Os cristãos do país correm o risco de serem mortos por militantes islâmicos e líderes de clãs

  • Tipo de Perseguição: Antagonismo étnico, opressão islâmica, corrupção e crime organizado
  • Capital: Mogadíscio
  • Região: Chifre da África
  • Líder: Mohamed Abdullahi Mohamed
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Somali, árabe, italiano, inglês
  • Pontuação: 92

POPULAÇÃO: 15,6 MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ: ALGUMAS CENTENAS

A única comunidade cristã no país, considerada para análise na Lista Mundial da Perseguição, são os cristãos ex-muçulmanos. Eles são considerados um alvo de alto valor pelo Al-Shabaab e têm sido mortos frequentemente assim que descobertos. O violento agente não estatal, o Al-Shabaab, que segue a doutrina do wahabismo, advoga a sharia (conjunto de leis islâmicas) como base reguladora de todos os aspectos da vida na Somália. Esse grupo expressou repetidas vezes o desejo de erradicar os cristãos do país.

Jihadistas estrangeiros também estão presentes no país, mas a opressão islâmica não se limita apenas aos radicais. Os cristãos também enfrentam sérias perseguições familiares e da comunidade em geral. Qualquer conversão ao cristianismo é considerada uma traição à família e ao clã somali. Como resultado, membros da família e líderes locais muçulmanos intimidam e até matam os cristãos. Em cada esfera da vida: privada, familiar, comunitária e nacional, ser exposto como cristão é um verdadeiro perigo, levando, muitas vezes, à execução. A “vida na igreja” simplesmente não é possível. Esse padrão de perseguição é excepcional e coloca a Somália no alto da categoria de perseguição extrema.

Ao longo dos últimos anos, a situação piorou muito. Militantes islâmicos intensificaram a “caça” por cristãos em posição de liderança. Uma tentativa de reabrir uma igreja em Hargeisa, capital da Somalilândia, em agosto de 2017, também falhou. O governo foi forçado a fechá-la devido à pressão da população islâmica local.

No período de pesquisa da LMP 2020 (1 de novembro de 2018 a 31 de outubro de 2019), os cristãos permaneceram vulneráveis aos ataques de militantes islâmicos. Mas por razões de segurança, nenhum exemplo pode ser publicado.

A queda do regime de Said Barre criou um vácuo que possibilitou o florescimento da militância radical islâmica, em detrimento de cristãos e da igreja. Em 1991, quando o sistema de governo somali de desmantelou, grupos radicais islâmicos formaram um comitê de xeiques para buscar e identificar todos os cristãos somalis, estivessem eles dentro ou fora do país. Esse comitê designou um grupo armado para executar todos os cristãos somalis, o que levou a muitas mortes entre os cristãos na Somália e países vizinhos. Os cristãos somalis foram forçados a viver secretamente ou se tornar refugiados. Subsequentemente, a igreja visível na Somália desapareceu.

A Somália é vista como um clássico caso de Estado falido moderno. Por mais de 25 anos, o país tem sido um lugar seguro para militantes islâmicos que constantemente têm os cristãos como alvo, tanto na Somália como em países vizinhos. O país se tornou agora uma colcha de retalhos de clãs que competem entre si, contendo milícias baseadas em clãs e grupos religiosos. Portanto, tem sido difícil ter um governo central ou qualquer tipo de governo no país. A comunidade internacional decidiu enviar tropas para combater o Al-Shabaab e qualquer grupo islâmico violento que ameace a paz e a segurança do país. Em maio de 2019, o Conselho de Segurança da ONU estendeu o mandato da Missão da União Africana na Somália e autorizou a redução da tropa, adotando com unanimidade a Resolução 2472 de 2019, em sua reunião número 8.537.

Os três grupos militantes na Somália são:

  • Al-Shabaab: as atividades desse grupo militante islâmico, que tem links com a Al-Qaeda, são regularmente mencionadas pela mídia. Apesar de atrair combatentes de fora do país, na essência é um grupo baseado em clã, que subscreve à doutrina do wahabismo e advoga a sharia como base para regular todos os aspectos da vida na Somália. O grupo tem uma ala de inteligência sofisticada que é referida como Amnyat.
  • Estado Islâmico (EI): durante o auge do EI, muitos jihadistas da África e outros lugares juraram fidelidade ao grupo. Uma dissidência do Al-Shabaab também prometeu essa lealdade, mas foi rapidamente cooptada pelos fiéis da Al-Qaeda da facção Al-Shabaab.
  • Al-Itihaad al-Islamiya: acredita-se que esse grupo esteja inativo desde 2006. Foi formado inicialmente com o objetivo de estabelecer um Estado islâmico na Somália e Ogaden (um território habitado por somalis na Etiópia). No entanto, é importante monitorar esse grupo, pois pode se tornar ativo novamente.

Durante o primeiro semestre de 2018, as autodeclaradas Repúblicas de Somalilândia e Puntlândia se enfrentaram em impasses perigosos sobre as áreas, há muito contestadas, de Sool e Sanaag, enquanto se envolviam em repetidos confrontos mortais e evitavam a diplomacia da ONU. A instabilidade criada poderia ter provocado enormes deslocamentos e um novo espaço para o Al-Shabaab.

Em novembro de 2018, surgiu um relatório sobre o assassinato de quatro civis desarmados em Mogadíscio por tropas de Burundi da Missão da União Africana na Somália (AMISOM). Em meados de dezembro de 2018, forças da Etiópia em Baidoa prenderam o ex-líder e porta-voz do Al-Shabaab, Sheikh Mukhtar Robow, levando-o para Mogadíscio, deflagrando protestos por ele ser um dos candidatos à presidência nas breves eleições regionais do Noroeste. Os manifestantes foram dispersados rudemente pelas forças de segurança da Somália, levando à morte de dois civis.

Ataques de drones americanos contra a insurgência do Al-Shabaab na Somália aumentaram em 2018 e essa tendência continuou em 2019, enquanto o Al-Shabaab continuou a usar homens-bomba. Em março de 2019, um ataque suicida na capital Mogadíscio tirou a vida de mais de 15 pessoas. Em julho de 2019, em ataques separados, mais de seis soldados da AMISOM e outras oito pessoas, inclusive o prefeito da capital, foram mortas perto de Mogadíscio – todos com explosivos detonados por uma mulher-bomba.

Motivos de oração:

  • Interceda para que as pequenas comunidades de cristãos sejam fortalecidas na fé e na palavra de Deus, alcançando a outros através do amor mostrado em atitudes cristãs cotidianas.
  • Clame pelo governo, para que Deus incline o coração dos governantes à justiça e ao bem-estar da população, não somente de alguns clãs.
  • O Al-Shabaab mata somalis suspeitos de se converter ao cristianismo, então ser cristão pode levar a uma morte brutal. Ore para que o Senhor guarde seus filhos e que toda ação terrorista tenha um fim.

Fonte: Portas Abertas