Silvana Blesa/Tribuna

 Cerca de 12 policiais da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) iniciaram uma operação na madrugada de ontem, com o objetivo de prender quatro homens que fazem parte de uma quadrilha especializada em assaltos a bancos, carro-forte e instituições financeiras. Segundo o delegado Cláudio Oliveira, as viaturas da polícia pararam um pouco distante do local conhecido como Baixa do Tubo, no Bairro da Paz, onde se encontravam Ailton Alves dos Santos, 41 anos, vulgo “Nenego”, e mais três comparas. “Eles estavam num barraco arquitetando um grande assalto a uma instituição financeira quando perceberam a nossa presença. Os três, que não foram identificados, pularam um muro e fugiram em direção ao bairro do Alto do Coqueirinho, mas Nenego resistiu e efetuou vários tiros em nossa direção”, disse o delegado.

 

Em posse de uma metralhadora 9 milímetros e de uma arma Ponto 40, usando um colete à prova de balas, Nenego teria gritado que não iria se entregar e que, se fosse morrer, iria levar um alemão (se referindo a policiais) com ele.

Diante da resistência, os agentes buscaram proteção em muros e nos veículos, dando início a um duelo entre Nenego e a polícia, numa área residencial. Os agentes conseguiram encurralar Nenego, que foi atingido por tiros no tórax, mas foi protegido pelo colete que usava. Porém, o acusado foi ferido por disparos no pescoço e nos braços.

FLAGRANTE – Os policiais conseguiram prender Nenego, que, por estar ferido, ainda foi conduzido para o Hospital Roberto Santos, mas morreu após o atendimento médico.

Com ele, os policiais afirmam terem apreendido duas armas usadas na troca de tiros, além de pasta base de cocaína, várias granadas caseiras, cinco fardas dos seguranças da empresa Preserve Valores, um pé de maconha, botas do tipo coturnos e balança de precisão. Conforme o delegado Cláudio Oliveira, Nenego e Ricardo Brandão Costa são os líderes de uma quadrilha especializada em assaltos a bancos, carro-forte, instituições financeiras e supermercado de grande porte.

Série de ações é atribuída ao bando

De acordo com a polícia, a quadrilha comandada por Nenego é responsável pelo sequestro do gerente da Empresa Preserve de Feira de Santana e de sua família, realizado no último dia 27. Eles não conseguiram levar dinheiro devido à polícia ter agido rápido e impedido a liberação do dinheiro, que foi bloqueado.

É atribuído à quadrilha de Nenego, segundo o delegado Cláudio Oliveira, o assalto à sede da empresa Preserve situada em São Joaquim, ocorrido no ano passado, em que foram levados R$ 16 milhões.

“Desde esse assalto que começamos a investigar os passos da quadrilha. Através das filmagens, conseguimos localizar Nenego e Ricardo atuando na cena do assalto.

Eles também roubaram o banco do Hospital das Clínicas, no ano passado e a partir daí, descobrimos que eles recentemente tinham mantido o gerente e sua família em cativeiro para tomar dinheiro da Preserve. Descobrimos que eles estavam num barraco no Bairro da Paz arquitetando um novo assalto e cercamos o local”, explicou Cláudio Oliveira.

Segundo ele, Ricardo era ex-funcionário da empresa Preserve e lá, conseguiu obter várias informações sobre a rotina dos seguranças e senhas da liberação de dinheiro em determinados locais.

“No ano passado, parte da quadrilha, usando fardas da empresa Preserve e em carros particulares, assaltou o Extra justamente no horário em que uma leva de dinheiro era liberada para o carro-forte. Através de uma senha, eles conseguiram levar R$ 400 mil do local. O assalto só foi percebido após a chegada do carro-forte da empresa, minutos depois”, relatou.

Nenego tinha uma vasta ficha criminal. Ele respondia a oito inquéritos por assalto, tráfico de drogas, latrocínio e homicídio. Existiam contra ele, dois mandados de prisão expedidos pela 12ª Vara Crime, além de três ações penais por tráfico, latrocínio e homicídio. A polícia procura por Ricardo Brandão, também líder da quadrilha. (SB)