Um vídeo sobre o envolvimento de membros do Ministério Público de Brasília, no mensalão do DEM, mostra o marido da promotora Deborah Guerner, principal suspeita, pegando dinheiro num cofre de casa e explicando como esconder da polícia.

As imagens fazem parte da denúncia oferecida pela procuradoria do Distrito Federal contra a promotora e o promotor Leonardo Bandarra, então chefe do Ministério Público local.

Eles são acusados pela procuradoria de receber propina e usar os cargos para manter o governo de José Roberto Arruda –suspeito de ser o chefe do esquema– informado das investigações feitas pelo Ministério Público.

No vídeo, exibido pela TV Globo, Bandarra chega de moto e só tira o capacete após entrar na casa de Deborah. As imagens foram registradas pelo circuito interno de segurança da promotora e apreendidos pela Polícia Federal.

O marido de Deborah, Jorge Guerner, aparece pegando maços de dinheiro de um cofre escondido com um fundo falso. Em outro momento, ele explica como evitar que a polícia consiga achar o dinheiro, escondido em dois cofres.

“Vou botar esses no cofre e esses no outro. Se eles acharem pensam que a gente só tem esse dinheiro. E aí o que acontece? Eles não procuram mais”, diz o marido da promotora.

As imagens foram obtidas pela Polícia Federal em junho, durante a investigação contra os promotores. No mesmo mandado de busca e apreensão, a PF encontrou cerca de R$ 280 mil enterrados no quintal da promotora.

Segundo o delator do mensalão, Durval Barbosa, Bandarra recebeu mais de R$ 1,6 milhão de propina, além de mesada, para interferir no Ministério Público e impedir investigações sobre os contratos do lixo.

De acordo com Barbosa, a promotora seria a intermediária da negociação. Um das conversas, segundo depoimento de Barbosa, foi feita na sauna da casa da promotora.

OUTRO LADO

A Folha procurou os advogados dos promotores acusados. O advogado de Bandarra, Cezar Roberto Bitencourt, não retornou as ligações. O advogado de Deborah Guerner, Pedro Paulo de Medeiros, disse que não poderia comentar o caso, que está em segredo de Justiça.

Medeiros, entretanto, disse que a defesa não teve acesso ao vídeo e pedirá à Procuradoria Geral da República que investigue o vazamento. da Folha