{"id":13623,"date":"2010-06-21T08:20:27","date_gmt":"2010-06-21T11:20:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=13623"},"modified":"2010-06-21T08:20:27","modified_gmt":"2010-06-21T11:20:27","slug":"imigrantes-sao-excluidos-dos-beneficios-da-copa-na-africa-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/06\/21\/imigrantes-sao-excluidos-dos-beneficios-da-copa-na-africa-do-sul\/","title":{"rendered":"Imigrantes s\u00e3o exclu\u00eddos dos benef\u00edcios da Copa na \u00c1frica do Sul"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Vinicius Konchinski<br \/>\nEnviado especial\/ Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p><\/em><\/strong>Joanesburgo \u2013 Uma igreja no centro de Joanesburgo re\u00fane toda noite africanos que n\u00e3o t\u00eam o que comemorar com a Copa do Mundo. O pr\u00e9dio de seis andares, localizado em uma das regi\u00f5es mais perigosas da cidade, abriga diariamente cerca de 1,5 mil pessoas que, segundo elas mesmas, foram exclu\u00eddas dos benef\u00edcios trazidos pelo Mundial sediado pela \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>L\u00e1, todos os dias, imigrantes vindos de Mo\u00e7ambique, do Malawi, Qu\u00eania, de Ruanda e, principalmente, do Zimb\u00e1bue se encontram a partir das 18h. Assistem a um culto e, logo depois, se amontoam em sal\u00f5es, corredores, escadarias ou em qualquer canto em que possam dormir.<!--more--><\/p>\n<p>Passam ali a noite inteira, muitos deles deitados sobre peda\u00e7os de papel\u00e3o. Expostos a doen\u00e7as, assaltos, viol\u00eancia ou abusos, eles esperam por uma oportunidade que a primeira Copa realizada no Continente Africano ainda n\u00e3o os ofereceu.<\/p>\n<p>\u201cAqui, n\u00f3s dormimos com medo, vivemos com vergonha por causa de nossas crian\u00e7as\u201d, diz Mississe Owve, zimbabuana que dorme com seus filhos na Igreja Metodista Central todos os dias.<\/p>\n<p>Ela tem seis crian\u00e7as e nenhum emprego. Diz que, durante as noites na igreja, ela e seus filhos convivem com a prostitui\u00e7\u00e3o e o sexo. Contudo, ainda frequentam o local pois n\u00e3o t\u00eam outro lugar para dormir.<\/p>\n<p>David Ljekesa tamb\u00e9m nasceu no Zimb\u00e1bue. Caminhou duas semanas para chegar a Joanesburgo e, desde ent\u00e3o, dorme na igreja. \u201cAqui n\u00e3o \u00e9 bom, mas \u00e9 melhor que l\u00e1\u201d, diz ele, lembrando da probreza em que viveu em sua terra natal.<\/p>\n<p>Segundo o bispo Paul Verry, respons\u00e1vel pela igreja, os imigrantes que dormem no local, em sua maioria, n\u00e3o t\u00eam autoriza\u00e7\u00e3o para trabalhar na \u00c1frica do Sul. Apesar de poderem entrar legalmente no pa\u00eds, sofrem com restri\u00e7\u00f5es ao tentar tirar seu visto de trabalho. Por isso, dependem de ajuda.<\/p>\n<p>Ele admite que o local n\u00e3o tem estrutura para receber os imigrantes. Por\u00e9m, complementa: \u201cPara onde \u00e9 que eles v\u00e3o? Vivemos um dilema. Ou eles ficam na igreja expostos a todos os problemas que existem aqui ou ficam na rua, com todos os problemas que a rua tem\u201d.<\/p>\n<p>Givemore Nhidza, presidente da Funda\u00e7\u00e3o para os Zimbabuanos na \u00c1frica do Sul, tamb\u00e9m considera as noites na igreja um mal necess\u00e1rio para muitos imigrantes. Ele, que tamb\u00e9m frequenta o local, diz estar orgulhoso pelo fato de a \u00c1frica do Sul sediar um evento como a Copa do Mundo. Contudo, se diz triste por este mesmo evento n\u00e3o contribuir em nada com a vida dele e de outros. &#8220;Fico feliz pela \u00c1frica, mas a Copa n\u00e3o me ajuda em nada&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vinicius Konchinski Enviado especial\/ Ag\u00eancia Brasil Joanesburgo \u2013 Uma igreja no centro de Joanesburgo re\u00fane toda noite africanos que n\u00e3o t\u00eam o que comemorar com a Copa do Mundo. 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