SÃO PAULO – O agronegócio brasileiro pode movimentar US$ 85 bilhões com as exportações neste ano, afirmou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) durante apresentação do balanço do setor ontem, em Brasília. Esse montante representa um crescimento de 10% ante os US$ 76,4 bilhões obtidos em 2010. Entre os produtos que mais ampliaram as suas arrecadações estão o milho com 69,8% a mais que em 2009, seguido pelo açúcar com incremento de 52,3% e o café com 37,8%.

No ano passado, o agronegócio brasileiro registrou exportações recordes no setor agropecuário com US$ 76,4 bilhões, que representa um aumento de 18% ante os números vistos em 2009 (US$ 64,7 bilhões). Até então, o melhor ano para as exportações brasileiras, em termos de receita, foi 2008, com US$ 71,8 bilhões.

Além da previsão do ministério brasileiro quanto a alta das exportações de 10% para este ano, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), acredita que estes valores possam chegar a US$ 87 bilhões. “Nós calculamos um crescimento de até US$ 87 bilhões em 2011, porém temos de observar o cambio, pois isso pode atrapalhar os resultados. A previsão é que mesmo no período de colheitas teremos preços até 10% mais altos que 2010”, disse Rosimeire dos Santos, superintendente técnica da CNA.

No mesmo período, o superávit da balança comercial do agronegócio alcançou a marca de US$ 63 bilhões, ante os US$ 54,9 bilhões vistos em 2009. Outra curiosidade é que esse saldo foi três vezes maior que os US$ 20 bilhões observados no superávit do comércio global do Brasil no mesmo período. “Esse desenvolvimento é muito raro em uma economia, principalmente na agrícola, e muito significativa em tão pouco espaço de tempo. Quase quadruplicamos nossas exportações nos últimos 10 anos, passamos de US$ 20,7 bilhões em 2000, para US$ 76,4 bilhões este ano”, contou o coordenador geral de organização para exportação da Mapa, Eliezer Lopes.

Com vista à manutenção do ritmo de crescimento no setor, o ministério afirmou que já estuda um projeto para o sistema único de garantia ao produtor, que abrange o Programa de Garantia de Preço Mínimo (PGPM) e o Seguro Rural.

“Os programas de apoio à agricultura tendem a encontrar formas mais aperfeiçoadas e nosso objetivo é sair de uma política de apoio, no que diz respeito a preço mínimo e comercialização, para uma garantia mais ampla do que um seguro rural, que envolva riscos climáticos e mercadológicos”, finalizou.

Apesar de uma receita de exportação ainda pequena em relação a outras commodities, o milho obteve o maior crescimento, ficando à frente do açúcar e do café. Em 2010, o grão bateu o recorde de exportação com US$ 2,1 bilhões, que representa um incremento superior a 69% ante 2009. Em termos de quantidade, o crescimento foi de 39%, passando de 7,7 milhões de toneladas (t), em 2009, para 10,8 milhões de toneladas em 2010.

Esse foi o segundo maior volume da série, superado apenas pelas 10,9 milhões de t de 2007. “O milho obteve um resultado melhor que o esperado, e muito desse resultado se deve ao governo que ajudou bastante o produtor na hora de comercializar”, disse, Steve Cachia, analista da Cerealpar.

Já o açúcar, responsável por US$ 12,7 bilhões nas exportações do ano passado, cresceu 52,3% em sua receita, fruto do aumento da quantidade exportada e dos preços praticados, afirmou o analista.

Os preços do produto tiveram um incremento 32,2% em 2010, passando de US$ 345 em média por tonelada.

Para a superintendente da CNA, neste ano o algodão estará entre os cinco produtos que mais crescerão em renda.

Paralisação na Argentina

Os agricultores argentinos anunciaram ontem a suspensão, a partir da próxima segunda-feira, das vendas de grãos e oleaginosas para protestar contra políticas de exportação do governo.

A manifestação de sete dias foi convocada pelo descontentamento com as políticas governamentais, especialmente aquelas relacionadas ao trigo.