{"id":11328,"date":"2010-05-26T09:20:58","date_gmt":"2010-05-26T12:20:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=11328"},"modified":"2010-05-26T09:20:58","modified_gmt":"2010-05-26T12:20:58","slug":"seguranca-da-bancoop-cita-desvios-para-o-pt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/05\/26\/seguranca-da-bancoop-cita-desvios-para-o-pt\/","title":{"rendered":"Seguran\u00e7a da Bancoop cita desvios para o PT"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Fausto Macedo \/ S\u00c3O PAULO &#8211; O Estado de S.Paulo<\/em><\/strong><\/p>\n<div>\n<p>O empres\u00e1rio Andi Roberto Gurczynska, que trabalhou como seguran\u00e7a para a c\u00fapula da Cooperativa Habitacional dos Banc\u00e1rios (Bancoop), declarou ontem na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo que emitia notas de servi\u00e7o para a entidade e, em contrapartida, recebia em sua conta dep\u00f3sitos de valor &#8220;dez vezes superior&#8221;. A diferen\u00e7a, contou, era resgatada depois e levada ao ent\u00e3o presidente da Bancoop, Lu\u00eds Malheiro, e a outros diretores.<\/p>\n<p>&#8220;Era voz corrente que (o dinheiro) ia para o PT&#8221;, disse Andi, em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) que investiga supostas fraudes e desvios na cooperativa fundada por um n\u00facleo ligado ao Partido dos Trabalhadores.<!--more--><\/p>\n<p>Segundo Andi, ele pr\u00f3prio escoltava Malheiro at\u00e9 o Sindicato dos Banc\u00e1rios, na ocasi\u00e3o dirigido por Jo\u00e3o Vaccari Neto, hoje secret\u00e1rio de Finan\u00e7as e Planejamento do PT. Nessas visitas ao sindicato, Malheiro levava envelopes, supostamente os mesmos que haviam sido retirados da ag\u00eancia banc\u00e1ria.<\/p>\n<p>Entre 2005 e in\u00edcio de 2010, Vaccari presidiu a Bancoop \u2013 ele sucedeu a Malheiro que, em 2004, morreu em acidente de carro. Vaccari \u00e9 o alvo principal de investiga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual que a ele atribui envolvimento em desvios que podem chegar a R$ 100 milh\u00f5es. Parte desse montante, segundo a promotoria, teria sido destinado a campanhas eleitorais do PT.<\/p>\n<p>Andi relatou que &#8220;por tr\u00eas ou quatro vezes emitiu notas&#8221; no valor de R$ 3.800 cada uma. A Bancoop depositava R$ 38 mil em sua conta banc\u00e1ria por nota lan\u00e7ada. Ele abriu seu sigilo banc\u00e1rio e fiscal para provar que os valores foram depositados a seu favor, mas sacados em seguida.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio disse n\u00e3o ter como informar com precis\u00e3o as datas em que as transa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias foram efetuadas. &#8220;Minha inten\u00e7\u00e3o era trabalho, eu fazia seguran\u00e7a, n\u00e3o ficava preocupado com datas. Posso dizer que foi entre 2002 e 2004. Eu era seguran\u00e7a pessoal, chefe da seguran\u00e7a da dire\u00e7\u00e3o da Bancoop e fazia a escolta dele (Malheiro)&#8221;, disse. &#8220;Eu era mais ligado diretamente a ele do que a qualquer outra pessoa l\u00e1 dentro.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Apartid\u00e1rio<\/strong>. Na sess\u00e3o de ontem da CPI, Andi demonstrou indigna\u00e7\u00e3o quando parlamentares do PT o acusaram de estar a servi\u00e7o do PSDB. Deputados informaram que, a partir de dezembro de 2009, ele fechou cinco contratos com administra\u00e7\u00f5es tucanas.<\/p>\n<p>&#8220;Querem me desqualificar. Sou um profissional da \u00e1rea de seguran\u00e7a. Minha empresa tamb\u00e9m tem contratos com gest\u00f5es do PT. Participo de licita\u00e7\u00f5es absolutamente transparentes. Quiseram me achincalhar. Sou apartid\u00e1rio, n\u00e3o sou filiado a nenhum partido. Sou empres\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A CPI havia tomado depoimentos de cooperados que denunciaram les\u00f5es, mas agora come\u00e7amos a verificar para onde foi o dinheiro&#8221;, declarou o deputado Bruno Covas (PSDB), relator da CPI. &#8220;Se pagaram e n\u00e3o receberam em servi\u00e7os, alguma coisa foi feita com esses recursos. Ningu\u00e9m retira dinheiro em volumes elevados para pagar conta de \u00e1gua ou pagar funcion\u00e1rio. Ningu\u00e9m precisa de seguran\u00e7a para levar envelope para outro lugar, a menos que haja dinheiro nesse envelope.&#8221;<\/p>\n<p>Para Covas, as opera\u00e7\u00f5es narradas por Andi caracterizam contabilidade paralela. &#8220;Ele disse que recebia valor X e dava uma nota correspondente a 10% desse montante porque precisavam repassar em dinheiro para diretores. Chama a aten\u00e7\u00e3o que ele recebia a mais sobre a nota. N\u00e3o \u00e9 caixa 1, \u00e9 caixa 2.&#8221;<\/p>\n<p>Sobre a acusa\u00e7\u00e3o de que Andi teria liga\u00e7\u00f5es com o PSDB, Bruno Covas foi taxativo ao comparar o epis\u00f3dio ao do caseiro Francenildo Costa que, em mar\u00e7o de 2006, denunciou o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda) como frequentador da &#8220;casa do lobby&#8221;, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;O PT quer fazer com uma testemunha importante o que tentou fazer com o Francenildo quando descobriram um dep\u00f3sito na conta dele. Mais tarde ficou comprovado que era dinheiro do pai do caseiro. A alega\u00e7\u00e3o de que Andi est\u00e1 a servi\u00e7o do governo do PSDB \u00e9 absurda.&#8221;<\/p>\n<p>O deputado Vicente C\u00e2ndido (PT), que integra a CPI, considera a vers\u00e3o de Andi um caso inusitado. &#8220;Normalmente, nesses casos de desvio de verbas ou corrup\u00e7\u00e3o, a nota \u00e9 maior que o recebimento efetivo. Ele (Andi) n\u00e3o provou nada.&#8221; Vaccari Neto n\u00e3o retornou contato feito pela reportagem.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fausto Macedo \/ S\u00c3O PAULO &#8211; O Estado de S.Paulo O empres\u00e1rio Andi Roberto Gurczynska, que trabalhou como seguran\u00e7a para a c\u00fapula da Cooperativa Habitacional dos Banc\u00e1rios (Bancoop), declarou ontem na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo que emitia notas de servi\u00e7o para a entidade e, em contrapartida, recebia em sua conta dep\u00f3sitos de valor &#8220;dez vezes superior&#8221;. 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