Romulo Faro / Tribuna

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) veio a Salvador ontem receber o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Ufba, e não hesitou em falar de política. Ao comentar as questões locais, assumiu o compromisso de voltar à capital baiana no ano que vem e fazer campanha para o correligionário candidato à Prefeitura.

O mais cotado, não é mais segredo, é o deputado federal Nelson Pelegrino.
Lula ressaltou também a importância que o governador Jaques Wagner (PT) terá no pleito.

“Eu acho que o PT tem possibilidades fortes aqui em Salvador. Ou seja, o companheiro Jaques Wagner, como governador do estado, tem uma figura consolidada.

Wagner vai ter um peso para eleição de prefeito e para eleição de governador.
Vocês conhecem o Wagner tanto quanto eu, o bichinho gosta de fazer uma aliança política, gosta de fazer uma costura política”, brincou o ex-presidente.
Para reforçar a máxima que vai se consolidando, a de que 2014 também está perto, os possíveis aspirantes à sucessão de Wagner em 2014 estiveram presentes à cerimônia de homenagem ao líder petista nacional. Lá estavam a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho; o presidente da
Petrobras, José Sérgio Gabrielli; o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Marcelo Nilo (PDT); e o prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT).

No evento de ontem, Nilo e Gabrielli acabaram levando a melhor. O
ex-presidente e o governador saudaram os dois. Em nome de Marcelo Nilo, Lula e
Wagner cumprimentaram os componentes da mesa solene.

A Gabrieli, o afago foi um pouco mais caloroso: “Querido amigo”, disse
Lula.
Apesar do carinho, na coletiva à imprensa, Lula segurou os ânimos.
“Você acha que eu sou doido, rapaz?”, perguntou a um repórter.

“Dar palpite na frente do governador? Veja bem, ainda é muito cedo para
pensar em 2014. Nós nem pagamos ainda a dívida da campanha de 2010,
descontraiu.

O líder petista também comentou sobre a queda de cinco ministros em apenas
nove meses de governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

“Isto (corrupção) é que nem doença ruim. Às vezes você está bem, acha que
está legal, aí quando você vai fazer check-up e vê o estrago. Fazer check-up é
que nem levar carro na oficina. Você chega lá e diz que o carro está com um
barulhinho no escapamento. Quando chega a lista do problema, assusta”.

Por fim, Lula defendeu a manutenção da “faxina”. “Na medida em que se começa
a investigar e que não se empurra mais nada para baixo do tapete, a corrupção
aparece”.