Gustavo Chacra – O Estado de S.Paulo

A votação em Manhattan se transformou em um programa de domingo divertido para famílias dos três Estados sob a jurisdição de Nova York – além do Estado homônimo, Pennsylvania e Nova Jersey. Alguns viajaram até três horas para chegar à cidade e aproveitariam para fazer um pouco de turismo.

Do lado de fora da escola alugada no Chelsea, havia uma fila de cerca de 50 metros, mas que andava rapidamente. “Há apenas uma demora para retirar o título de eleitor”, afirmou ao Estado o cônsul Osmar Chohfi, que comandava pessoalmente o processo eleitoral em Nova York, maior colégio eleitoral no exterior, com cerca de 21 mil brasileiros registrados – o dobro de 2002 e mais de 50% superior à última eleição presidencial.

O aumento no número de eleitores brasileiros em Nova York se deve a uma campanha lançada pelo Consulado do Brasil para convencer os cerca de 300 mil brasileiros dos três Estados a votar nas eleições. Não existe restrição aos brasileiros em situação ilegal nos Estados Unidos. “Nós não nos interessamos pelo status deles”, segundo o cônsul brasileiro. Qualquer brasileiro pode votar em Nova York, desde que se registre a tempo no consulado. Os que ainda votam no Brasil, mas estão no exterior, podiam imprimir uma justificativa em enviar para a Justiça Eleitoral.

Uma segunda opção é se apresentar à Justiça eleitoral até 30 dias depois do retorno ao Brasil com provas de que estava no exterior. Um carimbo no passaporte ou cópia das passagens são suficientes. O processo para votar no exterior é bem rápido. Os eleitores votam apenas para presidente e em poucos segundos já têm o voto registrado. A apuração seria feita logo depois do fechamento das urnas, às 17h.

Do lado de fora, não havia boca-de-urna e tampouco confusão envolvendo eleitores. Tudo estava organizado. Empresas voltadas para a comunidade brasileira aproveitavam para distribuir panfletos, como um despachante e a loja de produtos Búzios, que vende de sabonete Phebo e camisa da seleção a requeijão e Toddynho. Até a empresa odontológica Ferreira Dental Group fez propaganda entre os eleitores.

João Lorenzoni, depois de votar em José Serra (PSDB), iria dar uma volta por Nova York com a mulher Renata e o filho. “Viajamos uma hora de Nova Jersey até aqui”, disse o engenheiro químico.