Por Sílvio França Farias Leal

 A política, palavra em constante uso, e que se origina do grego “politiké” é, segundo o Dicionário Michaelis, “a arte de governar”. E dessa arte o Partido dos Trabalhadores entende muito bem. Não à toa, o nosso ex-Presidente Lula tirou o Brasil de um retrocesso econômico que perdurava desde os tempos do Império. O ostracismo político e social que rondeava o imaginário popular dos nossos conterrâneos, fora substituído por orgulho, altivez e algo que já há muito tínhamos nos esquecido: Esperança. E é com essa esperança que se apresenta o cenário político de nossa cidade. Evidentemente (e felizmente) que pra nós conquistenses, essa “arte de governar” nunca foi além do que se propunha a governabilidade explícita e irrestrita, visto que em nossa história nunca houve casos de prefeitos cassados ou mesmo acusados de corrupção, salvo algumas acusações levianas, as quais jamais chegaram a manchar o bom nome dos homens que passaram pela Prefeitura de Vitória da Conquista até aos dias de hoje.

          Nesse ínterim, a atual administração da cidade não difere muito do legado deixado pelo barbudo nordestino que mudou os rumos do país. Não obstante ao debate político da sucessão, o governo trilha pela conduta ética e responsável do município de Vitória da Conquista, ainda que o desgaste pelo tempo o faça perceber que a alternância de poder é “meramente” uma questão te tempo.

Há 14 anos no poder, o PT conquistense e seus “aliados” travam uma ruidosa guerra de sucessão, que evidentemente ainda se estabelece no campo das especulações, mas que gera um certo “frissom” no meio da população.

Assim, temos dois lados: de um o “todo poderoso” Partido dos Trabalhadores com o histórico de ter revertido o cenário econômico pífio de Vitória da Conquista, colocando-a num patamar de desenvolvimento jamais visto e que trouxe ao povo mongoió a mesma Esperança que Lula resgatou para o Brasil. E mesmo que o desgaste desses 14 anos seja uma sombra negra (embora as sombras sejam naturalmente negras) nos planos do PT, não chega a fazer da concorrência (concorrência, entenda-se: aliados) um oponente capaz de derrotá-lo, pelo menos, o partido não crê que isso ocorra ainda em 2012. Contudo, todavia, porém, (me desculpem a redundância forçada) a história está recheada de fatos inusitados. Exemplo clássico foi a vitória do ex-Prefeito José Raimundo Fontes em 2004, quando a pesquisa lhe dava pouco mais de 20% das intenções de voto, enquanto o seu oponente, o ex-Deputado Coriolano Sales, ostentava patamares invejáveis que ultrapassavam os 70% de intenção do eleitorado. Fim da eleição e Zé Raimundo fora eleito com quase os mesmos percentuais que seu adversário vislumbrava nas pesquisas. Percebemos então que não são as pesquisas que elegem um Prefeito, mas o povo, e cabe ao povo dimensionar e mensurar sobre o futuro da nossa cidade.

Não! Não me esqueci do “outro” lado (embora seja o mesmo). Claro que não estou falando da oposição propriamente dita, aliás, oposição essa que se quer aparece no burburim das praças e alamedas do centro da cidade entre os frenéticos eleitores em calorosas discussões. O outro lado aqui, remete-nos a uma possível aliança entre os três partidos da base governista, e que também almejam um lugar ao sol (bonito isso né!).

Se “a união faz a força” então o que se esperar de PSB, PC do B e PV para as eleições do próximo ano? Não seria fora de propósito (ainda que um tanto quanto utópico) uma aliança entre essas três forças, ainda mais com nomes de peso como o Dr. Joás Meira, Dr. Elve Cardoso, Jean Fabrício e Edgar Mão Branca.

Mas, o jogo político é mais complexo do que se imagina e tem nuances que passam às vezes despercebidas pela maioria da população. Não basta ter bons nomes, dinheiro, entendimento entre os que se aliam ou estratégias de marketing, não! A política é algo mais eclético, mais profundo e muito mais extraordinariamente surpreendente do que possamos imaginar, taí o Deputado Tiririca que não me deixa mentir.

Querer um lugar ao sol, todos querem! Resta saber quem está disposto a lutar por isso. O risco do fiasco sempre vai existir, mas não podemos nos esquecer que o fiasco não se assenta soberanamente alheio à vida e conduta de nós, meros mortais. Ao seu lado, pronto pra emergir, está o pote de ouro do fim do arco-íris chamado sucesso. Cabe aos “aliados” (não da base, mas entre si) da política conquistense procurar o seu viés. Juntar forças para alcançar o sucesso, mesmo correndo o risco do fiasco ou continuar dando o (cômodo) apoio ao partido de atual Prefeito que tem carisma, força política, a máquina, honestidade, competência e muitos outros adjetivos que o torna um adversário bem robusto, mas que certamente será sua última possibilidade de reeleição.

A responsabilidade de conduzir e conciliar obviamente cabe ao PT. Contudo, de uma parte, o PC do B se apresenta como uma nova força, e a liderança de Jean Fabrício que chega com muito gás; do outro, o PSB que nas últimas duas eleições foi o fiel da balança, obtendo a segunda maior votação para vereador, elegendo 2, além do surgimento das lideranças emergentes de Dr. Joás Meira e Dr. Elve Cardoso.

Fica então para o povo decidir: continuar com o bom governo do PT, embora desgastado pelo tempo e factível à acomodação ou optar por uma nova legenda, com novo gás e novas ideias, de cuja competência há de ser provada.

 

* Sílvio França Farias Leal é Geógrafo, Escritor, Poeta e membro do Partido Socialista Brasileiro – PSB.

Ex -Coordenador de Turismo da Prefeitura de Vitória da Conquista. Foi líder estudantil e integrante do Grupo Coração de Estudante na década de 1980.