{"id":13042,"date":"2010-06-13T11:44:02","date_gmt":"2010-06-13T14:44:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=13042"},"modified":"2010-06-13T11:44:02","modified_gmt":"2010-06-13T14:44:02","slug":"expansao-das-universidades-publicas-volta-a-atrair-doutores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/06\/13\/expansao-das-universidades-publicas-volta-a-atrair-doutores\/","title":{"rendered":"Expans\u00e3o das universidades p\u00fablicas volta a atrair doutores"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Priscilla Borges, iG Bras\u00edlia<\/em><\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.ig.com\/fw\/6q\/qk\/m4\/6qqkm4v3xh3hpum87awx194dv.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div>\n<div><cite>Foto: Marcos Brand\u00e3o\/OBrittoNews<\/cite><\/div>\n<div>\n<p>Lourdes Brasil \u00e9 professora da UnB<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A professora de engenharia eletr\u00f4nica Lourdes Mattos Brasil, 46 anos, deixou a universidade privada onde trabalhou por seis anos para se dedicar mais \u00e0 pesquisa em uma federal. Lourdes aproveitou a oportunidade aberta pela Universidade de Bras\u00edlia em 2008, quando realizou concurso para contratar docentes para um novo campus.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 2007, os sal\u00e1rios nas particulares eram mais atrativos. Mas, quando o governo come\u00e7ou a expandir a rede federal, melhorou os sal\u00e1rios. Eu queria trabalhar na minha \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e fazer pesquisa, que n\u00e3o tem tanto apoio na rede privada\u201d, justifica. A estabilidade do emprego p\u00fablico fortaleceu a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Lourdes n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica a trocar as melhores remunera\u00e7\u00f5es \u2013 em grande parte dos casos, mas n\u00e3o todos \u2013 das institui\u00e7\u00f5es privadas pela carreira p\u00fablica. Maria C\u00e9lia Pressinatto, reitora do Centro Universit\u00e1rio Bar\u00e3o de Mau\u00e1, conta que est\u00e1 se tornando cada vez mais comum a migra\u00e7\u00e3o dos professores da rede particular para a p\u00fablica. Ela conta que, s\u00f3 no ano passado, perdeu cerca de 12 doutores.<!--more--><\/p>\n<p>\u201cNo passado, especialmente doutores aposentados vinham trabalhar na rede privada. Houve um tempo em que os sal\u00e1rios eram melhores nas particulares, porque as federais ficaram muitos anos sem aumento. Hoje, com a competitividade do mercado no ensino superior privado, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 inst\u00e1vel para muitos\u201d, avalia Maria C\u00e9lia.<\/p>\n<p>A estabilidade da carreira p\u00fablica, para Maria C\u00e9lia, \u00e9 um dos maiores atrativos. \u201cTemos professores que est\u00e3o indo para outros Estados e at\u00e9 regi\u00f5es\u201d, afirma. Segundo a reitora, as dificuldades aparecem quando o professor precisa largar a turma no meio do semestre.<\/p>\n<p>\u201cEssa contrata\u00e7\u00e3o imediata \u00e9 que nos preocupa por causa da quest\u00e3o pedag\u00f3gica. Temos j\u00e1 um banco de curr\u00edculos para n\u00e3o deixar nossos alunos sem aulas e todo o trabalho do futuro professor \u00e9 acompanhado por uma comiss\u00e3o pedag\u00f3gica\u201d, diz. Ela acredita que institui\u00e7\u00f5es menores podem encontrar mais dificuldades.<\/p>\n<p>O diretor de marketing da Universidade Cat\u00f3lica de Bras\u00edlia, Roberto Resende, acredita que essa rotatividade \u00e9 normal. \u201cH\u00e1 vantagens e desvantagens nos dois lados. \u00c9 uma decis\u00e3o pessoal\u201d, defende. \u201cN\u00e3o vemos como um problema para a universidade\u201d, diz. Roberto conta que h\u00e1 professores que deixaram a institui\u00e7\u00e3o, mas que a reposi\u00e7\u00e3o foi r\u00e1pida e n\u00e3o prejudicou os alunos.<\/p>\n<p><strong>Comprova\u00e7\u00e3o em n\u00fameros<\/strong><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 estudos sobre esse fen\u00f4meno entre as associa\u00e7\u00f5es que representam as institui\u00e7\u00f5es privadas de ensino ou no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, os n\u00fameros de fun\u00e7\u00f5es docentes (n\u00famero de postos de trabalho) do Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), revelam que, de fato, os doutores se tornaram mais numerosos nas federais do que nas privadas nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Em 1991, a rede federal possu\u00eda 7 mil doutores. Em 2002, eles eram 18 mil. Em 2008, as federais tinham 30,6 mil. J\u00e1 nas particulares, em 1991, 3 mil professores com t\u00edtulo de doutorado davam aulas. Em 2002, 7 mil e, em 2008, 12,9 mil. \u00c9 importante ressaltar que as institui\u00e7\u00f5es privadas representam 90% do sistema educacional superior brasileiro, que possui 2.252 institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com os programas de expans\u00e3o da rede federal iniciados pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o em 2003, foram autorizadas a realiza\u00e7\u00e3o de concursos e a contrata\u00e7\u00e3o de 21,7 mil docentes e 24 mil t\u00e9cnicos administrativos. Um desses foi aproveitado por Lourdes, que possui doutorado na \u00e1rea de engenharia biom\u00e9dica e est\u00e1 criando um curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea na Faculdade da UnB no Gama.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo S\u00e9rgio Amadeu, 48 anos, tamb\u00e9m decidiu trocar a institui\u00e7\u00e3o privada na qual deu aulas durante anos por uma nova empreitada. Ele, que era da C\u00e1sper L\u00edbero, em S\u00e3o Paulo, quis ter mais espa\u00e7o de pesquisar. Doutor na \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o em rede, ele pretende estudar as pol\u00edticas p\u00fablicas na sociedade da informa\u00e7\u00e3o. Na rede privada, as chances de conseguir atingir esse objetivo eram pequenas.<\/p>\n<p>\u201cA C\u00e1sper \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o excelente, mas a l\u00f3gica \u00e9 outra. A pesquisa requer um desprendimento que as institui\u00e7\u00f5es privadas n\u00e3o t\u00eam muito. Se voc\u00ea quer pesquisar, tem de ir para rede p\u00fablica\u201d, garante. S\u00e9rgio ainda teve d\u00favidas se assumia o cargo na Universidade Federal do ABC, porque a institui\u00e7\u00e3o era muito nova e ele teria uma queda de sal\u00e1rio inicial. Agora, est\u00e1 contente com a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Paulo Paniago, 44 anos, deixou o emprego de nove anos no Centro Universit\u00e1rio de Bras\u00edlia (UniCeub) para se tornar professor do curso de comunica\u00e7\u00e3o social na UnB. Doutor na \u00e1rea de jornalismo e sociedade, a possibilidade de fazer pesquisas foi determinante na decis\u00e3o. A profiss\u00e3o que come\u00e7ou como \u201cum refor\u00e7o de sal\u00e1rio\u201d se tornou paix\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEu tinha bolsas de estudos para os meus filhos, o que faz uma grande diferen\u00e7a no sal\u00e1rio. Mas minha carga hor\u00e1ria de trabalho era inst\u00e1vel. E agora n\u00e3o preciso ficar preso \u00e0 sala de aula, posso investir em pesquisas, que eu n\u00e3o conseguia. A estabilidade n\u00e3o conta muito para mim\u201d, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Priscilla Borges, iG Bras\u00edlia Foto: Marcos Brand\u00e3o\/OBrittoNews Lourdes Brasil \u00e9 professora da UnB A professora de engenharia eletr\u00f4nica Lourdes Mattos Brasil, 46 anos, deixou a universidade privada onde trabalhou por seis anos para se dedicar mais \u00e0 pesquisa em uma federal. Lourdes aproveitou a oportunidade aberta pela Universidade de Bras\u00edlia em 2008, quando realizou concurso para contratar docentes para um novo campus. \u201cAt\u00e9 2007, os sal\u00e1rios nas particulares eram mais atrativos. Mas, quando o governo come\u00e7ou a expandir a rede federal, melhorou os sal\u00e1rios. Eu queria trabalhar na minha \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e fazer pesquisa, que n\u00e3o tem tanto&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-13042","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":603,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13042"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13042\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13044,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13042\/revisions\/13044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}