O Estado de S.Paulo

A China pediu ontem, depois que EUA e Coreia do Sul iniciaram exercícios navais conjuntos no Mar Amarelo, uma reunião de emergência entre os seis países envolvidos na desnuclearização da península coreana.
Os chineses querem um encontro em Pequim com as partes envolvidas na negociação. O objetivo é evitar uma escalada militar entre as duas Coreias. Na terça-feira, um bombardeio da Coreia do Norte à ilha sul-coreana de Yeonpyeong matou dois civis e dois militares, no momento de maior tensão desde o final da guerra entre os países, em 1953.

O vice-ministro de Assuntos Exteriores chinês, Wu Daiwei, disse esperar que o encontro ocorra em dezembro e tenha a participação de delegados das duas Coreias, dos EUA, da China, da Rússia e do Japão.
Os EUA responderam que consultarão a Coreia do Sul e o Japão sobre a viabilidade da reunião emergencial. Washington, porém, pediu novamente que Pequim aja contra “as provocações de Pyongyang”.

“As conversas de seis partes não podem substituir as ações da própria Coreia do Norte para cumprir com suas obrigações internacionais”, disse um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA. “Pedimos à China que exija da Coreia do Norte que cesse as provocações e aja com responsabilidade pelo interesse da paz e da estabilidade”.

A China está sob forte pressão internacional para que intervenha junto à Coreia do Norte. Pequim é um dos poucos governos com influência sobre Pyongyang, mas a opinião pública chinesa considera que a Coreia do Sul tem a culpa pelo último confronto, por ter disparado contra águas que os norte-coreanos consideram em disputa. Pequim não condenou o bombardeio.

De acordo com um porta-voz do Pentágono, as operações dos americanos e sul-coreanos iniciadas ontem são de natureza defensiva e destinadas a reforçar a dissuasão contra a Coreia do Norte e “não são dirigidas contra a China”. A principal arma é o porta-aviões nuclear George Washington, que pode transportar 75 aviões, entre eles dois caças-bombardeiro. / AP e NYT