Será que a tão desejada modernização dos aeroportos brasileiros estaria em pauta não fosse a Copa do Mundo de 2014? É o que se perguntam muitos brasileiros, resignados com anos de falta de planejamento no setor.

Será que ninguém foi capaz de antecipar este boom interno no consumo dos serviços aéreos que o Brasil vive, atualmente? 

Se previu, faltou agir. Agora, a menos mil dias de um dos maiores acontecimentos esportivos, ou melhor, mais do que isso, um dos mais importantes eventos econômicos do planeta (foi necessária esta correção), as autoridades dizem que irão realizar as obras de revitalização dos nossos aeródromos e terminais de passageiros “de olho” no mundial de futebol.
Não enxergou antes
Na mais dura realidade, estamos “enxergando” o problema com décadas de atraso. Antes de se imaginar o futuro, ou seja, os pouco mais de novece ntos e noventa e tantos dias que faltam para a estreia da seleção brasileira seja lá contra quem for, tínhamos de ter pensado na melhoria da nossa infraestrutura aeroportuária bem mais cedo, para evitar os transtornos constatados já nos dias de hoje pelos consumidores domésticos. Com certeza, se isso tivesse sido feito, os obstáculos para início das obras seriam reduzidos.
Dos aeroportos do Nordeste, apenas o Augusto Severo, em Natal, está em reformas. Há outro equipamento sendo construído, mas não deverá ficar pronto antes da Copa. O Deputado Luiz Eduardo Magalhães, em Salvador, e o Gilberto Freyre, em Recife, ainda não iniciaram, mas já têm as intervenções programadas dentro dos próximos seis meses.

A situação mais preocupante é a do Pinto Martins, em Fortaleza, que passará pela maior mudança estrutural dentre todos os visitados pela reportagem, mas onde o começo das as obras está marcado para março, caso não haja nova alteração do cronograma.

Por ess a gama de razões, é justificável a desconfiança dos brasileiros quanto ao cumprimento do calendário do governo para aprontar estes equipamentos. Nesta quinta edição, o “Raio X dos Aeroportos” traz a visão dos passageiros que estão descobrindo o avião como meio de transporte; e, também, a opinião abalizada de especialistas em aviação.

Pesquisa

Para a diretora do IBC da Grant Thornton Brasil, Madeleine Blankenstein, dificilmente os turistas aprovarão o aeroportos brasileiros e as sua opções para sair desses equipamentos.

“O nosso cartão de visitas para quem vem do exterior começa com uma fila estratosférica na polícia federal, uma grande demora para pegar as malas e uma dificuldade enorme para pegar um táxi ou outro meio de transporte”, comenta.

Segundo um estudo feito pela Grant Thornton, 84% dos visitantes revelaram estar muito satisfeitos com os aeroportos utilizados na África do Sul, em 2010.

“Os africanos fizeram um planejamento bem el aborado, calculando bem a proporção de quanto turistas eles esperavam. Mudaram bastante os aeroportos e o acesso a eles”, explica Madeleine, deixando claro que aprender com os acertos e também os erros dos anfitriões anteriores pode ser uma saída, antes que seja trade demais.

fonte: Diário do Nordeste