Por Wal Cordeiro

columbine

Era uma tarde de sábado, quente e tranquila, me parece que foi ontem pois as cenas estão muito vivas em minha mente. A rodovia era larga e bem sinalizada. O trânsito fluía normalmente, não haviam buracos na pista. A paisagem era muito bonita; as montanhas despontavam brilhantemente a cada curva, as nuvens pareciam tímidas, mas seguras. O vento soprava suavemente nas árvores. Lá no fim do horizonte, surgia uma nuvem carregada e escura, parecia que a chuva chegaria e nos alcançaria rapidamente.

Estávamos a caminho de Denver, uma cidade americana, situada no estado do Colorado. Quem não se lembra das notícias que sacudiram o mundo em 1999? Quando alguns garotos fortemente armados invadiram a escola Columbine em Denver e mataram vários colegas seus; que se encontravam nos corredores, salas e biblioteca da escola.

Era justamente para lá que estávamos nos dirigindo alguns dias após a tragédia, com o intuito de orar naquele colégio e quebrar em intercessão a influência ruim que aquela história causou em vários colégios do Brasil, onde adolescentes começaram a ir para a escola portando uma arma na cintura.

As informações que tínhamos sobre o ocorrido eram poucas, mas dava para tocar e quebrantar qualquer coração sensível à real situação do mundo. Sabíamos do sofrimento recente daquela cidade, principalmente dos pais que perderam seus filhos naquela tragédia. A dor ainda era notada nos rostos das poucas pessoas que circulavam pelas ruas, pois o incidente havia acontecido alguns meses atrás. Ainda, alguns repórteres permaneciam na cidade e faziam a cobertura do ocorrido.
Enquanto não chegávamos ao local desejado, eu e mais quatro amigos missionários que se encontravam no interior do veículo resolvemos gastar o nosso tempo da viagem orando pelos Estados Unidos, que sempre tem sido vítima ou cúmplice desse tipo de massacre entre os jovens. Esse tipo de tragédia acontece sempre.
Depois de um bom tempo de oração pela nação americana o Glaucio, um missionário brasileiro, casado com uma americana, que morava a mais de cinco anos naquela região em Colorado Springs, resolveu nos contar uma história muito interessante sobre o massacre. Ele já vinha acompanhando o caso do colégio Columby em Denver há vários dias.
Uma das adolescentes que morreu naquela tragédia era uma cristã recém convertida. Ela era envolvida com satanismo antes de sua conversão. Seus pais já não sabiam mais o que fazer, pois a menina era muito agressiva e rebelde. Até que um dia uma amiga sua a convidou para participar de um acampamento cristão.
Ela aceitou o convite, pensando ser um acampamento qualquer. Mas quando chegou lá se surpreendeu, a sua vida foi totalmente transformada por Deus. Ela se converteu ao evangelho.
Até seus pais notaram a diferença em sua vida após o acampamento. Ela deixou para trás o satanismo e passou a seguir a Cristo. Estava andando em um novo estilo de vida!
Ela começou a escrever em um diário a sua nova experiência de vida. Declarando que agora era uma nova criatura e que estava muito feliz com Jesus. Que se fosse necessário, morreria por amor ao evangelho.
No dia do massacre, essa garota se encontrava na biblioteca da escola lendo um livro.
Os garotos que invadiram o colégio, segundo informações da cidade, faziam parte de uma seita satânica pela internet. Que o objetivo deles ao invadir o colégio era matar os negros, judeus e cristãos.
Eles conseguiram realizar alguns assassinatos ali. No final treze pessoas morreram inclusive eles próprios, se suicidaram após o massacre. Dos treze mortos, oito eram cristãos.
Quando, em meio ao tumulto e correria diante dos tiros que eram dados para todo lado. A garota recém convertida permanecia na biblioteca tranqüila e lendo o seu livro serenamente. Parecia que, a gritaria e tumulto lá fora não despertavam o seu interesse em sair e ver o que estava acontecendo. Até que um dos garotos armado, entrou apressadamente na biblioteca.
Muitos alunos já estavam escondidos atrás dos livros e carteiras e observavam medrosa e atentamente o que aconteceria naquele momento. Pois era o confronto da luz com as trevas.
– Garota, você ama a Deus? – Perguntou brutalmente o jovem adolescente endemoninhado.
– Sim e acho que você deveria amá-lo também – respondeu firme e imediatamente a garota.
Sem tempo de se defender ou levantar-se e correr. Enquanto respondia surpreendentemente aquela pergunta, com uma arma apontada para sua cabeça, a menina não teve tempo de mais nada. O tiro foi certeiro e fatal. O garoto a acertou na cabeça e depois se suicidou com um tiro no peito.
Os alunos que ali se encontravam presenciaram toda a cena. Ficaram impressionados com a coragem daquela jovem. O assunto se espalhou pela cidade. As pessoas comentavam sobre a garota que amava a Deus e que não teve medo de entregar a sua própria vida para não negar o evangelho. A imprensa resolveu dar uma maior ênfase sobre a vida dessa menina. O resultado foi impressionante! Mais de mil pessoas vieram para as igrejas de Denver e aceitaram a Cristo, por causa do testemunho daquela corajosa e destemível adolescente.
Essa é a realidade do mundo atual. Por um lado, o diabo tenta acabar com a raça humana, promovendo tragédias, guerras, acidentes, massacres, genocídios e outras formas malignas de destruição. Usando pessoas que parecem ser comuns. Mas Deus entra na história e transforma uma situação de tristeza e alegria, para que seu nome seja glorificado.
Hoje o mundo se encontra em densas trevas. Meninos que são jogados nos rios sagrados, adolescentes que matam seus colegas, filhos que são desprezados e deserdados por mudar de religião, bombas que explodem aviões e muitas tragédias que acontecem em nossa volta. A realidade é que, o mundo clama! Clama pela justiça, pelo amor, pela palavra de Deus. A responsabilidade é nossa, é da igreja de Cristo que foi chamada para mudar essa situação. Mas, não podemos fechar os olhos e fingir que nada está acontecendo. Pelo contrário, devemos mantê-los bem abertos para detectarmos os lugares mais carentes e vazios da palavra Deus, para podermos nos mobilizar e alcançar com o amor de Deus.

Wal Cordeiro é autor de oito livros