolicionista foi liderado por protestantes. No protestantismo, a autoridade \u00e9 um livro, a B\u00edblia. J\u00e1 no catolicismo, n\u00e3o. Para ser um bom protestante \u00e9 necess\u00e1rio saber ler. Por isso, a maioria dos abolicionistas norte-americanos era alfabetizada, porque eles eram protestantes. O oposto do Brasil\u201d<\/strong><\/em>, explica. E acrescenta: \u201cA segunda raz\u00e3o \u00e9 que a aboli\u00e7\u00e3o foi tardia, elitista e racista no Brasil. Os escravos n\u00e3o podiam participar das reuni\u00f5es do movimento abolicionista. Muitos negros queriam participar, mas foram exclu\u00eddos. Por isso se encontram t\u00e3o poucos registros\u201d.<\/p>\n<p>Chicotealma: Liberdade Escrava.<br \/>\nDramas dos escravos brasileiros. \u00a92009 Robert Krueger<\/p>\n<p>Correio Braziliense<\/p><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele conhece como poucos a obra de Guimar\u00e3es Rosa, inclusive desbravou as Gerais percorrendo todo o caminho do Grande Sert\u00e3o Veredas. Encenou pe\u00e7as cl\u00e1ssicas da dramaturgia brasileira, como Morte e vida severina, O pagador de promessas e Eles n\u00e3o usam black-tie e chegou a trabalhar ao lado de um dos papas das artes c\u00eanicas, Augusto Boal. Al\u00e9m disso, alfabetizou trabalhadores rurais no interior da Bahia, utilizando o m\u00e9todo do mestre Paulo Freire e se prepara agora para concluir um trabalho in\u00e9dito sobre os primeiros autores negros do pa\u00eds. \u00c9 um trabalho interessante e se torna ainda mais peculiar por um&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-15298","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":591,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15298"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15299,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15298\/revisions\/15299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}