Apesar de o governador Jaques Wagner (PT) ter dado sinais claros de uma possível aliança com o prefeito João Henrique (PP) durante a folia de Momo e dos recados enviados pelo comando do PP, partido da base aliada ao governo estadual, os petistas rechaçam a ideia de ingressarem na administração municipal.

Durante o Carnaval, o novo chefe da Casa Civil, o deputado federal João Leão (PP), assegurou que a sigla tentará conquistar o apoio do PT ao prefeito de Salvador e ainda poderá ceder espaços para o partido dentro da gestão. Entretanto, nem a possibilidade de maior poder dentro do Executivo municipal parece “encher os olhos” dos petistas.

Segundo o presidente do PT baiano, Jonas Paulo, a legenda não tem nenhum interesse na prefeitura.  “A tarefa do PT em Salvador hoje é garantir a estabilidade para que esse governo possa pelo menos cumprir o mandato, mas o nosso principal compromisso agora é o de construir as bases para mudança política na cidade”, enfatizou. Ao rejeitar qualquer movimento de adesão à atual gestão de Salvador, Jonas criticou os métodos da administração, classificada por ele como “esgotada”.

“E que por isso deverá ser substituída nas eleições por um outro projeto popular, democrático e com sintonia com os princípios que orientam o nosso projeto de mudança no plano estadual e federal”, acrescentou. Conforme o dirigente estadual do PT, durante a folia, ele, o líder da bancada baiana, deputado federal, Nelson Pelegrino (PT) e o senador Walter Pinheiro (PT) sentaram-se com o governador Jaques Wagner (PT) e deixaram clara a parceria restritamente institucional com o prefeito.

“Temos sim compromisso com a cidade, como o de acompanhar e direcionar as obras federais e estaduais para que Salvador não seja penalizada, mas quem tem verdadeira responsabilidade com esse governo é quem o integra”, disse como recado direcionado aos progressistas.

Segundo ele, o PT tem cumprido suas intenções de discutir projetos para 2012 com todos os aliados. “Queremos mudança”. Além de Salvador, o partido avança no sentido de pleitear o poder de mais 20 municípios de maior destaque no Estado. “O PT lidera uma coalizão e está conversando com todos os aliados. Queremos construir o máximo de unidade”, frisou.  
   
Na folia de Momo, tanto o presidente do PP, o ministro das Cidades, Mário Negromonte, quanto o chefe da Casa Civil, que será oficializado na função nos próximos dias, João Leão, exaltaram o interesse de ter o PT mais próximo do Palácio Thomé de Souza.

Conforme Leão, não há pretensão do PP em promover alterações no secretariado municipal para abrigar integrantes da sigla, entretanto haverá lugar para os aliados, em especial o PT: “Nós podemos abrir o secretariado para os partidos da base aliada”, ressaltou.

Da Tribuna