Os acidentes de trânsito na Bahia são considerados um grave problema de saúde pública, pois estão entre os principais causadores de internação e de óbito no Estado, superados somente por doenças do aparelho circulatório. Além disso, o custo do tratamento é alto, e por isso é essencial conscientizar a população para o grande problema que é o acidente automobilístico.

Em Vitória da Conquista e região, o número de acidentes envolvendo motociclistas é grande. Muitos condutores não dão atenção aos equipamentos essenciais para pilotar com segurança, não respeitam as faixas de pedestres, ultrapassam de forma perigosa e cometem outras infrações que colocam em risco a própria vida e a de outras pessoas. O alcoolismo e falta de manutenção da motocicleta também estão entre as principais causas desse tipo de acidente.

Atualmente, o Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC) atende em média 26 pacientes, vítimas de acidentes de motocicletas. Dentre os traumas causados pelos acidentes automobilísticos, o politraumatismo é o mais recorrente, levando a graves prejuízos e algumas sequelas para toda a vida. Traumatismo cranioencefálico (TCE) e fraturas no fêmur e na clavícula também são bastante comuns nesses acidentes.

Os atendimentos aos casos de urgência e emergência fazem parte da rotina do HGVC, que procura oferecer a toda a população um serviço qualificado. Segundo dados da coordenação de Enfermagem do Hospital, 90% dos pacientes acidentados por moto internados na unidade são de municípios da região. O hospital tem nesse momento vítimas vindas de Brumado, Itapetinga, Jânio Quadros, Bom Jesus da Lapa, Macarani, Piripá, Belo Campo, Jacaraci, Paramirim, Barra do Choça, Planalto e Caculé, Livramento de Nossa Senhora e Dom Basílio . Os demais acidentados são de Vitória da Conquista, principalmente da zona rural.

Mais de 20% dos leitos do HGVC estão ocupados pelos acidentados de moto. Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI I), 50% dos leitos estão sendo utilizados por esses pacientes. Mesmo com a realização de todos os procedimentos médicos necessários, alguns deles ficarão com sequelas pelo resto da vida, dependendo de terceiros para as rotinas mais básicas.

Há 42 dias, Emerson de Lima Moreira (19), sofreu um acidente de moto entre Tumerim e a Fazenda Riacho Seco, onde mora, localidades da zona rural de Condeúba. Emerson, que pilotava sem capacete, após passar em um buraco, perdeu o controle da moto, batendo a cabeça violentamente. Foi diagnosticado TCE grave e foi necessária uma traqueostomia. Seu pai, Salvador de Lima Moreira, relata que foi uma grande mudança na rotina da família e que seu filho luta para se recuperar do acidente. “Meu filho é um garoto carinhoso, comunicativo e ajudava na lavoura. tocava guitarra e era um rapaz muito feliz, cheio de amigos. Agora estamos orando por sua recuperação”, diz esperançoso.

Segundo o supervisor clínico do HGVC, Sandro Bahia Marchesini, o percentual médio de ocupação dos leitos de UTI/UPC por acidente de moto é superior a 50%, chegando a 100% em alguns momentos. “Este tipo de trauma atinge mais os adultos jovens, na faixa etária entre 15 e 44 anos, em plena fase produtiva da vida, é mais comum no fim de semana, envolve custos de bilhões de reais a nível nacional. É uma verdadeira pandemia”, alerta o supervisor.

Marchesini salienta que o TCE é causado por uma conjunção de fatores que envolve pouca fiscalização, uso da moto sem capacete e associado ao uso de bebida alcoólica, e que outro agravante é que o atendimento inicial e o transporte inadequado do paciente vitima de TCE, na cidade de origem, pode aumentar a mortalidade destes pacientes em até 75%.

Na opinião do diretor geral, Gerardo Junior, o quadro pode ser revertido a partir de ações que envolvam toda a região, como uma campanha que envolva todos os órgãos fiscalizadores, instituições governamentais, buscando a redução deste tipo de acidente. “É triste o que muitas vezes acompanhamos no HGVC, quando assistimos impotentes a vida de tantos jovens em vida ativa ficarem sequelados pelo resto da vida, porque dispensaram a segurança mínima, por bebida, imprudência ou por conta de um veículo com problemas mecânicos”, lamenta o diretor.

O diretor informa que o HGVC pretende reunir autoridades, sociedade civil e empresas que comercializam motocicletas para uma proposta de campanha educacional que mude esta realidade. “Acredito que a sociedade, em peso, em toda a região, é que vai mudar este cenário que a cada dia nos preocupa, mas que pode ser modificado a partir da conscientização desses jovens, que morrem ou passam a levar uma vida vegetativa”, concluiu.
Fonte: Direção Geral / Ascom HGVC