{"id":10914,"date":"2010-05-22T11:47:54","date_gmt":"2010-05-22T14:47:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=10914"},"modified":"2010-05-22T11:47:54","modified_gmt":"2010-05-22T14:47:54","slug":"razoes-do-mal-a-confissao-da-bruxa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/05\/22\/razoes-do-mal-a-confissao-da-bruxa\/","title":{"rendered":"Raz\u00f5es do mal: a confiss\u00e3o da bruxa"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>da Revista Veja <\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/260510\/imagens\/capa380.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/260510\/imagens\/capa380.jpg\" alt=\"\" width=\"120\" \/><\/a>A procuradora Vera L\u00facia, acusada de torturar a menina que pretendia adotar, tenta justificar sua crueldade culpando a crian\u00e7a. Uma testemunha afirma que ela tamb\u00e9m batia na m\u00e3e. Como uma bruxa m\u00e1, n\u00e3o demonstra nenhum arrependimento e sua l\u00f3gica \u00e9 a da desraz\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0Os contos de fadas, cujos her\u00f3is enfrentam bruxas malvadas e lobos maus, inevitavelmente acabam bem. S\u00e3o uma forma de as crian\u00e7as encararem e exorcizarem seus medos e ang\u00fastias, dizem os psicanalistas. Mas, s\u00f3 no Brasil, h\u00e1 milhares de meninos e meninas que descobrem, desde muito cedo, que bruxas malvadas e lobos maus podem existir de verdade \u2013 e, pior, habitar a casa onde eles moram. A procuradora aposentada Vera L\u00facia de Sant\u2019Anna Gomes, de 66 anos, \u00e9 uma dessas bruxas malvadas de carne e osso. Presa de n\u00famero 323?010 do Complexo Penitenci\u00e1rio de Bangu, no Rio de Janeiro, ela se entregou \u00e0 pol\u00edcia depois de passar oito dias foragida, acusada de torturar com frieza e f\u00faria uma menina de 2 anos que estava sob sua guarda. Na semana passada, Vera L\u00facia falou a VEJA.<\/p>\n<p>\u00a0<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/260510\/imagens\/brasil10.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/260510\/imagens\/brasil10.jpg\" alt=\"\" width=\"460\" \/><\/a><\/p>\n<p>A PROCURADORA VERA L\u00daCIA admitiu ter chamado T.E. de &#8220;cachorra&#8221;: &#8220;Ela estava se recusando a comer e ainda por cima sujava a roupa toda de leite. Perdi a paci\u00eancia&#8221;<\/p>\n<div>\n<p>Estava vestida com o uniforme das presidi\u00e1rias \u2013 blusa branca de malha, cal\u00e7a azul e chinelos de dedo -, tinha o cabelo pintado de loiro em desalinho e as unhas cor de vinho. Com os olhos fixos e a voz exaltada, ela negou a s\u00e9rie de maus-tratos de que \u00e9 acusada de infligir a T.E., a menina que estava prestes a adotar \u2013 mas assumiu sem nenhum fio de remorso a humilha\u00e7\u00e3o a que submeteu a crian\u00e7a. \u201cChamei a garota de cachorra mesmo\u201d, afirmou. E acrescentou: \u201cMas chamar algu\u00e9m de cachorro n\u00e3o \u00e9 ofensa. Os c\u00e3es s\u00e3o mais amigos e leais do que muito ser humano por a\u00ed\u201d. Durante os 29 dias em que a pequena T.E. ficou sob os seus cuidados provis\u00f3rios (os pap\u00e9is para formalizar a ado\u00e7\u00e3o estavam correndo na Justi\u00e7a), a procuradora a manteve trancafiada em um quarto. T.E., afirmam testemunhas, era alvo de xingamentos constantes e recebeu tantas surras que mal conseguia abrir os olhos, de t\u00e3o inchados. Foi nesse estado que representantes do conselho tutelar a encontraram quando foram \u00e0 casa de Vera L\u00facia, movidos por uma den\u00fancia an\u00f4nima. T.E. passou tr\u00eas dias no hospital para tratar dos ferimentos. Hoje, de volta ao abrigo de menores onde vivia, ela pouco come e quase n\u00e3o fala. Quando um estranho chega perto, assusta-se e foge.<\/p>\n<\/div>\n<p><!--more-->\u00a0<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/260510\/imagens\/brasil12.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/260510\/imagens\/brasil12.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"360\" \/><\/a> BRUTALIZADA: Quase sem conseguir fechar os olhos inchados pelas agress\u00f5es, a menina T.E. \u00e9 transportada para o abrigo onde estava antes de ser levada por Vera\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<p>O que faz algu\u00e9m ser capaz de cometer tamanha brutalidade? E, sobretudo, o que faz algu\u00e9m capaz de tal brutalidade querer adotar uma crian\u00e7a? A monstruosidade da procuradora \u00e9 identificada por especialistas como t\u00edpica dos psicopatas. Eles s\u00e3o capazes de entender intelectualmente a diferen\u00e7a entre o bem e o mal, mas n\u00e3o demonstram ter aquelas emo\u00e7\u00f5es que est\u00e3o na base do senso moral das pessoas \u2013 como ilustra o caso de Vera L\u00facia. \u201cEla n\u00e3o se compadece da dor alheia, n\u00e3o d\u00e1 sinais de arrependimento e parecia ter prazer em subjugar a menina\u201d, afirma o psiquiatra Joel Birman. V\u00e1rios epis\u00f3dios na biografia da procuradora revelam essa agressividade. Uma amiga da fam\u00edlia de Vera L\u00facia contou que, certa vez, recebeu a visita da m\u00e3e da procuradora, Maria de Lourdes, que viveu com a filha at\u00e9 morrer, em 2004. Segundo essa amiga, Maria de Lourdes confidenciou-lhe que, quando se enfurecia, Vera L\u00facia lhe dava \u201cuns tapas\u201d. \u201cFiquei em choque\u201d, disse a mulher a VEJA. Em delegacias do Rio, h\u00e1 registro de quinze boletins de ocorr\u00eancia envolvendo a procuradora. Um dos casos ocorreu em 2008, ano em que ela estava \u00e0s voltas com outro processo de ado\u00e7\u00e3o. Durante uma das visitas ao beb\u00ea, soube que a m\u00e3e havia desistido de entreg\u00e1-lo (quatro anos antes, sua primeira tentativa de ado\u00e7\u00e3o tivera o mesmo desfecho). Raivosa, arrancou do rec\u00e9m-nascido as roupas que havia comprado. N\u00e3o satisfeita, fez den\u00fancia caluniosa contra a mulher, a quem acusava de querer vender a crian\u00e7a. A delegada que colheu seu depoimento, Maria Aparecida Mallet, lembra: \u201cEla agia de forma prepotente e tentava me intimidar: \u2018Sabe que eu sou procuradora do estado?\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Proveniente de uma fam\u00edlia do sub\u00farbio carioca, filha de um m\u00e9dico e de uma dona de casa, Vera L\u00facia nunca manteve la\u00e7os estreitos com os parentes, tampouco com seus ex-colegas no Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual, onde trabalhou durante quinze anos. \u201cEra muito competitiva, dada a picuinhas, e se achava a dona da verdade. Ningu\u00e9m queria ficar perto dela\u201d, resume um ex-chefe. Depois que se aposentou, doze anos atr\u00e1s, a procuradora passou a preencher o tempo com os animais de estima\u00e7\u00e3o (tem um poodle e dois gatos siameses), viagens de cruzeiro para o Nordeste e o tar\u00f4, que costumava jogar na internet para colegas de comunidades virtuais chamadas, nem t\u00e3o ironicamente no seu caso, Caldeir\u00e3o, Vassoura e Intui\u00e7\u00e3o e Magia Pr\u00e1tica. Na den\u00fancia contra ela encaminhada \u00e0 Justi\u00e7a consta a suspeita de que faria parte de uma seita sat\u00e2nica. Uma testemunha conta que viu, em seu apartamento de 200 metros quadrados, no bairro de Ipanema, Zona Sul da cidade, vodus e bonecos com rosto desfigurado, ladeados por imagens de Buda e uma cole\u00e7\u00e3o de 150 baralhos de tar\u00f4. Era ali que a procuradora costumava ficar reclusa. Diz o seu sobrinho Carlos Ariosto: \u201cEla \u00e9 t\u00e3o fechada que n\u00e3o chegou nem a apresentar \u00e0 fam\u00edlia a menina que iria adotar\u201d.<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/260510\/imagens\/brasil13.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/260510\/imagens\/brasil13.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"230\" \/><\/a> DE VOLTA: T.E., em foto recente, no abrigo de menores: ainda assustada, ela foge de desconhecidos\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<p>Casada duas vezes (uma delas com seu atual advogado, Jair Leite Pereira), Vera L\u00facia optou por n\u00e3o ter filhos. Mas de seis anos para c\u00e1 andava obcecada pela ideia de adotar uma crian\u00e7a. Chegou a escrever, no Orkut, a uma comunidade que re\u00fane pretendentes \u00e0 ado\u00e7\u00e3o: \u201cQuero finalmente formar a fam\u00edlia que nunca tive\u201d. Seu objetivo declarado era ter a quem deixar sua pens\u00e3o como procuradora, hoje de 23 000 reais, e os bens, entre os quais uma casa debru\u00e7ada sobre a valorizada Praia de Gerib\u00e1, em B\u00fazios. Esse tipo de argumento normalmente desqualifica o candidato \u00e0 ado\u00e7\u00e3o por n\u00e3o traduzir um desejo genu\u00edno de maternidade. Mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico dado absurdo no processo que levou a procuradora a obter a guarda de T.E. A autoriza\u00e7\u00e3o do estado para que algu\u00e9m com evidentes problemas psicol\u00f3gicos acolhesse uma crian\u00e7a em casa exp\u00f5e as fragilidades da lei de ado\u00e7\u00e3o no Brasil \u2013 tanto a antiga, que vigorava quando Vera L\u00facia conseguiu a autoriza\u00e7\u00e3o para adotar, quanto a atual.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/260510\/imagens\/brasil14.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"244\" \/> PENS\u00c3O DE 23 000 REAIS: Vera L\u00facia diz que queria adotar para ter com quem deixar sua pens\u00e3o e seus bens. Na foto, sua casa de praia em B\u00fazios, com o muro pichado\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<p>Desde o dia em que chegou \u00e0 casa da procuradora, no \u00faltimo 17 de mar\u00e7o, T.E., a quem Vera L\u00facia chamava de Bia, foi alvo de sua ira \u2013 segundo relatam as empregadas. \u201cA patroa tapava o nariz da menina e enfiava a comida com a m\u00e3o dentro de sua boca. Puxava o cabelo dela e a fazia bater a cabe\u00e7a numa mesa de m\u00e1rmore com toda a for\u00e7a\u201d, conta Luzia de Almeida. Aos berros, Vera L\u00facia ainda xingava: \u201cPrefiro mil vezes meus bichos a voc\u00ea, sua sem-vergonha. Voc\u00ea \u00e9 safada igual \u00e0 sua m\u00e3e\u201d. A m\u00e3e de T.E., que vive de bicos no Rio, teve a menina com um italiano que nunca a registrou como filha. Abandonou-a por duas vezes, mas hoje, sem se identificar, afirma: \u201cQuero reaver a guarda da minha filha\u201d. O quadro da menina preocupa os especialistas que a acompanham. Foram tantas as pancadas na cabe\u00e7a que n\u00e3o se sabe se haver\u00e1 sequelas neurol\u00f3gicas. Por decis\u00e3o da Justi\u00e7a, Vera L\u00facia ter\u00e1 de custear o tratamento psicol\u00f3gico de T.E. e lhe pagar uma pens\u00e3o mensal equivalente a 10% de seus rendimentos enquanto viver. Apesar da bruxa processada, n\u00e3o \u00e9 um final de conto de fadas.<\/p>\n<h3>\u201cN\u00e3o faria sentido torturar uma menina que cuidaria de mim na velhice, certo?\u201d<\/h3>\n<p><em>Presa h\u00e1 duas semanas depois de oito dias foragida, a procuradora aposentada Vera L\u00facia de Sant\u2019Anna Gomes ocupa cela individual no Complexo Penitenci\u00e1rio de Bangu, Zona Oeste do Rio. Ela passa os dias num espa\u00e7o reservado a mais oito presidi\u00e1rias, algumas acusadas de tr\u00e1fico de drogas. Com as m\u00e3os tr\u00eamulas e elevando a voz em alguns momentos, ela deu a seguinte entrevista ao rep\u00f3rter Ronaldo Soares:<\/em><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/260510\/imagens\/brasil11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/260510\/imagens\/brasil11.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"315\" \/><\/a>A senhora \u00e9 acusada de torturar durante 29 dias a menina de 2 anos que pretendia adotar. Isso \u00e9 verdade?<br \/>\n<\/strong>De tudo aquilo de que est\u00e3o me acusando, admito uma coisa: chamei a menina de cachorra mesmo. No dia em que isso aconteceu, t\u00ednhamos uma consulta m\u00e9dica. Ela estava se recusando a comer e ainda por cima sujava a roupa toda de leite. Aquilo foi me irritando profundamente e perdi a paci\u00eancia. Mas discordo da maioria das pessoas que agora me condenam: para mim, chamar algu\u00e9m de cachorro n\u00e3o \u00e9 ofensa.<\/p>\n<p><strong>Se ocorresse com a senhora, como reagiria?<br \/>\n<\/strong>Dependeria da forma como a pessoa falasse. Pessoalmente, adoro cachorros. Diria at\u00e9 que s\u00e3o animais mais amigos e leais do que muito ser humano por a\u00ed. Tenho um c\u00e3o poodle e dois gatos siameses, que crio como gente. S\u00f3 que para bicho ningu\u00e9m deixa heran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>O que a senhora quer dizer com isso?<br \/>\n<\/strong>Ganho muito bem como procuradora aposentada. Com tanta crian\u00e7a necessitada no mundo, pensei: \u2018Quando morrer, por que deixar minha pens\u00e3o para o estado?\u2019. Foi por isso que decidi adotar essa menininha.<\/p>\n<p><strong>Se a senhora diz que n\u00e3o a machucou, qual \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o para o estado em que ela se encontrava quando foi retirada de seu apartamento?<br \/>\n<\/strong>O ferimento na testa eu sei o que foi: dei \u00e0 menina umas uvas sem caro\u00e7o, que ela espalhou pela casa toda e acabou se esborrachando. Meu apartamento tem ch\u00e3o de m\u00e1rmore e muito tapete persa \u2013 \u00e9 f\u00e1cil de escorregar. Mas o tombo provocou s\u00f3 um machucadinho de nada. J\u00e1 estava sarando.<\/p>\n<p><strong>E os hematomas espalhados por todo o corpo dela?<br \/>\n<\/strong>A \u00fanica coisa que eu sei \u00e9 que fui \u00e0 manicure, \u00e0 tarde, e a deixei bem, em casa. Quando voltei, foi aquela surpresa: o conselheiro tutelar j\u00e1 a havia levado embora. Soube depois que ela estava toda arrebentada. Tamb\u00e9m gostaria de saber quem fez isso com aquela crian\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>A senhora tem algum palpite?<br \/>\n<\/strong>Talvez tenha sido uma conspira\u00e7\u00e3o para tir\u00e1-la da minha casa. Veja esse conselheiro que foi ao meu apartamento para levar a menina embora\u2026 O rapaz \u00e9 protestante e eu n\u00e3o. Prefiro jogar tar\u00f4. No conselho tutelar, teve gente espalhando que eu frequento seitas sat\u00e2nicas, uma mentira. Ser\u00e1 que querem me prejudicar? Se for, \u00e9 bom que saibam: a cadeia d\u00f3i. Meu lugar n\u00e3o \u00e9 aqui.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 sua rotina na pris\u00e3o?<br \/>\n<\/strong>Durmo \u00e0 base de Prozac, j\u00e1 emagreci 8 quilos e, quando ando de um canto para o outro, vou sempre com um guarda por perto. Sabe como \u00e9: as presas veem TV e, como qualquer ser humano, tamb\u00e9m pensam, julgam, raciocinam. E crime que envolve crian\u00e7a tem uma repercuss\u00e3o muito grande. \u00c9 como estupro. Se sa\u00edsse hoje para caminhar em Ipanema, sei que n\u00e3o chegaria em casa viva.<\/p>\n<p><strong>A senhora ainda pensa em adotar uma crian\u00e7a?<br \/>\n<\/strong>Acho que n\u00e3o mais. Meu sonho era ter adotado tr\u00eas, para formar a fam\u00edlia que nunca tive. Adoro crian\u00e7as. N\u00e3o faria sentido nenhum torturar uma menina que cuidaria de mim na velhice, certo? S\u00f3 se eu fosse louca.<\/p>\n<h3>Mam\u00e3e odiosa<\/h3>\n<div><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/260510\/imagens\/brasil15.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/260510\/imagens\/brasil15.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"276\" \/><\/a> S\u00d3 FACHADA: A diva Joan, com Christina: crueldade e ado\u00e7\u00f5es para &#8220;fins publicit\u00e1rios&#8221;\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<p>Em 1978, um ano e meio ap\u00f3s a morte de Joan Crawford, a mais velha das quatro crian\u00e7as que a estrela adotara publicou Mam\u00e3ezinha Querida, um livro autobiogr\u00e1fico que virou best-seller e estarreceu o p\u00fablico: segundo o relato de Christina Crawford, ent\u00e3o com 39 anos, a ex-diva de Hollywood infligira a ela e a seu irm\u00e3o Christopher tormentos que abrangiam acessos de f\u00faria, per\u00edodos de cativeiro e espancamentos \u2013 em uma passagem que se tornou antol\u00f3gica no livro e no filme hom\u00f4nimo adaptado deste, Joan encontrou no arm\u00e1rio da filha um cabide de arame e, como s\u00f3 os de madeira eram permitidos na casa, ela a\u00e7oitou a menina impiedosamente com o item proibido. Segundo Christina, sua m\u00e3e era alco\u00f3latra e n\u00e3o tinha nenhum afeto pelos filhos, que teria adotado apenas para fins publicit\u00e1rios. As duas filhas mais novas de Joan negaram tais acusa\u00e7\u00f5es, alegando que o livro era uma vingan\u00e7a de Christina por ter sido cortada do testamento da estrela \u2013 ali\u00e1s, riqu\u00edssima. V\u00e1rios amigos de Joan, entretanto, confirmaram os epis\u00f3dios de maus-tratos. Tamb\u00e9m as autoridades deram cr\u00e9dito a Christina, que testemunhou em audi\u00eancias federais e estaduais destinadas a estabelecer par\u00e2metros para a prote\u00e7\u00e3o de menores e colaborou na reformula\u00e7\u00e3o das varas de fam\u00edlia do condado de Los Angeles. A hist\u00f3ria de Christina, levada para a casa de Joan em 1940, com 1 ano, \u00e9 emblem\u00e1tica tamb\u00e9m em outro aspecto do pesadelo em que se pode transformar a vida de um filho adotado: ela foi uma entre milhares de crian\u00e7as v\u00edtimas de ado\u00e7\u00f5es ilegais perpetradas pela Tennessee Children\u2019s Home Society, institui\u00e7\u00e3o que mantinha um vasto esquema para rapto e roubo de crian\u00e7as, com a participa\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos, enfermeiras e ju\u00edzes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>da Revista Veja A procuradora Vera L\u00facia, acusada de torturar a menina que pretendia adotar, tenta justificar sua crueldade culpando a crian\u00e7a. Uma testemunha afirma que ela tamb\u00e9m batia na m\u00e3e. Como uma bruxa m\u00e1, n\u00e3o demonstra nenhum arrependimento e sua l\u00f3gica \u00e9 a da desraz\u00e3o \u00a0Os contos de fadas, cujos her\u00f3is enfrentam bruxas malvadas e lobos maus, inevitavelmente acabam bem. S\u00e3o uma forma de as crian\u00e7as encararem e exorcizarem seus medos e ang\u00fastias, dizem os psicanalistas. 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