{"id":10943,"date":"2010-05-23T10:19:12","date_gmt":"2010-05-23T13:19:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=10943"},"modified":"2010-05-23T10:19:12","modified_gmt":"2010-05-23T13:19:12","slug":"apos-pacto-com-ira-brasil-reivindica-condicao-de-porta-voz-dos-emergentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/05\/23\/apos-pacto-com-ira-brasil-reivindica-condicao-de-porta-voz-dos-emergentes\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s pacto com Ir\u00e3, Brasil reivindica condi\u00e7\u00e3o de porta-voz dos emergentes"},"content":{"rendered":"<div class=\"bb-md-noticia-autor\"><em><strong>Roberto Simon, TEER\u00c3 &#8211; O Estado de S.Paulo<\/strong><\/em><\/div>\n<div class=\"corpo\">\n<p>Aos olhos de diplomatas brasileiros, o maior &#8211; e mais improv\u00e1vel &#8211; afago \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds no Ir\u00e3 veio do jornal brit\u00e2nico Financial Times. Em editorial, o prestigiado di\u00e1rio liberal defendeu que o acordo nuclear turco-brasileiro com Teer\u00e3, independentemente de seu resultado, prova que o Brasil tornou-se uma &#8220;ponte&#8221; entre o Ocidente e &#8220;os emergentes&#8221;. A Turquia, do outro lado, serviu de elo entre os ocidentais e &#8220;o mundo isl\u00e2mico&#8221;.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico do jornal foi uma boa not\u00edcia para o Itamaraty. Entrar na seara iraniana, acreditam os diplomatas, \u00e9 apenas mais uma maneira de reafirmar que o Brasil de hoje \u00e9 um ator global pleno, cuja influ\u00eancia pode determinar rumos em todo o mundo. Cr\u00edticos do governo do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, por\u00e9m, definem esse racioc\u00ednio com uma palavra: megalomania.<\/p>\n<p>No di\u00e1logo da semana passada com o Ir\u00e3, a diplomacia brasileira fez quest\u00e3o de exaltar sua condi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia emergente &#8211; &#8220;aliada ao Ocidente, mas com uma agenda semiaut\u00f4noma&#8221;, segundo a defini\u00e7\u00e3o do Financial Times. Pelo discurso oficial em Teer\u00e3, teria sido essa qualidade socioecon\u00f4mica &#8211; e agora pol\u00edtica &#8211; a chave para &#8220;arrancar&#8221; um acordo do governo iraniano.<\/p>\n<p><!--more-->&#8220;Foi uma negocia\u00e7\u00e3o respeitosa entre pa\u00edses em desenvolvimento, que compreendem os problemas uns dos outros&#8221;, disse, satisfeito, o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Celso Amorim, momentos ap\u00f3s a assinatura do acordo, na segunda-feira.<\/p>\n<p>O chanceler alfinetou o grupo formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU (EUA, R\u00fassia, China, Gr\u00e3-Bretanha e Fran\u00e7a) e a Alemanha, que falam &#8220;exclusivamente a linguagem da press\u00e3o&#8221;. Por isso, teriam sido incapazes de emplacar o acordo de troca de ur\u00e2nio por material nuclear, proposto em outubro pela Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA).<\/p>\n<p>P\u00fablico interno. J\u00e1 os emergentes Brasil e Turquia tiveram &#8220;maior capacidade de persuas\u00e3o&#8221; e acabaram provando ser &#8220;mais eficazes&#8221; na mesa de negocia\u00e7\u00e3o, de acordo com o chanceler brasileiro.<\/p>\n<p>O cientista pol\u00edtico Hossein Seifzadeh, da Universidade de Teer\u00e3, tem outra explica\u00e7\u00e3o. &#8220;Para o governo iraniano, \u00e9 mais f\u00e1cil vender internamente uma proposta feita por Lula e pelo (primeiro-ministro turco, Recep Tayyip) Erdogan&#8221;, afirmou Seifzadeh ao Estado.<\/p>\n<p>Em Teer\u00e3, representantes do Brasil deram de cara com o labirinto de poder por tr\u00e1s da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica. Para traduzir o sonhado &#8220;protagonismo global&#8221; em um acordo nuclear concreto, a delega\u00e7\u00e3o brasileira viveu na pele a dificuldade do di\u00e1logo com o Ir\u00e3 de que tanto falam americanos e europeus.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito cacique para pouco \u00edndio&#8221;, resumiu uma importante figura da delega\u00e7\u00e3o brasileira, ao tentar explicar a jornalistas quem eram exatamente os interlocutores iranianos na barganha nuclear. Embora seja o Minist\u00e9rio da Defesa o principal respons\u00e1vel pelo programa at\u00f4mico, o poder de decis\u00e3o sobre o tema est\u00e1 pulverizado pelo sistema pol\u00edtico iraniano.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos militares, o presidente Mahmoud Ahmadinejad, o l\u00edder supremo iraniano, o aiatol\u00e1 Ali Khamenei, e o Parlamento t\u00eam voz sobre a quest\u00e3o e n\u00e3o h\u00e1 uma organiza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica clara, como nas burocracias ocidentais.<\/p>\n<p>&#8220;E olha que eles vendem tapetes h\u00e1 milhares de anos&#8221;, lembrou um diplomata, explicando as dificuldades que brasileiros encontraram para negociar.<\/p>\n<p>O governo brasileiro tamb\u00e9m deixou claro, em Teer\u00e3, que n\u00e3o atuava como mediador entre o Ir\u00e3 e as pot\u00eancias ocidentais. &#8220;N\u00e3o negociei em nome de ningu\u00e9m nem pendi mandato&#8221;, disse Amorim. O objetivo era discutir com os iranianos, ao lado dos turcos, o plano proposto em outubro e definir zonas que permaneciam sombrias da proposta.<\/p>\n<p>Exig\u00eancias das pot\u00eancias foram levadas em conta, admite o Itamaraty. A principal delas foi a reclama\u00e7\u00e3o americana da mudan\u00e7a constante de discurso por parte dos iranianos. Para sanar o problema, o acordo prev\u00ea que a posi\u00e7\u00e3o de Teer\u00e3 seja submetida, por escrito, \u00e0 AIEA.<\/p>\n<p>Resist\u00eancia americana. A medida, por\u00e9m, n\u00e3o convenceu o governo Barack Obama. Os EUA acusam o regime dos aiatol\u00e1s de usar o acordo firmado com turcos e brasileiros para ganhar tempo e evitar novas san\u00e7\u00f5es que poderiam ser impostas pelo Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas a partir de junho.<\/p>\n<p>E o que \u00e9 ainda pior: as pontes com os &#8220;emergentes&#8221; e o &#8220;mundo isl\u00e2mico&#8221;, que o Financial Times viu no Brasil e na Turquia, n\u00e3o impediram a Casa Branca de anunciar que os votos necess\u00e1rios para aprovar uma quarta rodada de san\u00e7\u00f5es contra o programa nuclear iraniano j\u00e1 foram angariados.<\/p>\n<\/div>\n<p>?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberto Simon, TEER\u00c3 &#8211; O Estado de S.Paulo Aos olhos de diplomatas brasileiros, o maior &#8211; e mais improv\u00e1vel &#8211; afago \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds no Ir\u00e3 veio do jornal brit\u00e2nico Financial Times. 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