TRIBUNA DA BAHIA

Passado o impacto da reforma administrativa e início da gestão dos novos titulares nas secretarias do estado, o governo segue com a complexa tarefa de distribuição e nomeação de cargos do segundo e terceiro escalão. Nos bastidores da Assembleia Legislativa, deputados da base aliada demonstram insatisfação com a morosidade do anúncio e os critérios adotados na divisão.

A demora na repartição dos cargos seria justificada pela espera das negociações em âmbito nacional, até porque a acomodação em plano local se daria em comum acordo com as decisões na instância federal. A assessoria do governo nega que haja clima de contrariedade entre os partidos que compõem a aliança e o governador Jaques Wagner (PT). Em toda a Bahia são aproximadamente 400 cargos regionais e municipais a serem preenchidos com a indicação do governo.

Nos bastidores, interlocutores do Executivo e do Legislativo deixam claro o descontentamento gerado pelas normas de divisão. “Estabeleceu-se critérios de votação do parlamentar e da legenda, o que provocou muita reclamação.

Até o próprio PT, que está ganhando muitos cargos, tem reclamado”, confessou um deputado, que logo em seguida deixou escapar uma dúvida. “Resta saber se essa reclamação do PT é estratégia para conformar os demais que pertencem à base ou se é porque eles estão insatisfeitos mesmo”, acrescentou.

Segundo o mesmo parlamentar, o governo deixou de fora da conta muitos cargos considerados pelos deputados, a exemplos daqueles que seriam ligados à Cesta do Povo, aos hospitais e à segurança pública.

Os critérios que os partidos da base tanto reclamam estão associados diretamente à divisão da Bahia em 26 territórios de identidade. Dentro desses 26 territórios, o PT liderou em 24, nas últimas eleições, o que tem credenciado o partido a abocanhar mais espaços.

O líder do governo na Assembleia, deputado Zé Neto (PT), nega a existência de conflitos entre a base e o governo por causa de cargos. Segundo ele, o governador já acertou as composições e não deve demorar muito para nomear as ocupações que faltam. “No processo democrático, o caminho não é o de mandar, mas é o de convencer e agregar unicamente.

E é isso que se tem feito. O governador deu tempo para cada partido se resolver internamente”, disse. Conforme o líder, as bancadas têm se encontrado com Wagner. “Mas se trata apenas de montar agenda de atendimentos para que os deputados levem suas demandas”, justificou.