{"id":10570,"date":"2010-05-19T21:43:38","date_gmt":"2010-05-20T00:43:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=10570"},"modified":"2010-05-19T21:43:38","modified_gmt":"2010-05-20T00:43:38","slug":"maior-violonista-brasileiro-helio-delmiro-se-queixa-de-preconceito-por-ser-pastor-evangelico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/05\/19\/maior-violonista-brasileiro-helio-delmiro-se-queixa-de-preconceito-por-ser-pastor-evangelico\/","title":{"rendered":"Maior violonista brasileiro, H\u00e9lio Delmiro se queixa de preconceito por ser pastor evang\u00e9lico"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.folhagospel.com\/imagem\/heliodelmiro_violonista_pastor_small.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"3\" width=\"99\" height=\"111\" align=\"left\" \/>H\u00e9lio Delmiro, o maior violonista do Brasil, diz que tem um problema. Se a convers\u00e3o ao credo evang\u00e9lico, h\u00e1 24 anos, ajudou-o em muitas quest\u00f5es particulares, hoje, profissionalmente, ele se sente &#8220;limado&#8221;, v\u00edtima de preconceito, esquecido por cantoras e produtores. Hoje evang\u00e9lico, ele diz que n\u00e3o gravaria temas com refer\u00eancias aos cultos afro-baianos como o que produziu em 1975 para Clara Nunes.<br \/>\n&#8211; Eu n\u00e3o sou mais &#8220;o cara&#8221;, virei &#8220;um dos&#8221; &#8211; comenta, sem falsa mod\u00e9stia, pouco antes de subir ao pequeno palco do Lapinha e mostrar que continua sendo&#8230; o cara, o maior violonista\/guitarrista brasileiro.<br \/>\nArtistas de diferentes gera\u00e7\u00f5es avalizam. Ed Motta diz adorar Delmiro, e justifica:<br \/>\n&#8211; Acho que, no Brasil, o primeiro solo de guitarra no idioma jazz\u00edstico foi o que ele fez, brilhantemente, no LP &#8220;O som brasileiro de Sarah Vaughan&#8221;. O tema \u00e9 &#8220;Preciso aprender a ser s\u00f3&#8221;, de Marcos Valle, e o solo de H\u00e9lio \u00e9 hist\u00f3rico.<br \/>\nO autor desse cl\u00e1ssico, Marcos Valle, faz coro:<br \/>\n<!--more--><br \/>\n&#8211; O solo de H\u00e9lio em &#8220;Preciso aprender a ser s\u00f3&#8221; \u00e9 lindo, seu viol\u00e3o \u00e9 memor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Para o trombonista e arranjador Vittor Santos, &#8220;H\u00e9lio explicita um Brasil jazz\u00edstico via Rio de Janeiro com eleg\u00e2ncia, vigor e maturidade&#8221;.<\/p>\n<p>Opini\u00e3o compartilhada por muitos, incluindo m\u00fasicos que, na quarta-feira retrasada, foram ao piano-bar na Lapa, feras como os tamb\u00e9m violonistas Yamand\u00fa Costa, Z\u00e9 Paulo Becker, Leonardo Amuedo (guitarrista de Ivan Lins) e o saxofonista Z\u00e9 Nogueira. Al\u00e9m do show no Lapinha &#8211; que, inaugurado h\u00e1 dois meses, aposta em uma programa\u00e7\u00e3o diferenciada, de MPB e instrumental, para o velho bairro bo\u00eamio de tanto samba, rock, funk e afins -, o guitarrista tem feito um circuito meio off-Broadway, que incluiu o Sesc Tijuca, e, nesta semana, tem agendados shows no restaurante Otto (dias 19 e 20, na Tijuca e na Barra). Independentemente do tipo de palco, vale a pena assistir a esse carioca do M\u00e9ier que completar\u00e1 63 anos na pr\u00f3xima quinta-feira. Ele tem meia d\u00fazia de discos solo brilhantes e tamb\u00e9m brilhou ao lado de divas como Clara Nunes, Elis Regina e Sarah Vaughan. O que nos leva de volta ao in\u00edcio da conversa.<\/p>\n<p>&#8211; Adoro acompanhar cantoras, mas sofro de um preconceito. Em parte, por ter virado pastor, e tamb\u00e9m pelo processo que movi contra a PolyGram (atual Universal), que tirou minha foto da capa do disco com Sarah Vaughan &#8211; conta Delmiro, enquanto, no que pode parecer contradit\u00f3rio, degusta mais um c\u00e1lice de vinho tinto. &#8211; Mas a B\u00edblia n\u00e3o diz nada contra o vinho, e sim que &#8220;tudo \u00e9 l\u00edcito, mas nem tudo conv\u00e9m&#8221;. Um dos dons \u00e9 o dom\u00ednio pr\u00f3prio. Baseado nisso, podemos at\u00e9 beber, \u00e9 uma quest\u00e3o de autocontrole. E Jesus bebia vinho.<\/p>\n<p>A fase religiosa mais radical do m\u00fasico de Cristo passou. Em 1986, atormentado com a doen\u00e7a de duas filhas g\u00eameas &#8211; desenganadas pelos m\u00e9dicos -, e na roda-viva de shows, trocando o dia pela noite, Delmiro tomava banho quando foi capturado pela prega\u00e7\u00e3o de um pastor no r\u00e1dio, que, ap\u00f3s ler o vers\u00edculo 35 do Livro de Isa\u00edas da B\u00edblia, pediu aos ouvintes que orassem. O guitarrista saiu do chuveiro, pegou uma toalha, ajoelhou-se e rezou.<\/p>\n<p>&#8211; Uma semana depois, peguei a coca\u00edna que tinha, muito boa, uma coca\u00edna 12 anos, como o Luizinho E\u00e7a dizia, e joguei fora, junto com a maconha e as garrafas de u\u00edsque.<\/p>\n<p>Em meio ao rebanho da Igreja Universal, logo chamou a aten\u00e7\u00e3o do Bispo Macedo, ap\u00f3s ter dado um trato no disco de um artista evang\u00e9lico. Veio ent\u00e3o o convite para montar a gravadora da igreja.<\/p>\n<p>&#8211; Aceitei, criei a gravadora, sugeri o nome, Line Records, mas, em menos de um ano, depois que tudo engrenou, fui passado para tr\u00e1s, j\u00e1 que n\u00e3o tinha assinado um contrato &#8211; conta Delmiro, que, como compensa\u00e7\u00e3o, ganhou um templo para comandar. &#8211; Cresci como pastor, dirigi duas igrejas, sem nunca largar a m\u00fasica. Mas comecei a discordar da forma como eles tratavam os fi\u00e9is e sa\u00ed da Universal.<\/p>\n<p>Delmiro continua evang\u00e9lico, mas, atualmente, \u00e9 um pastor independente, desligado de qualquer denomina\u00e7\u00e3o. H\u00e1, no entanto, resqu\u00edcios de intoler\u00e2ncia. Ele, que reclama sofrer de preconceito, diz que, hoje, n\u00e3o gravaria com Clara Nunes temas com refer\u00eancias aos cultos afro-baianos como &#8220;A deusa dos orix\u00e1s&#8221;, um dos marcos do disco &#8220;Claridade&#8221;, que produziu em 1975. Dessa forma, n\u00e3o estaria repetindo o erro de um de seus \u00eddolos no viol\u00e3o, Baden Powell, que, no fim da vida, ao virar evang\u00e9lico, renegou a genial s\u00e9rie de afrossambas com Vinicius? Essa postura n\u00e3o seria um forte combust\u00edvel para alimentar o tal preconceito?<\/p>\n<p>Delmiro tenta se explicar, diz que Baden engatinhava nos preceitos evang\u00e9licos, e que n\u00e3o tem restri\u00e7\u00e3o alguma aos afrossambas &#8211; &#8220;Como o &#8216;Canto de Ossanha&#8217; , que eu toco&#8221; -, mas mant\u00e9m parte do repert\u00f3rio de Clara Nunes em seu \u00edndex particular.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o vou cair nessa, foi assim que dancei, n\u00e3o teria as minhas filhas hoje &#8211; reafirma ele, falando em bruxaria, ao mesmo tempo em que no seu \u00faltimo CD solo, lan\u00e7ado em 2004 pela Deckdisc, &#8220;Compassos&#8221;, gravou, sem receio, o standard &#8220;Witchcraft&#8221; (&#8220;Bruxaria&#8221;). &#8211; Mas ali \u00e9 uma met\u00e1fora, \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica.<\/p>\n<p><strong>Fonte: O Globo online<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e9lio Delmiro, o maior violonista do Brasil, diz que tem um problema. 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