No Norte de Camarões, o Boko Haram frequentemente sequestra mulheres e meninas e as usa para trabalhos forçados

No Norte de Camarões, o Boko Haram frequentemente sequestra mulheres e meninas e as usa para trabalhos forçados

Devido ao aumento da perseguição aos cristãos em Camarões, o país entrou na Lista Mundial da Perseguição 2020, ocupando a 48ª posição. No norte do país, onde a radicalização e a militância se intensificam, a vida dos cristãos é ainda mais difícil. Do jeito que está, mesmo se o Boko Haram for derrotado, é improvável que haja harmonia social, uma vez que a ideologia islâmica já fez profundas incursões entre os jovens muçulmanos na região.

O que está acontecendo no país como resultado dos protestos iniciais dos camaroneses anglofônicos pode levar a uma guerra civil em plena expansão. O governo provavelmente se tornará cada vez mais repressivo e foi acusado de graves violações dos direitos humanos. À medida que se concentra cada vez mais em suprimir a dissidência política e a oposição, será desviado de sua luta contra o Boko Haram. Assim, a crise anglofônica parece provavelmente fornecer ao Boko Haram maior margem de manobra operacional para organizar ataques com impunidade, levando a uma situação de deterioração para os cristãos no país.

A governança e a segurança em Camarões são os principais problemas, com o país enfrentando violência em três regiões: o extremo Norte, onde o Boko Haram continua a realizar ataques, o Noroeste e o Sudoeste, que são áreas onde a insurgência anglofônica está crescendo.

A situação da mulher em Camarões

No norte de Camarões, o Boko Haram frequentemente sequestra mulheres e meninas e as usa para trabalhos forçados e as obriga a se casar com militantes. Onde as escolas ainda estão funcionando, alguns pais cristãos mantêm as filhas em casa por temerem por sua segurança.

A pobreza e a dependência financeira tornam as meninas cristãs vulneráveis. Em parte devido à falta de educação, as mulheres em Camarões dependem do marido ou dos pais e, quando tomam a decisão de se converter ao cristianismo, às vezes é considerado um ato de rebeldia. Meninas nessa situação às vezes são coagidas a se casar com não cristãos.

Muitas cristãs ex-muçulmanas ficarão isoladas de suas famílias ou serão forçadas a se mudar, como forma de obrigá-las a mudar de ideia. Em um caso, uma jovem mãe convertida foi separada do marido e obrigada a deixar o filho mais velho. Por causa da situação de perseguição, ela teve que deixar o segundo filho com o irmão muçulmano, que acabou confiando a criança a outro vizinho muçulmano.

 

Fonte: Portas Abertas