Por Stênio Verde

“Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo. De fato eu vos louvo porque, em tudo, vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei”. I Co 11.1,2

Ser tradicional hoje e, sobretudo hoje, mediante a tantas mudanças, é crucial. As pessoas compreendem mal o que isso significa, de forma que o termo “tradicional” soa como algo retrogrado, ultrapassado e portanto obsoleto para a nossa época.

A palavra “tradição” significa literalmente “aquilo que tem sido transmitido” embora também possa se referir ao “ato de transmissão” em si. Tradição é a preservação dos conteúdos da nossa fé, esses conteúdos se encontram nas Escrituras do Velho Testamento, que por sua vez se encontram nos Evangelhos, que por sua vez se encontram na doutrina apostólica, e estes na tradição dos pais da igreja nos primeiros cinco séculos da era cristã.

Alguém afirmou que nossa tradição está firmada em Uma Escritura, em Dois Testamentos, em Três Credos, em Quatro Evangelhos e nos Cinco primeiros séculos da fé cristã.

A tradição neste processo veio a significar uma “interpretação tradicional das Escrituras”, ou uma apresentação tradicional da fé que se reflete nos credos da igreja e em seus pronunciamentos doutrinários.

Para a igreja primitiva a tradição era vista como um legado dos apóstolos, por meio da qual a igreja guiada em direção a uma correta interpretação das Escrituras. A tradição era vista como um meio de assegurar que a igreja permanecia fiel aos ensinamentos apostólicos, em vez de adotar interpretações bíblicas que fossem idiossincráticas, como o gnosticismo.

Nos primeiros séculos da era cristã foi a tradição que ofereceu a igreja o equilíbrio necessário quando o debate era se aqueles cristãos poderiam ou não se apropriar do imenso legado cultural do mundo clássico – a poesia, a filosofia e a literatura e outras formas de expressão.

Um dos pais da igreja chamado Justino Mártir afirmou que as sementes da sabedoria divina haviam sido semeadas por todo o mundo, o que significava que os cristãos poderiam e deveriam estar prontos para encontrar aspectos  da verdade refletidos no contexto externo a igreja.

Agostinho de Hipona, outro personagem do período patrístico, afirmava que esta situação era comparável a fuga de Israel do cativeiro no Egito,à época do Êxodo. Embora tenham deixado para trás os ídolos do Egito, levaram consigo o ouro e a prata para que pudessem fazer um uso melhor e mais apropriado dessas riquezas, que assim estavam disponíveis para servir a um propósito mais nobre que o anterior.

Este ouro e prata que os egípcios possuíram, os quais eles mesmos não  produziram, mas retiraram das minas da providência divina que se encontram espalhadas por todo o mundo, podem e devem ser úteis a causa do Mestre, pois a dificuldade está no uso que foi feito delas na cultura pagã.

Assim a nossa tradição nos diz que nem tudo o que há em nossa cultura pós-moderna pode ser útil a igreja, devemos somente ficar com o ouro e a prata e deixar no Egito tudo aquilo que não convém.

A nossa tradição nos diz que não podemos abraçar todas as inovações dos nossos dias, todos os aspectos literários, todas as artes, todos os estilos musicais, todos pacotes doutrinários, todos os pacotes eclesiásticos, todos os modismos, pois a tradição nos legou este bom senso, este equilíbrio.

Somente a tradição pode nos impedir de abraçarmos todos os ventos doutrinários de nossos dias, todas as aberrações neopentecostais e seitas evangélicas pagãs.

Sendo tradicionais ficaremos livres de muitas falácias doutrinarias e muitos líderes falaciosos.

Vejam quantas igrejas evangélicas abriram mão da tradição bíblica, e terminaram abraçando a tradição dos homens, o sincretismo religioso, o liberalismo teológico, os pacotes eclesiásticos.

“Todas as coisas me são licitas, mas nem todas me convém”

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Ser tradicional é conhecer profundamente as Escrituras e a sua verdadeira interpretação. Na vida nada é mais excelente e proveitoso ao homem do que o conhecimento de Deus e do Senhor Jesus Cristo.

O Apóstolo Paulo escreve dizendo: Sim deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo.

Este conhecimento trás aos homens uma grande alegria e quietude de coração nesta vida e a glória e a felicidade eterna depois desta vida. Como claramente declara o Senhor Jesus Cristo dizendo: E a vida eterna é esta, que te conheçam a ti como único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a quem enviaste.

O Diabo se esforça para impedir que os homens tenham tal conhecimento  Ele é o inimigo de nossas almas e desde a fundação do mundo tenta o homem por todas as vias e faz de tudo para privar o homem deste tesouro.

Como o Diabo é homicida e pai da mentira desce o princípio ele tem trabalhado para suprimir a verdade.

Em João 8.44 Jesus disse: Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.

Satanás fez isso com Eva, torcendo a Palavra de Deus e inaugurando assim suas heresias, ele distorceu uma frase apenas da Palavra e, quando Eva anuiu a esta distorção herética entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte.

Caim, que era do maligno, matou Abel para ver se com a sua morte, a verdade também sucumbiria.

Em primeiro João capitulo 3, versículo 12 lemos: Não como Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e porque o assassinou; porque as suas obras eram mas e as do seu irmão justas.

Saul perseguiu a Davi porque não vivia a mesma verdade que este, pois era amigo de Deus.

Muitos reis do povo de Israel deixando a lei e os mandamentos de Deus, foram idólatras e assassinos dos Profetas, e eram tão pecadores que fizeram Israel pecar. Como lemos em II Reis 21.16 a respeito de Manassés: Além disso, Manasses derramou muitíssimo sangue inocente, até encher Jerusalém, de um a outro extremo, afora o seu pecado, com que fez pecar a Judá, praticando o que era mau perante o Senhor.

Muitas vezes estes eclesiásticos e sacerdotes enganaram o povo e resistiram com grande veemência os profetas de Deus e tinham um grande número falsos profetas que falavam mentiras, como manifestadamente se vê nos quatrocentos profetas de Baal e quatrocentos profetas de Asera, os quais todos a uma boca, pelo espírito de mentira, enganavam a Acabe, rei de Israel e a toda a nação , só não enganaram a Elias, profeta de Deus.

Por estas tantas desobediências, os Caldeus destuíram a cidade de Jerusalém e o Templo e levaram o povo cativo a Babilônia.

Depois de 70 anos de cativeiro Deus levantou seus servos, instrumentos de sua graça, Esdras, Neemias, Zorobabel e Zacarias, Ageu e outros, os quais reedificaram a cidade santa e o templo, e serviram a Deus segundo a lei, mas a impiedade de seus sacerdotes cresceu novamente e de forma assutadora como nos testifica Malaquias em seu livro que foi o último profeta do Velho Testamento o qual escreveu asperamente aos ímpios sacerdotes

Malaquias 2.1,2: Agora ó sacerdotes para vós outros é este mandamento. Se o não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exércitos, enviarei sobre vós a maldição e amaldiçoarei as vossas bênçãos; já as tenho amaldiçoado, porque vos não propondes isto no coração.

Malaquias 2.8,9: Mas vos (sacerdotes) vos tendes desviado dos caminhos e, por vossa instrução tendes feito tropeçar a muitos, violastes a aliança de Levi, diz o Senhor dos Exércitos. Por isso, também eu os fiz desprezíveis e indignos diante de todo o povo, visto que não guardastes os meus mandamentos e vos mostrastes parciais no aplicardes a lei.

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Consideremos também como os sacerdotes e fariseus perseguiram o Senhor Jesus Cristo. O apóstolo João diz que “Ele veio para o que era seu, mas os seus não o receberam (João 1.11).

O precursor de Cristo, João Batista, chamava os sacerdotes e fariseus, que vinham ao seu batismo, de raça de víboras.

Cristo não teve maiores adversários nem mais maliciosos que eles. Muitas vezes não mediu palavras para descrevê-los chamando-os de cegos, loucos, guias de cegos, hipócritas e filhos dos que mataram os profetas, bem como filhos do diabo.

Assim como seus pais mataram os profetas de Deus, estes líderes religiosos negaram e entregaram Jesus Cristo dizendo: Crucifica-o! crucifica-o!

A obstinação e dureza destes sacerdotes eram tão diabólicas que eles também começaram a perseguir os apóstolos de Cristo procurando assim impedir o curso do evangelho como se vê nos Atos dos Apóstolos.

I Ts 2.15,16: Os quais não somente mataram o Senhor Jesus, como também nos perseguiram, e não agradam a Deus e são adversários de todos os homens. A ponto de nos impedirem de falar aos gentios para que estes sejam salvos, a fim de irem enchendo sempre a medida de seus pecados. A ira porém veio sobre eles definitivamente.

Atos 7.51: Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo, assim como fizeram vossos pais, assim o fazeis.

Cristo e seus apóstolos nos predisseram os perigos dos dias posteriores.

Mateus 24.11: Levantar-se-ao muitos falsos profetas e enganarão a muitos.

O apóstolo Paulo predisse aos anciões de Éfeso.

Atos 20.29: Eu sei que depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes que não pouparão o rebanho, e que dentre vós mesmos se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles.

As igrejas que não guardaram a tradição, a Sã Doutrina, agora estão num caminho sem volta.

É fácil expulsar o demônio,

Difícil é expulsar o analfabetismo bíblico,o sincretismo evangélico, a ganância financeira e a Doutrina da Prosperidade, o templocentrismo e a geografismo espiritual com seus demônios territoriais.

É fácil expulsar uma legião de capirotos,

Dificil é expulsar os ritos da macumba das igrejas evangélicas, o adoecimento doutrinário e ficar somente com a sã doutrina, os milagres falsos e os testemunhismos bem como a maldição da maldição hereditária

É fácil expulsar uma casta de demônios, basta oração e Jejum como disse Jesus

Difícil é expulsar os falsos apóstolos e os falsos profetas, o endurecimento daqueles que foram doutrinados com a mentira o demônio do utilitarismo, do servilhismo e da idiotice evangélica bem como a casta do neopentecostalismo do coração.

É fácil expulsar o império das trevas

Difícil é expulsar as trevas dos impérios eclesiásticos, o demônio do crescimento numérico, a infantilidade a fim de nos tornarmos maduros e adultos na fé, difícil é expulsar do coração a religião pagã do evangelicalismo.

É fácil exorcizar os espíritos imundos

Difícil é expulsar a imundície do espírito da Nova Era da igreja evangélica. Difícil é controlar o espírito e não bravatear que tal cidade pertence ao Senhor Jesus. (Pv16.32). Difícil é expulsar o “compromisso missionário”como investimento com retorno  financeiro garantido. Difícil é expurgar o espírito de barganha

É fácil exorcizar Satanás

Difícil é expulsar a compreensão satânica do culto do descarrego, as correntes que acorrentam os incautos e as fogueiras santas que queimam a verdadeira espiritualidade.

Difícil é exorcizar a unção do riso, a unção do emagrecimento e o cair  no espírito.

Difícil é expulsar os símbolos, as campanhas, os uniformes, os escudos, as bandeiras, slogans, logotipos, enfim, todos os componentes de amarração psíquica e mentalidade uniforme que esmaga a piedade.

Difícil é amarrar os apelos financeiros exagerados onde as pessoas deixam de ser rebanho e passam a ser mala-direta, mantenedores e parceiros de empreendimentos.

É fácil dizer: Arreda-te Satanás!

Difícil é expulsar a ênfase exagerada nos recursos da administração moderna. Difícil é expulsar do corpo de Cristo chamado igreja a falaciosa cultura de que uma igreja viva é necessariamente bem-organizada. Difícil é expurgar o orgulho administrativo que diz: Eu sou rico e abastado e não tenho necessidade de coisa alguma. Difícil é reconhecer-se como cego, pobre e nu, quando tudo prospera a sua volta e o império pessoal esta em franco desenvolvimento.

É fácil expulsar o demônio das enfermidades

Difícil é expulsar as enfermidades das doutrinas dos demônios,  o judaísmo, o sábado como compreensão do dia sagrado. Difícil é não tocar o chofar como  ato profético, é não levar a arca da aliança de brinquedo, é não fazer o voto do nazireado, é expulsar os apóstolos de mentirinha. Difícil é expulsar o cultos do reteté, o sapatinho de fogo, o dente de ouro e o culto dos mistérios.

Estas castas não são expulsas do meio evangélico nem com oração e nem com jejum!

“Para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para o outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.  Ef. 4.14

“Ora o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios.” I Tm. 4.1

Amados,

Devemos diferenciar os fiéis servos do Senhor dos enganadores.

v Os pastores buscam o bem das ovelhas e não os bens das ovelhas.

v Os pastores gostam muito mais do convívio do que de reuniões.

v Os pastores vivem a sombra da cruz e não de holofotes.

v Os pastores choram por suas ovelhas e não fazem suas ovelhas chorar.

v Os pastores possuem autoridade espiritual e não são autoritários e dominadores.

v Os pastores têm esposas e não coadjuvantes.

v Os pastores têm fraquezas não são poderosos.

v Os pastores olham nos olhos e não contam cabeças.

v Pastores são ensináveis e não donos da verdade.

v Pastores são ensináveis e não são donos da verdade.

v Pastores colecionam amigos e não admiradores da eficiência.

v Pastores se relacionam com outros pastores e não competem.

v Pastores vivem de salário, lobos enriquecem

v Pastores ensinam com a vida e não com o discurso.

v Pastores são humanos, reais; lobos são personagens religiosos, caricaturas.

v Pastores vão para o púlpito e não para o palco.

v Pastores se interessam pelo crescimento das ovelhas e não pelo crescimento das ofertas.

v Pastores apontam para Cristo, lobos apontam para si e para a instituição.

v Pastores são usados por Deus e não usam as ovelhas em nome de Deus.

v Pastores se deixam conhecer e lobos se distanciam e escondem.

v Pastores sujam os pés na estrada e não vivem pisando em palácios e templos suntuosos.

v Pastores alimentam as ovelhas e não se alimentam das ovelhas.

v Pastores buscam a discrição e não a autopromoção.

v Pastores pregam a graça enquanto que lobos vivem sem lei e pregam a lei.

v Pastores usam as Escrituras como texto; lobos as usam como pretexto.

v Pastores se comprometem com o projeto do reino e não com projetos pessoais.

v Pastores ajudam as ovelhas a se tornarem adultas e os lobos perpetuam a sua infantilidade.

v Pastores pregam o evangelho e não fazem propaganda do evangelho.

v Pastores lidam com a complexidade da vida sem respostas prontas; lobos lidam com técnicas  pragmáticas e jargões religiosos.

v Pastores são simples e comuns e não vaidosos.

v Pastores possuem dons, lobos somente cargos e títulos.

v Pastores trabalham em equipe, lobos são prima-donas.

“Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.” Mt 7.15

Sejamos mais apegados a Palavra, ao estudo e a pregação fiel, para não sermos também devorados pelos lobos pós-modernos.

Voltemos a Tradição!