A TARDE | JUSCELINO SOUZA
Embarque de 40 t de urânio ocorreu quase um mês após protesto contra entrada do produto na cidade

 

O envio de 40 toneladas de urânio concentrado (yellow cake) da província uranífera das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) para enriquecimento na França, na última segunda-feira, passou despercebida pela maioria da população de Caetité (a 757 km deSalvador).

O produto, que estava lacrado em área desegurança máxima na INB, passou pelo processo de reembalagem após aval da Diretoria de Radioproteção e Segurança da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). O retorno ao Brasil não está definido.

No entanto, mesmo com a anuência da comissão em permitir a reembalagem do urânio, a população continua em alerta quanto ao destino dos contêineres e resíduos do material radioativo. Sobretudo depois que dois operários que manuseavam o produto sentiram um mal-estar e tiveram de ser medicados. O órgão informou que as outras 50 t seguem para a França até o mês de agosto, sem dia definido.

INB nega – Em nota, o presidente da INB, Alfredo Tranjan Filho, garante que o mal-estar dos funcionários não foi por problemas radiológicos durante a reembalagem. “Duas pessoas tiveram alterações na pressão arterial, foram atendidas e voltaram ao trabalho, que está sendo feito em ambiente seguro e apropriado”, disse. O especialista internacional em radiação e saúde Nelson Valverde sustenta que “o concentrado de urânio não produz dano radiológico”.

Quanto aos tambores vazios, o coordenador de transporte do urânio, Edenil de Melo Brito, disse que serão doados a cooperativas de reciclagem, em obediência a um decreto do então presidente Lula. “O produto não oferece risco, uma vez que já foram descontaminados”, reforçou.