Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – As eleições municipais de 2012 devem romper a tradição segundo a qual a sucessão nas prefeituras é uma briga entre lideranças locais. Depois de três derrotas presidenciais, a oposição ensaia projetos comuns, num jogo eleitoral que pode ser de vida ou morte. O PT, por sua vez, que não quer ser apeado do poder central, vai “nacionalizar” a disputa em algumas capitais.

“O PT definiu que tratará de maneira nacionalizada capitais estratégicas para nossa aliança nacional”, adianta o ex-deputado Virgílio Guimarães (MG), agora dirigente nacional petista. Ele avalia que 2012 pode ser “definidor para o projeto 2014”, a partir de Belo Horizonte, onde a aliança nacional com o PSB será posta à prova, em disputas com o PMDB e o PC do B, todos da base do governo Dilma Rousseff.

Visto pela oposição como pré-candidato ao Planalto, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) já mostra preocupação, certo de que o resultado da briga mineira estará vinculado ao desempenho de lideranças nacionais – como ele. “Há sempre a leitura do quem ganhou e quem perdeu”, diz Aécio, ao admitir que as eleições municipais ajudam a montar o tabuleiro da disputa presidencial de 2014.

Na ponta oposicionista do espectro político brasileiro, líderes do DEM, do PSDB e do PPS pregam a unidade das siglas já partir deste ano. “Fraturar agora, para juntar os cacos lá na frente, não adianta”, afirma o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA). Deputado federal mais votado em seu Estado, Neto pode ser preservado para uma disputa pelo governo baiano, o que facilita o entendimento em torno do deputado e ex-prefeito da capital Antônio Imbassahy. (PSDB). Ele defende a tese de que a união é fundamental: “O descolamento das oposições em 2010 não contribuiu”.