Fernanda Chagas / Tribuna

Após a oficialização do tão contestado Partido Social Democrático (PSD), nos corredores da Assembleia Legislativa, parlamento em que a recém-criada sigla deterá o status de segunda maior bancada, o cálculo em torno da futura baixa que a oposição, sobretudo DEM, PMDB e PR, terá foi um dos assuntos principais.

Além da perda de deputados – nada menos que 11 -, já há quem aposte que as citadas legendas perderão mais de 50% do atual quadro de prefeitos. A previsão é de que inicialmente cerca de 100 gestores do grupo contrário reforcem a nova sigla e levem consigo, em média, 400 vereadores.

Em uma avaliação preliminar, a Tribuna contabilizou uma lista de 9 gestores do DEM, 9 do PR e 5 do PMDB que já estariam de malas prontas para o PSD, legenda que será comandado na Bahia pelo vice-governador Otto Alencar.

No rol dos dissidentes democratas estariam os prefeitos de Jeremoabo,
Paripiranga, Araci, Santa Luz, Quijingue, Ibiquara, Itaberaba, Mundo Novo e
Euclides da Cunha.

O PMDB, além de perder três deputados estaduais (Alan Sanches, Ivana Bastos e
Temóteo Brito) e o status de bancada na AL, deve perder por alto cinco gestores:
de Anguera, Candiba, Iuiú, Ipibepa e Ribeira do Pombal.

Já o PR, embora não tenha reduzido na Assembleia, tende a esvaziar nos
redutos do interior. É dada como certa a saída de pelo menos nove prefeitos
republicanos, os de: Lajedinho, Sátiro Dias, Ibitiara, Jussari, Coração de
Maria, Ponto Novo, Wagner, Milagres e Capim Grosso. Isso sem falar nos prefeitos
de Santo Estevão, Paulo Afonso e Feira de Santana, todos do ninho democrata, que
se anteciparam à criação do PSD e se filiaram a partidos da base aliada (PT e
PDT).

Democrata histórico, o deputado Gildásio Penedo, em conversa com a
reportagem, relatou alguns fatores que podem ter contribuído de forma decisiva
para toda essa debandada. Conforme ele reforçou, a postura individualista do
deputado ACM Neto, herdeiro político do senador Antonio Carlos Magalhães, nas
últimas eleições, foi fator preponderante.

“O resultado foi grandes quadros derrotados nas urnas, a exemplo do deputado
Heraldo Rocha, Carlos Gaban e Clóvis Ferraz, deputados combativos e com história
na Bahia, o que deixou claro que o que menos importava para ACM Neto eram os
interesses do partido, mas sim os pessoais. E o resultado, inevitavelmente, ele
sente agora na pele, com uma nítida perda de musculatura política”, disparou,
justificando sua saída do DEM e de muitos companheiros.

Com ele, sai ainda Rogério Andrade (estadual) e mais três deputados federais
(José Nunes, Paulo Magalhães e Fernando Torres). Reforçam a relação, os
ex-deputados Clóvis Ferraz e Júnior Magalhães.

Reforçando o discurso de Penedo, Zé Nunes, por exemplo, não hesita em
propagar que se elegeu sem a ajuda de ninguém e está “cavalheiro para tomar o
rumo que eu achar melhor”.

Governo vê com bons olhos

O deputado Zé Neto (PT), que, com a criação do PSD, será líder de uma das
maiores bancadas dos últimos tempos, com 49 dos 63 deputados, afirmou ver com
bons olhos a oficialização da legenda.

“Acho importantíssimo. Trata-se de mais uma alternativa no campo democrático.
Afinal, na democracia, quanto mais opções para a construção de vertentes,
melhor”, destacou. Questionado se o grande número de aliados não poderia se
tornar num problema, o líder petista não hesitou em afirmar que para ele não
muda nada. “Estão dentro do mesmo campo de governo e, levando em consideração
que a maioria veio do campo da oposição, podem até facilitar. Para mim, o PSD
veio para somar”.

Do grupo de oposição se faziam presente no plenário apenas os deputados
Carlos Geilson (PTN), Leur Lomanto Jr (PMDB) e Elmar Nascimento (PR). Nenhum
democrata foi encontrado. Para Elmar, não há nada de novo. “Qual a ideologia do
PSD? Mas não falo pela oposição, mas sim pelo meu partido e pelo meu bloco que
não terão baixa alguma”, esquivou-se.

Já Carlos Geilson, em discurso no plenário, parabenizou a nova legenda e
desejou toda sorte aos colegas.
Procurado, o presidente estadual do DEM,
José Carlos Aleluia, afirmou ver o processo de cisão, como ele mesmo classifica,
com naturalidade. No entanto, admite a crise pela qual o DEM atravessa.

“O PSD é uma cisão com o Democrata e em toda cisão se perde. Eles conseguiram
um casamento mais vantajoso nesse governo e nós continuamos na oposição, mas
respeito todos os nossos companheiros de luta. Não vejo isso como maiores
conseqüências, muito menos rancor”, assegurou, desejando sorte aos integrantes
do PSD.

Os líderes peemedebistas no estado foram procurados, mas não foram
encontrados. (FC)