Aguirre Peixoto l A TARDE

Apesar da tentativa de acalmar os ânimos dos vereadores insatisfeitos, tudo indica que a vida de João Henrique na Câmara não será fácil. Nesta terça-feira, 4, um grupo de seis vereadores de diferentes partidos anunciou a criação de um bloco independente, o que pode causar mais dificuldade ainda ao prefeito.

O bloco é integrado por Alcindo da Anunciação (PSL), Jorge Jambeiro (PSDB), Paulo Câmara (PSDB), Lau (PSB), Palhinha (PSB) e Joceval Rodrigues (PPS). Somados ao oito vereadores de oposição na Casa, o novo bloco pode garantir 14 votos contrários ao prefeito – de um total de 41 vereadores. Sobram 27 aliados, cuja fidelidade não é tão garantida. Para aprovar as contas da prefeitura, são necessários 28 votos favoráveis. A desaprovação pode deixar João Henrique inelegível por oito anos.

“Queremos dar um freio e colocar os projetos da prefeitura em debate. Terão que ser enviados com antecedência para que possamos discuti-los”, avisou o vereador Paulo Câmara. A prática comum no Legislativo é João Henrique enviar os projetos e aprova-los em regime de urgência pouco tempo depois. É recorrente a reclamação sobre a falta de debate.

Liderança – O novo líder do governo na Casa, Téo Senna (PTC), escolhido nesta terça pelo prefeito, terá que enfrentar essa queixa dos seus colegas. “Já pedi a ele (João Henrique) que os projetos não cheguem em cima da hora para serem votados”, afirmou.

Ele avalia que a ida de Alfredo Mangueira para a Casa Civil vai facilitar o contato entre o Legislativo e o Executivo, fortalecendo a articulação política do prefeito.

Esse fortalecimento foi um dos objetivos da reforma do secretariado, que acolheu os aliados na máquina do governo e também permitiu a entrada de novos aliados na Câmara. Os suplentes Cristovinho Ferreira Júnior (ex-PDT, agora PMDB) e Silvoney Salles (PMDB) também reforçam a base aliada do prefeito.

O líder da oposição, Henrique Carballal (PT), criticou as manobras. “Não posso acreditar que o prefeito mude os secretários visando aprovar as contas dele na Câmara. O destino da cidade não pode ficar atrelado aos seus interesses políticos”, disse.