Vitória da Conquista está integrada ao movimento global que discute o desafio da sustentabilidade planetária. Assim, tem articulado e debatido a noção de sustentabilidade – que remete ao que pode ser mantido ao longo do tempo –tarefa inadiável que está a requisitar de cada pessoa a mais completa disposição e energia para as mudanças que precisam ser realizadas.
A cidade experimenta, desde 1997, uma nova ordem municipal. Ao longo desse tempo, vem acumulando experiências, fundamentadas no exercício da ecologia humana, definindo o ser humano como emergência das suas ações. Priorizando a saúde e a educação, nas suas variadas dimensões, estabeleceu os alicerces que permitem a construção de uma cidade sustentável.
Até 1997, o município não possuía qualquer política ambiental. Para se ter uma idéia dos efeitos negativos dessa negligência, a Serra do Periperi, uma importante reserva da Mata Atlântica, estava em franco processo de degradação, ameaçada por uma extração mineral sem controle e uma pressão antrópica sem precedestes, com o avanço da cidade sobre essa importante reserva ecológica.

Várias medidas foram adotadas para impedir que os estragos se avolumassem, controlando o avanço das ocupações irregulares e a retirada de areia e pedra. Assim, em 1998, por meio de decreto municipal, a Serra do Periperi tornou-se área de preservação ambiental, composta de uma unidade de conservação com área de 1.300 hectares, denominando-se Parque Municipal da Serra do Periperi.

Ali, implantou-se a sede da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o Centro de Triagem de Animais Silvestres, com área de 260 m2, onde os animais recebem tratamento adequado e são reintegrados à natureza.

Também tem merecido especial atenção do governo municipal a Reserva Florestal do Poço Escuro, área com 16 hectares, onde estão localizadas as principais nascentes do Rio Verruga.

Vitória da Conquista também encontrou uma solução moderna e eficaz para o lixo. Em 1997, o ‘lixão’ a céu aberto era um espaço desordenado e cheio de problemas, acolhendo pessoas que sobreviviam da coleta daqueles resíduos sólidos, disputando homens, mulheres e crianças os restos ali despejados de forma desordenada com variados animais.

Vitória da Conquista recebeu técnicos competentes que realizaram estudos aprofundados e hoje a cidade dispõe de um aterro sanitário que é referência para o país. A tecnologia utilizada no aterro é uma das mais modernas do Brasil e um dos aspectos importantes é o processo de impermeabilização das células de acolhimento dos resíduos, que impede a contaminação dos lençóis freáticos.

Ali também praticou-se a ecologia humana. Pessoas que sobreviviam do antigo lixão, em condições sub-humanas, hoje estão organizados em cooperativa, desenvolvendo um trabalho solidário, melhorando a renda e trabalhando com dignidade. O espaço no aterro sanitário, com 900 m², tem um galpão aberto com uma esteira de triagem que facilita a separação dos materiais recicláveis do lixo orgânico, vindos da coleta geral, e outro galpão fechado que faz a triagem da coleta seletiva.

Esta última unidade permite que o aproveitamento dos materiais selecionados seja maior, aumentando a produtividade do trabalho dos catadores. Isso fez com que o número de catadores também aumentasse: hoje, são 84 cooperados que sobrevivem com dignidade.

Em 2001, com a criação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, muitos avanços foram conquistados, com a  atualização de programas, projetos e ações nos planos plurianuais e nas leis de diretrizes orçamentárias.

Em dezembro do ano passado, o Conselho Estadual do Meio Ambiente editou a portaria que autoriza o município de Vitória da Conquista a licenciar até o nível 3, nível máximo para municípios, dentro do programa de gestão ambiental compartilhada. Significa dizer que nosso município hoje tem autonomia para gerir a sua política ambiental.

SECOM/PMVC