Desde julho do ano passado, 24 pessoas infectadas pela superbactéria KPC morreram no Estado de São Paulo. Nesse mesmo período, 70 casos de contaminação foram confirmados. A informação é da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), confirmada à Folha pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, na noite da última sexta-feira (22).

Restringir antibiótico em farmácia não contém superbactéria KPC, diz especialista
Álcool em gel será obrigatório em hospitais para conter superbactéria KPC
Espírito Santo confirma casos de superbactéria KPC
DF tem mais 3 mortes por superbactéria; contaminação aumenta 70% em 2 semanas
Superbactéria já foi notificada no DF, no PR e em SP
Pacientes com superbactéria são isolados em hospitais de SP
Ministro relaciona superbactéria ao consumo de antibióticos
Anvisa deve mudar regra para evitar venda de antibiótico sem receita
Sobe para 135 número de casos com a superbactéria no DF
Superbactéria é alerta para hospitais do país

A pasta, no entanto, ressalta que não é possível precisar se a infecção foi a causa da morte desses 24 pacientes.

Caso sejam confirmadas, São Paulo seria o Estado com o maior número de mortes decorrentes da infecção.

No Distrito Federal, o número de contaminações-no mesmo período-é maior (183 casos). E 18 pessoas infectadas pela superbactéria morreram.

A superbactéria já foi identificada, desde 2009, em pelo menos seis Estados: Goiás, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo.

ANTIBIÓTICOS

A Anvisa decidiu redigir até o início da semana que vem uma nota técnica para uniformizar o diagnóstico e reforçar a necessidade de notificação das infecções por bactérias resistentes aos tratamentos tradicionais –a exigência existe há 12 anos, diz o diretor Dirceu Barbano.

A agência também aprovou ontem duas resoluções. Uma prevê multa de R$ 1,5 milhão para farmácias e drogarias que venderem antibióticos sem a retenção da receita médica.

Atualmente, a regra determina apenas que o paciente apresente a receita médica, mas ele pode ir embora do estabelecimento com ela.

Mesmo essa exigência costuma ser descumprida, reconhece a própria Anvisa.

A regra passa a valer 30 dias após a publicação no “Diário Oficial” da União, o que deve acontecer até a próxima quarta-feira (27).

O objetivo é conter o uso indiscriminado do medicamento- apontado pelo ministro José Gomes Temporão (Saúde) como um dos fatores do surgimento de organismos resistentes, como a KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase).

A outra resolução obriga clínicas e hospitais a disponibilizarem álcool líquido ou em gel para médicos e enfermeiros limparem as mãos.

O prazo de adaptação à regra é de 60 dias. A fiscalização das novas normas caberá às vigilâncias sanitárias municipais e estaduais.

ESPÍRITO SANTO

A contaminação pela superbactéria KPC no Estado do Espírito Santo foi confirmada ontem pelo Ministério da Saúde. O órgão confirma a existência da KPC no DF, em SP e PA. Segundo a Secretaria da Saúde do ES, o paciente infectado morreu, mas a causa, não seria a KPC.

  Editoria de Arte / Folhapress/Editoria de Arte / Folhapress