{"id":11736,"date":"2010-05-30T09:57:24","date_gmt":"2010-05-30T12:57:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=11736"},"modified":"2010-05-30T09:57:24","modified_gmt":"2010-05-30T12:57:24","slug":"brasil-se-torna-o-principal-destino-de-agrotoxicos-banidos-no-exterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/05\/30\/brasil-se-torna-o-principal-destino-de-agrotoxicos-banidos-no-exterior\/","title":{"rendered":"Brasil se torna o principal destino de agrot\u00f3xicos banidos no exterior"},"content":{"rendered":"<div class=\"bb-md-noticia-autor\"><em><strong>L\u00edgia Formenti &#8211; O Estado de S.Paulo<\/strong><\/em><\/div>\n<div class=\"corpo\">\n<p>Campe\u00e3o mundial de uso de agrot\u00f3xicos, o Brasil se tornou nos \u00faltimos anos o principal destino de produtos banidos em outros pa\u00edses. Nas lavouras brasileiras s\u00e3o usados pelo menos dez produtos proscritos na Uni\u00e3o Europeia (UE), Estados Unidos e um deles at\u00e9 no Paraguai.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), com base em dados das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Apesar de prevista na legisla\u00e7\u00e3o, o governo n\u00e3o leva adiante com rapidez a reavalia\u00e7\u00e3o desses produtos, etapa indispens\u00e1vel para restringir o uso ou retir\u00e1-los do mercado. Desde que, em 2000, foi criado na Anvisa o sistema de avalia\u00e7\u00e3o, quatro subst\u00e2ncias foram banidas. Em 2008, nova lista de reavalia\u00e7\u00e3o foi feita, mas, por diverg\u00eancias no governo, press\u00f5es pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a, pouco se avan\u00e7ou.<\/p>\n<p><!--more-->At\u00e9 agora, dos 14 produtos que deveriam ser submetidos \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o, s\u00f3 houve uma decis\u00e3o: a cihexatina, empregada na citrocultura, ser\u00e1 banida a partir de 2011. At\u00e9 l\u00e1, seu uso \u00e9 permitido s\u00f3 no Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Da lista de 2008, tr\u00eas produtos aguardam an\u00e1lise de comiss\u00e3o tripartite &#8211; formada pelo Istituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Minist\u00e9rio da Agricultura (Mapa) e Anvisa &#8211; para serem proibidos: acefato, metamidof\u00f3s e endossulfam. Um item, o triclorfom, teve o pedido de cancelamento feito pelo produtor. Outro produto, o fosmete, ter\u00e1 o registro mantido, mas mediante restri\u00e7\u00f5es e cuidados adicionais.<\/p>\n<p>Enquanto as decis\u00f5es s\u00e3o proteladas, o uso de agrot\u00f3xicos sob suspeita de afetar a sa\u00fade aumenta. Um exemplo \u00e9 o endossulfam, associado a problemas end\u00f3crinos. Dados da Secretaria de Com\u00e9rcio Exterior mostram que o Pa\u00eds importou 1,84 mil tonelada do produto em 2008. Ano passado, saltou para 2,37 mil t.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos consumindo o lixo que outras na\u00e7\u00f5es rejeitam&#8221;, resume a coordenadora do Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00e3o T\u00f3xico-Farmacol\u00f3gicas da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, Rosany Bochner. Proibido na UE, China, \u00cdndia e no Paraguai, o metamidof\u00f3s segue caminho semelhante.<\/p>\n<p>O pesquisador da Fiocruz Marcelo Firpo lembra que esse padr\u00e3o n\u00e3o \u00e9 in\u00e9dito. &#8220;Assistimos a fen\u00f4meno semelhante com o amianto. Com a redu\u00e7\u00e3o do mercado internacional, os produtores aumentaram a press\u00e3o para aumentar as vendas no Brasil.&#8221; As t\u00e1ticas usadas s\u00e3o v\u00e1rias. &#8220;Pagamos por isso um pre\u00e7o invis\u00edvel, que \u00e9 o aumento do custo na \u00e1rea de sa\u00fade&#8221;, completa.<\/p>\n<p>O coordenador-geral de Agrot\u00f3xicos e Afins do Mapa, Lu\u00eds Rangel, admite que produtos banidos em outros pa\u00edses e candidatos \u00e0 revis\u00e3o no Brasil t\u00eam aumento anormal de consumo entre produtores daqui. Para tentar cont\u00ea-lo, deve ser editada uma instru\u00e7\u00e3o normativa fixando teto para importa\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos sob suspeita. O limite seria criado segundo a m\u00e9dia de consumo dos \u00faltimos anos. Exce\u00e7\u00f5es seriam analisadas caso a caso.<\/p>\n<p>A lentid\u00e3o na aprecia\u00e7\u00e3o da lista come\u00e7ou com a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a, movidas pelas empresas de agrot\u00f3xicos e pelo sindicato das ind\u00fastrias. Em uma delas, foram inclu\u00eddos documentos em que o pr\u00f3prio Mapa posicionou-se contrariamente \u00e0 restri\u00e7\u00e3o. S\u00f3 depois que liminares foram suspensas, em 2009, as an\u00e1lises continuaram.<\/p>\n<p>Empresas. Representantes das ind\u00fastrias criticam o formato da reavalia\u00e7\u00e3o. O setor diz n\u00e3o haver crit\u00e9rios para a escolha dos produtos inclu\u00eddos na lista. E criticam a Anvisa por falta de transpar\u00eancia. Para as ind\u00fastrias, o material da Anvisa n\u00e3o traz informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Defesa Vegetal critica as listas de riscos ligados ao uso de produtos, muitas vezes baseadas em estudos feitos em laborat\u00f3rio. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 como fazer estudos de risco em popula\u00e7\u00e3o expressiva. A cada dia, mais pa\u00edses baseiam suas decis\u00f5es em estudos feitos em laborat\u00f3rios&#8221;, rebate o gerente-geral de Toxicologia da Anvisa, Luiz Cl\u00e1udio Meireles.<\/p>\n<\/div>\n<p>?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00edgia Formenti &#8211; O Estado de S.Paulo Campe\u00e3o mundial de uso de agrot\u00f3xicos, o Brasil se tornou nos \u00faltimos anos o principal destino de produtos banidos em outros pa\u00edses. Nas lavouras brasileiras s\u00e3o usados pelo menos dez produtos proscritos na Uni\u00e3o Europeia (UE), Estados Unidos e um deles at\u00e9 no Paraguai. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), com base em dados das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio. 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