Crianças brincam na linha de trem no Norte do país

  • Tipo de Perseguição: Opressão comunista e pós-comunista, paranoia ditatorial
  • Capital: Pyongyang
  • Região: Sudeste Asiático
  • Líder: Kim Jong-un
  • Governo: Estado comunista
  • Religião: Ideologia juche, ateísmo, crenças tradicionais, budismo e confucionismo
  • Idioma: Coreano
  • Pontuação: 94

POPULAÇÃO: 25,7 MILHÕES
POPULAÇÃO CRISTÃ: 300 MIL

Em 1603, um diplomata coreano voltou de Pequim carregando vários livros de teologia escritos por um missionário jesuíta na China. Ele passou, então, a divulgar as informações presentes nos livros e as primeiras sementes do cristianismo, na forma católica romana, foram semeadas. Em 1758, o rei Yeongjo de Joseon proibiu oficialmente o cristianismo alegando ser uma prática maligna, e os cristãos coreanos foram submetidos à perseguição severa, particularmente entre 1801 e 1866. Nessa última onda, aproximadamente 8 mil católicos foram mortos em toda a Coreia.

Quando os primeiros missionários protestantes se estabeleceram permanentemente no Norte da Coreia em 1886, eles encontraram ali uma pequena comunidade de cristãos e, um ano depois, a primeira Bíblia foi impressa em coreano. A anexação da Coreia do Norte pelo Japão em 1905 (oficialmente em 1910), não intencionalmente, causou um grande aumento no número de cristãos e o cristianismo se tornou associado com movimentos que apoiavam o nacionalismo coreano. O número de cristãos aumentou, e, em 1907, começou um grande avivamento que marcou a história, a ponto da capital Pyongyang ser conhecida como a “Jerusalém do Oriente”. Centenas de igrejas surgiram e houve numerosas reuniões de avivamento. Missionários também estabeleceram instituições de ensino em todo o país.

O domínio japonês sobre o país trouxe a perseguição religiosa, e cristãos e outros civis foram forçados a se curvar diante dos altares do imperador. Após a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, Kim Il-sung chegou ao poder e impôs um regime comunista e ateísta na Coreia do Norte. Iniciou-se uma guerra civil – a Guerra da Coreia (1950-1953), quando a Coreia se separou em dois países, Coreia do Norte e Coreia do Sul. A partir de então, muitos cristãos fugiram e, depois da guerra, dezenas de milhares de cristãos foram mortos, presos ou banidos para áreas remotas. O resto da igreja se tornou subterrânea. Se antes da guerra o país contava com 500 mil cristãos, dez anos mais tarde, não havia mais a presença visível da igreja.

DADOS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

As comunidades cristãs históricas originaram-se antes da Guerra da Coreia (1950-1953). Enquanto muitos cristãos morreram na guerra ou fugiram para o sul, outros ficaram e são eles e seus descendentes que formam essas igrejas históricas. Classificados na classe dos hostis, os cristãos protestantes estão na subclasse 37, enquanto os católicos ocupam a 39. Essas subclasses geralmente se aplicam àqueles cujos pais ou avós eram reconhecidamente cristãos. A maior parte deles foi banida para vilarejos isolados, como uma punição por terem o “Songbun” errado. Apenas uma pequena porcentagem de comunidades cristãs históricas conseguiu esconder a fé e formar a igreja secreta. Devido ao princípio de culpa por associação, os descendentes desses cristãos enfrentam obstáculos sociais enormes e são vistos com suspeitas.

As comunidades de convertidos ao cristianismo são formadas por ex-comunistas. Muitos deles vieram à fé em Cristo durante os anos 1990, na época da grande fome, quando inúmeras pessoas cruzaram a fronteira com a China e foram ajudadas por igrejas chinesas. Muitos deles também cruzaram a fronteira depois de 2000, mas em números menores. Ao retornar à Coreia do Norte, eles permaneceram fiéis à nova fé que descobriram.

A Portas Abertas estima que a porcentagem de cristãos da Coreia do Norte que estão em campos de trabalho forçado por sua fé pode chegar a 30%. Nesses campos, as prisioneiras sofrem violência sexual durante o processo de interrogatório e a vida na prisão. Fontes indicam que o estupro é uma ocorrência diária dentro dos campos de concentração no país.

Os principais tipos de perseguição na Coreia do Norte são opressão comunista e pós-comunista e paranoia ditatorial.

OPRESSÃO COMUNISTA E PÓS-COMUNISTA

Embora em teoria a Coreia do Norte ainda seja um país comunista, na prática um culto à personalidade domina. No entanto, como o país ainda é administrado de acordo com os costumes administrativos comunistas, isso ainda é indicado como a principal fonte de perseguição. Além disso, a ênfase de seu líder (e os meios pelos quais o país é governado) está se afastando do exército e indo mais para o Partido dos Trabalhadores da Coreia. Isso mostra também que o comunismo ainda possui uma forte influência. O resultado do 7º Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia, em maio de 2016 – o primeiro em 36 anos – não mudou nada visível, seja em questões econômicas ou ideológicas. Os cristãos não apenas continuam a ser vistos como perigosos e a religião como “ópio do povo” – como na ideologia clássica comunista – mas também fazem parte da classe hostil, de acordo com o sistema de estratificação social do país, chamado “Songbun”.

PARANOIA DITATORIAL

Desde 1948, a Coreia do Norte é governada por uma única família, agora na terceira geração. Como mencionado acima, enquanto ideologicamente, o comunismo é seguido, essa influência quase desapareceu nos últimos anos, embora o estilo comunista de controle de uma sociedade continue vivo. A Coreia do Norte é agora um exemplo claro de um país governado pela paranoia ditatorial. Todo mundo tem que reverenciar a liderança e, por causa desse culto à personalidade, Kim Jong-un é uma figura insubstituível na sociedade – até porque ele governa o Partido dos Trabalhadores, o Exército, a administração do país e todas as partes da sociedade.

O período de pesquisa da LMP 2020 viu os primeiros sinais de um crescente culto à personalidade em torno de Kim Jong-un. A primeira pintura oficial dele foi revelada em novembro de 2018, quando o presidente cubano Miguel Diáz-Cane visitou Pyongyang. O quadro mostra Kim Jong-un vestindo terno e gravata, e não um uniforme de estilo comunista.

VIOLÊNCIA

A perseguição na Coreia do Norte continua violenta. Houve ataques contra cristãos e assassinatos, mas por razões de segurança, nenhum detalhe pode ser publicado. Também é preciso ter em mente o quão difícil é obter relatórios dos campos de trabalho forçado.

O nível de violência permaneceu muito alto, atingindo 11,1 pontos. Se alguém é descoberto como cristão, será preso, interrogado e levado a campos de concentração. Mortes também foram relatadas.

O perfil da perseguição na Coreia do Norte não mostra muita variação nos últimos cinco anos; até mesmo o índice de violência permanece estável.

Pedidos de oração:

  • Clame para que os líderes do país conheçam a Jesus e sejam transformados pelo poder do evangelho.
  • Ore pela proteção da igreja norte-coreana, para que continue firme e crescendo. Que o Senhor fortaleça a fé e a esperança desses irmãos que vivem a fé em absoluto sigilo.
  • Interceda pelos cristãos que estão nas prisões, campos de trabalho forçado e em áreas remotas. Peça que Deus lhes dê força e resistência e que eles consigam testemunhar de Cristo, independentemente das circunstâncias.

Fonte: Portas Abertas