Do G1, em Brasíia

A inflação atual brasileira, assim como as previsões para 2011 e 2012, está entre as mais elevadas do planeta. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (28) pelo Banco Central, por meio da apresentação do diretor de Política Econômica da instituição, Carlos Hamilton Araujo, sobre o relatório de inflação do terceiro trimestre deste ano.

Inflação correntes e previsões
Em 12 meses até agosto, quando a inflação brasileira atingiu a marca de 7,33%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ela foi superada, na amostra selecionada de países pelo BC para comparação, somente pela inflação da Índia (acima de 8%) e da Rússia (cerca
de 8%). Os números mostram que a inflação brasileira, em 12 meses até agosto, ficou acima da inflação da China, em torno de 6%, dos Estados Unidos (pouco abaixo de 4%), além da África do Sul (pouco acima de 5%), do Reino Unido (entre 4% e 5%), da Nova Zelândia (entre 5% e 6%), e da Suécia, Noruega, Colômbia, México e Chile. Estes últimos países estão com inflação corrente todos abaixo de 4%.

As previsões de inflação do Banco Central, de
6,4% para este ano e em torno de 5% para 2012
, que constam no relatório de
inflação divulgado nesta quinta-feira, também estão acima da estimativa para a
grande maioria das nações – sendo superada, novamente, pela Índia, Rússia e
África do Sul (só para 2012). Para este ano, a inflação prevista para a Índia
está um pouco abaixo de 9% e, para 2012, em torno de 7%. No caso da Rússia, a
estimativa para 2011 está em torno de 9% e, para o ano que vem, está um pouco
abaixo de 8%. No caso da África do Sul, a estimativa está em 5% para este ano e
em aproximadamente 6% para 2012.

Desaceleração da inflação no mundo
Segundo o diretor
Carlos Hamilton Araujo, os números do BC mostram que houve um crescimento da
inflação no passado recente. “O mundo inflacionou nos últimos 12 meses, com
exceção da Noruega. Mas, olhando para frente, o que a gente observa é que se
antecipa um desinflacionamento. A expectativa é que haja uma desinflação no
mundo”, declarou ele, observando que, assim como no caso do Brasil, a inflação
em 12 meses está acima da meta central em quase todas nações, como Suécia, Reino
Unido, Austrália, Polônia e África do Sul, tendo a Noruega por exceção.

Juros reais e PIB
Além de ter a inflação entre as mais
altas do planeta, os números mostram que a taxa de juros brasileira é a mais
elevada do mundo em termos reais – após o abatimento da inflação prevista para o
futuro. Atualmente, os juros reais brasileiros estão acima de 5% ao ano,
enquanto que, no caso da Índia e Rússia (cuja inflação corrente também está
alta, assim como as previsões para 2011 e 2012), estão entre zero e 1% ao ano. A
China também possui taxa de juros neste patamar e, no caso dos Estados Unidos,
do Reino Unido e da Nova Zelândia, as taxas de juros estão negativas.

Os números também revelam que, em outras economias emergentes, há expectativa
maior de crescimento. A previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o
crescimento da China e da Índia, em 2011 e 2012, respectivamente, está em 9,5% e
7,8% e em 9% e 7,5%. A previsão média de crescimento do PIB dos países
emergentes para 2011 e 2012, ainda segundo dados do FMI, é de 6,4% e de 6,1%. No
caso do Brasil, a previsão está abaixo de 4% para este ano e para o próximo.

“O crescimento tem de ser endereçado em outra perspectiva. Temos uma taxa de
poupança em torno de 16% do PIB, que nos permite investir, com déficit em conta
corrente [contas externas] de 2% do PIB, em torno de 18% do PIB. Temos que ter
uma taxa de crescimento compatível com a nossa capacidade de investir. Na medida
em que o Brasil avançar em reformas estruturais e em ações que melhorem o
ambiente de negócios, que aumentem a taxa de poupança, certamente vamos ter
oportunidade de ter taxas de crescimento mais elevadas. O crescimento tem
limitantes. Estamos crescendo em ritmo compatível com a nossa capacidade de
investir”, declarou o diretor de Política Econômica do BC.