{"id":1333,"date":"2010-02-27T19:46:08","date_gmt":"2010-02-27T22:46:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=1333"},"modified":"2010-02-27T19:46:08","modified_gmt":"2010-02-27T22:46:08","slug":"nas-revistas-novidades-no-mensalao-do-pt-ameaca-atrapalhar-candidatura-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/02\/27\/nas-revistas-novidades-no-mensalao-do-pt-ameaca-atrapalhar-candidatura-dilma\/","title":{"rendered":"Nas revistas: Novidades no mensal\u00e3o do PT amea\u00e7a atrapalhar candidatura Dilma"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Isto \u00e9<\/em><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" title=\"dilma\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_tUKTtVGJXbM\/StclcdiLtiI\/AAAAAAAADDo\/n2eFnGU8DhU\/s400\/1Ministra-chefe+da+Casa+Civil,+Dilma+Rousseff,+em+foto+de+arquivo,+prestar%C3%A1+depoimento+no+pr%C3%B3ximo+dia+20+no+caso+do+mensal%C3%A3o.+..jpg\" alt=\"\" width=\"194\" height=\"240\" \/>O processo que investiga o Mensal\u00e3o do PT no Supremo Tribunal Federal (STF) tem 69 mil p\u00e1ginas. S\u00e3o 147 volumes e 173 apensos. Entre os documentos, h\u00e1 50 depoimentos in\u00e9ditos colhidos pela Justi\u00e7a Federal em todo o Pa\u00eds ao longo de 2008 e 2009, laudos sigilosos da Pol\u00edcia Federal, relat\u00f3rios reservados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), pareceres da Receita Federal e outras representa\u00e7\u00f5es criminais que tramitam sob segredo de Justi\u00e7a em v\u00e1rios Estados. O calhama\u00e7o faz a mais ampla e fiel radiografia do maior esquema de corrup\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. Tudo isso, at\u00e9 hoje, estava sob sigilo de Justi\u00e7a. Agora n\u00e3o mais. ISTO\u00c9 teve acesso a todos esses documentos.<\/p>\n<p>O conte\u00fado empresta ainda mais gravidade ao esc\u00e2ndalo. Al\u00e9m de lan\u00e7ar luz sobre novos personagens \u2013 at\u00e9 aqui eram 40 r\u00e9us \u2013, a investiga\u00e7\u00e3o derruba a vers\u00e3o de que o dinheiro p\u00fablico estava ileso do esquema de caixa 2 do PT. Chegou-se a levantar essa hip\u00f3tese durante a CPI, mas n\u00e3o havia provas. Agora, os novos documentos e testemunhas asseguram a origem estatal dos recursos. Essas novas provas tamb\u00e9m jogam por terra a desculpa petista de que tudo foi feito para pagar despesas de campanha. N\u00e3o. Diante de ju\u00edzes e procuradores, testemunhas contaram em detalhes como atividades privadas de interesse partid\u00e1rio foram custeadas com as mesmas notas de d\u00f3lares, euros e reais que circularam em cuecas e malas e ainda compravam apoios no Congresso.<!--more--><\/p>\n<p>S\u00e3o esses documentos que o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do Mensal\u00e3o, usar\u00e1 para emitir seu julgamento. A leitura do processo que corre no STF evidencia que o Mensal\u00e3o do PT \u00e9 um cad\u00e1ver ainda insepulto, capaz de provocar intemp\u00e9ries na corrida eleitoral. Parte da nova documenta\u00e7\u00e3o analisada pelo Supremo atinge diretamente um importante dirigente petista que havia permanecido inc\u00f3lume durante todo o esc\u00e2ndalo do Mensal\u00e3o e que s\u00f3 agora tem seu nome envolvido na rede de corrup\u00e7\u00e3o. Trata-se do atual coordenador da campanha presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ex-prefeito de Belo Horizonte (2005-2008), Fernando Pimentel.<\/p>\n<p>No processo 2008.38.00.012837-8, que investiga os crimes de lavagem de dinheiro e evas\u00e3o de divisas e tramita sob sigilo na 4\u00aa Vara da Justi\u00e7a Federal em Minas Gerais e agora foi anexado ao caso do STF, ele \u00e9 apontado como um dos operadores da remessa ilegal de recursos para o Exterior, depois usados para pagamentos de d\u00edvidas do PT com o publicit\u00e1rio Duda Mendon\u00e7a. Nesse processo, o procurador da Rep\u00fablica Patrick Salgado Martins mostra as rela\u00e7\u00f5es de Pimentel com o empres\u00e1rio Glauco Diniz Duarte e com o contador Alexandre Vianna de Aguilar. Ambos, segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, enviaram ilegalmente para os Estados Unidos cerca de US$ 80 milh\u00f5es. Parte desse dinheiro, como afirma o procurador, teria sido destinada \u00e0s contas de Duda Mendon\u00e7a, um dos personagens centrais do esc\u00e2ndalo do Mensal\u00e3o. Em 2005, depois que o caso se tornou p\u00fablico, o publicit\u00e1rio admitiu que mantinha uma conta com R$ 10 milh\u00f5es n\u00e3o declarados nos EUA, em nome da Dusseldorf Company. Foi dinheiro que o publicit\u00e1rio reconheceu ter recebido como pagamento de campanhas feitas para o PT.<\/p>\n<p><strong>O roteiro final do mensal\u00e3o &#8211; parte 2<\/strong><\/p>\n<p>Os novos documentos do processo no STF mostram que o caixa 2 do PT n\u00e3o foi usado apenas para o pagamento de d\u00edvidas de campanha, como sempre sustentaram o ex-tesoureiro do partido, Del\u00fabio Soares, e toda a c\u00fapula petista na tentativa de qualificar o caso como crime eleitoral, o que possibilitaria a aplica\u00e7\u00e3o de penas mais brandas contra eles. Em 9 de julho do ano passado, \u00e0s 14 horas, em depoimento prestado na 1\u00aa Vara Federal Criminal de Porto Alegre, o contador David Stival, membro da Executiva Regional do PT no Rio Grande do Sul, contou, que pelo menos uma boa quantia dos \u201crecursos n\u00e3o contabilizados pelo partido\u201d viajava livremente pelo Pa\u00eds at\u00e9 chegar a destinos improv\u00e1veis.<\/p>\n<p>Eles irrigaram, por exemplo, as contas banc\u00e1rias de fornecedores do F\u00f3rum Social Mundial, criado por movimentos de esquerda para fazer frente ao F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial de Davos, na Su\u00ed\u00e7a. No depoimento, Stival afirmou \u2013 numa posi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita entre os dirigentes do partido \u2013 ter usado esse dinheiro suspeito para pagar \u201cd\u00edvidas hist\u00f3ricas\u201d do F\u00f3rum, organizado pelo PT de Porto Alegre, que costuma ter o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva como a estrela maior. O depoimento de Stival \u00e9 bastante detalhista. Ele diz que, terminada a elei\u00e7\u00e3o de 2002, o PT ga\u00facho estava com uma s\u00e9rie de d\u00edvidas e que precisou recorrer \u00e0 dire\u00e7\u00e3o nacional do partido em busca de recursos. Afirmou que procurou o deputado Jos\u00e9 Genoino (SP), ent\u00e3o presidente do PT, e que foi apresentado ao secret\u00e1rio nacional de Finan\u00e7as, Del\u00fabio Soares. Uma surpresa esperava Stival no encontro com Del\u00fabio, que prometera lhe repassar R$ 1 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEle (Del\u00fabio) pediu para buscarmos o dinheiro, mas n\u00e3o nos disse que o dinheiro seria em cash e a gente ficamos (sic) preocupados com isso\u201d, relatou Stival. \u201cEle disse que teria que ser assim porque se tratava de um empr\u00e9stimo feito pela Dire\u00e7\u00e3o Nacional e que n\u00e3o poderia ser contabilizado. Disse que o empr\u00e9stimo era do Banco Rural ou do BMG, mas que n\u00f3s n\u00e3o poder\u00edamos contabilizar aquele dinheiro.\u201d O que seria uma solu\u00e7\u00e3o virou ent\u00e3o uma fonte de problemas, segundo a vers\u00e3o do dirigente do PT ga\u00facho, depois que ele desembarcou em Porto Alegre carregando uma mala com R$ 1 milh\u00e3o. \u201cN\u00e3o pod\u00edamos pagar as d\u00edvidas de campanha com aquele dinheiro. As d\u00edvidas estavam todas com notas a pagar, registradas na contabilidade oficial do partido\u201d, afirmou. Ainda diante do juiz, o dirigente regional do PT narrou o que foi feito do dinheiro. \u201cAcabamos pagando fornecedores de outras d\u00edvidas hist\u00f3ricas do F\u00f3rum Social Mundial, d\u00edvidas que n\u00e3o estavam na contabilidade oficial. O dinheiro nem entrou na sede do partido.\u201d<\/p>\n<p>Um dos principais desafios do ministro Joaquim Barbosa em rela\u00e7\u00e3o ao Mensal\u00e3o do PT \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o da origem dos recursos movimentados irregularmente. At\u00e9 agora, os principais envolvidos no esc\u00e2ndalo diziam que o caixa 2 petista n\u00e3o usava dinheiro p\u00fablico. Os novos depoimentos prestados \u00e0 Justi\u00e7a mostram que o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a Pol\u00edcia Federal podem ter raz\u00e3o quando afirmam que o \u201cn\u00facleo empresarial do Mensal\u00e3o, comandado pelo publicit\u00e1rio Marcos Val\u00e9rio, retirou dinheiro de \u00f3rg\u00e3os administrados pelo PT.\u201d<\/p>\n<p><strong>O roteiro final do mensal\u00e3o &#8211; parte 3<\/strong><\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o penal no STF traz depoimentos in\u00e9ditos de testemunhas que comprovam definitivamente grandes movimenta\u00e7\u00f5es de \u201cdinheiro n\u00e3o contabilizado\u201d, express\u00e3o usada pelo petista Del\u00fabio Soares para justificar o Mensal\u00e3o. Os testemunhos surpreendem, n\u00e3o apenas pelo seu valor jur\u00eddico, mas pela naturalidade com que os envolvidos tratam de uma quest\u00e3o criminal como se fosse algo rotineiro. Ex-presidente do Banco Popular do Brasil, Ivan Guimar\u00e3es confirmou na Justi\u00e7a Federal em S\u00e3o Paulo, no dia 27 de maio de 2009, que o PT movimentou dinheiro sujo. \u201cBoa parte da crise era devido a esses empr\u00e9stimos que n\u00e3o constaram da contabilidade, o caixa 2\u201d, disse Guimar\u00e3es, dando detalhes dos empr\u00e9stimos que o PT fez no Rural e no BMG. \u201cTomei conhecimento destes empr\u00e9stimos. Eu n\u00e3o me lembro o valor total, mas era algo superior a 40 milh\u00f5es (de reais).\u201d Guimar\u00e3es afirmou ter participado das reuni\u00f5es que escolheram a ag\u00eancia de Marcos Val\u00e9rio para trabalhar nas campanhas do Banco do Brasil, mas responsabilizou o conselho diretor e o ex-diretor Henrique Pizzolato.<\/p>\n<p>Pelos depoimentos, fica evidente que pr\u00e1ticas ilegais eram cotidianas nos escrit\u00f3rios dos partidos pol\u00edticos. Funcion\u00e1rios das legendas n\u00e3o se constrangem ao se declarar abertamente como laranjas do esquema. Coordenadora da campanha do PP em 2004 no Paran\u00e1 e secret\u00e1ria do ex-deputado Jos\u00e9 Janene (PP), Rosa Alice Valente confirmou \u00e0 Justi\u00e7a em 2009 que sua conta banc\u00e1ria foi utilizada pelo PP para receber dinheiro do PT nacional. O dinheiro chegava atrav\u00e9s da corretora B\u00f4nus Banval, que lavava o dinheiro do Mensal\u00e3o. \u201cO deputado me disse que foi feito um acordo entre o PT e o PP e que o Enivaldo Quadrado (ent\u00e3o dono da B\u00f4nus Banval) iria me ligar e da\u00ed iria passar na minha conta pra mim (sic) repassar\u201d, disse Rosa. Entre casos j\u00e1 conhecidos e outros s\u00f3 agora descobertos, as confiss\u00f5es surgem de todo lado. Em Alagoas, o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paul\u00e3o (PT), revelou na Justi\u00e7a ter recebido R$ 80 mil \u201cn\u00e3o contabilizados\u201d do PT. O dinheiro, segundo ele, era liberado por Del\u00fabio Soares. Presidente do PT no Tocantins na \u00e9poca das fraudes, Divino Nogueira revelou que recebeu dinheiro de caixa 2 do PT nacional, enviado por Del\u00fabio. O ex-deputado baiano Euj\u00e1cio Sim\u00f5es, que era do extinto PL, afirmou ter recebido R$ 30 mil de caixa 2 do deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP), um dos principais protagonistas do esquema.<\/p>\n<p>Em alguns relatos, os detalhes s\u00e3o t\u00e3o ricos quanto as quantias movimentadas irregularmente pelos pol\u00edticos. \u00c9 o caso do testemunho do empres\u00e1rio Jos\u00e9 Carlos Batista, s\u00f3cio da Garanhuns Empreendimentos, empresa que ficou conhecida na \u00e9poca do Mensal\u00e3o como lavanderia do Mensal\u00e3o. R\u00e9u no processo, Batista decidiu contar tudo o que sabe para ser beneficiado pelo instrumento da dela\u00e7\u00e3o premiada. Foi ouvido na condi\u00e7\u00e3o de informante. Pela primeira vez, disse que era dono da Garanhuns apenas no papel porque, na verdade, era \u201claranja\u201d do verdadeiro dono da empresa, L\u00facio Funaro, amigo de Costa Neto. Batista esmi\u00fa\u00e7a como entregou pessoalmente, a pedido de Funaro, quase R$ 3 milh\u00f5es do esquema do PT para o deputado do PL bancar a campanha eleitoral de 2004. O dinheiro foi entregue na sede do PL em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Eram recursos repassados a Funaro por Val\u00e9rio com base em um \u201ccontrato fict\u00edcio\u201d de compras de certificado de reflorestamento da Garanhuns para a SMP&amp;B. J\u00e1 se sabia que a Garanhuns fora usada por Val\u00e9rio para esquentar o dinheiro repassado do caixa 2 do PT para o PL. O publicit\u00e1rio sempre negou. Em seu depoimento, Batista n\u00e3o s\u00f3 se define como \u201claranja\u201d como cria dificuldade para aqueles que querem contestar a sua vers\u00e3o do fato pela quantidade de informa\u00e7\u00f5es que forneceu \u00e0 Justi\u00e7a. Ele cita modelos de ve\u00edculos em que o dinheiro foi carregado em \u201ccaixas de papel\u00e3o\u201d, hor\u00e1rios de voos, nomes de intermedi\u00e1rios e destinos do dinheiro, como a cidade de Mogi das Cruzes, no interior paulista. S\u00e3o esses detalhes que ir\u00e3o influenciar o ministro relator na hora de confrontar depoimentos contradit\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 falta Arruda<\/strong><\/p>\n<p>Bras\u00edlia continua a viver sua trag\u00e9dia pol\u00edtica. Na ter\u00e7a-feira 23, o governador em exerc\u00edcio, Paulo Oct\u00e1vio, conhecido como P.O., renunciou depois de 12 dias de interinidade. Agora, as aten\u00e7\u00f5es se voltam para Jos\u00e9 Roberto Arruda, preso na sede da Pol\u00edcia Federal. Ele vai sacrificar o mandato? Sua defesa est\u00e1 oferecendo a ren\u00fancia em troca da liberdade e tamb\u00e9m para escapar do processo de impeachment. Alvo da mesma investiga\u00e7\u00e3o que levou Arruda \u00e0 pris\u00e3o, P.O. n\u00e3o perdeu tanto tempo. Depois de um churrasco no s\u00e1bado 20 que atraiu\u00a0 apenas cinco dos 30 deputados distritais, sentiu-se isolado e decidiu sair de cena. \u201cA batalha est\u00e1 perdida\u201d, disse a P.O. dona Wilma Pereira, a matriarca da fam\u00edlia, acostumada a ver a casa cheia de pol\u00edticos de diferentes matizes. No mesmo dia, ele redigiu a nova carta de ren\u00fancia e culpou o DEM por ter lhe abandonado. \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel governar sangrando em pra\u00e7a p\u00fablica\u201d, escreveu. Em outra carta, P.O. pediu a desfilia\u00e7\u00e3o do partido, ciente de que sua expuls\u00e3o era certa. \u201cSaio da pol\u00edtica para retornar \u00e0s fileiras da cidadania\u201d, disse, numa vers\u00e3o enviezada da despedida de Get\u00falio Vargas. Definitivamente, P.O. n\u00e3o entrar\u00e1 para a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Com a sa\u00edda de cena de P.O., a capital federal caiu agora nas m\u00e3os do deputado Wilson Lima (PR). Pol\u00edtico de pouca express\u00e3o, Lima foi eleito presidente da C\u00e2mara Legislativa em janeiro, num acordo da base aliada, ap\u00f3s a ren\u00fancia de Leonardo Prudente \u2013 o deputado que foi flagrado escondendo dinheiro nas meias. Antes de entrar para a vida p\u00fablica, Lima foi mec\u00e2nico, frentista e vendedor de picol\u00e9. Cat\u00f3lico fervoroso, o novo governador deve\u00a0 enfrentar uma via-cr\u00facis para conseguir a desejada sustentabilidade.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vamos fazer acordo. A C\u00e2mara n\u00e3o ser\u00e1 mais um \u2018puxadinho\u2019 do Buritinga\u201d, garante o deputado Cabo Patr\u00edcio (PT), que substituiu Lima no comando do Legislativo local. Para Patr\u00edcio, a \u00fanica forma de evitar a interven\u00e7\u00e3o federal \u201c\u00e9 o novo governador mostrar que n\u00e3o \u00e9 conivente com a corrup\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o anterior\u201d. Embora n\u00e3o esteja sendo investigado pela Opera\u00e7\u00e3o Caixa de Pandora, o novo governador \u00e9 alvo de a\u00e7\u00e3o do MP por improbidade administrativa. O MP questiona a cria\u00e7\u00e3o ilegal de cargos de confian\u00e7a quando Lima era respons\u00e1vel pela \u00e1rea de pessoal da C\u00e2mara, em 2008. Ao assumir o cargo, Lima defendeu medidas moralizadoras para evitar a interven\u00e7\u00e3o federal. Al\u00e9m de afastar dois secret\u00e1rios citados em grava\u00e7\u00f5es da PF, ele suspendeu os contratos com empresas envolvidas no esquema de propinas. As medidas, no entanto, n\u00e3o sensibilizaram o procurador-geral Roberto Gurgel.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 sob ren\u00fancia<\/strong><\/p>\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) aceita libertar Jos\u00e9 Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) em troca da ren\u00fancia dele ao governo do Distrito Federal. Na avalia\u00e7\u00e3o dos ju\u00edzes, por ter ficado preso durante duas semanas, o governador n\u00e3o amea\u00e7a mais as investiga\u00e7\u00f5es e n\u00e3o tem como obstruir o inqu\u00e9rito da Opera\u00e7\u00e3o Caixa de Pandora. O que o STJ n\u00e3o aceita \u00e9 que Arruda se mantenha apenas como &#8220;governador licenciado at\u00e9 o fim das investiga\u00e7\u00f5es&#8221;, como querem os advogados.Preso na Superintend\u00eancia da Pol\u00edcia Federal (PF), Arruda negocia renunciar ao mandato e pedir a soltura diretamente ao ministro Fernando Gon\u00e7alves, do STJ, relator do inqu\u00e9rito do &#8220;mensal\u00e3o do DEM&#8221;. O ministro, em caso de ren\u00fancia, relaxaria a pris\u00e3o do governador, descartando o julgamento de habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).<\/p>\n<p>Licenciado apenas, ele mant\u00e9m poder pol\u00edtico para barganhar com os aliados na C\u00e2mara Legislativa uma poss\u00edvel volta ao poder. Renunciando, Arruda apressa a soltura e n\u00e3o precisa mais esperar pelo julgamento do habeas na Corte. Arruda foi preso porque obstruiu as investiga\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Caixa de Pandora. Como governador, mobilizou recursos e pessoal do governo do DF para subornar uma testemunha. A negocia\u00e7\u00e3o ocorre h\u00e1 mais de uma semana. Ontem, o advogado de Arruda, N\u00e9lio Machado, anunciou que o governador afastado n\u00e3o voltar\u00e1 mais ao governo. Inicialmente, adotou o discurso de que ele assumiria o compromisso de ficar licenciado &#8211; se fosse colocado em liberdade pela Justi\u00e7a. O discurso, por enquanto, \u00e9 um ensaio para obter sinaliza\u00e7\u00e3o de que o governador ser\u00e1 solto se executar um gesto pol\u00edtico de que n\u00e3o pretende reassumir o governo. Por\u00e9m, a tese da licen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 bem recebida por Gon\u00e7alves, nem pelo STF. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal <em>O Estado de S. Paulo<\/em>.<\/p>\n<p><strong>FHC vira \u00e2ncora de document\u00e1rio sobre drogas<\/strong><\/p>\n<p>O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso passou o dia no Rio gravando o document\u00e1rio sobre descriminaliza\u00e7\u00e3o das drogas, cujo t\u00edtulo provis\u00f3rio \u00e9 &#8220;Rompendo o sil\u00eancio&#8221;. \u00c2ncora do filme, ele visitou pela manh\u00e3 a Unidade de Pol\u00edcia Pacificadora (UPP), no Morro Santa Marta, em Botafogo, na zona sul da cidade. FH percorreu vielas, conversou com moradores e entrevistou a respons\u00e1vel pelo policiamento, a capit\u00e3 da Pol\u00edcia Militar Priscilla Azevedo. A imprensa n\u00e3o acompanhou a visita. De acordo com a Assessoria do governo do Estado, o ex-presidente elogiou as UPPs. &#8220;V\u00e3o dizer que tem poucas favelas ocupadas, que \u00e9 imposs\u00edvel. Mas j\u00e1 s\u00e3o 100 mil pessoas no Rio em condi\u00e7\u00f5es melhores, isso n\u00e3o \u00e9 brincadeira, d\u00e1 uma cidade de porte m\u00e9dio&#8221;, avaliou FH durante as grava\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c0 tarde, ele visitou o dep\u00f3sito de armas apreendidas da Divis\u00e3o de Fiscaliza\u00e7\u00e3o de Armas e Explosivos (Dfae), no Centro do Rio. &#8220;S\u00e3o mais de 100 mil armas recuperadas. H\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o muito grande entre o tr\u00e1fico de drogas e o tr\u00e1fico de armamentos. Isso requer um trabalho de intelig\u00eancia em longo prazo. N\u00e3o ser\u00e1 resolvido com uma receita m\u00e1gica. Apenas a repress\u00e3o n\u00e3o resolve. \u00c9 preciso assist\u00eancia ao usu\u00e1rio e uma persegui\u00e7\u00e3o mais eficaz a um crime que se globalizou&#8221;, declarou. FH comentou ainda a realiza\u00e7\u00e3o da Marcha do Or\u00e9gano, a manifesta\u00e7\u00e3o planejada por universit\u00e1rios amanh\u00e3 para ironizar a proibi\u00e7\u00e3o da Marcha da Maconha na capital paulista. &#8220;Em geral sou bem aberto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es. Desde que sejam pac\u00edficas, n\u00e3o vejo por que n\u00e3o deixar que existam&#8221;, opinou.<\/p>\n<p><em>Veja<\/em><\/p>\n<p><strong>&#8220;Meu caro presidente&#8230;&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Na noite de 13 de junho de 1964, pouco mais de dois meses ap\u00f3s o golpe militar que estabeleceu uma ditadura no Brasil, o ex-presidente Juscelino Kubitschek embarcava solitariamente no Rio de Janeiro rumo ao ex\u00edlio volunt\u00e1rio na Europa. JK, o festejado presidente bossa-nova, tivera o mandato e os direitos pol\u00edticos cassados pelos militares. Despedia-se do pa\u00eds sob o rugido aziago das turbinas do avi\u00e3o da Ib\u00e9ria que o levaria a Madri. No jato, partiam Juscelino e os anos dourados. Em terra, ficavam os militares e os anos de chumbo. Quando Juscelino subiu as escadas do avi\u00e3o, um bra\u00e7o o alcan\u00e7ou. Era Tancredo de Almeida Neves, que completaria 100 anos nesta semana, em 4 de mar\u00e7o. Aos 54 anos, Tancredo era deputado, cr\u00edtico do regime, mas ainda n\u00e3o tinha o tamanho de Juscelino. Deixaram-no ficar. Juscelino, por\u00e9m, projetava uma sombra democr\u00e1tica por demais inc\u00f4moda aos militares. &#8220;Meu caro Tancredo&#8221;, escreveu Juscelino de Paris, dois meses depois do embarque, numa das primeiras cartas de uma correspond\u00eancia que se avolumaria no decorrer daqueles tempos l\u00fagubres, &#8220;lembro-me bem de que a sua foi a \u00faltima m\u00e3o que apertei antes de me dirigir ao avi\u00e3o. Naquele instante de brutalidade, a sua presen\u00e7a me confortou.&#8221;<\/p>\n<p>Foi em meio \u00e0 brutalidade do regime militar que a amizade entre ambos amadureceu, transcendendo as conveni\u00eancias da pol\u00edtica &#8211; e amadureceu por meio das ep\u00edstolas que ambos trocavam. VEJA teve acesso a um conjunto de dez cartas in\u00e9ditas, escritas por eles durante o regime militar. Come\u00e7am em julho de 1964, quando Tancredo descreve os movimentos do regime para destruir a reputa\u00e7\u00e3o de JK, e terminam em julho de 1975, quando o ex-presidente agradece por mais uma leva de discursos remetidos pelo amigo. A correspond\u00eancia percorre um arco de onze anos, nos quais Tancredo esteve no Congresso, enfrentando a ditadura por dentro. Ele tentava dissolver na legalidade um regime que operava fora dela. Por fora tamb\u00e9m agia JK, que, amaldi\u00e7oado pelos militares, amargava um limbo p\u00fablico, exilado ora no exterior, ora no Brasil. No plano pol\u00edtico, as missivas exp\u00f5em a converg\u00eancia de afinidades entre dois grandes estadistas. Desde a despedida no aeroporto do Rio, Tancredo trabalhou para retomar a democracia no pa\u00eds. Foi deputado, senador e governador. Eleito presidente por um col\u00e9gio eleitoral em 1985, adoeceu um dia antes de tomar posse, morrendo pouco mais de um m\u00eas depois &#8211; mas sua obra j\u00e1 estava terminada: o poder foi entregue aos civis.<\/p>\n<p>Nas cartas trocadas entre os dois, h\u00e1 ideias, h\u00e1 projetos pol\u00edticos, h\u00e1 a genu\u00edna preocupa\u00e7\u00e3o com os atalhos autorit\u00e1rios tomados pelos militares. H\u00e1, sobretudo, a obsess\u00e3o em restaurar a democracia no pa\u00eds. S\u00e3o linhas escritas com sinceridade por homens que compreendiam as exig\u00eancias daquela tormentosa circunst\u00e2ncia hist\u00f3rica &#8211; e, mais do que isso, sabiam quais sacrif\u00edcios eram necess\u00e1rios para super\u00e1-la. JK e Tancredo usam express\u00f5es como &#8220;dignidade democr\u00e1tica&#8221;, &#8220;objetivo maior&#8221; e &#8220;bravura moral&#8221;. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma men\u00e7\u00e3o a cargos, emendas, empregos para a fam\u00edlia&#8230; Nada do que tanto faz salivar a maioria dos pol\u00edticos do nosso tempo est\u00e1 naquelas linhas, numa mostra constrangedora do decl\u00ednio \u00e9tico e intelectual da classe pol\u00edtica brasileira. Num ambiente infestado nos \u00faltimos anos pelo cinismo dos mensaleiros e pela mendacidade dos deputados propineiros de Bras\u00edlia, as ep\u00edstolas servem de guia para outra categoria de pol\u00edticos &#8211; aqueles poucos que re\u00fanem coragem suficiente para caminhar na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria do que exige a cultura partid\u00e1ria do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>O maior lobista do pa\u00eds<\/strong><\/p>\n<p>De tempos em tempos, o governo Lula se v\u00ea obrigado a explicar ne-g\u00f3cios obscuros, lobbies bilion\u00e1rios, maletas de dinheiro voadoras e beneficiamento a grupos privados. J\u00e1 \u00e9 uma esp\u00e9cie de tradi\u00e7\u00e3o petista. E o que une todos esses casos explosivos? Jos\u00e9 Dirceu, o ex-militante de esquerda e ex-ministro-chefe da Casa Civil que se transformou no maior lobista da Rep\u00fablica. Onde quer que brote um caso suspeito incluindo gente do PT e dinheiro alto, cedo ou tarde o nome de Dirceu aparecer\u00e1. Ele tem se esgueirado nas sombras, como intermediador de neg\u00f3cios entre a iniciativa privada e o governo desde 2005, quando foi expurgado do cargo de ministro por causa do esc\u00e2ndalo do mensal\u00e3o. Sem emprego, argumentou que precisava ganhar a vida e se reinventou como &#8220;consultor&#8221;, o eterno eufemismo para &#8220;lobista&#8221;. Passou a oferecer, ent\u00e3o, duas mercadorias: informa\u00e7\u00e3o (dos tempos de Casa Civil, guarda os planos do governo para os mais diversos setores da economia) e influ\u00eancia (como o pr\u00f3prio Dirceu adora dizer, quando ele d\u00e1 um telefonema para o governo, &#8220;\u00e9 O telefonema&#8221;). Em ambos os casos, cobra bem caro por seus servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Na semana passada, um dos servi\u00e7os do &#8220;consultor&#8221; Jos\u00e9 Dirceu causou um terremoto em Bras\u00edlia. Os jornalistas Marcio Aith e Julio Wiziack revelaram que ele est\u00e1 metido at\u00e9 a raiz dos cabelos implantados em uma opera\u00e7\u00e3o bilion\u00e1ria para criar a maior operadora de internet em banda larga do pa\u00eds. O neg\u00f3cio est\u00e1 sendo coordenado pelo governo desde 2003 e vai custar uma montanha de dinheiro p\u00fablico \u2013 fala-se em at\u00e9 15 bilh\u00f5es de reais. Dever\u00e1 fazer a alegria de um grupo de investidores privados que, ao que tudo indica, tiveram acesso a informa\u00e7\u00f5es privilegiadas e esperam aproveitar as a\u00e7\u00f5es do governo para embolsar uma fortuna. O Plano Nacional de Banda Larga \u2013 nome oficial do projeto sob suspeita \u2013 come\u00e7ou a ser gestado no in\u00edcio do governo Lula, quando Dirceu ainda era ministro. A ideia era criar uma estatal para oferecer internet em alta velocidade a pre\u00e7os subsidiados em todo o pa\u00eds \u2013 uma esp\u00e9cie de &#8220;Bolsa Fam\u00edlia da web&#8221;.<\/p>\n<p>Dirceu passou a defender a ideia de que a nova empresa fosse erguida a partir de outras duas, j\u00e1 existentes, mas que estavam em frangalhos: a Telebr\u00e1s, que depois da privatiza\u00e7\u00e3o do sistema de telefonia, em 1998, ficou sem fun\u00e7\u00e3o, e a Eletronet, dona de uma rede de fibra \u00f3ptica que cobre dezoito estados. A Eletronet era uma parceria da Eletrobr\u00e1s e da americana AES, mas, por ser deficit\u00e1ria, estava em processo de fal\u00eancia. O projeto de Dirceu era capitalizar as duas companhias e fazer com que a Telebr\u00e1s oferecesse internet em alta velocidade usando a rede da Eletronet. O presidente Lula aprovou a proposta \u2013 afinal, n\u00e3o \u00e9 todo dia que se antev\u00ea uma estatal inteira, pronta para ser aparelhada. Apesar de o projeto ter sido desenhado em 2003, s\u00f3 come\u00e7ou a se tornar p\u00fablico em 2007. E este foi o pulo do gato: quem ficou sabendo dos planos oficiais com anteced\u00eancia teve a chance de investir nas a\u00e7\u00f5es das duas empresas e, agora, poder\u00e1 ganhar um bom dinheiro com o desenlace do plano.<\/p>\n<p><strong>A interven\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais pr\u00f3xima<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 duas semanas, a Justi\u00e7a mandou prender e afastar o governador do Distrito Federal, Jos\u00e9 Roberto Arruda, para impedi-lo de sabotar as investiga\u00e7\u00f5es sobre o esc\u00e2ndalo do mensal\u00e3o de Bras\u00edlia. A medida, in\u00e9dita desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, preservou a investiga\u00e7\u00e3o criminal &#8211; mas produziu um buraco negro pol\u00edtico na capital do pa\u00eds. O vice-governador Paulo Oct\u00e1vio, suspeito de embolsar um ter\u00e7o das propinas, renunciou doze dias depois de assumir. Na semana passada, o presidente da C\u00e2mara Legislativa, Wilson Lima, tomou posse como governador, mas com grande risco de n\u00e3o ter tempo sequer de esquentar a cadeira. R\u00e9u por improbidade administrativa, Lima \u00e9 aliado de Arruda e deve ao governador preso sua indica\u00e7\u00e3o para presidir a C\u00e2mara. Sua ascens\u00e3o \u00e9 vista como uma forma de a quadrilha continuar mantendo os tent\u00e1culos espalhados por onde quer que se olhe. Por isso, a interven\u00e7\u00e3o federal surge como o \u00fanico mecanismo que pode extirpar definitivamente a corrup\u00e7\u00e3o que se apossou das institui\u00e7\u00f5es. Ela j\u00e1 foi solicitada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da Rep\u00fablica, Roberto Gurgel.<\/p>\n<p>Interven\u00e7\u00e3o federal \u00e9 uma medida excepcional. \u00c9 t\u00e3o extrema que, apesar de prevista na Constitui\u00e7\u00e3o, nunca foi usada no Brasil. Especialistas ouvidos por VEJA, por\u00e9m, veem na medida a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para a crise. &#8220;A situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 tomou propor\u00e7\u00f5es ca\u00f3ticas. As institui\u00e7\u00f5es de Bras\u00edlia est\u00e3o todas contaminadas&#8221;, analisa o cientista pol\u00edtico Claudio Abramo. A corrup\u00e7\u00e3o, enraizada no governo de Arruda, se entranhou no Legislativo, em que oito dos 24 deputados distritais s\u00e3o suspeitos de receber propina, e at\u00e9 no Judici\u00e1rio, em que tr\u00eas desembargadores foram acusados de integrar o esquema. Os deputados flagrados recebendo dinheiro foram decisivos para a elei\u00e7\u00e3o de Wilson Lima ao comando da C\u00e2mara e sua consequente chegada ao governo da capital.<\/p>\n<p>Diante de um quadro t\u00e3o contaminado, \u00e9 prov\u00e1vel que somente a interven\u00e7\u00e3o seja capaz de exterminar as ramifica\u00e7\u00f5es criminosas de Arruda e seu bando. A simples amea\u00e7a de isso acontecer j\u00e1 produziu resultados. Em uma semana, a C\u00e2mara Distrital aprovou a abertura do processo de impeachment contra o governador afastado, o vice-governador e tr\u00eas deputados suspeitos. Entre eles, Leonardo Prudente, o deputado da meia, que renunciou na \u00faltima sexta. O pr\u00f3prio Arruda, antes irredut\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o a uma eventual ren\u00fancia, j\u00e1 pensa em afastar-se definitivamente. A situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Bras\u00edlia \u00e9 t\u00e3o ca\u00f3tica que nem o PT parece animado com a possibilidade de o presidente Lula indicar um interventor. Sem contar a enorme dificuldade em encontrar algu\u00e9m disposto a cumprir a miss\u00e3o de enfiar a cabe\u00e7a, os p\u00e9s e as m\u00e3os no lama\u00e7al em que se transformou a pol\u00edtica da capital do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>A brandura de Lula com a ditadura cubana<\/strong><\/p>\n<p>O corpo alquebrado de Orlando Zapata Tamayo est\u00e1 chegando ao cemit\u00e9rio. Durante 85 dias, o homem humilde, um pedreiro que se transformou em defensor da liberdade, resistiu. Com a \u00fanica arma de que dispunha, a greve de fome, ele resistiu. Condenado a 56 anos de pris\u00e3o, &#8220;reduzidos&#8221; a 25, pelo crime de clamar pela democracia, foi enterrado vivo numa cela min\u00fascula. Apanhava, era maltratado, xingado de verme. &#8220;O fato de ser negro contribuiu para a gana psicol\u00f3gica dos carcereiros. \u00c9 o velho argumento de que por ser negro n\u00e3o se tem direito a protestar, porque a revolu\u00e7\u00e3o te deu tudo&#8221;, contou outro resistente, Manuel Costa Mor\u00faa. Supliciado em vida, nem na morte Zapata teve paz. Outros dissidentes que tentaram lhe prestar uma derradeira homenagem foram detidos. O caix\u00e3o foi carregado por agentes da pol\u00edcia pol\u00edtica. O presidente Lula chegou a Cuba exatamente no dia da morte de Zapata. Suas declara\u00e7\u00f5es a respeito: &#8220;Temos de lamentar, como ser humano, sobre algu\u00e9m que morreu porque decidiu fazer greve de fome, que voc\u00eas sabem que eu sou contra porque fiz greve de fome. Se essas pessoas tivessem falado comigo antes, eu teria pedido para ele parar a greve e quem sabe teria evitado que ele morresse. Lamento profundamente que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome&#8221;.<\/p>\n<p>Lula foi visitar os irm\u00e3os ditadores, Fidel, o afastado, e Ra\u00fal Castro, o ativo no comando. Ao receber o presidente e sua sorridente comitiva, Ra\u00fal, ao contr\u00e1rio de Lula, n\u00e3o culpou o morto. De quem foi a culpa? Dos americanos. &#8220;Isso se deve \u00e0 confronta\u00e7\u00e3o que temos com os Estados Unidos. Aqui n\u00e3o houve nenhuma execu\u00e7\u00e3o extrajudicial.&#8221; Mais sorrisos, mais alegria. A morte de Zapata j\u00e1 era esperada por seus companheiros de oposi\u00e7\u00e3o. Ele estava t\u00e3o exaurido que n\u00e3o haveria mais retorno. Mesmo assim, tentaram se comunicar por carta com o visitante ilustre para pedir ajuda. Mas cometeram um grave erro de etiqueta. As declara\u00e7\u00f5es do presidente Lula a respeito: &#8220;As pessoas precisam parar com o h\u00e1bito de fazer cartas, guardar para si e depois dizer que mandaram para os outros. Quando uma pessoa manda uma carta para um presidente, no m\u00ednimo, s\u00f3 pode dizer que o presidente a recebeu se protocolar a carta&#8221;.<\/p>\n<p>O autor da carta em quest\u00e3o \u00e9 o economista cubano Oscar Espinosa Chepe. Preso em 2003 com Zapata, foi solto mais tarde, por problemas de sa\u00fade. Chepe consultou 42 prisioneiros pol\u00edticos e escreveu um apelo ao presidente brasileiro. Na quinta-feira, dia 18, ligou para a Embaixada do Brasil em Havana e apresentou o pedido de uma reuni\u00e3o com o embaixador para entregar a carta. &#8220;Nossa pol\u00edtica \u00e9 de n\u00e3o receber dissidentes cubanos&#8221;, disse a secret\u00e1ria, segundo seu relato. &#8220;Eu achei que Lula, por ter sido um trabalhador preso injustamente, iria se solidarizar conosco. Sua rea\u00e7\u00e3o foi uma surpresa para todos&#8221;, disse Chepe a <em>Veja<\/em>.<\/p>\n<p><em>CartaCapital<br \/>\n<\/em><br \/>\n<strong>Privatiza\u00e7\u00f5es \u00e0 moda tucana (por Mino Carta)<\/strong><\/p>\n<p>Basta que Dilma Rousseff, pr\u00e9-candidata do PT \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica rec\u00e9m-ungida por Lula, fa\u00e7a refer\u00eancias bastante gen\u00e9ricas \u00e0 natural, inescap\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o entre Estado e Economia, e de pronto o deus nos acuda se estabelece. Quem acompanha a cobertura jornal\u00edstica, quem l\u00ea os editoriais dos jornal\u00f5es, fica exposto \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o (\u00e0 certeza?) de que, se Dilma ganhasse as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, o Brasil cairia nas m\u00e3os da horda estatizante.<\/p>\n<p>Mauricio Dias, em sua Rosa dos Ventos, agudamente avisou, faz duas semanas, que a diverg\u00eancia quanto \u00e0 correta interpreta\u00e7\u00e3o do papel do Estado nos dom\u00ednios econ\u00f4micos acabaria por excitar cada vez mais o debate eleitoral. Pois a quest\u00e3o est\u00e1 posta, e ganha tons exasperados, e at\u00e9 anacr\u00f4nicos, na convic\u00e7\u00e3o medieval de que aos bar\u00f5es cabe a propriedade de tudo.<\/p>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o, o confronto j\u00e1 esbo\u00e7ado est\u00e1 na capa. Aqui me agrada recordar certas, fundamentais circunst\u00e2ncias em que se deram as privatiza\u00e7\u00f5es celebradas como trunfo do governo de Fernando Henrique Cardoso, entre elas, em primeiro lugar, o desmantelamento da velha Telebr\u00e1s, leiloada para uma plateia de bar\u00f5es \u00e0 sombra do martelo de um punhado de extraordin\u00e1rios leiloeiros.<\/p>\n<p>Final de 1998, FHC j\u00e1 reeleito, mas ainda n\u00e3o empossado, para o segundo mandato. Opera\u00e7\u00e3o entregue aos cuidados do ent\u00e3o ministro das Comunica\u00e7\u00f5es, Luiz Carlos Mendon\u00e7a de Barros, de Andr\u00e9 Lara Resende, presidente do BNDES, de Ricardo Sergio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil. Entre outros menos qualificados. Grampos variados acabaram por revelar o pano de fundo de uma bandalheira sem precedentes na hist\u00f3ria p\u00e1tria.<\/p>\n<p><strong>E assim caminha o valerioduto<\/strong><\/p>\n<p>A 9\u00aa vara criminal de Belo Horizonte aceitou, na quinta-feira 25, a den\u00fancia contra 11 dos 14 acusados de participa\u00e7\u00e3o no esquema do Valerioduto \u2013 o uso de caixa 2 na campanha ao governo de Minas Gerais, em 1998, do hoje senador Eduardo Azeredo (PSDB). Entre os denunciados est\u00e3o o publicit\u00e1rio Marcos Val\u00e9rio e o ex-ministro das Rela\u00e7\u00f5es Institucionais do governo Lula Walfrido dos Mares Guia. O processo contra Azeredo, em raz\u00e3o de ele exercer o mandato de senador, fica sob a responsabilidade do Supremo Tribunal Federal (STF). O tribunal aceitou, em dezembro do ano passado, a den\u00fancia contra o tucano. Marcos Val\u00e9rio j\u00e1 \u00e9 r\u00e9u no caso do mensal\u00e3o, tamb\u00e9m em andamento no STF.<\/p>\n<p>Os acusados v\u00e3o responder pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Eles teriam montado o caixa 2 para ocultar doa\u00e7\u00f5es. Conforme a den\u00fancia, duas ag\u00eancias de publicidade de Val\u00e9rio captaram 28,5 milh\u00f5es de reais para utilizar na campanha. Como recompensa, o publicit\u00e1rio conseguiu depois firmar contratos com um banco p\u00fablico, o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), e duas empresas estatais \u2013 a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig). Teriam sido desviados 3,5 milh\u00f5es por meio desses contratos. Os envolvidos negam o esquema de caixa 2. Apenas tr\u00eas dos acusados n\u00e3o tiveram a den\u00fancia aceita pela ju\u00edza Neide da Silva Martins. A magistrada entendeu que n\u00e3o havia &#8220;elementos suficientes para sustentar a imputa\u00e7\u00e3o a eles formulada&#8221;.<\/p>\n<p>Relator do Valerioduto no STF, o ministro Joaquim Barbosa decidiu, em maio de 2009, desmembrar o processo. Assim, os envolvidos \u2013 com exce\u00e7\u00e3o de Azeredo \u2013 passaram a responder ao processo na primeira inst\u00e2ncia da Justi\u00e7a Federal. No entender da ju\u00edza Neide Martins, os crimes apontados nessa den\u00fancia s\u00e3o de compet\u00eancia da Justi\u00e7a estadual. O advogado de Val\u00e9rio, Marcelo Leonardo, diz que a esfera estadual n\u00e3o seria o foro adequado em raz\u00e3o de o publicit\u00e1rio j\u00e1 responder a duas a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a Federal relacionadas ao Valerioduto.<\/p>\n<p><strong>Lula, Cuba e o dissidente<\/strong><\/p>\n<p>Durante sua visita a Havana, o presidente Lula irritou-se com as perguntas sobre a morte do preso pol\u00edtico Orlando Zapata Tamayo,que estava em greve de fome havia 85 dias. E negou ter recebido uma carta de Tamayo: &#8220;As pessoas precisam parar com o h\u00e1bito de fazer cartas, guardar para si e depois dizer que me mandaram&#8221;. A morte do dissidente \u00e9 mais um daqueles cristalinos exemplos da estupidez dos regimes ditatoriais. Quanto a Lula, carrega o peso da fama hoje internacional de mediador. Da crise pol\u00edtica do DEM no Distrito Federal aos oposicionistas cubanos, todos querem que o ex-metal\u00fargico coloque a sua popularidade a servi\u00e7o de seus interesses.<\/p>\n<p><strong>Os 33 mosqueteiros<\/strong><\/p>\n<p>Na c\u00fapula dos integrantes do Grupo do Rio em Playa del Carmen (M\u00e9xico, perto de Canc\u00fan), decidiu-se criar uma Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, da qual participar\u00e3o todos os pa\u00edses das tr\u00eas Am\u00e9ricas, exceto EUA e Canad\u00e1 \u2013 mas incluindo Cuba e, eventualmente, Honduras, ausente desta reuni\u00e3o por seu atual governo n\u00e3o ser reconhecido pela maioria dos 32 pa\u00edses representados.<\/p>\n<p>A festa foi perturbada por mais um bate-boca entre \u00c1lvaro Uribe e Hugo Ch\u00e1vez. Durante o almo\u00e7o, o primeiro queixou-se de agress\u00f5es verbais anteriores do venezuelano e de restri\u00e7\u00f5es ao com\u00e9rcio com a Col\u00f4mbia e o segundo cedeu \u00e0 provoca\u00e7\u00e3o at\u00e9 ambos trocarem insultos. Ra\u00fal Castro, nada menos, acalmou os \u00e2nimos: &#8220;Como \u00e9 poss\u00edvel brigarmos em uma c\u00fapula destinada a unir pa\u00edses latino-americanos e caribenhos?&#8221;<\/p>\n<p>A turma do deixa-disso teve \u00eaxito. O acordo deve ser concretizado nas pr\u00f3ximas c\u00fapulas, marcadas para 2011 na Venezuela e 2012 no Chile e os chefes de Estado foram un\u00e2nimes em apoiar a Argentina na reivindica\u00e7\u00e3o sobre as Malvinas. Segue o turbulento caminho para um bloco maior que a Unasul, capaz de defender interesses pr\u00f3prios que n\u00e3o s\u00e3o os do Norte e tratar com os EUA de igual para igual, sem a tutela da OEA.<\/p>\n<p><strong>Interven\u00e7\u00e3o federal j\u00e1!<\/strong><\/p>\n<p>V\u00e1rias iniciativas anticorrup\u00e7\u00e3o foram deflagradas no Distrito Federal para enfrentar os males sa\u00eddos de uma &#8220;caixa de Pandora&#8221; descoberta pela Pol\u00edcia Federal. Essa caixa foi aberta por um colaborador de Justi\u00e7a em busca de premia\u00e7\u00e3o legal e que, em troca dela, oferta provas de tentacular esquema de corrup\u00e7\u00e3o sob o comando do governador Jos\u00e9 Roberto Arruda. A prop\u00f3sito, o direito premial foi intu\u00eddo em 1877 pelo jusfil\u00f3sofo alem\u00e3o Rudolfvon Jhering, que o considerou de emprego indispens\u00e1vel nos s\u00e9culos vindouros em face do fortalecimento e da ousadia do poder criminal. N\u00e3o se sabe ter a intui\u00e7\u00e3o de Jhering surgido ao comprar um panetone.<\/p>\n<p>Passos largos j\u00e1 foram dados. Por exemplo, o aforamento, pela Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica, de pedido de interven\u00e7\u00e3o federal nos enlameados poderes Executivo e Legislativo do DF. Por seu lado, o Minist\u00e9rio P\u00fablico distrital ajuizou a\u00e7\u00e3o para anula\u00e7\u00e3o do plano diretor, com convic\u00e7\u00e3o de canaliza\u00e7\u00e3o de obras p\u00fablicas para as empresas do autodefenestrado vice-governador Paulo Oct\u00e1vio. Al\u00e9m disso, e como medida de seguran\u00e7a social necess\u00e1ria, a c\u00fapula do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, por expressiva maioria, decretou a pris\u00e3o preventiva do governador Arruda por tentar impedir a busca da verdade pela Justi\u00e7a. Antes de rumar para a cadeia, Arruda licenciou-se do governo e trilha a mesma estrat\u00e9gia de resist\u00eancia empregada por Renan Calheiros e Jos\u00e9 Sarney, bem t\u00edpica de uma tropical rep\u00fablica bananeira.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o sobre a pris\u00e3o cautelar n\u00e3o foi derrubada liminarmente em habeas corpus liberat\u00f3rio que tramita no STF e cujo exame de m\u00e9rito ocorrer\u00e1 em breve. No julgamento, haver\u00e1 um embate jur\u00eddico entre o relator, o ministro Marco Aur\u00e9lio, e o presidente do Tribunal, Gilmar Mendes, pr\u00f3-soltura e que j\u00e1 deixou vazar pela imprensa algumas d\u00favidas sobre a participa\u00e7\u00e3o de Arruda em tentativa de desvirtuar a apura\u00e7\u00e3o. Revelou-se, por\u00e9m, que Arruda, por informantes, teve conhecimento antecipado da opera\u00e7\u00e3o policial e se mexeu. Assim, visitou o ministro respons\u00e1vel pelo inqu\u00e9rito (o mesmo que votou pela sua pris\u00e3o cautelar), conseguiu pe\u00e7as sigilosas dos autos e colocou o chefe de gabinete do governador A\u00e9cio Neves para fazer lobby no gabinete do ministro relator. Ser\u00e1 que Arruda seria capaz de corromper testemunhas ou s\u00f3 pain\u00e9is eletr\u00f4nicos do Senado?<\/p>\n<p><em>\u00c9poca<\/em><\/p>\n<p><strong>Uma sombra na campanha<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO Congresso Nacional do PT, que aclamou a candidatura da ministra Dilma Rousseff \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, foi marcado tamb\u00e9m por discursos em defesa do \u201cEstado forte\u201d e pela volta do ex-ministro Jos\u00e9 Dirceu ao Diret\u00f3rio Nacional do partido, sob a ova\u00e7\u00e3o dos militantes. Dirceu, antecessor de Dilma na Casa Civil, saiu do cargo em meio ao esc\u00e2ndalo do mensal\u00e3o em 2005, pelo qual responde a um processo no Supremo Tribunal Federal (STF) em que \u00e9 acusado de ter liderado o esquema que teria comprado o apoio de parlamentares e partidos ao governo Lula no Congresso. De l\u00e1 para c\u00e1, sem mandato e sem direitos pol\u00edticos, Dirceu tornou-se um personagem anf\u00edbio. Passou a desenvolver ao mesmo tempo a atividade de militante partid\u00e1rio, com influ\u00eancia na c\u00fapula do PT e acesso aos altos escal\u00f5es do governo, e a de \u201cconsultor\u201d de empresas privadas. Na semana passada, a controversa face pol\u00edtico-empresarial de Jos\u00e9 Dirceu voltou a ser exibida e exp\u00f4s tamb\u00e9m o lado nebuloso do discurso petista a favor do \u201cEstado forte\u201d.<\/p>\n<p>Uma reportagem do jornal <em>Folha de S.Paulo<\/em> revelou que Dirceu recebeu R$ 620 mil, entre 2007 e 2009, em troca de servi\u00e7os de consultoria prestados ao empres\u00e1rio Nelson dos Santos, que tem investimentos no setor de energia e \u00e9 conhecido no mercado como um intermediador de grandes neg\u00f3cios. Em 2005, Santos, por meio da Star Overseas Ventures, uma companhia sediada no para\u00edso fiscal das Ilhas Virgens Brit\u00e2nicas, comprou por R$ 1 uma participa\u00e7\u00e3o numa empresa falida chamada Eletronet. Constitu\u00edda no fim dos anos 90, a Eletronet surgiu com 51% de suas a\u00e7\u00f5es em poder da americana AES e 49% em poder de empresas el\u00e9tricas do grupo estatal Eletrobr\u00e1s. O objetivo da associa\u00e7\u00e3o era explorar comercialmente, fornecendo servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00e3o, o uso do principal ativo da Eletronet: o direito de uso de uma rede de 16.000 quil\u00f4metros de cabos de fibra \u00f3ptica da Eletrobr\u00e1s que interliga 18 Estados. Em 2003, sem conseguir competir com as empresas de telefonia privadas, a Eletronet pediu fal\u00eancia, deixando uma d\u00edvida com fornecedores estimada em R$ 800 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A massa falida da Eletronet voltou a despertar interesse quando o governo Lula come\u00e7ou a esbo\u00e7ar o Plano Nacional de Banda Larga, um programa para popularizar a internet de banda larga, que tem pre\u00e7os altos e difus\u00e3o baix\u00edssima no Brasil em rela\u00e7\u00e3o ao resto do mundo. Ao mesmo tempo, o governo iniciou estudos para ressuscitar a Telebr\u00e1s, a antiga holding estatal do setor de telefonia, com o objetivo de entregar a ela a administra\u00e7\u00e3o do programa (leia mais na reportagem A horripilante volta da Telebr\u00e1s) e da rede de cabos de fibra \u00f3ptica que estava concedida \u00e0 Eletronet. O R$ 1 gasto por Nelson dos Santos poderia se transformar em milh\u00f5es se o Pal\u00e1cio do Planalto tomasse a decis\u00e3o de recuperar a Eletronet da fal\u00eancia\u2013 hip\u00f3tese que estava em estudo no governo quando Dirceu foi contratado por Nelson dos Santos no come\u00e7o de 2007. No mesmo per\u00edodo, Dirceu come\u00e7ou a postar em seu blog artigos a favor da incorpora\u00e7\u00e3o da rede da Eletronet ao programa de banda larga \u2013 embora ele diga que sua consultoria para Santos serviu apenas para an\u00e1lise de cen\u00e1rios econ\u00f4micos na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p><strong>A horripilante volta da Telebr\u00e1s<\/strong><\/p>\n<p>Hist\u00f3rias contadas em todas as formas, na literatura, no cinema e at\u00e9 no rock, fazem bem em nos lembrar que quem morreu deveria continuar morto, para nossa sa\u00fade e sanidade. Da formosa Lenore da imagina\u00e7\u00e3o elegante do escritor Edgar Allan Poe ao assassino de crian\u00e7as Freddy Krueger dos filmes A hora do pesadelo, a amea\u00e7a de retorno dos finados nos ensina que quem partiu deveria repousar em paz \u2013 para sempre. O Brasil ganharia muito se aplicasse a li\u00e7\u00e3o a ideias ultrapassadas. Para nosso infort\u00fanio, algumas delas teimam em retornar do al\u00e9m. O mais novo exemplo \u00e9 a nova companhia estatal de telecomunica\u00e7\u00f5es, uma vers\u00e3o da antiga Telebr\u00e1s, cuja cria\u00e7\u00e3o ou recria\u00e7\u00e3o o governo federal debate h\u00e1 meses. Nessa hist\u00f3ria de horror, estamos chegando ao momento do susto ou do al\u00edvio, pois a decis\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva dever\u00e1 ser anunciada at\u00e9 o in\u00edcio de abril.<\/p>\n<p>A aterrorizante ideia do retorno estatal \u00e0s telecomunica\u00e7\u00f5es nasceu de uma constata\u00e7\u00e3o correta: o Brasil est\u00e1 atrasado na difus\u00e3o da internet r\u00e1pida, tamb\u00e9m chamada de banda larga. Ela torna poss\u00edvel o fluxo de maior quantidade de informa\u00e7\u00e3o e permite ao internauta assistir a v\u00eddeos, receber ou enviar arquivos grandes com conforto e seguran\u00e7a. Somente 6% dos brasileiros disp\u00f5em de internet r\u00e1pida, em compara\u00e7\u00e3o aos 8% dos argentinos e aos 9% dos mexicanos. Em na\u00e7\u00f5es como Canad\u00e1, Alemanha e Fran\u00e7a, mais de um quarto da popula\u00e7\u00e3o disp\u00f5e desses servi\u00e7os. Na Coreia do Sul, 97% das resid\u00eancias podem usar a banda larga. Por aqui, mais da metade dos munic\u00edpios, ou um quinto da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o conseguiria aproveitar a internet r\u00e1pida nem que tivesse dinheiro para pagar, pois n\u00e3o h\u00e1 oferta do servi\u00e7o. Apesar do diagn\u00f3stico correto, o rem\u00e9dio estatal proposto pelo governo \u00e9 um equ\u00edvoco.<\/p>\n<p><strong>Um aliado que perde for\u00e7a<br \/>\n<\/strong><br \/>\nA cartilha cl\u00e1ssica da pol\u00edtica recomenda aos governantes abrir seus sacos de maldades logo no in\u00edcio do mandato para chegar ao per\u00edodo eleitoral sem muitos danos \u00e0 imagem. Outro t\u00f3pico dessa cartilha diz que esc\u00e2ndalos e crises devem ser enfrentados com medidas dr\u00e1sticas ou com a nega\u00e7\u00e3o veemente das acusa\u00e7\u00f5es, at\u00e9 que elas sejam esquecidas. O DEM, sigla resultante da lipoaspira\u00e7\u00e3o radical sofrida pelo PFL, acaba de seguir meticulosamente essas duas regras. Em 2009, no primeiro ano de seu atual mandato, o prefeito de S\u00e3o Paulo, Gilberto Kassab, autorizou medidas impopulares como o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o reajuste da tarifa de \u00f4nibus. Respeitando a segunda recomenda\u00e7\u00e3o da cartilha, os democratas tamb\u00e9m foram r\u00e1pidos para se livrar de Jos\u00e9 Roberto Arruda e de Paulo Oct\u00e1vio, governador afastado e ex-vice-governador do Distrito Federal, atingidos pelo esc\u00e2ndalo do panetone.<\/p>\n<p>Mas as medidas podem ser insuficientes para estancar a hemorragia no DEM. Al\u00e9m de representar um desafio \u00e0 relev\u00e2ncia da legenda, ela atrapalha a prov\u00e1vel candidatura presidencial do governador de S\u00e3o Paulo, Jos\u00e9 Serra (PSDB). Na prefeitura de S\u00e3o Paulo, principal ativo pol\u00edtico do DEM depois da implos\u00e3o do governo Arruda, Kassab enfrenta uma crise sem precedentes. \u00c0s medidas impopulares, somaram-se, no come\u00e7o do ano, falhas no servi\u00e7o de manuten\u00e7\u00e3o da cidade que contribu\u00edram para uma temporada de inunda\u00e7\u00f5es de propor\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. A crise foi agravada pela acusa\u00e7\u00e3o de que Kassab teria recebido doa\u00e7\u00f5es ilegais na campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, em 2008. De acordo com uma a\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico, um sindicato da constru\u00e7\u00e3o civil e empreiteiras acionistas de concession\u00e1rias de servi\u00e7os p\u00fablicos foram respons\u00e1veis por 33% dos recursos arrecadados pelo DEM \u2013 pr\u00e1tica vedada na lei. Na semana passada, o mandato de Kassab chegou a ser cassado pelo juiz Alo\u00edsio Silveira, da 1a Zona Eleitoral de S\u00e3o Paulo. Kassab apresentou um recurso e vai aguardar no cargo a decis\u00e3o da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>O fantasma da interven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Desde novembro do ano passado, a vida pol\u00edtica e administrativa de Bras\u00edlia n\u00e3o sai da crise deflagrada pela Opera\u00e7\u00e3o Caixa de Pandora \u2013 uma investiga\u00e7\u00e3o conjunta da Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica e da Pol\u00edcia Federal. V\u00eddeos mostraram as principais autoridades da cidade, entre elas o governador Jos\u00e9 Roberto Arruda, recebendo dinheiro de uma suposta propina paga por empresas com contratos com o governo do Distrito Federal. H\u00e1 15 dias, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decretou a pris\u00e3o de Arruda e afastou-o do cargo. Na semana passada, o vice-governador Paulo Oct\u00e1vio Pereira, tamb\u00e9m envolvido no esc\u00e2ndalo, renunciou ao mandato. Desde a quarta-feira passada, Bras\u00edlia \u00e9 governada pelo deputado distrital Wilson Lima (PR), um pol\u00edtico obscuro que, por sua fidelidade a Arruda, h\u00e1 menos de um m\u00eas foi eleito presidente da C\u00e2mara Legislativa.<\/p>\n<p>Por seu hist\u00f3rico, Lima \u00e9 um nome fraco para se manter no cargo. Antes de ingressar na pol\u00edtica, ele vendeu picol\u00e9 nas ruas, foi cobrador de \u00f4nibus, frentista, pintor de parede e dono de um mercado. No loteamento pol\u00edtico promovido por Arruda, o quinh\u00e3o de Lima \u00e9 o Gama, cidade-sat\u00e9lite de Bras\u00edlia onde os cargos s\u00e3o ocupados por seus apadrinhados. Colegas distritais dizem que Lima, como relator do projeto que mudou a destina\u00e7\u00e3o do uso de terrenos no Gama, beneficiou empres\u00e1rios amigos ao autorizar empreendimentos comerciais em \u00e1reas residenciais. Lima tamb\u00e9m responde na Justi\u00e7a a uma a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa, pela cria\u00e7\u00e3o ilegal de cargos na C\u00e2mara. Suas iniciais aparecem ainda num papel apreendido pela PF na Opera\u00e7\u00e3o Caixa de Pandora, um balan\u00e7o com n\u00fameros e refer\u00eancias a outros deputados distritais que a pol\u00edcia tenta decifrar. Lima nega ter praticado irregularidades na C\u00e2mara ou recebido dinheiro de propina.<\/p>\n<p>\u00c9poca apurou que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) n\u00e3o aceitam a volta de Arruda ao governo nem a perman\u00eancia de Lima como governador interino. A defesa de Arruda anunciou que ele estaria disposto a assinar uma carta em que se compromete a n\u00e3o voltar ao governo em troca da liberdade. A proposta n\u00e3o foi levada a s\u00e9rio. Segundo ministros do STF, se n\u00e3o renunciar, Arruda deve permanecer preso. \u201cA palavra ren\u00fancia n\u00e3o existe no vocabul\u00e1rio do governador Jos\u00e9 Roberto Arruda\u201d, afirmou o advogado N\u00e9lio Machado, defensor de Arruda. Em 2001, Arruda disse a mesma coisa depois de flagrado no esc\u00e2ndalo da viola\u00e7\u00e3o do painel eletr\u00f4nico do Senado. Quando se convenceu de que seria cassado pelos senadores, ele renunciou.<\/p>\n<p><strong>Os problemas do amigo de Dilma<\/strong><\/p>\n<p>Ex-prefeito de Belo Horizonte e coordenador da pr\u00e9-campanha da ministra Dilma Rousseff \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Fernando Pimentel \u00e9 uma das lideran\u00e7as emergentes do PT. No final de 2008, ele deixou a prefeitura ap\u00f3s sete anos de gest\u00e3o, com uma aprova\u00e7\u00e3o superior a 80%, e elegeu seu sucessor. No PT mineiro, Pimentel leva vantagem no embate contra o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, pelo direito de ser o candidato do PT ao governo de Minas Gerais. Pimentel tamb\u00e9m \u00e9 o principal organizador da futura campanha presidencial da amiga Dilma. Os dois militaram juntos em grupos de esquerda que combateram a ditadura militar nos anos 1960 e 1970. Se o passado mais distante explica a ascens\u00e3o junto a Dilma, o mais recente conspira contra Pimentel.<\/p>\n<p>Uma disputa jur\u00eddica entre um grupo de empreiteiras que realiza obras de urbaniza\u00e7\u00e3o de favelas em Belo Horizonte e a prefeitura da capital mineira provocou o afastamento pol\u00edtico de Pimentel de seu sucessor, o prefeito Marcio Lacerda (PSB). Lacerda vem se recusando sistematicamente a assinar novos aditamentos contratuais para aumentar o valor de pagamentos por obras de constru\u00e7\u00e3o de apartamentos para moradores de baixa renda. Segundo aliados do PSB, Lacerda afirma que os valores licitados j\u00e1 superam os pre\u00e7os praticados no mercado. Todas as obras s\u00e3o pagas com recursos do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), coordenado no governo por Dilma.<\/p>\n<p>Lacerda e Pimentel s\u00e3o, em tese, aliados. Novato na pol\u00edtica, Lacerda \u00e9 do PSB, partido aliado do PT em escala nacional. Sua elei\u00e7\u00e3o \u00e9 um caso rar\u00edssimo. Pimentel e o governador de Minas Gerais, A\u00e9cio Neves, promoveram uma incomum alian\u00e7a entre PT e PSDB para eleger Lacerda para a prefeitura. Antes disso, Lacerda foi secret\u00e1rio-executivo de Ciro Gomes no Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional. Hoje, Ciro \u00e9 o inc\u00f4modo aliado do PT. Ele se recusa a aceitar o apelo do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva de desistir de concorrer contra a amiga de Pimentel, Dilma Rousseff, na disputa da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Em troca, Lula e o PT oferecem apoio a Ciro na disputa pelo governo de S\u00e3o Paulo \u2013 uma elei\u00e7\u00e3o dif\u00edcil para Ciro por causa do favoritismo dos tucanos. Nas \u00faltimas semanas, o aliado advers\u00e1rio Ciro fez v\u00e1rios ataques ao PT. Disse que o partido tem \u201cmoral frouxa\u201d e afirmou ter mais chances que Dilma de se eleger para o Pal\u00e1cio do Planalto por ter disputado outras elei\u00e7\u00f5es. O embate travado entre o PT e o PSB por causa dos pre\u00e7os das obras em Belo Horizonte aumenta a tens\u00e3o pol\u00edtica entre petistas e socialistas.<\/p>\n<p><strong>\u201cPerdi um filho e um homem justo\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A cubana Reina Luisa Tamayo estava sentada numa sala de espera do Hospital Hermanos Ameijeiras, pouco antes das 13 horas do dia 23, quando um m\u00e9dico veio lhe dizer que, enfim, poderia entrar no quarto de Orlando Zapata Tamayo. \u201cVi meu filho j\u00e1 agonizando, se debatendo, inconsciente. Eram os \u00faltimos momentos\u201d, disse Reina a \u00c9POCA. Ela saiu por alguns minutos. Quando voltou, o corpo do filho j\u00e1 estava coberto, com os aparelhos desligados. \u201cEu o descobri e acariciei seu rosto em despedida. Tinha acabado de perder n\u00e3o s\u00f3 um de meus cinco filhos, mas tamb\u00e9m um homem justo.\u201d<\/p>\n<p>Esse foi o fim da greve de fome de Orlando Zapata, um pedreiro e encanador de 42 anos que lutava contra o regime castrista em Cuba. Em 3 de dezembro do ano passado, ele decidiu parar de se alimentar como forma de protestar contra as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de tratamento na pris\u00e3o em que estava, na cidade de Camag\u00fcey. Acusado pelo governo de \u201cdesacato\u201d, \u201cdesobedi\u00eancia\u201d e \u201cdesordem p\u00fablica\u201d, estava preso desde 2003. Mesmo recebendo alimenta\u00e7\u00e3o intravenosa \u00e0 revelia, seu estado de sa\u00fade foi piorando, at\u00e9 que as autoridades tiveram de transferi-lo para um hospital de prisioneiros em Havana. Em car\u00e1ter de emerg\u00eancia, Zapata foi conduzido para o mais bem equipado Hermanos Ameijeiras. N\u00e3o foi o suficiente para salv\u00e1-lo ap\u00f3s 83 dias de protesto. Para a m\u00e3e dele, o culpado pela morte \u00e9 um s\u00f3. \u201cFoi um assassinato premeditado. O regime foi matando meu filho aos poucos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isto \u00e9 O processo que investiga o Mensal\u00e3o do PT no Supremo Tribunal Federal (STF) tem 69 mil p\u00e1ginas. S\u00e3o 147 volumes e 173 apensos. Entre os documentos, h\u00e1 50 depoimentos in\u00e9ditos colhidos pela Justi\u00e7a Federal em todo o Pa\u00eds ao longo de 2008 e 2009, laudos sigilosos da Pol\u00edcia Federal, relat\u00f3rios reservados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), pareceres da Receita Federal e outras representa\u00e7\u00f5es criminais que tramitam sob segredo de Justi\u00e7a em v\u00e1rios Estados. O calhama\u00e7o faz a mais ampla e fiel radiografia do maior esquema de corrup\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. 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