Estadão.com.br
Max Rossi/Reuters
Max Rossi/Reuters
Denúncias sobre Berlusconi geram onda de protesto na Itália

MILÃO – O primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi foi indiciado nesta terça-feira, 15, por pagar por sexo com prostituir duas menores de idade e abuso de poder ao tentar encobrir o caso.  A juíza Cristina Di Censo aceitou o pedido de indiciamento proposto pela procuradoria de Milão. O julgamento está marcado para começar no dia 6 de abril.

O Ministério Público acusa o premiê de prostituir a marroquina Karima El Mahroug, conhecida como “Ruby, a arrasa corações”, quando ela tinha 17 anos, e de usar sua influência para libertá-la da prisão quando ela foi detida por roubo. De acordo com as investigações, Berlusconi pagou € 7 mil (cerca de R$ 15,7 mil).

“A juíza para as investigações preliminares Cristina di Censo publicou sua decisão com base acordo nos artigos 453 e os seguintes do código do procedimento penal de julgar imediatamente o premiê Silvio Berlusconi pelos delitos de concussão e prostituição de menores”, diz comunicado.

O advogado de Berlusconi, Piero Longo, disse à imprensa italiana que não esperava “nada diferente” da decisão

Protestos

No final de semana, o premiê enfrentou uma onda de protestos na Itália pedindo a sua renúncia. Berlusconi, que nega as acusações, disse ontem que os protestos, organizados por mulheres italianas, são subversivos.

“Eu vi as forças partidárias de sempre mobilizadas contra mim por uma ala da esquerda que usa qualquer pretexto para criticar um adversário que não consegue derrotar nas eleições”, disse ele em seu programa matutino.

“Todas as mulheres que tiveram a oportunidade de me conhecer sabem o quanto eu as respeito. Eu sempre me comportei e sempre me comporto com grande carinho e grande respeito, tanto com as minhas companheiras quanto com o meu governo.”, acrescentou.  Sempre tentei agir de forma que cada mulher se sinta especial”.

Outros processos

Berlusconi tem pendente diante do Tribunal de Milão o chamado caso Mills, no qual é acusado de corrupção em ato judicial, pelo qual terá de depor em 11 de março.

Outro processo é do Mediaset (seu império de mídia), no qual o primeiro-ministro é acusado de suposta fraude fiscal e cujas audiências serão retomadas em 28 de fevereiro, após a suspensão de ambos por um escudo judicial agora invalidado.

Em fase de audiência preliminar está o caso Mediatrade, também suspenso em base ao último escudo judicial do líder invalidado em janeiro pelo Tribunal Constitucional e que deve decidir agora se julga Berlusconi por suposta apropriação indevida e fraude fiscal.

Com Efe e AP