Bruno Lupion, do estadão.com.br, e Carlos Mendes

   

Um prédio residencial em construção com 32 andares desabou em Belém por volta das 15 horas de ontem (horário de Brasília). Pelo menos seis funcionários trabalhavam no local no momento do acidente e estavam desaparecidos até as 20h, segundo os bombeiros. Seis pessoas tiveram ferimentos leves.

 Toneladas de escombros interditaram a rua e afetaram a estrutura de duas residências e do prédio ao lado. Defesa Civil e Corpo de Bombeiros trabalham nas buscas com o apoio de retroescavadeiras e pás mecânicas. Cinco pessoas que passavam pela rua e outra que estava em uma casa vizinha foram retiradas com ferimentos leves cerca de 30 minutos após o acidente e levadas a hospitais da região.

 A estudante Inara Cavalcanti, de 19 anos, proprietária de um apartamento no oitavo andar do edifício, soube do desastre pela irmã. “Ela me ligou dizendo que o prédio tinha caído e fui lá correndo ver.” De acordo com ela, o empreendimento chamado Real Class teria 34 andares – 30 de apartamentos e quatro de áreas comuns –, dos quais 32 já estavam construídos. A obra seria entregue em novembro.

 

 

Pânico. “Só ouvi um estrondo e quando corri para ver o que era havia uma nuvem de fumaça branca que cobriu toda a área e a Rua Três de Maio”, conta o webdesigner Fabrício Bezerra.

Vizinhos disseram que outros prédios balançaram na hora do desabamento. O pânico foi maior em um edifício de 20 andares, que fica ao lado da obra, onde moradores ouviram estalos na estrutura e saíram às pressas. Na correria, Maria Lemos de Oliveira, 52 anos, se feriu ao ser pisoteada.

Uma das casas atingidas foi a do jornalista Donizetti César, de 58 anos. “Eu já denunciei várias vezes essa obra. Não havia segurança para os operários e nem tela de proteção nos andares. Uma viga de madeira caiu em cima da minha casa e os responsáveis pela obra não tomaram nenhuma providência.” Donizetti disse que registrou um boletim de ocorrência. A Real Engenharia, responsável pela obra, não comentou o acidente.

Para o secretário estadual de Saúde, Hélio Franco, que esteve no local, as equipes de resgate devem esgotar as possibilidades para encontrar possíveis sobreviventes e resgatá-los.

Sem punição. Em 13 de agosto de 1987, o edifício Raimundo Farias, de 16 andares, desabou no bairro do Umarizal. Trinta e nove operários morreram. Até hoje, ninguém foi punido.