RIO – A chegada da noite desperta uma sinfonia de guitarras elétricas e baterias na Estrada do Mendanha, em Campo Grande. A música gospel anuncia: é a hora do culto noturno nas dezenas de templos evangélicos do lugar. A Igreja Batista Independente do Mendanha, no número 5.750, não chega a lotar. O fervor dos fiéis preenche os vazios. Como muitos outros da região e seus irmãos espalhados pelo país, eles creem no alerta dos pastores: com a globalização do planeta, o anticristo avança para cumprir o seu destino. O juízo final se aproxima. E eles, como heróis do bem, estão prontos a resistir em sua guerra santa contra a iniquidade.
O templo, no andar superior de um prédio inacabado, fica no coração de um dos maiores enclaves protestantes do Brasil, a Zona Oeste do Rio. Não dá para esperar a secagem do cimento. Moradores de uma borda da cidade, historicamente esquecida pelo poder público, onde a baixa renda se mistura à baixa escolaridade e pavimenta o caminho dos evangelizadores, eles estão ávidos pela palavra de Deus. Mas ninguém ali exibe o estereótipo do cristão fundamentalista. Nada de vestidos longos e ternos escuros. Homens e mulheres usam jeans, camisa de malha estampada, tênis e costumam assistir a vídeos com pregações em telas de LCD e pelo YouTube ou redes sociais.
– O anticristo está dominando tudo. Queira ou não, estamos por um triz, à porta do Apocalipse – previnia o policial militar Márcio Capitulino, de 49 anos, durante o culto de quarta-feira passada acompanhado pela reportagem de O GLOBO.
Dois dias antes, a segunda-feira amanhecera ungida de orgulho evangélico no Mendanha. Após despejar votos na irmã Marina Silva (PV) e alavancar o segundo turno, muitos fiéis acordaram com a fé renovada. Eles tinham dado um recado ao país, mostrando até onde poderiam ir para barrar a “iniquidade” e defender os valores cristãos.

Notícias Cristãs com informações do O Globo